Vagao 6 - Cabine 5

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Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Destino em Seg Ago 13, 2012 7:07 am

Vagão nº 6.
Cabine 5.

Como todos os vagões do Expresso, o vagão nº 6, o sexto vagão de passageiros, continha nove cabines ao todo. O corredor do vagão estava todo ornamentado, com cortinas de babados em cada janela, alguns quadros ao longo da parede com fotos de bruxos famosos que acenavam e cumprimentavam com a cabeça quem passasse. O chão demonstrava ser de tabletes de madeira, com um tapete de crochê que cobria quase toda a extensão do corredor e as paredes estavam cobertas com um papel de parede que davam um ar de casa antiga – casa de avó – ao vagão. O som de passarinhos gorjeando podia ser ouvido do lado de fora e apesar de se saber claramente que estava chovendo – bastava olhar para as janelas pra tirar essa conclusão –, o vagão possuía uma iluminação como se a luz do sol de um início de manhã estivesse entrando pelas janelas. Um cheiro de torta de maçã sendo preparada podia ser sentido ao longo de todo o vagão.

Deitado numa cesta que se encontrava próxima à porta do início do vagão estava um cachorro, da raça Golden Retriever, pelo dourado, enrolado sobre si mesmo e trajando o uniforme do esquadrão – ou pelo menos uma versão dele para cães. Fora o uniforme preto, de “corvo” como dissera uma das alunas na intervenção dos aurores, o cachorro era praticamente um cachorro normal. Ele coçava-se de vez em quando, permanecia aninhado na cesta, levantava a cabeça quando alguém avançava pelo vagão, acompanhando-o ou levantava-se e tomava um pouco da água que estava em uma tigela próxima à cesta – e tinha uma coleira com o nome “Coragem”. Fora isso ele não latia audivelmente e se alguém tentasse falar com ele, ele permanecia na cesta, abanava o rabo, arfava e tacava uma lambida na criança, mas não saia do lugar, nem latia.

Do lado oposto, sentada em uma cadeira de balanço, estava uma senhora, aparentemente bastante idosa. Utilizava o uniforme auror, também sem a proteção da cabeça, com os cabelos brancos presos em um coque. Em seus ombros, um xale de lã, aparentemente costurado à mão e tinha consigo duas agulhas de tricô e alguns novelos, com os quais tricotava o que parecia ser um cachecol. Ao lado da cadeira, próxima a entrada da última cabine – mas não a cabine nº 5 – estava um criado mudo com um par de chinelas e por cima uma maleta com material de costura. A velha senhora cumprimentava a todos que passava cordialmente, apresentando-se como sra. Muriel Daisy, dando informações quando necessário ou só conversando com quem se detivesse a ouvir – embora todas as conversas sempre fossem sobre quando era jovem e sobre seus netos, quando eles eram da mesma idade das crianças. Ela passava uma aura de tranquilidade e até mesmo os mais rebeldes não conseguiam entender porque seus pensamentos amenizavam ao redor dela, enquanto os mais sensitivos podiam sentir uma aura ao seu redor, enigmática, mas provavelmente a responsável por aquele efeito.

A cabine 5 se localizava na metade exata do vagão, entre dois quadros de bruxos – o do lado direito, uma senhora segurando um forcado e acenando para as pessoas e o do lado esquerdo uma lagoa e pessoas tomando banho com roupas de banho dos anos 30. Não tinha nada de diferente das outras cabines, contendo duas poltronas, uma de frente pra outra, cada uma com espaço para quatro pessoas – totalizando um máximo de oito passageiros. Acima das poltronas havia compartimentos para se colocar bagagens menores e por baixo da poltrona, espaço para bagagens que não pudessem ser colocadas nos compartimentos. Uma mesa retrátil podia ser puxada da parede onde se encontrava a janela, caso algum aluno quisesse comer algo ou realizar algum tipo de jogo. A diferença é que o cheiro de torta de maçã sendo preparada continuava forte, o chão era de ladrilhado de piso de madeira, a parede tinha um papel de parede e um quadro – nesse podia-se ver um homem velho, com trajes antigos ao lado de uma jovem, acenando próximo ao arco de um parque, onde ao fundo podia-se ver uma antiga cabine de polícia –, além da presença de peças de renda no vagão: Quando a mesa era puxada, uma toalha de mesa subia em conjunto; as poltronas tinham almofadas e uma peça de renda por cima dos encostos, ornamentando e as janelas também possuíam as mesmas cortinas que se encontrava no corredor. A luz do sol entrava pelas janelas, apesar de se ver claramente chovendo do lado de fora.




Olá. Copiando identicamente o quote do post da partida Expresso. E com essa postagem inicia-se o segundo playtest. Conforme anunciado no post de trancamento do primeiro, esse valer-se-á do uso das regras do sistema como referência. E apesar da ficha não ser obrigatória por causa que o RPG ainda não abriu, quem se envolver em situações que seja necessária consulta à ficha, terá uma ficha padrão feita por mim para uso até o final do playtest. Então, colocarei em pontos, para fácil leitura e consulta os principais pontos desse segundo playtest:
1. Será usado o sistema como referência, então se fizer alguma ação que saia do comum e envolva algum risco ou tensão pode ocorrer do narrador postar pedindo rolagem de dados, tá? Quem não tiver ficha terá uma ficha padrão feita por mim, supermegagenérica;
2. O trem só chega em Hogwarts quando eu postar encerrando esse playtest. Até lá são horas de viagem e podem ocorrer alguns eventos, estejam atentos;
3. Coloquem em cada post um resumo do seu post. Insira juntamente em que vagão seu personagem se encontra e a hora que acontece a descrição da cena do post (a legenda do lugar é: locomotiva, vagão-professor, vagão-enfermaria, vagão 1, vagão 2, vagão 3, vagão 4, vagão 5, vagão 6, vagão 7, vagão 8, vagão-restaurante, vagão 9, vagão 10, vagão 11, vagão 12, vagão 13, vagão 14, vagão 15, vagão 16, vagão-carga).
4. Vocês podem criar RP's pra vocês. Estarei postando 4 cabines fixas e esse tópico aqui em exclusivo é mais pra corredor e vagão-restaurante e cenas genéricas. Qualquer dúvida, procurem por Leish (Elliot B. Pointer) via PM ou no chat mesmo. Eu leio tudo aquilo ali, sempre.
5. Isso é apenas um jogo, a realidade é muito pior. Então, divirtam-se. Com sensatez. HAUHAUAHUAHAUHAUHAUAHAUHAUHAUAA!
Estarei postando os posts fixos de cabines pra quem não gosta de abrir RP – se você não sabe o que é RP, você pode junto com alguns amigos criar um tópico e postarem nesse tópico realizando a ação de vocês, sem precisar estar em um dos tópicos fixos... Só fique atento ao cabeçalho exigido por uma RP e aos acontecimentos em outras RP’s e no fixo, pra não ocorrer incoerência, certo? Acho que seja isso. Por isso... GL and HF! Let’s Play! Bonanças.


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Re: Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Aidan Sheppard em Seg Ago 13, 2012 4:49 pm

.06

Aidan era lufano, era escoteiro, monitor e, mais do que tudo isso junto, era canceriano. Podia compreender, podia entender, absorver e perdoar com uma facilidade quase assustadora, fazer as pazes em 5 minutos e se esquecer de todo o ocorrido anteriormente, ele podia. O que ele não podia, porém, era esquecer e perdoar quando o fato envolvia um bando de alunos que tinham uns parafusos soltos ou um desejo suícida pior do que uma lesma imbecil com um pote de sal. Isso não. Pior ainda quando um deles, o que tinha ateado fogo em todo mundo, pra piorar, era um monitor. Como se explicar isso? Como explicar que a Corvinal, casa de gente mil vezes mais inteligente do que ele, cometesse um erro desses? Não. Não podia.

Foi de braços cruzados, ao lado do professor de astronomia, Burton, Blanche, Croft, Vakarian e Gupta que ele assitiu a procissão dos alunos delatados pelos aurores e que descobriu, emudecido, que Michael Alleborn tinha tentado apagar o incêndio ao invés de estar no meio deles. Depois, o lufano seguiu a rotina preso em uma nuvem cinzenta, que sequer dava sinais de partir, sobre sua cabeça. Pegou suas coisas com o outro amigo, dobrou o que tinha sobrado das coisas de Sanjaya e colocou nos espaços vazios de suas malas, e andou complacente atrás de todos eles, o último do grupo de amigos.

Conseguia apenas notar os aurores e os alunos conforme iam passando pelos vagões, Gerry na vanguarda, como sempre, enquanto Aidan assentia com a cabeça quando reconhecia alguém ou ao menos para os aurores guardando a porta. E foi só quando chegaram naquele vagão que ele percebeu para onde Vakarian os tinha levado e entedeu o motivo. Ao seu lado, bem aos seus pés, tinha um labrador golden retriever que parecia tão sossegado como se estivesse tomando sol na varanda de casa, e uma senhora crochetando delicadamente no ritmo ditado por sua cadeira de balanço. O problema era o cheiro.

Maçã e canela, ele reconhecia bem. Sua mãe era perita na arte de fazer torta de maçãs e aquele era o exato aroma de quando ela ainda estava assando no forno, um cheiro forte preenchendo todo o vagão. É claro que Gerry os tinha levado até onde o cheiro de comida provinha, ou a lombriga que vivia no estômago do amigo, ele não podia dizer. Fosse como fosse, tinha algo errado ali. Primeiro porque não havia nenhuma torta de maçã a vista, a não ser aquela que ele tinha guardada na mochila, mas essa estava envolta em plástico e papel filme, era impossível que todo esse cheiro viesse dela. Segundo porque não havia sol. Não era para ter sol. Mas havia o calor e a luz morna de um dia ensolarado, podia até ouvir os pássaros, mas sabia que chovia lá fora.

Aidan torceu o nariz para o fato, tentando entender de onde tudo aquilo vinha, mas preferiu confiar no olfato de Gerry e seguir a máxima de Gandalf, O Cinzento, de que, na dúvida, o bom era seguir seu nariz.

(Tudo bem que João e Maria tinham se dado muito mal com essa de seguir o estômago nariz, mas ele tinha trazido comida de casa e pensava que, ao menos, isso diminuia os riscos de uma bruxa velha enfeitiçá-los com torta de maçã envenenada.)

Além disso, ele gostava de cachorros. Tinha tido um quando era muito pequeno, e tinha sido inclusive um labrador, mas um chocolate com enormes olhos azulados. E enquanto os outros seguiam na direção da quinta cabine, Aidan, o último da fila, ficou observando o golden retriever. Coragem, como estava em sua coleira, parecia tranquilo demais naquele lugar e era um cachorro... normal, exceto pelas vestimentas em modelo canino que espelhavam às dos outros aurores. Curioso, o garoto se abaixou e, esticando uma mão muito devagar, esperou que ela estivesse próxima, mas com uma distância suficiente para puxá-la caso Coragem resolvesse morder. Ele não mordeu, porém, nem cheirou os seus dedos, mas levantou a cabeça, abanou o rabo e lambeu não sua mão, mas seu rosto, arfando com se estivesse satisfeito de alguma maneira.

- Humm... provando sua comida, é, garoto? - o canadense riu, mas fez um cafuné na cabeça do animal antes de se levantar e sorriu mudando as feições nubladas de seu rosto - Bem, você com toda certeza deve ser mais esperto do que mais da metade dos alunos de Hogwarts e a população humana em geral, então vou me dar a permissão de me sentir seguro aqui. - e quando Coragem apenas arfou em resposta e abanou sua cauda mais uma vez, o sorriso de Aidan se esticou mais um pouco e ele se levantou, finalmente pronto a se juntar aos seus outros colegas na cabine 5.

Adela e Sanjaya estavam sentados juntos e, como ainda não tinha entendido exatamente o que havia entre eles além da troca de saliva que presenciara, decidiu que não era melhor ficar entre eles e que era mais saudável se sentar ao lado de Gerry, que tinha tomado uma posição de sentinela junto à porta. Guardou suas coisas, menos a mochila, e finalmente, depois de algumas horas que pareceram dias, ele se sentou em algum lugar, suspirando de alívio no processo.

- Chovendo... - ele se virou para Gerry, principalmente porque os outros pareciam presos em seu próprio mundo particular e nenhum outro de seus amigos tinha chegado. - Mas aqui dentro parece sol. Esquisito, no mínimo. E bem do lado da sua cabeça, eu vejo um quadro de Doctor Who. Ou eu acho que é. Pode ser, estou confuso no momento. Talvez tudo isso seja uma alucinação, explica bastante coisa, viu. - e depois de alguns segundos enquanto respirava e tentava desfazer o vínco formado entre suas sobrancelhas, ele finalmente quebrou o repentino silêncio de novo - Quer comer alguma coisa?

Resumo:
Depois de ajudar a contornar o ocorrido no trem e presenciar mudo ao lado da brigada de monitores e do professor de astronomia o que acontecia com os aurores e os alunos que participaram da confusão, Aidan, num espírito não muito pacifista, apenas segue a direção que o nariz do amigo aponta e vê-se no vagão 6, onde ele nota a presença de um cachorro e uma velhinha crochetando. Após uma breve interação com o labrador, se dirige à cabine 5, já mergulhada em um clima estranho, onde se reune com os amigos e tenta voltar ao normal, sem muito sucesso.

-


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Aidan Sheppard
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Re: Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Sam Gupta em Seg Ago 13, 2012 11:16 pm

Voltar a Hogwarts nunca havia sido tão difícil, nem tão chamuscado. Primeiro o malão icinerado por fogo amigo (mui amigo, Sam grunhiu internamente; ele não era de se irritar com facilidade, mas quando se irritava não perdoava assim tão fácil). Depois foi a vez do trem ficar em chamas – o grifinório ainda custava a acreditar que haviam sido alunos a fazer aquilo – e aí apareceram os aurores, e... era coisa demais para uma manhã de sábado, e tudo que o garoto queria àquela altura era chegar à Torre da Grifinória, cair na cama e fingir que aquilo tudo tinha sido um pesadelo, e prometer a si mesmo nunca mais comer pizza depois da meia-noite.

Mas o trem mal tinha pego velocidade, então aquilo estava longe de acontecer.

Aliás, antes da cama, ele precisava desesperadamente de um banho. Porque onde há fogo há fumaça, e onde há fumaça há fuligem, e quando se junta fuligem de verniz queimado com suor e Aguamenti (toma essa, Alleborn) o resultado é uma camada grudenta sobre a pele que promete só sair com muito sabão e esponja. O que melhorava bastante o humor de Sam, que adorava se sentir grudento. Só que não. Ainda mais com Delinha ali junto dele, tendo que aguentar um namorado suado, cheirando a fuligem e terrivelmente emburrado.

E ele ainda não tinha contado do namoro pros garotos. Super.

Depois que ele, Gerry e alguns aurores conseguiram dar conta do que restava do incêndio no trem – uma tarefa que demorou mais do que devia, graças à quantidade de material inflamável numa cabine de madeira antiga –, os dois grifinórios voltaram a se reunir com Adela, Aidan, Kian e mais alguns monitores e professores que haviam ajudado a evacuar a área e evitado uma tragédia maior. Foram informados dos fatos, embora a essa altura o cérebro de Sam já não estivesse registrando mais nada direito; não fossem os amigos lufanos, era capaz de ter esquecido na plataforma os poucos pertences que lhe restavam. Depois de muito atraso, finalmente embarcaram no trem e seguiram para uma das cabines vazias – Gerry na liderança, Aidan fechando a fila.

Ao menos o humor de Sam melhorou um bocadinho quando o grupo alcançou o vagão nº 6. Ao ver o que parecia ser um correspondente bruxo a um cão policial logo na entrada, o indiano se sentiu automaticamente seguro; gostava de cachorros, embora nunca tivesse tido um. (Sentiu-se até tentado de perguntar a Delinha se eles teriam um quando casassem.) O cheiro gostoso de torta de maçã abriu seu apetite. Quando chegaram à quinta cabine, Sam não pensou duas vezes antes de desmontar sobre um dos bancos, braço direito enlaçando a cintura da namorada num gesto que já se tornara automático. E ela nem parecia se incomodar com o fato de ele estar suado e cheirando a fuligem, no fim das contas.

Roçou o nariz no dela e ficou um tempo admirando o rostinho de porcelana da garota, os cílios longos e a boquinha rosada que ele não via a hora de encher de beijos. Só então se lembrou de que Gerry e Aidan estavam na cabine também.

– Então, com essa confusão toda a gente nem conseguiu contar a novidade, né? – Agora, depois daquelas demonstrações públicas de afeto, a notícia tinha perdido todo o impacto, mas Sam gostava de deixar as coisas bem claras. – Dela e eu estamos namorando.

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~ soniye ve, soniye ve
mere naal aaja soniye ~
(mãozinha pro alto, vamo lá!)

~ atalho pra ficha
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Sam Gupta
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Série 6º Ano

Índia
Age : 21
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Re: Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Anna Blanche em Ter Ago 14, 2012 1:32 pm

Spoiler:
Anna está ajudando em mais uma cabine crianças a descerem do trem pela janela, quando Michael, seu namorado, aparece e a tira de lá à força, não sem antes ajudar com aquela cabine. Ele não dá nem chances de defesa, por mais que ela continue argumentando de maneira insistente por todo o caminho, já que usa de sua força para arrastá-la e posteriormente coloca-la nas próprias costas. Voltando a plataforma, o casal encontra seus dois primos, e antes que os quatro possam conversar direito, Gabriella é levada por um grupo de aurores e um professor. Anthony ainda tenta ir atrás, mas Anna consegue pará-lo e os quatro começam a procurar uma cabine

    Suas mãos estavam mais geladas que o normal dentro das luvas aveludadas, prejudicando sua já pouca força, na tentativa vã de abrir a trava de segurança de mais uma janela. A fumaça densa ainda ocupava boa parte dos corredores e um pequeno grupo de crianças, todos eles muito pequenos para terem mais do que 11 anos a mirava com atenção, divididos entre o pavor e a aflição de ter a janela aberta e uma rota de saída. Seus dedos estalaram com a força imprimida na alavanca, quando ela ouviu um estalido que nunca soou tão bem aos seus ouvidos.

    Graças a Merlin”, murmurou claramente aliviada, o que se seguiu de um pequeno pigarreio, sua garganta estava seca; uma menininha com o rosto sujo de fuligem, enrolava uma das suas duas tranças com as mãos e dava claros sinais de choro.

    Empurrou o vidro com certa dificuldade, e começou a ajudar as crianças na decida improvisada do trem Não conseguia muito bem carregá-las, apenas dava um impulso inicial e Hermi estava lá fora para ajudar os pequeninos. Ia além de sua compreensão como alguém podia ser tão abissalmente estúpido em querer colocar fogo em um trem, seja lá qual motivo; porque além do óbvio, já que era um local pequeno e inflamável, ainda havia crianças ali dentro – se queria se matar, fizesse sozinho e não carregasse os demais nesse tipo de meta de vida, plano pessoal ou qualquer vertente intelectual que tentasse explicar aquele tipo de ação.

    Quando ia descer a última criança, a porta da cabine se abriu em um baque, mostrando a pessoa que ela mais queria ver naquele momento, o único capaz de realmente acalmá-la. Um rapaz alto e visivelmente forte, cabelos negros e olhos cinzentos um tanto nublados a mirava com o cenho franzido. O menino ao seu lado arregalou os olhos assustado, até porquê Michael estava claramente furioso, e ela sabia bem o porquê: seu namorado a queria fora de perigo e lá estava a corvinalense, no meio da fumaça, ajudando crianças.

    Como se ele não a conhecesse bem o suficiente! “Não se trata disso, Anna”, quase podia ouvir o tom sério, um tanto preocupado que ele usaria, se o questionasse em voz alta. A francesa o encarou com as duas sobrancelhas erguidas, para em seguida simplesmente tentar pegar o menininho no colo para colocá-lo no banco, e assim facilitar a saída. Michael grunhiu alguma coisa atrás de si, e quando ela viu, o alemão já estava carregando o menino e o colocando para fora do vagão sem dificuldades.

    E seria agora, ele expressaria toda a sua indignação, e nada como voltar aos tempos não tão remotos de gritaria: - O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI DENTRO? – o sotaque alemão se fez presente como o usual também nessas situações, amolando sua fala sem que ele notasse.

    Anna estava estranhamente feliz e mais sorridente do que deveria após escutar toda aquela gritaria, o que pareceria deveras surpreendente caso algum estranho presenciasse a cena. Mas ela sabia que o sonserino estava morrendo de preocupação e como se isso por si só já não a deixasse completamente embasbacada feliz, a francesa ainda lembrava-se bem da atitude dele, sendo racional o suficiente para tentar amenizar o Samhain antes do tempo, seja lá o motivo que fosse mas escutar que era por causa dela, no fundo a deixava por um motivo bem egoísta mais alegre ainda.

    Aproximou-se do namorado, com os olhos arregalados, ainda ligeiramente ardidos pela fumaça, tentando ver se ele estava bem e não ferido, porque quando têm incêndios pessoas tendem a sair machucadas. Analisou-o rapidamente, deixando-se respirar claramente aliviada quando viu que ele estava bem. Imediatamente depois o abraçou com toda a força que ainda a restava, e não era tanta assim.

    - Eu mais ou menos vi a confusão, e ouvi o incêndio e o seu contra feitiço – como ele era naturalmente mais alto, levantou o rosto, mirando-o com um vasto sorriso. – Não preciso dizer que fiquei imensamente feliz com o que escutei, não é?

    Michael, como lhe era peculiar, simplesmente ignorou sua fala (apesar dela jurar ver um sorriso em sua face, que durou algo como meio segundo) e simplesmente colocou um braço ao redor da sua cintura e saiu andando. E a corvinalense estava realmente tentando não se deixar levar, mas ele era demasiado forte.

    - Vamos. Depois conversamos. – era sempre assim. Por isso até ano passado eles ficavam aos berros no corredor. Ainda havia alguns quadros de Hogwarts que saiam correndo quando um deles ou ambos se aproximavam - A fumaça o pessoal tira com feitiço.

    - Michael, não! - e a corvinalense tentava em vão permanecer parada no lugar e não ser arrastada. Mas como sabia que nunca conseguiria com ele a arrastando, ao menos tentava argumentando – Espera, eu não posso! O professor Llywelyn pediu ajuda e eu sou monitora agora, lembra? - não que a francesa estivesse ajudando pelos dois motivos citados anteriormente, mas sim porquê não deixaria ninguém ali ficar queimado pela falta de controle emocional alheia – Tenho que ajudar – disse com os olhos arregalados, tentando que ele entendesse sua súplica, em vão.

    - Não quero saber de ordem de professor, você não vai ficar inalando isso. – não era só por causa do professor, antes mesmo dele requerer ajuda Blanche já estava reunindo as pessoas sensatas para acabar com o caos instalado.

    - Mas eu também que quis ajudar! – continuava tentando argumentar, mesmo sabendo ser em vão. O conhecia bem a ponto de saber que o alemão estava prestes a tirá-la dali definitivamente, entretanto não desistira fácil - Colocaram fogo no trem Michael e eu sei que você sabe que é insano, porque escutei o que você disse! – franziu o cenho imediatamente, estranhando a palavra; “insano” lhe pareceu um tanto simplório - Olha, se você ajudar vai mais rápido, que tal? – voltou-se a assuntos mais pertinentes.

    Eu faço o serviço apenas se você sair” seu namorado rebateu prontamente, ao que ela também replicou de pronto “Não posso! Olha quanta criança, Michael! E quanta fumaça!” uma densa nuvem ainda cobria boa parte daquele corredor, e ainda podia se escutar vozes e choros de crianças ali perto. E a corvinalense só não gritou quando ele em um gesto usual a colocou no próprio ombro, começando a carrega-la para longe, porque já estava mais do que acostumada com esse tipo de atitude.

    - Não aceitou a proposta, agora aguenta. – não tinha muita escolha, até porque o moreno era imensamente mais forte que ela, o que não a impedia contudo de bater as pernas em uma pífia tentativa para soltar-se - Eu até podia fazer o serviço mais rápido que você...

    - Michael.... Michael. – revirou os olhos perante a falta de reposta dele. Ainda bem que ela estava tentando livrar-se da mania de protestar em voz alta, porque seria bem nessa hora que a gritaria assustaria aos demais presentes seria iniciada. Mas a francesa se resumiu a soltar um muxoxo - Me coloca no chão, vai... – ainda insistia na racionalidade. Anna sabia que ele era inteligente – Eu agora tenho que cumprir com as obrigações do cargo... – suspirou por fim, tentando argumentar com o que ele já sabia, óbvio – Okay, okay, do meu caráter também, agora me solta e ajuda que assim vai mais rápido ainda, hein?

    - Não. – lembrava-se de forma cristalina das primeiras discussões deles, e de como ambos eram irredutíveis em seus pontos de vista. Só que a monitora ao menos se dava ao trabalho de argumentar, Michael simplesmente negava ou afirmava. - Ou eu faço tudo, ou não fazemos nada.certo. Como se ela fosse mesmo se deixar levar por isso. Soltou o ar pelo nariz, ainda insistindo numa discussão que sabia não levar a nada.

    - Você entende que eu já estou aqui há pelo menos dez minutos e já ajudei vários alunos a sair, não é? - questionou-o no famoso tom convencido. – E que estamos no meio do caminho... – quase final na verdade. Enão que ela notasse, mas um ligeiro biquinho se fez presente em seus lábios. Era um gesto involuntário, mas se o alemão visse decerto sorriria como sempre – Por favor?

    Mas agora era tarde. Ele abriu uma das portas do trem sem nenhuma dificuldade, ao que ela soltou um alto muxoxo, visivelmente descontente, o biquinho ainda presente, acompanhado agora do cenho franzido. Aquilo era uma afronta! Um insulto descomunal! Odiava profundamente quando Michael fazia isso, sem dar a menor chance a civilização se ter um diálogo decente. “E só te solto se não correr.”... Ela precisa mesmo responder? Não que fosse muito rápida, mas tinha que ajudar, poxa!

    - Não acho que seja saudável você não abrir precedentes pra uma discussão sobre o fato. – começou novamente, levantando o rosto na vã tentativa de ver seus avós. Se eles ainda estivessem ali, o alemão os escutaria e Anna estaria livre!

    - Não estou preocupado com isso. – mas é claro que não! A racional da casa era ela, afinal das contas. Seus primos e irmãos, todos adoravam uma boa briga, mas argumentar que é bom, nada! Conversar então, nem em sonhos... Ao menos seu pai era sensato, com ele que a francesinha tinha aprendido a dialogar.

    - Mas deveria! – continuava rebatendo-o automaticamente, seus avós ao que tudo indicava tinham sumido na fumaça – Tem pessoas em risco ainda, e alguém precisa colocar um pouco de ordem nesse caos todo! – tinha como não estar indignada? Anna ao menos achava que não.

    - Eu posso fazer isso por você, enquanto você elimina fumaça dos pulmões aqui fora. - ... seu namorado a conhecia, tinha a mais absoluta certeza deste fato. Porque então insistia nesse tipo de argumento? - Essa é minha proposta. – não, esta era a imposição dele, proposta ocorre em situações negociáveis - Ou a aceita, ou nada. – exatamente, com o alemão não tinha negociação. E por mais amável que ela achasse esse lado super protetor dele, era extremamente irracional. Anna era uma bruxa capaz e ajuizada, muito mais que muitas bruxas de sua idade e até alguns mais velhos.

    - Já pensou que nós dois fazendo é mais rápido? – começou a recorrer as mais absurdas hipóteses. Recusava-se a permanecer ali inerte, sem ao menos tentar - Além do mais, com as janelas abertas, a maioria deve ter dispersado...

    A resposta demorou, ao que ela respirou fundo, tossindo rapidamente. Ainda assim não daria o braço a torcer, queria ajudar os outros e ponto! Se o seu namorado lindo, praticamente um deus grego era irredutível, ela também o era.

    - ... Ainda estamos discutindo isso porque mesmo? – disse ele por fim depois de um silêncio sepulcral completamente proposital, disso a francesa tinha certeza. Como também sabia que ele não esperava resposta, pelo tom claramente enfadado e de quem encerra a conversa, mas honestamente! Michael estava lidando com uma corvinalense, está no sangue responder, ora essa.

    - Por que têm alunos em perigo, o trem está pegando fogo, eu preciso ajudar os outros, sou monitora e estou muito feliz com a sua conduta, ao menos estava até agora. – ela simplesmente respondeu sem a devida pontuação, da maneira mais automática possível. Francamente, ele ainda perguntava?

    - Como era mesmo aquele feitiço silenciador, hein, Anna? - ele a questionou, da maneira mais cínica não deixando de ser lindo possível. E infelizmente, como ela estava no automático, já iria responder quando ambos sofreram uma colisão.

    Melhor dizendo, quase que ambos foram atropelados pelo que parece ter sido um ogro. Michael permaneceu de pé, mas Anna quase voou de onde estava, a ponta de seu nariz tocando o chão gelado da estação; mas para quem estava cheia de fuligem, aquilo era o de menos. Com os olhos cerúleos arregalados em choque, só respirou com calma quando viu que estava parada, não ia bater de cara no chão e tudo porque seu namorado tinha bons reflexos. E era dono de um vasto vocabulário ofensivo, em inglês e alemão, porque ele usou uns xingamentos que nem ela conhecia ou tinha escutado antes.

    Puxava o ar com força, a garganta voltando a queimar, o que a fez inevitavelmente tossir. Ainda tremia ligeiramente quando seu namorado, finalmente usando o bom senso a colocou em pé no chão, ao lado dele. Virou-se para o casal recém chegado e teve uma reação um pouco extrema, mas necessária: tentou dar uns tapas no braço extremamente forte do loiro armário que estava acompanhando sua prima, e tudo que ganhou com um olhar visivelmente incrédulo e cínico dele, já que Blanche não tinha força nem para causar arranhões no francês, ao menos fisicamente.

    Os dois casais permaneceram conversando, já que um esquadrão especial de aurores apareceu imediatamente, através de um portal. Anna conhecia aquele uniforme, e era diferente do que sua mãe utilizava. A inglesa por sinal se recusava a dar maiores detalhes sobre tal divisão, até mesmo para os filhos, e a corvinalense nunca soube se era pela famosa neurose que acomete todos os aurores ou se por falta de conhecimento do que realmente se tratava. Apostava mais na primeira hipótese.

    Tudo estava correndo tranquilamente, ou o máximo possível até que começou um burburinho sobre bombas. Espere ai, bombas?! Tentou procurar ao redor algum professor que pudessem informar o que realmente acontecia, notando os sensitivos dentro do trem usando seus dons para ver os envolvidos no caos.

    Contudo, antes mesmo que pudesse se situar, sentiu o sangue sumir de sua face: um grupo de aurores acompanhado de um homem que ela nunca tinha visto marchava na direção deles, ou melhor, de sua prima, que já se adiantava em se defender em vão, enquanto Anna, a única racional dos quatro procurava entender sem se pronunciar o que acontecia.

    Acabou que sua prima foi levada, o que a deixou profundamente desesperada, não mais que seu irmão insensato que achou que deveria ir atrás. Mas como era ela normalmente quem tinha que manter as coisas menos piores, nada como uma boa argumentação citando a mãe deles e sua mão mais do que pesada para fazê-lo desistir da idéia, ao menos por agora.

    - Acho que não tem jeito mesmo, melhor irmos andando. – disse dando-se por vencida, seu rosto mais abatido que o normal, o cansaço tomando o espaço deixado pela adrenalina que se extinguia. Queria apenas sentar um pouco para refletir – Melhor a gente encontrar uma cabine, porque ele vai acabar procurando encrenca. – revirou os olhos ao reconhecimento do temperamento do irmão – Você sabe que não terminou não é? Ele concordou muito rápido.

    - Vou mantê-lo perto. Se eu deixá-lo fazer uma besteira sua mãe me mata. – Matar era muito forte, mas ele realmente não queria presenciar a ira de Marie Blanche; nem ela.

    Entraram em um dos vagões e a francesa notou que o local tinha sido enfeitiçado, já que mostrava um tempo bom que não existia lá fora, pelas janelas. Ou ainda um cheiro de torta de maçã pairava no ar, o qual invadiu seus sentidos e a fez lembrar de sua avó.

    Mal tinham dado dois passos, e a menina jurava ver uma senhora tricotando e um cachorro de pelagem dourada ao longe, também uniformizado; “comme c'est mignon!”*, quando ouviu uma voz conhecida: Gerry Vakarian. Girou nos calcanhares, em sincronia com Michael, sorrindo de boa vontade ao recém chegado. Nada melhor do que ver um rosto amigo depois de todo aquele caos.


[off]Não revisei, deve ter alguns erros,
a escrita não está boa e no final meu raciocínio estava lento.
Qualquer coisa, mp o/
*significa algo como "que fofo"[/off]


Última edição por Anna Blanche em Ter Ago 14, 2012 2:05 pm, editado 1 vez(es) (Razão : Uma das falas não estava colorida :S)
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Re: Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Gerry Vakarian em Ter Ago 14, 2012 2:00 pm

Spoiler:
Depois de ajudar a conter o incêndio, Gerry (em péssimo humor) volta a se reunir com seu grupo e o guia até uma cabine cheirando a torta de maçã, porque a fome tende a falar mais alto. Depois de dividir um lanche com Aidan, lembra-se dos sonserinos e do corvinal detidos e sai para procurar Michael Alleborn, imaginando que o amigo ainda não teria encontrado onde ficar.

Por melhor que fosse a perspectiva de voltar a Hogwarts – reencontrar gente, retomar estudos e treinos e se ver um ano mais perto da formatura –, não havia muita coisa capaz de salvar o humor de Gerry depois dos acontecimentos no trem e na plataforma. Com uma briga estúpida, tinham destruído quase toda a bagagem de um de seus melhores amigos, que não tinha nada a ver com a história. E no fim das contas, isso não era nada perto do que tinha acontecido no Expresso. Até quis apurar alguma coisa, mas infelizmente não havia nenhum rosto conhecido entre os aurores enviados; pelo pouco que entreouviu, contudo, havia uso de arte das trevas em jogo e, claro, o incêndio que todos haviam visto. Tudo vindo da mão de alunos, aparentemente, porque não havia nenhum criminoso a ser pego por ali. Era gente de Hogwarts contra gente de Hogwarts, destruíndo o patrimônio da escola – patrimônio público.

De repente, Gabriella Alleborn e seu temperamento fora de controle eram brincadeira de criança.

Para completar, toda a ação dos aurores demandou tempo, atrasando ainda mais uma viagem já muito atrasada. Pensou no carrinho de doces – a falta que fazia o carrinho de doces! – e no lanche que sempre dividia com Aidan quando já estavam a caminho. Com toda a confusão formada, porém, ocupados entre catar os restos da bagagem de Sam, tirar fuligem do corpo, relatar para o Professor Llywelyn o que tinham conseguido e recuperar o fôlego, os garotos não conseguiram nem pensar nos sanduíches de lombo, muito menos atravessar de volta para o lado trouxa de King’s Cross e comprar um bolovo que fosse.

Foi assim que Gerry Vakarian, esfaimado e mau humorado, foi comandando seu grupo para dentro do trem, deixando que seu nariz indicasse o caminho. Porque se algum vagão cheirava a torta de maçã, não havia força no mundo que deixasse um holandês morto de fome longe dele. Um sol morno de manhã invadindo o corredor através das janelas, levando o sextanista a pensar vagamente em como os feitiços de climatização estavam evoluindo – e se não havia razão aparente para criarem um espaço tão acolhedor no Expresso, ele não ia reclamar disso agora. Todos ali estavam com os nervos em frangalhos e tinham o direito de aproveitar um mínimo que fosse.

- Chovendo... – A voz de Aidan quebrou o silêncio, felizmente. Mesmo sentando-se junto à porta, a cabine não era grande o bastante (e nem estava suficientemente ocupada) para que Gerry conseguisse evitar dar muita atenção a Sanjaya e Adela. Se o clima entre os dois era insustentável antes das férias, agora que aparentemente estavam namorando havia uma nuvem de algodão-doce pairando ao redor dos dois, mesmo com a tragédia que consumia o mundo. Esfregando narizes? Sério?Mas aqui dentro parece sol. Esquisito, no mínimo. E bem do lado da sua cabeça, eu vejo um quadro de Doctor Who. Ou eu acho que é. Pode ser, estou confuso no momento. Talvez tudo isso seja uma alucinação, explica bastante coisa, viu. – O holandês soltou um riso fraco pelo nariz; entendia bem como o amigo se sentia. Virou-se para conferir o quadro, mesmo que não tivesse ideia do que o outro estava falando. Doctor quem? – Quer comer alguma coisa?

Por essas e outras, Gerry tinha orgulho de chamar Aidan Sheppard de melhor amigo.

– Hm, quero! – Mal conseguiu conter a dose incomum de empolgação na voz, o estômago falando mais alto. Era impossível não lamber os beiços só de pensar nos sanduíches e nas tortas de maçã que a Sra. Sheppard fazia, ainda mais considerando que o grifinório só tinha acesso a esses quitutes duas vezes por ano. De certa forma, a consideração que a mãe do amigo demonstrava por ele condizia com o ambiente do vagão; era gentil ao extremo que ela se lembrasse dele todo ano e enviasse uma porção a mais de lombo na bagagem de Aidan, mesmo que Gerry só tivesse ido a Vancouver uma única vez, três anos antes. Não era de se espantar que o canadense tivesse sido selecionado para a Lufa-Lufa, com uma criação daquelas.

Repetindo o ritual de todo ano (ainda que, dessa vez, cobertos de suor e, principalmente no caso de Gerry, uma camada de fuligem), os dois amigos se desligaram temporariamente do Casal Açúcar, dividindo os sanduíches recheados com lombo e – bendita fosse a Sra. Sheppard! – a torta de maçã com canela. Com o cheiro do doce impregnado na cabine, era bom demais poder devorar uma fatia inteira em não mais que três mordidas – e depois comer mais uma, com mais calma, para aproveitar o sabor. Conforme a comida foi assentando, a fome dando lugar àquela satisfação boa, os pensamentos do grifinório foram ficando mais claros, saindo daquele padrão turvo de Hogwarts devia começar a expulsar gente ou o mundo vai acabar mesmo esse ano. E isso permitiu que ele finalmente conectasse duas informações: o grupo de alunos escoltados para o vagão dos professores e o fato de que aparentemente Michael Alleborn tinha sido o primeiro a tentar apagar o incêndio. Conferiu os lugares vagos: tinham ainda que guardar um para Kian e outro para Ollie, mas de qualquer forma sobravam dois.

– Então, com essa confusão toda a gente nem conseguiu contar a novidade, né? – A linha de raciocínio acabou sendo interrompida por Sanjaya, que aparentemente tinha acabado de se lembrar que aquela não era uma cabine privativa. – Dela e eu estamos namorando.

– É, deu pra notar. – Foi a resposta imediata, que escapou de Gerry rápido demais para que ele pudesse contê-la. – Parabéns aí. – Emendou porque o indiano tinha tido um dia bem ruim e porque a cara de Burton se transfigurou em uma expressão lívida que não prometia nada de bom. Sem contar que era chato ser grosseiro com uma menina daquele tamanho. – Hein, eu vou ver uma coisa aí, mas já volto, ok? Beleza. Qualquer coisa, sempre tem o cachorro. – O conselho foi dirigido apenas a Aidan, que podia até não ser a criatura mais perspicaz do mundo, mas certamente entenderia que o animal lá fora podia ser uma boa desculpa para escapar da alta concentração de mel na cabine.

Nem precisou andar muito pelo corredor para encontrar Michael que, acompanhado pela namorada, parecia procurar abrigo. Bingo. Ainda que parecesse improvável para quem visse de fora, a relação com o sonserino era uma das mais sólidas que tinha. O que havia começado com um silencioso reconhecimento mútuo – um alemão, o outro holandês; ambos sossegados – acabou se tornando uma amizade verdadeira conforme os dois passaram a duelar por esporte. Para o grifinório, que passou toda a infância e boa parte da adolescência com o objetivo fixo de ser auror, era ótimo ter alguém com quem praticar ataques e feitiços mais ofensivos. Acabaram encontrando um no outro oponentes de valor, daqueles que dão trabalho, e com isso veio o respeito. Os embates semanais também tinham espaço para conversas que iam desde outros alunos até ideologias – e no fim das contas, os dois não eram tão diferentes assim; pelo contrário.

O problema maior, na verdade, eram os outros amigos de Michael. Mas vendo que uma parte considerável deles havia sido levada para detenção, não custava tentar enturmar o sonserino com um grupo mais confiável. Se tivesse que apostar, diria que Anna Blanche apoiaria a ideia.

– Ei, Michael! – Quando chamou, não foi surpresa que atraísse a atenção do casal, a francesa virando para trás em sincronia. Não a via desde que se separaram, pouco antes de entrar no trem; tal qual Aidan e Adela, também não estava exatamente alinhada, além de parecer um tanto cansada. Normal, todos eles estavam. – Ei, Blanche. Tudo bem com você também, né?

– Ah, Vakarian! – A corvinal arregalou os olhos em um ar surpreso que lhe era costumeiro, mas logo deixou o ar escapar dos pulmões com um quê de alivio. – Sim, eu estou bem – Uma troca de olhares com o garoto ao lado dela. – É, nós estamos bem. Muito obrigada mesmo pela preocupação. E você, como está depois de tudo lá dentro? Conseguiram resolver bem as coisas? – A pergunta veio acompanhada por um torcer de nariz; do jeito que era, Blanche certamente não engoliria aquela palhaçada toda também.

– Ah, ficou tudo bem, uns aurores ainda apareceram e deram uma ajuda. Depois eu encontrei o Sheppard e a Burton, imaginei que estivesse tudo certo. – Voltou-se então para o sonserino, sem rodeios. – Escuta, cara... Vi que aquele pessoal foi levado pra detenção. Tem lugar na nossa cabine, qualquer coisa. – E deu de ombros, pontuando a oferta.

– Ah, acho que vou aceitar, cara. Tenho a impressão que vai ser melhor pra evitar confusão. – Evitar confusão, afinal, era a atitude óbvia a se esperar de um sonserino esperto, e isso Michael certamente era. – E posso chamar o trasgo loiro ali?

O trasgo loiro em questão era Anthony Blanche. Na verdade, um Anthony Blanche que parecia bastante mal-humorado – além de ser um imprevisto.

– Ahn, na verdade acho que a gente só tem... – Com Ollie desaparecida (onde ela teria se enfiado?) e Kian sumindo por outras cabines, porém, julgou que era um risco válido. Não conhecia muito bem o irmão da corvinal – mantinham uma distância segura um do outro desde o início dos tempos –, mas confiava em Michael. Além do mais, era bem provável que Adela, mais cedo ou mais tarde, sumisse para passar um tempo com as amigas. A não ser, é claro, que a saliva de Sanjaya fosse de supercola e mantivesse a menina longe de uma chance de fofocar. – Tsc. A gente se vira. Chama sim.

– Desculpa, prometo compensar. Ô TRASGO! – O sonserino gritou para o outro, recebendo um resmungo em resposta. Ainda assim, Anthony arrastou-se para junto deles, em passos meio contrariados. – Juro que ele não morde.

– Heh, tranquilo. – O grifinório cumprimentou o recém-chegado com um menear de cabeça, a comunicação silenciosa que costumava manter com as pessoas. E com o acordo fechado, seguiu de volta para a cabine, guiando o novo grupo. Cumprimentou a velha auror que tomava conta do vagão, assoviou para mexer com o cachorro e, tão logo abriu a porta, foi voltando ao seu lugar original, aliviado de ver que Aidan sobrevivera à concentração absurda de glicose ali dentro.

– Pronto. Achei que podia ser uma boa ocupar logo a cabine com quem não tá tentando destruir tudo, só pra variar um pouco.

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Re: Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Anthony Blanche em Qua Ago 15, 2012 9:55 pm

Resumo simplificado:
Anthony estava na cabine com os sonserinos, quando trem pegou fogo. Foi atrás de sua namorada, que foi levada por alguns aurores e o novo professor. Tentou ir atrás dela, mas foi impedido e desde então está com um péssimo humor


    Se soubesse como as coisas acabariam, não observaria com a mesma cara de tédio que lhe era peculiar, o pobre corvinalense no chão, tendo seu rosto pisado por uma de suas colegas de casa. Para que tanto teatro? Ele não era fã de sangue ruins, e era só mandar embora e acabou o assunto. Tudo bem, cada um gasta a sola do sapato ou a lábia como quiser, para quê Blanche ia se intrometer? Não ia ganhar nada com isso mesmo.

    Conhecia o garoto, não lhe era estranho. Lewis, se não se enganava. Coçou a nuca, pronto para se levantar e tirá-lo dali pelos ombros; para que toda aquela perda de tempo? Será que se ele bocejasse de tédio seria muito sutil aos seus demais colegas? Isadore decerto escutaria e ela parecia exercer mais controle sob o monitor da cabine do que os demais mesmo...

    Falando na autoridade local, não é que o tal Lewis estava criando coragem? Talvez por andar com tantos grifinórios, o garoto estuporou Baudelaire numa tentativa um pouco improvisada de vingança – e saiu correndo. A sonserina e namorada do estuporado saiu da cabine espumando e tudo que Blanche fez foi mirar o relógio de bolso prateado, com uma sobrancelha erguida. Dez minutos para que o trem partisse. Podia bocejar agora?

    Ouviu no corredor o feitiço, gritado aos quatro ventos, com milhares de alunos perto, porque até ele ali de dentro escutou e tudo o que fez foi dar um meio sorriso. Ou Isadore se garantia muito ou tinha uma explicação praquilo que lhe escapava completamente; atacar um aluno assim? E olha que ele nem era tão inteligente quanto toda aquela cabine e sabia que não acabaria bem. Voilà, ali estava o retorno.

    Coca-cola. Blanche conhecia aquela porcaria, não só pelo cheiro, mas porque sua namorada era fissurada naquela bebida trouxa. E coco de passarinho. Revirou os olhos enfadado e limpou as próprias roupas em um gesto curto de varinha. Estão vendo? Isso que dava mexer com crianças.

    Mas ao acordar, Charles Baudelaire no auge da sua inteligência achou que não era o suficiente. Anthony em contra partida achava que brincar com o maternal tinha limite – até mesmo pelo tédio que causava, mas olha, quem era ele?

    Lá foi a trupe sonserina, com sede de vingança sem planejamento – e engraçado, porque mesmo não sendo tão inteligente quanto os demais presentes, tudo o que o francês queria no momento era descanso. E ficar longe dos sangues ruins, não ir para perto deles. Vai entender! Devia ser coisa de intelectual...

    Michael e o francês iam por último, como sempre, os guarda costas do grupo, Anthony bocejou finalmente, sua face exprimindo todo o tédio que o acometia. O trem ia partir em menos de cinco minutos, tinha visto ao menos o Professor Arundell na plataforma, devia estar voltando à Hogwarts; não ia ter saída para nenhum dos lados se fossem pegos ali.

    Ia se intrometer, acabar logo com a palhaçada e jogar um feitiço na cabine que devia ser o alvo , fazer uma infiltração, que começasse a derreter o teto seria o suficiente para assustar as criancinhas. Deu nos ombros, não curtia muito psicologia infantil--Ce qui la baise?! Colocou as duas mãos para cima, com uma sobrancelha erguida, e a boca entreaberta. Essas pessoas muito inteligentes, sabe? Não dava mesmo pra entender. Atear fogo com todo mundo lá dentro? Inclusive ele mesmo, os supostos amigos e a namorada?

    Michael ainda tentava discutir com os mentalmente avançados e apagar o fogo, porque dã-a! Eles estavam mais perto, iam virar mashmallow queimado! E quando usar a razão com os inteligentes não dava certo, então era hora de cair fora. Blanche revirou os olhos, que eles se danassem! Sua namorada estava naquela porcaria. Se Baudelaire curtia não ligar pra vida da namorada dele, ótimo pros dois e problema deles também.

    A fumaça densa e negra começava a cobrir os corredores, uma das novas sonserinas por sinal ainda conjurou mais. Pff! Pra quê? Tinha desistido de entender. Pegou o amigo pela manga da blusa e murmurou, sendo acobertado por uma explosão (e ele nem queria mais saber de quem, do quê ou pra onde não adiantava mesmo):

    - Cara, se ele quer se matar, deixa ele! Vamos sair daqui antes que sobre pra gente... - disse o francês com simplicidade. – Eu vou procurar a Gabi, ela deve estar dormindo, deixa ele ficar ai treinando salamandra de fogo ou bafo de dragão. – deu nos ombros e saiu andando, a gritaria das crianças ao fundo tinha começado. Que maravilha, mais gritos, mais sangues ruins correndo alvoroçados. Tudo o que ele queria... Só que não.

    Alleborn disse alguma coisa, sobre Anna e por mais que não gostasse da irmã o francês entendia bem aquele tipo de preocupação com a vida da própria namorada, mas não pode se ater. O fogo em contato com o mogno da cabine se alastrava rapidamente, teve que subir a gola da blusa até o nariz para conseguir respirar.

    Começou a andar com cautela, tendo que se desviar de um jardim de infância inteirinho, ficando cada vez mais impaciente e preocupado com o sumiço de Gabriella. Por fim a encontrou, os dois quase se esbarrando e Blanche a amparou imediatamente antes que caísse, sorrindo aliviado porque a grifinória estava bem, apesar dos imprevistos.

    Tudo estaria caminhando finalmente para um lugar menos complexo, afinal ele tinha consegui até fazer com que sua peculiar irmã mais nova quase desse com a cara no chão, mesmo sendo segura como um saco de batatas pelo namorado. Os quatro discutiam o que tinha acontecido, ambos os sonserinos sendo evasivos com Gabriella, e especialmente Anna com suas perguntas pertinentes, coisa que corvinais normalmente fazer, sabe como é, tentar encontrar respostas no cérebro não na fumaça; mas novamente, quem era ele, que não tinha toda essa sapiência pra julgar? Cada um acha resposta onde convém.

    Notou um esquadrão de aurores vindo na direção deles. E sentiu o sangue sumir de sua face. O homem que vinha à frente tinha cara de péssimos amigos e carregava uma lista. Tentou trazer Gabriella para perto de si mas já era tarde, a loira já se defendia. E era prontamente acusada. Abriu a boca com o cenho franzido para tentar falar alguma coisa, mas quando deu por si eles já se afastavam com a grifinoriana. Tudo que conseguiu pensar foi em acompanha-la, tirá-la dali não importava como.

    Sua irmã, a pequena pestinha gritava seu nome. Que ela queria? Estava cansado de inteligências excepcionais querendo manejar a situação aquele dia, odiava essas coisas de lógica, nada fazia sentido nenhum, o desfecho ali era uma boa prova disso. Continuaria marchando na direção do grupo, todavia o argumento utilizado pela morena o fez parar no lugar. Tá, sua irmã ainda era irritante mas ao menos ele concordava com o que dizia. Já bastava de aurores aquele dia, envolver a mãe deles não era necessário; até porque assim que soubesse do feito, se bobear Marie Blanche aparecia em Hogwarts para fazer do couro deles tapeçaria.

    Fez a volta, rumando para o primeiro vagão que viu. O casal que estava pedindo por um estupefaça no meio da testa, algo meio deja vu aquela hora do dia por sinal, vinha atrás conversando quando Vakarian apareceu; e quando deu por si estava em uma cabine inusitada, mas ao menos ninguém ali teria idéias espetaculares para--- Para que mesmo? Ah sim, pouco importava.

    Sentou-se no banco da cabine, anormalmente calado. Não queria assunto com ninguém – e não era só porque eram dali e não eram sonserinos, esse negócio de padronizar casas era outra coisa que ele não entendia: se podiam ter amizades nas outras casas que trouxessem benefícios mútuos, pra que rotular? Então não era isso, estava apenas cansado e sonolento.

    Via a conversa se prorrogar, alheio a qualquer tipo de assunto e sem a menor vontade de opinar, quando revirou os olhos para o excesso de glicose açucarada (era tanta que necessita da redundância) e trincou o maxilar, minutos depois da porta bater e sua irmã sair. Sentia raiva uma raiva descomunal e pouco usual. Não eram sentimentos seus, sabia disso, era Gabriella; e ao notar isso estreitou os olhos, ninguém fazia isso com ela.

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Re: Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Aidan Sheppard em Qui Ago 16, 2012 2:18 pm

.07

– Então, com essa confusão toda a gente nem conseguiu contar a novidade, né? Dela e eu estamos namorando.

– É, deu pra notar. - o amigo disse, meio retorcido, contornando com um parabéns antes que Adela Burton abrisse um buraco em seu crânio apenas com seus olhos. Aidan só assentiu com a cabeça um vago "É, deu sim." mesmo que não, ele não fizesse ideia de nada, e depois um "Parabéns aí, de verdade!" ainda que ele estivesse começando a sentir que a trindade formada desde o primeiro ano começava a se desfazer de alguma maneira com a lentidão de um Mass Relay (leia-se: mais rápido que a velocidade da luz).

O pior de tudo é que Vakarian, num ato que Aidan não podia imaginar, o tinha abandonado a todo aquele doce capaz de falir A Fantástica Fábrica de Chocolates, se levantado e ido embora como nenhum grifinório deveria fazer, muito menos se esse grifinório em questão fosse holandês e respondesse pelo nome de Gerry Vakarian. Ainda assim, Sheppard fez tudo o que pode, o que se resumia a olhar o relógio de pulso, olhar a janela, observar o quadro de Doctor Who e Sarah Jane, admirar o trabalho de crochê da senhorinha e terminar de comer seus sanduíches e sua torta em paz.

O problema era que, passado os minutos, alguns beijinhos de esquimó, ele podia sentir quase uma bolha feita de açúcar e mel envolvendo o grifinório e a sonserina, como se eles estivessem no seu próprio mundinho particular. E era particularmente enjoativo, senão constrangedor, estar sentado, sozinho, apenas observando uma cena de romance que conseguia ser pior do que a da Subject Zero em Mass Effect e seu quase xará Commander Shepard - e se lembrava bem de que ela tinha chorado durante o... ato, enquanto ele esfregava círculos em suas costas.

Aidan Sheppard considerou seriamente ir bater um papo com o golden retriever na porta do vagão.

Isso é, antes da cabeça de Michael Alleborn aparecer na porta de sua cabine.

Por princípio, Aidan tentou fechar os olhos, piscar e só esperar que a nova alucinação desaparecesse. Afinal, se já não havia mais fogos e fumaça e todo o resto, Michael Alleborn também não podia estar ali, não de verdade. Mas, então, Anna Blanche adentrou a cabine e se sentou à janela, do seu lado dos bancos, o namorado sonserino a seguindo e se sentado bem ao seu lado, e toda a esperança de que fosse alguma coisa da sua cabeça passou. Juntou as sobrancelhas, tentando, realmente tentando, entender que diabos tinha dado no Alleborn para sair entrando na sua cabine assim, do nada, quando todas as suas respostas foram cuspidas em sua cara assim que Anthony Blanche também entrou na cabine junto com Gerry Vakarian, que voltou a ocupar o lugar junto à porta e ao seu lado, deixando-o espremido entre dois gigantes e buscando, instintivamente, se afastar de Alleborn de tal maneira que quase se viu colado ao amigo.

No entanto, quando Michael Alleborn não pareceu lhe emprestar muito mais atenção do que à decoração do lugar, ao invés disso se concentrando em deixar todos diabéticos em conjunto com Sanjaya e Adela, o canadense parou para refletir sobre o que realmente tinha acontecido ali. E a conclusão ao qual chegou em não menos do que dois segundos (podia não ser corvinal, mas nem ele era tão burro assim) era a de que seu amigo, seu melhor amigo, tinha mandando que ele fosse conversar com o cachorro enquanto ia convidar Michael "de boa" Alleborn pra ocupar seu lugar na cabine.

Foi assim que Aidan Sheppard, canadense, lufano, sujo de fuligem e parecendo um guaxinim porque só tinha limpado os olhos direito, se forçou a fechar a boca e endireitar a coluna e a estudar em que ponto sua amizade tinha decaído tanto a ponto de ser preterido pelo sonserino. E não era uma simples troca, não. Gerry tinha sido enfático com poucas palavras, tinha sim, porque de certo que um "Hein, eu vou ver uma coisa aí, mas já volto, ok? Beleza. Qualquer coisa, sempre tem o cachorro. " era o equivalente nas tribos da amizade ao "Vou ali comprar um maço de cigarros enquanto você assiste a novela aí" e nunca mais voltar.

Seu melhor amigo. Impressionante. E justo pelo sujeito que arrebentava sua cara de tempos em tempos - e que Aidan acabava costurando e colocando tudo no lugar porque o tal do treinamento que existia entre eles (e que, valia salientar, o lufano não podia participar porque "Eu não conseguiria lutar a sério com você, Sheppard") era um duelo cladestino e, assim, era melhor que a enfermaria fosse evitada. Mas ele tinha sido mandando ir conversar com o cachorro e tinha Michael Alleborn ao seu lado.

Mas, obviamente, não cederia um milímetro do seu lugar sem uma boa briga, e assim cruzou os braços como se tudo estivesse bem e o máximo que fez foi estreitar os olhos, sem saber exatamente onde fixá-los (e se eles tinham ido parar no rosto do seu "amigo" com uma cara de quem dizia "Até tu, Brutus?" para depois fazer silêncio e se concentrar no nó de seus cadarços, ele não tinha culpa nenhuma. Tudo puramente instintivo.) Pelo menos Anna Blanche estava ali - gente boa, aquela menina, uma monitora exemplar também - e podia conter o namorado como nenhuma outra alma viva no universo poderia, e isso fazia com que Sheppard estivesse menos propenso a se levantar e ir embora, carregando todo o resto da comida para dividir com o seu novo amigo golden retriever e com a velhinha lá fora.

Mas até mesmo a monitora pareceu conspirar contra seu bem estar e sua amizade, deixando todos a sós em um clima que seria capaz de apagar todo e qualquer incêndio que corvinais e sonserinos pudessem conjurar em conjunto. Aidan não disse nada, a crosta de canela e maçã da torta parecia a coisa mais importante no mundo, mas suas sobrancelhas eram um claro indicativo de seu enfado, susto, choque e indignação cada vez que Gerry Vakarian se inclinava para falar melhor com Michael Alleborn, porque o tampinha do meio estava atrapalhando. Para piorar, Adela e Sam ainda continuavam perdidos em algum lugar de um romance de banca e Anthony Blanche parecia entediado ao lado deles.

Ótimo. Fascinante.

- Anh, eu vou ali ver se os aurores querem alguma coisa, os coitados. Sobrou comida mesmo. - e sem mais nenhuma palavra, economizando em gestos o máximo que podia, juntou o que restava dos sanduíches e da torta, não sem antes deixar sua mochila marcando seu lugar, e saiu da cabine, fechando a porta atrás de si.

Primeiro, se aproximou da senhorinha e, abrindo um sorriso que, embora não fosse forçado, não era a metade do descontraído de sempre (Quem podia culpá-lo? Seriamente? Incêndio, feitiços das trevas, outro incêndio, fuligem, fumaça, criancinhas gritando, Michael Alleborn...) - Se a senhora quiser, tem um pedaço de torta aqui, minha mãe que fez. Com todo esse cheiro... dá vontade, né? - e deixou um pedaço do confeito na mesinha onde ela tinha deixado as coisas de crochê, para não atrapalhar a pobre auror em mais nada. Depois, não fez cerimônia em rumar para o lado do cachorro, seu provável novo melhor amigo, e se sentar no chão, até porque já estava sujo de qualquer forma. Partiu um dos sanduíches em pedaços pequenos e, sem nenhuma palavra - animais não precisavam, eles entendiam bem o sofrimento alheio - ofereceu o primeiro pedaço ao golden retriever Coragem - Aqui tá melhor que lá dentro mesmo. Você se importa? Pode comer todo o lombo que quiser em troca. Ninguém mais vai querer mesmo.

Quase mordeu ao língua ao se lembrar que Vakarian provavelmente iria querer - mas até aí, a ideia de socializar com o cachorro tinha sido dele mesmo.

Resumo:
Já se sentindo um tanto quanto embaraçado com o grude de Adela Burton e Sanjaya Gupta, Aidan só fica em pior estado quando é deixado sozinho com os dois – para logo depois aparecer Anthony e Anna Blanche e Michael Alleborn pela cabine, com Gerry Vakarian logo atrás para garantir que não é um engano. Perplexo com o arranjo, depois que Anna Blanche sai e deixa a cabine na maior “torta de climão”, o garoto decide que era melhor respirar um pouco e carrega consigo o resto da comida para oferecer à auror um pedaço de torta e sanduíche de lombo canadense ao outro auror canino.

RESUMINDO MESMO: #CHATIADO

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Re: Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Victor Croft em Qui Ago 16, 2012 9:45 pm



Spoiler:
Victor embarca no trem sozinho, visto que se perdeu de Anna e de todos os outros. Antes, ele esbarra com Hermi Maynard, que lhe entrega uma maleta pertencente à amiga francesa. O monitor caminha pelo Expresso de Hogwarts numa ronda improvisada, já com o uniforme, enquanto procura algum conhecido para dividir a cabine. Quando alcança o vagão 6, ele se depara com Aidan Sheppard, o monitor da Lufa-lufa, sentado com um golden retriever, e a perspectiva de viajar com Sanjaya Gupta o anima.

Chapter Three:
Afterfire.

Victor acabava de ajudar um primeiranista nervoso a descer os degraus até a segura plataforma 9¾, fugindo do “incêndio” (“Espera, por que aqui dentro não está quente?!”, pensou ao ver algumas chamas num canto, mas não sentir o calor característico), quando o local não pareceu mais tão seguro assim. Do outro lado, a parede que ligava a plataforma à King’s Cross trouxa tivera sua textura alterada e um arco brilhante fora adicionado. Antes que o quintanista piscasse, um grupo de bruxos (“Varinhas em punho significa perigo”, ponderou o rapaz), quase todos trajando negro, saiu da parede modificada. Foi só então que Croft reparou: a espécie de porta estava, na verdade, bloqueando a entrada para a plataforma 9¾. “And who the hell are those?

Só quando os bruxos começaram a tomar o controle da situação é que foram reconhecidos pela maioria dos ocupantes da plataforma como funcionários do Ministério da Magia, principalmente devido às vestes características e os rostos conhecidos de alguns. Uma parte da equipe ficou do lado de fora do trem, conjurando assentos confortáveis para acomodar e interrogar as testemunhas do acontecido; os feridos e intoxicados, quando em condições, também eram interrogados, mas numa unidade móvel de cura, montada ali mesmo no canto, onde curandeiros estavam prontos para atendê-los.

Boquiaberto, o monitor deu espaço para que alguns da outra metade de recém-chegados passassem pela entrada do trem bloqueada por ele; em segundos, todos os vagões do Expresso de Hogwarts estavam repletos com um esquadrão do Departamento de Execução das Leis em Magia. Esta segunda equipe era composta, majoritariamente, por aurores, de preto, e sensitivos, de azul – Victor conhecia a função destes últimos porque a tia, Meredith, era auror e já lhe contara sobre aquele tipo de operação. “Será que ela está aqui?”, perguntou-se, esticando o pescoço para tentar encontrar os caracóis negros da tia. Imaginava que aquela batida devia ter sido planejado há algum tempo, e Meredith não perderia o evento de Anya por nada; por isso, era possível que a bruxa não tivesse sido escalada.

Certo tempo depois que os aurores começaram a entrar, o trem foi completamente evacuado. Victor avistou alguns dos colegas que entraram no Expresso junto com ele saindo de diversos vagões diferentes, mais à frente, e mais uma onda de outros alunos, de diferentes casas e anos, a maioria tossindo bastante com a mão na boca. Pensou ter vislumbrado a cabeleira loira de Gabriella Alleborn e ouvido a voz de Anna Blanche, mas a quantidade de pessoas impediu que o corvinal tivesse certeza da localização das amigas, e ele resolveu se juntar a um grupo misto de pais e alunos, que não havia sentado calmamente como esperava o Ministério e rodeava um funcionário exigindo explicações.

- Havia uma bomba?!

- O Expresso foi atacado?!

- Onde estão meus filhos?!

O funcionário do Ministério se limitava a pedir calma e dar explicações vazias como “- Não há nada com o que se preocupar” e “- Foi apenas uma denúncia anônima, sem nenhum perigo real”. Victor tinha certeza que havia sim algo com o que preocupar; era altamente improvável que um destacamento tão grande de aurores e sensitivos fosse mandado para verificar uma denúncia anônima. Mesmo que eles estivessem ali por causa da confusão causada pelos próprios alunos dentro do Expresso de Hogwarts, não houvera tempo para reunir tantas pessoas para uma operação de emergência. “Sem dúvida tentavam evitar alguma coisa que já estava prevista”, concluiu Croft, afastando-se do grupo para continuar sua busca pelos amigos ou ao menos por uma daquelas confortáveis cadeiras do Ministério; se fossem viajar ainda naquele dia, devia ser apenas depois que os aurores terminassem de examinar o trem e tudo fosse resolvido. “E isso vai demorar...

***

Croft vagara quase uma hora pela plataforma sem sucesso em encontrar Anna, aquela que era, provavelmente, sua amiga mais íntima; o mais próximo que chegara dela fora esbarrar em Hermi Maynard, a corvinal ruiva com a qual a outra monitora quintanista mantinha um relacionamento amistoso. A garota estava a caminho de se juntar a um grupo de amigos diferente numa cabine e, por isso, visto que Victor e Anna acabariam se encontrando no vagão dos monitores mais cedo ou mais tarde, pediu que ele ficasse com uma pequena maletinha da francesa. “Bloody hell...”, pensou o rapaz, um pouco frustrado pelo excesso de peso e pela falta de companhia. Precisava arrumar uma cabine para viajar rápido.

Já eram 13h quando os apitos da locomotiva foram tocados, indicando que estava na hora de partir (“Finalmente!”), e o longo trem vermelho começou a se mover, ganhando velocidade em direção ao norte. Um sem-número de estudantes se amontoava nas janelas dos corredores e das cabines, acenando freneticamente para os parentes que ficavam na plataforma 9¾. Naquele ano, reparou Victor, mais mães usavam seus lenços para secar as lágrimas de preocupação; depois do que havia acontecido antes mesmo do Expresso de Hogwarts partir, ninguém estava se sentindo muito confiante em deixar os filhos aos cuidados da escola durante todo o ano letivo, e alguns pais tinham até mesmo levado os filhos embora, prometendo enviá-los no dia seguinte via Nôitibus Andante caso mudassem de ideia.

Victor subira no trem pelo vagão-restaurante. Como estava sozinho, planejava trocar as roupas comuns pelas vestes negras de Hogwarts o mais rápido possível. Ia aproveitar a ronda como monitor pelos corredores dos vagões para procurar uma cabine com conhecidos e livrar-se da bagagem de mão (pelo menos da sua, já que ainda precisava encontrar Anna para entregá-la a maletinha). “Next year, conjurarei as vestes”, prometeu enquanto entrava no banheiro masculino.

Quando se olhou no espelho, o rapaz levou um susto; as chamas dentro do trem podiam não ser quentes, mas algo estava soltando fumaça e ela o deixaram completamente imundo! “Eu detesto você, Baudelaire!”, pensou, usando um pouco da água da torneira para retirar o excesso de fuligem do rosto; não funcionou muito bem. “Quem sabe um feitiço...” Retirou a varinha do bolso e apontou-a para as unhas, levemente enegrecidas, dizendo:

- Scourgify! – A sujeira da pele e das unhas foi desaparecendo lentamente, e Victor conseguiu ver novamente a tez branca por baixo da camada de fuligem. Repetiu o processo na outra mão antes de mirar a varinha para os cabelos, um pouco úmidos por causa do suor e sujos de cinzas, e murmurar: - Tergeo! – O suor e os detritos pareceram ser sugados magicamente pelas varinhas, e a boa aparência dos cabelos pareceu voltar na medida do possível. Para o cheiro de queimado, a única solução encontrada fora um pouco de perfume, mas a melhora não foi tão expressiva assim. “É o máximo que eu posso fazer.

Posicionando a bolsa em cima da pia minúscula, Croft passou a varinha lentamente por toda a extensão do zíper, murmurando um Feitiço-Código – segurança nunca era demais; havia colocado um encantamento ainda mais complicado no malão. Victor despiu-se do casaco, dos jeans e da blusa, dobrou e arrumou as peças na bolsa magicamente (- Pack!), no lugar das vestes de Hogwarts, as quais ele tentou não amassar enquanto vestia. Depois de afixar o distintivo de monitor no peito com a ajuda do espelho, deu um retoque na limpeza do cabelo e saiu do banheiro carregando sua bolsa de viagem e a maleta de Anna.

***

No vagão-restaurante, Victor estava mais ou menos no meio do trem. O mais plausível seria seguir em frente até o vagão de número 1, onde os monitores tradicionalmente se reuniam no começo de toda viagem no Expresso de Hogwarts, e esse foi o caminho que ele escolheu; Anna era tão lógica quanto ele ou mais e deveria estar indo para lá também. Enquanto passava pelas cabines, o monitor dava uma boa olhada no que seus ocupantes estavam fazendo; fazia vista grossa para os quintanistas e mais velhos (“Que os monitores sextanistas cuidem dos quintanistas, e os setimanistas dos sextas, e os professores dos setimanistas”, pensou, sentindo-se mal imediatamente depois por sua falta de responsabilidade), mas, por vezes, repreendeu alunos mais novos quando agiram contra as regras – geralmente primeiranistas brigando uns com os outros e quartanistas maliciosos judiando dos mais novos.

Croft só foi encontrar algo que o interessasse no vagão 6. Aquele carro tinha uma energia diferente, talvez por causa do aroma inesgotável de torta de maçã – Victor quase podia sentir o gosto da calda de baunilha – ou da iluminação solar (num dia chuvoso!) que vinha das janelas. Assim que pisou no soalho e ouviu o som de passarinhos, o rapaz virou-se para a janela mais próxima; ainda dava para ver a chuva caindo lá fora. “Feitiço legal...” Entretanto, longe de ser o ambiente esquisito do vagão (Hogwarts estava cheia de locais assim), o objeto de interesse do monitor era o rapaz sentado ao lado da porta, conversando com um golden retriever vestido com o preto do esquadrão de aurores e com uma coleira onde se lia Coragem. “Aidan Sheppard”, repetiu mentalmente o corvinal. “E onde o canadense está, estão também o holandês e o...

- O-o-oi, Aidan – cumprimentou Victor, subitamente sentindo falta daquele traço carismático que devia ter herdado da mão; acabara “preferindo” a reserva do pai. – Tudo bem? – Forçou-se a dar um sorriso enquanto subia um pouco a alça da bolsa, numa tentativa desesperada de manter as mãos ocupadas. – Você está sozinho aqui? Onde estão os outros? – perguntou o rapaz, sem esperar resposta alguma do monitor lufano. – Viu a Anna por aí? – adicionou, antes que ficasse muito na cara seu interesse por um dos “outros”.


Última edição por Victor Croft em Qui Ago 16, 2012 9:46 pm, editado 1 vez(es) (Razão : Acentos, vírgulas, erros de digitação...)
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Re: Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Aiyra H. Cavalcante em Qui Ago 16, 2012 10:51 pm

I.

    Na mão esquerda estava uma mala média colorida com a bandeira do Brasil em lantejoula que balançava conforme a corrida. Os cabelos, literalmente, jogados ao vento e como relés mortal, completamente bagunçados. Às vezes ela cogitava tirar um pequeno maço de fios que se acumulavam em sua boca, mas na maior parte do tempo apenas desistia desta ação por não surtir nenhum efeito em longo prazo. ‘Prende o cabelo’ Foi o que sua mãe disse antes de sair da pensão onde estavam hospedadas, mas a garota apenas ignorou como era de seu feitio e saiu correndo dado ao atraso considerável. “Se os santos tem poder, que esta seja a hora deles fazerem um milagre.” Fez um gesto com a sua mão direita – muito parecida a um balançar dos dedos que gera um leve barulho de estalo - com a certeza de que esta era a única solução para seu problema. Meia hora atrasada, esta era a melhor das suposições para o caminho que ainda tinha que percorrer.

    Se havia alguém que podia afirmar ‘Sou brasileira e não desisto nunca’, esta era Aiyra. Não conseguia se lembrar de uma única vez se quer o Expresso de Hogwarts ter atrasado, mas a garota não era de desistir assim fácil. Com toda confiança do mundo chegou à estação exatamente às 10 horas e 59 minutos e 47 segundos, marcava um enorme relógio no lugar mais alto da estação, mas mesmo assim ela manteve o entusiasmo desviando das pessoas e chegando finalmente à parede que marcava ‘Plataforma 93/4’. Parou, freando freneticamente e se equilibrando na ponta do pé, ao se deparar com a possibilidade de dar de cara em tijolos duros. Precisou respirar fundo para tomar coragem e se jogar contra a parede exatamente às 10 horas e 59 minutos e 59 segundos.

    Mas que surpresa quando se viu em um cenário caótico, pré e pós apocalíptico ao mesmo tempo, e disse com um sorriso no rosto. – Obrigada santinhos. – Soltou a mala no chão juntando as mãos como se fosse rezar e olhando para o céu, que na verdade não era visível, agradecendo ao milagre concedido. Ela caminhou entre o tumulto “Quase em Hogwarts.” Procurando algum rosto conhecido, apesar de todos parecerem iguais naquela confusão. – Pior que dia de clássico no Morumbi. – Concluiu alto já ajudando algumas criancinhas que provavelmente não tinham pais por perto. Pelos vidros do expresso era possível identificar o pessoal do seu ano mostrando serviço. Logo atrás dela vinha um grupo de Aurores, certeza, cuidando dos assuntos pertinentes. Ela se sentou contando uma piada para o que parecia um casal gêmeo e ofereceu jujubas em formato de ursinho.

    Tudo normalizado e as devidas informações colhidas, ela não iria ficar apenas ali sentada curtindo a paisagem sem saber o que estava acontecendo e para isto tinha uma carta na manga, ela guiou o casal para uma cabine onde estavam outros novatos e se despediu dando um pacote fechado de jujubas para o grupo. Ainda com sua malinha nada extravagante ela resolveu procurar alguém do seu núcleo, aquela turma em que todo mundo tem uma queda por comida e esta no sexto ano, perdido por ai em alguma cabine. Sem muito sucesso ela puxou os fones de um Ipod adaptado com Oricalcum e começou a escutar ‘Teatro Mágico’ caminhando entres os vagões até que – Encontrei! – ela correu até o que parecia um Aidan deprimido e um Victor desesperado “Sim eu saquei qual é a sua.” – com o tempo já havia percebido o que estava acontecendo - conversando ao lado do cão mais fofo e lindo do mundo.

    - Yo-ho companheiros. – Em português ela falou mostrando a mão com o dedo mindinho abaixado. – Ninguém vai entender mesmo, não sei por que insisto nessa piada. – Abaixou a cabeça em negativa. Jogou a mala ao seu lado, fazendo os fones cairem, e se sentou no chão ao lado do cachorro e de Aidan. – Estou atrapalhando alguma coisa? – Disse dando uma piscadinha. Seus cabelos ruivos ainda bagunçados exalavam um cheiro de chuva gostoso. Acariciou o bichinho e então puxou sua mala mais para perto. – Trouxe uma coisa típica para comermos. – Ela sorriu ajeitando a cordinha no cabelo e reparando no resto do vagão, ou seja, na senhorinha e em todo o resto. – Lugar estranhamente fofinho. – Puxou um novo pacote de jujubas da bolsa.


Resumo:
Aiyra chega atrasada à estação, mas a tempo de ver a confusão e fazer sua parte. Depois de tudo normalizado ela sai em procura do pessoal do seu ano e se encontra com Aidan e Victor.

Off:
Sim gente, nada de post grande para comentar todo o acontecido antes. xD Victor, quando ela diz que sacou a sua é porque ela tem observado a algum tempo você. Antes eu iria trabalhar com o feito sentivo, mas dado aos últimos acontecimentos estou adptando então ela percebeu pela observação contínua seu alvoroço quando se tratandos de um certo colega em comum, nada demais. xD


Última edição por Aiyra H. Cavalcante em Dom Ago 19, 2012 3:25 pm, editado 1 vez(es) (Razão : No off.)
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Re: Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Gerry Vakarian em Dom Ago 19, 2012 2:44 am

Resumo:
Preocupado com o comportamento no mínimo insano atípico de seu melhor amigo e já farto do buffet de climão rolando na cabine, Gerry decide sair para verificar o que está acontecendo, antes que alguém enfie o pobre lufano em uma camisa-de-força. No fim das contas, acaba encontrando não só Aidan, mas também Victor Croft e Aiyra Cavalcante – e arranja umas jujubas no processo.


Certo. Talvez ocupar a cabine só com quem não estivesse tentando destruir tudo não tivesse sido exatamente uma boa. Não que Gerry se sentisse culpado pelo clima esquisito da cabine, fique claro; se ele tinha alguma culpa ali, era por só escolher amizades estranhas. Ele mesmo não tinha problemas com absolutamente ninguém ali – exceto aquele mel todo do Gupta com a Burton, mas desde o começo se dispusera a lidar com isso; por outro lado, o novo Casal 20 parecia não estar se entendendo muito bem com Anthony Blanche, que por sua vez demonstrava estar num péssimo humor. Já Michael e Anna Blanche, aparentemente estimulados pelo nível de açúcar no ar, decidiram ficar de namorico ao invés de socializar com o resto das pessoas (algo que, francamente, o holandês não esperava no amigo sonserino; era difícil acreditar que o sujeito com sangue nos olhos com quem ele costumava treinar podia acabar reduzido àquilo).

E claro, havia Aidan, que aparentemente acabou tendo metade das funções cerebrais interrompidas pelo excesso de glicose. Porque só mesmo isso para explicar aquele surto.

Depois de se revirar no banco feito uma criança de cinco anos de idade que quer fazer xixi, mas não pode sair da sala – Gerry perdeu as contas de quantas cotoveladas e encontrões levou antes que o canadense acabasse sossegando, já quase sentado em sua perna –, Aidan parecia mais conjurar qualquer coisa de muito ruim, olhos fixos no chão ou em qualquer outro lugar que não fosse algum dos presentes. Na única vez em que olhou para Gerry, o grifinório quase teve certeza de que tinha feito algo de muito errado. Por sorte, uma análise retrospectiva dos fatos comprovaria sua inocência e, por tabela, a insanidade do lufano.

Então, quando Anna Blanche escapou da cabine para buscar doces (ah, a ironia!), foi como se alguém arrancasse num puxão só a carta que servia de base para um castelo já nada estável.

Quase seguindo a corvinal, Aidan veio com uma história de oferecer para os aurores a comida que tinha sobrado. E desde quando sobrava comida, para início de conversa? Além disso, largou a mochila sobre o assento que ocupava – e havia qualquer coisa ofendida na forma como ele o fizera que praticamente a transformava em um memorial aos mortos da última guerra, algo sagrado, intocável e intransponível.

Aquilo – o que quer que aquilo fosse – já estava indo longe demais.

Cenho franzido, Gerry fez a única coisa que lhe restava fazer naquela cabine: lançar um olhar para Michael que, agora sem namorada, talvez pudesse oferecer alguma luz.

– Ele me odeia, ou foi só impressão? – O sonserino arriscou e, por mais que não houvesse qualquer motivo que explicasse uma coisa dessas, era difícil interpretar a situação de outra forma.

– Não, que isso. Acho que não. – Coube ao grifinório dar de ombros e arriscar uma saída à francesa. Estava plenamente ciente de que não tinha dito nada com sua resposta, mas não convinha confessar que aparentemente seu melhor amigo desde o primeiro ano era um caso para St. Mungus. Aidan podia estar esquisito, mas ele merecia um pouco mais de respeito.

– Ei, Shep... – Ia chamando já da porta da cabine, mas se interrompeu quando notou que o amigo estava mais afastado, lá junto ao cachorro e... Croft? Seria qualquer coisa envolvendo os monitores? Não, aparentemente não. Aiyra (nunca ia aprender a lidar com aquele sobrenome) também estava por ali.

De onde, afinal, tinha vindo tanta gente? E onde diabos estavam Weisman e Cross, àquela altura do campeonato?

– Opa. – Cumprimentou os recém-chegados com um breve aceno de mão ao se aproximar, esticando-se para pegar uma daquelas balinhas de goma coloridas que a ruiva carregava consigo. Contudo, logo baixou os olhos para o lufano agachado junto ao cachorro. – Ei, Sheppard. Tá tudo certo? – Perguntou em um tom neutro, porque se Aidan estivesse mesmo louco, o mínimo que Gerry poderia fazer era honrar a amizade e zelar para que o currículo do outro não acabasse manchado. Ao menos não enquanto fosse possível.

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Re: Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Aidan Sheppard em Dom Ago 26, 2012 10:22 am

.08


A cabeça do lufano era uma miríade de coisas diferentes: ainda estava bravo com toda a inconsequência de um bando de alunos, ainda estava preocupado com o boato de que havia coisa pior do que incêndios de adolescentes, se perguntava sobre porque tinha gente do ministério vigiando cabines e como é que ali cheirava à torta de maça e sol, estava profundamente desgostoso com a ideia de voltar para a cabine e, mais do que qualquer coisa, estava bravo. Bravo, de verdade. Com o que e quem, ele realmente não sabia. Tudo o que sabia era que doía e era amargo, difícil de engolir, trancando a garganta.


Fazia seis anos que eles eram amigos, uns quatro ou cinco, melhores amigos (ele não contava realmente essas coisas, não importava), e era não era fácil perceber quando tudo tinha provavelmente descarrilhado. Tanto com Sam, esquecendo completamente que existia outra coisa no universo além de Adela Burton (gostava da menina, mas ainda ia ter que se acostumar), mas principalmente com Gerry. Não era a primeira vez que ele se perguntava porque era colocado de lado em assuntos mais sérios, desde os infames treinamentos de duelos ("Com você não dá, Sheppard.") a um punhado de outras pequenas coisas que tinha captado ao longo do tempo e que o faziam ter certeza que ia ser o último. E que no próximo ano, com as duplas de Alleborn e Blanche, Gupta e Burton e Gerry e qualquer uma das garotas que andavam atrás dele e que ele nunca parecia realmente perceber, que ele provavelmente nem ia, de fato, saber.


E nem teria o cachorro na próxima viagem.

Talvez ele, Cross e Wesiman pudessem se amontoar em uma cabine qualquer e fundar o clube do Vida de Merda ou coisa similar.


De qualquer jeito, estava sentado no chão, dando pedaços do último sanduíche ao auror canino e reclamando baixo com ele sobre "Amizade, pff, coisa mais frágil" "Como ele pôde fazer isso? Me fala? Não, eu sei, você não fala... acho." "Sério? Alleborn?" Mas, é claro, o pobre Coragem só parecia olhá-lo confuso - talvez um pouco simpático à sua causa - enquanto lambia seus dedos.

- E você sabe que tem mais, né? - ele continuava falando com o cachorro, um pedaço do sanduíche por vez - Sem querer ofender, mas o que vocês estão fazendo aqui? Essa história de bomba é pegadinha dos outros alunos ou não? Eu entenderia o diretor de Hogwarts ou sei lá, os chefes de casa, mas vocês, aurores? Sério? E com essas cabines esquisitas, parece até algum tipo de bolsão ou realidade puxada ou sei lá? Muito suspeito isso, até eu consigo ver, até eu... toda história começa assim, eu sei, já estou acostumado. Só... será que dá pra guardar os reapers, youkais ou darkspawn pra mais tarde? Sei lá, até lá os alunos já derrubaram o trem mesmo.

Ainda abaixado com o cachorro, lamentando todos os percalços e enumerando suas dúvidas, numa inútil esperança de que ele tivesse alguma resposta - ou talvez só precisasse falar, o Warden tinha lá seu Mabari para descarregar o que quisesse, ele não tinha nem ao menos uma coruja - Aidan só percebeu a menina grifinória quando ela ergueu a voz para falar,

- Oi! Eu sou a Fae. Dia difícil? - ela nem tinha ideia de como, mas o lufano apenas fez um movimento de cabeça, como se perguntasse de onde a menina tinha aparecido, sem entender realmente a situação. Ela, então, se pôs a revirar em sua bolsa à procura de algo, deixando o lufano cada vez mais parecido a um pássaro perdido num fio de alta tensão, cabeça virada para o lado.

Ainda não tinha entendido quase nada quando ela lhe estendeu o que só podia ser um mangá, amassado e sem a capa de tanto que parecia ter sido lido, por ela ou qualquer oura pessoa, dizendo que iria ajudá-lo a se encontrar (?) e que não se reprimisse (???) De todo jeito, Aidan sorriu, aceitando a oferta (nunca se podia saber se era a mais nova edição de Bleach ou Fairy Tail), e conseguiu para sua própria surpresa abrir a boca e ouvir o som da própria voz sem aquela melancolia toda que poderia ter feito Coragem desistir dos sanduíches mais cedo - - Huh... obrigado, Fae. - e nem teve tempo de dizer mais nada antes que a garota sumisse para o outro vagão, como uma revoada de pássaros (cardeal, pelas tonalidades), tal qual tinha aparecido ali.

E, é claro, ao que parecia aquele era o dia de perguntar a Aidan Sheppard se estava tudo bem ou de tentar fazer-lhe companhia só porque ele tinha sido chutado e preterido. Primeiro foi Victor Croft, com quem Aidan tinha um certo coleguismo, porque ainda que não estivessem no mesmo ano, o corvinal também era monitor. Tinham ajudado a evacuar crianças de um trem, se isso não construísse os primórdios de uma amizade, nada podia fazê-lo.

- Oi, Croft. - ele respondeu de volta, sem fazer menção de se levantar, mas sendo o mais simpático que podia - E bem bem... não tá, não depois de tudo mas, né, a gente vai levando. E não, não estou sozinho. - porque não ia revelar a extensão de sua situação a todas as outras pessoas, claro. - Tem um pessoal ali na cabine 5, Gupta, Burton, o Blanche, Alleborn e Vakarian... eu só vim aqui esticar as pernas um pouco.

Se Victor Croft, porém, percebera o tom glacial de zero absoluto em sua voz ao final da frase, não tivera tempo de demonstrar, não antes que outro cardeal chegasse trazendo nova energia para o vagão e se sentando ao seu lado sem cerimônia alguma. Aiyra, a garota brasileira, gente do continente como ele, era sempre confortável estar ao lado dela e ela sempre cheirava alguma coisa boa, agora mesmo, doces. Talvez tenha sido essa característica da menina que fez com que Vakarian colocasse o nariz para fora da cabine e resolvesse ver o que acontecia além dela. Só podia ser, Aidan sabia que a fome de Gerry superava em muito qualquer outra coisa. E ele, sentado no chão ao lado de Aiyra e do auror canino, só pode respirar fundo equanto desviava sua atenção para os próprios cadarços de novo, dando ao holandês o espaço que ele quisesse sem ser obrigado a tropeçar nele.

-Ei, Sheppard. Tá tudo certo? - O canadense, do seu posto no chão, ergueu brevemente a vista para ouvir o outro falar, como se Vakarian já não fosse alto o suficiente e ele já não se sentisse ridículo o suficiente. E claro, isso foi dito a ele só depois que Vakarian roubasse as jujubas (era isso mesmo?) da brasileira. Esse era o terceiro "e aí, tudo bem?" que ele recebia em um espaço menor do que 15 minutos, Aiyra fora empática o suficiente para perceber que o colega de casa não estava lá muito bem, mas é claro que Vakarian não ia entender uma coisa dessas. Ele nunca entendia. Podiam ser os melhores amigos - ao menos para o canadense - e ter conversas que não precisavam de palavras, nunca precisavam, mas havia determinadas coisas que Vakarian jamais ia comprender.

O termo "Alleborn", por exemplo, estava nessa lista. Simplesmente não entrava na cabeça de Aidan como seu amigo podia voltar todo quebrado e torto e pedir para ser arrumado depois de um "treinamento" (eufemismo puro, porque aquilo só devia ser uma luta de cavaleiros de ouro para acabar em tanta coisa partida), do qual o canadense não poderia sonhar em participar, por uma série de motivos ridículos enumerados pelo outro e ainda ter coragem de dizer que o sonserio era "de boa". E, claro, Sheppard sequer podia reclamar que se isso fosse verdade, o holandês não ia ter cicatriz pra contar outra história, era sempre cortado antes de qualquer conversa.

E, mais recentemente, dispensado a conversar com o cachorro.

- Tá. Tá tudo de boa, Vakarian. - ele respondeu, jogando os olhos para o holandês antes de passá-los por entre os outros na cabine e terminar por deixá-los encarando os cadarços de novo - talvez a cura do câncer estivesse realmente ali.


Resumo:
Travando - ou tentando - uma nova amizade com o auror canino, Aidan Sheppard recebe de Faee B. Pointer, de passagem rápida pelo vagão, um mangá desconhecido que ele mal tem tempo de analisar antes quedela sumir para outro vagão e Victor Croft aparecer, seguido de peto de Aiyra H. Cavalcante e jujubas. Depois, é a vez de Gerry Vakarian sair da cabine e checar o que estava havendo.

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Re: Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Gerry Vakarian em Dom Ago 26, 2012 10:00 pm

Resumo:
Tentando se convencer de que o problema de Aidan é qualquer coisa como estresse pós-traumático devido à confirmação da morte do Comandante Sheppard, Gerry faz um tremendo esforço para manter a amizade a salvo – especialmente porque, com o andar da carruagem, o grupo deles parece estar entrando em um inevitável processo de dissolução.

Gerry, assim como boa parte dos Vakarians, não era chegado a meias palavras e subjetividades. Mesmo sendo capaz de ler (ao menos algumas) mensagens nas entrelinhas, detestava transitar por esse território. Mas em certas ocasiões, não era como se ele tivesse opção – como, por exemplo, quando Aidan vinha com um “tudo de boa” que obviamente significava “eu quero morrer e espero levar metade do mundo pro inferno no processo”.

(Parênteses para reforçar que, em seu estado normal, o lufano não costumava agir assim; Gerry seria capaz de atestar isso sem pestanejar, a qualquer momento. Eram melhores amigos desde o primeiro ano, quando o grifinório criado em Bruxelas, enviado para Hogwarts ainda com um inglês algo capenga, sentiu-se muito confortável ao encontrar um colega tão dócil que também falava francês. Também foi quando passou a tomar o partido do canadense em toda e qualquer situação, esforçando-se para não deixar que a situação de nascido trouxa fizesse com que Aidan acabasse deslocado no mundo bruxo. Desde aquela época, mesmo com a expansão do grupo de amigos, eles continuaram sendo uma espécie de dupla dinâmica, inseparáveis. E agora, com a iminente ruína da turma, era melhor zelar pelo que talvez ainda tivesse salvação.)

Ainda que fosse mais fácil raciocinar sem aquela sentença de morte impressa em olhos escuros pesando em sua consciência, não deixava de ser irritante para o holandês ver o outro bancando a criança, fazendo birra e evitando encará-lo. Respirou fundo, a revolta contida dando sinal nos lábios apertados, o maxilar projetado para frente. Por mais que Aidan merecesse sim uma chamada, não pretendia piorar as coisas fazendo isso enquanto ele estivesse naquele estado de nervos, muito menos com Aiyra e Croft de plateia.

(Talvez fosse a confirmação da morte do pai, no fim das contas. Ele tinha motivo sim para estar meio perturbado, o que só fazia com que Gerry se sentisse ainda mais culpado, mesmo sem ter feito nada.)

– Ahn, tá certo. – Franziu o cenho, esfregando a nuca como se de alguma forma isso pudesse ajudar o cérebro a pegar no tranco e encontrar uma saída para aquela sinuca. Coincidência ou não, funcionou. – Olha só, tá a fim de dar um pulo no vagão-restaurante? Não, eu não tô querendo ir lá atrás de comida. – Deixou escapar um riso frouxo, mais pelo ridículo de sua situação que qualquer outra coisa. – É que tô preocupado com a Cross, queria ver se ela tá por lá. E é bom que a gente consegue bater um papo longe do casal melaço...

Ninguém no mundo tinha o direito de dizer que ele não estava tentando.

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Re: Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Anna Blanche em Ter Ago 28, 2012 4:37 pm

Spoiler:
Após ficar parada alguns instantes perante a porta do vagão dos professores e sentir todo o ódio enciumado de seu namorado por ficar lesamente encarando a porta por culpa do professor de astronomia e todo seu carisma, a menina volta ao vagão que agora ocupa, parando no meio do caminho para comprar doces, como havia prometido. Antes que possa entender melhor a razão para metade da cabine estar no corredor, a porta desta se abre novamente.

    A porta estava cerrada, algum canto de sua mente a afirmava isto, e seus olhos cerúleos que miravam a madeira bem lustrada confirmavam o fato constantemente. Contudo, algo em seu cérebro recusava-se terminantemente a processar a informação e fazê-la agir de modo adequado a esta percepção externa, que muitos hão de convir, não necessita de uma inteligência extrema, e a corvinalense apenas sorria, encarando a porta como se ali houvesse ainda a imagem do extremamente carismático professor Llywelyn.

    Ele havia piscado para ela, era normal ficar mirando a porta ainda sorrindo como se em seus lábios houvesse um feitiço de cola permanente, sem se dar conta ou perceber o tempo que decorria desde que a porta fora fechada.

    Sentiu seu sorriso se alargar mais ainda, como se fosse possível, no final de sua garganta suas cordas vocais começavam a querer dar sinal de vida e um som de risada, baixinha, se propagaria pelo agora vazio corredor, não fosse sua visão ficar embaçada. E naturalmente, junto com isso, toda a abstração de sentimentos que tomava seu corpo fosse imediatamente varrida por uma propagação de raiva. Não, melhor ainda ódio. Ódio puro vindo de ciúmes, pareceu tomar conta de cada célula de seu corpo por míseros segundos, o suficiente para acelerar seu coração e fazer suas mãos tremerem.

    Piscou algumas vezes, saindo imediatamente do torpor e reconhecendo bem o dono daqueles sentimentos: Michael. Ele estava enciumado e furioso. Franziu o cenho, fechando os olhos com força algumas vezes numa tentativa de colocar seu campo de visão em foco, pigarreando em seguida e agitando a cabeça para tentar se centralizar por ela e pelo namorado mais que super protetor ciumento.

    Nada havia sido dito de relevante, nem ao menos para as duas grifinórias que estiveram à sua frente. Uma delas era Fae Pointer, amiga de Gabriella, se não estava enganada, irmã do adorável Elliot; esperava que o menino estivesse bem, ainda mais depois dos fatos decorridos – não sabia ainda quais eram as acusações, mas saber que os professores de Hogwarts que estavam a par do caso era sempre reconfortante (ainda que Alleborn ter uma ficha no Ministério da Magia causasse um desconforto enorme na francesa); além do mais sua prima não estava mais sozinha, tinha pelo menos a companhia de um amigo..

    Talvez fosse impressão dela, mas o professor de astronomia pareceu tentar acalmá-la quanto aos alunos detidos na cabine, consequentemente o estado de sua prima Grifinória, já que a inglesa tinha sérios problemas em reter a excessiva coragem que a colocava sempre em encrencas – implorava a Merlin que ela tentasse se acalmar, já que Anthony não estava de bom humor, pioraria se algo acontecesse.

    Suspirou dando-se por vencida, girando nos calcanhares e voltando a rumar para a inusitada cabine em que se encontrava. Havia perdido Maynard no meio da fumaça, aurores de um esquadrão especial e gritarias infantis, e sequer tinha achado Aimee Lendsbrug, uma de suas melhores amigas, naquele caos. E se as encontrasse também... Feitiço de extensão na cabine, talvez?

    Girava entre os finos dedos a ponta de sua trança, observando os aurores e sua roupa especial, que ocupavam o trem. Uma bomba, foi o que escutou de alguns alunos e pais a beira de um ataque de pânico quando ainda estavam na estação. Ela só não conseguia parar de pensar que tipo de bomba moveria um esquadrão especial em peso de aurores, a ponto de escoltar os alunos até que estivessem atrás das muralhas mágicas do castelo de Hogwarts.

    Talvez devesse discutir isso com seu mais novo e inusitado grupo de conhecidos, com os quais agora dividia uma cabine. Mas para isso precisaria acalmar os exaltados ânimos que preenchiam cada lacuna do ar naquele cubículo. Anna estava já próxima do reconfortante vagão em que permaneceria, quando viu a simpática senhora que percorria o trem vendendo doces caminhando lentamente. Algo nela não parecia certo, como se estivesse profundamente traumatizada; bem, não era para menos, afinal quase todos ali tinham virado combustível para fogueira.

    - Ahn... Excusez-moi...? - a senhora virou-se, quase tropeçando nas próprias pernas, seus pequenos olhos arregalados em pânico e seus cabelos grisalhos um tanto desalinhados. Blanche pegou a si mesma dando um meio sorriso, como uma desculpa prévia pelo susto – Com licença, eu gostaria de alguns doces, se possível. Espero que tenham sobrevivido à toda confusão. – sorriu mais abertamente, tentando acalmá-la. – Acredito que com os aurores no trem, as coisas fiquem menos turbulentas. – ter aurores no trem, ter vigilância em Hogwarts, comprovado por fatos históricos, nunca foi algo excepcional em segurança, mas pareceu aliviar o peso nos ombros da mulher à sua frente.

    O carrinho de doces foi empurrado na sua direção e tudo que a menina fez por alguns instantes foi franzir o cenho e retorcer os lábios. A expressão de Gerry Vakarian preencheu sua mente, talvez como um alerta; o grifinório tinha claramente se refreado a comentar algo quando a monitora da corvinal trouxe o assunto sobre doces. Deixou o ar escapar de seus pulmões em um pequeno suspiro. Que mais poderia fazer? Não deixaria o pessoal passando fome na cabine...

    - Ah! – seus olhos pareceram brilhar quando ela localizou umas embalagens bem ao canto – Tabletes de nugá, vou querer, com certeza. – eram um dos doces favoritos de Michael, e claro que só pensar no namorado a fazia sorrir da maneira mais lesa possível. – Também gostaria de alguns bolinhos de caldeirão... – retirou do bolso alguns galeões, os únicos que trazia consigo. A maioria do seu dinheiro estava na sua pequena maleta – alguns feijõezinhos de todos os sabores, sapos de chocolate e... Chicletes baba e bola. – guardaria alguns para sua prima e seus amigos que estivessem na detenção – não era uma refeição, mas achava que eles gostariam.

    Pagou a devida quantia, guardando o troco em pequenas moedinhas no bolso, carregando os doces como podia. Anna agradeceu de maneira cordial, vendo a senhora entrar numa cabine lotada de primeiranistas, rumando novamente para sua cabine.

    O corredor continuava com aquele cheiro de torta de maçã, o que a lembrava que teria que uma hora passar pelo vagão restaurante e trocar suas vestes. Cogitou ainda em deixar os doces com todos ali e procurar Hermi, tinha certeza que a amiga tinha ficado com sua maleta no meio daquele caos, quando viu uma movimentação um pouco à frente.

    Aidan encontrava-se no corredor, um tanto aborrecido, com uma menina de cabelos cor de fogo, que tinha um sotaque estrangeiro que a corvinalense não reconhecia muito bem. Gerry estava próximo da porta da cabine e também Victor est--- Croft! Seu amigo já trajava as vestes negras e parecia nunca ter passado pelo turbilhão de fumaça, fogo e sujeira.

    - Algum problema...? – perguntou a francesa, arregalando os olhos rapidamente. Depois do trem quase virar cinzas, tudo era possível. Mais da metade da cabine do lado de fora, coisa boa não devia ser. Nas mãos do monitor corvinalense, além das próprias bagagens, uma pequena maleta azul bebê, com um chamativo chaveiro de águia –Victor, merci beaucoup! – cortou a pouca distância do grupo, pegando a pequena bagagem das mãos do monitor e virou-se para a recém chegada, exibindo o seu melhor sorriso, ainda que as roupas trouxas ainda sujas, tanto delas, quanto de Aidan e de todos os envolvidos na bagunça do resgate (exceto Victor, claro), talvez não desse uma boa impressão. – Sou Anna Blanche, e-- – a porta da cabine se abriu novamente. E seu estômago se revirou antes mesmo que pudesse ver quem era, seu namorado estava ainda enfurecido.

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Re: Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Michael Alleborn em Ter Ago 28, 2012 4:44 pm

”O que aconteceu”:
Michael resume mentalmente os acontecimentos antes da partida do trem, Anna sai da cabine e quando volta o encontra fumegando de ciúmes. Os dois tem uma breve discussão, mas se entendem. Anna distribui doces para o pessoal fora da cabine, perto da senhora.

Com a recente debandada da cabine (tinha a ligeira desconfiança que carregava absoluta culpa por isso), ignorando solenemente o açúcar da menina Burton e o sentimento que parecia transitar do mais puro amor-babação até o ódio profundo por Anthony, de Sanjaya Gupta, Michael se prestou a, para variar, pensar sobre a situação, porque tinha algo de muito errado nas coisas e ele ainda não conseguira captar o que era. Estava nervoso.

Não entendia exatamente o que havia acontecido: humilhar os mais fracos? Ok. Ele se resolveria com Lewis (que era seu contato principal para trollar sua irmã mais nova) depois da quantia generosa que gastara tentando tapar o buraco que a trupe deveria ter deixado nele. Lewis reagir e ainda por cima conseguir estuporar Charles? Talvez tenha sido a coisa mais estranha que ele já vira na vida. Isadore Baudelaire lançar Arte das Trevas? Ok, ele entendia o sentimento (provavelmente estouraria de forma demoníaca se tivessem encostado em Anna, e a reação de Isadore ficaria parecendo uma brincadeira de criança), apesar de pensar que os dois se odiavam. Charles acordar e não se prestar a fazer um plano decente de ataque? ... É, bem, ele gostava daquilo, preferia bater de qualquer forma. Mas daí Charles incendiar uma cabine aleatoriamente e não notar que um incêndio ia ferrar o grupo com tantos professores por ali, que ainda acabaria por matar gente que não tinha nada com o assunto? Ah, aquilo já era colocar sua Anna – perdida em algum lugar do trem, provavelmente cumprindo suas obrigações de monitora – em risco grande demais. Ele era meio burro, falando a verdade, mas pensava bem nas consequências quando era Anna que estava em jogo.

Olhou para a cara de profundo aborrecimento de Anthony e pegou-se pensando que após aquilo tudo só deveriam sobrar os dois sendo expurgados do grupo, devido ao ódio profundo que os Baudelaire deveriam estar sentindo dele. Bem, se era pra ser assim, pelo menos ele poderia contar com uma pessoa que o fizesse parar de argumentar inutilmente. Seu primo loiro era, afinal, o melhor amigo que tinha e algumas situações que ambos tiveram que vivenciar por conta de Ralph já haviam provado que eles formavam a melhor dupla de ataque também. Se não contasse que os dois um dia acabariam se matando por causa de suas namoradas. Mas ninguém mandara Anthony se apaixonar pelo trasgo loiro lerdo que era seu alvo primordial.

E ainda havia a confusão na plataforma, e aurores aparecendo do nada, o que sinceramente só o preocupava porque se havia aurores, havia um perigo maior que Baudelaire e, para piorar, Anna era monitora e aspirante a heroína nas horas vagas. Ele não a carregaria tanto nos ombros por aí se ela fosse uma boa menina que não o preocupasse constantemente. Ignoremos o fato de que ele ia arranjar qualquer outra desculpa para arrastá-la. Sempre pensava em modos de poder tê-la em seus braços a hora que quisesse.

Na verdade, a única boa noticia do dia era Gabriella ter sido levada por um grupo de aurores. Ela teria serias dificuldades para fazer qualquer coisa da vida com aquilo. Infelizmente, Anthony e todo o seu péssimo humor não pesavam o mesmo. Mas poxa, ele deveria ser agradecido que Gerry Vakarian aceitara recebê-los. O cara era um grifinório de boa, e com uma capacidade feroz para duelos (ele bem sabia porque comumente voltada para a Sonserina ensanguentado dos treinos com o rapaz)... Aliás, uma boa pergunta era o motivo de Gerry ser amigo de Sheppard, um cara, pelo pouco que ele conhecia, bastante sensível. Quer dizer, ele não se recordava de ter ofendido Sheppard diretamente, a não ser que alguma vez ele tivesse ficado sentido com suas brincadeiras quanto à lerdeza lufana – mas até aí, meia Hogwarts alguma vez na vida já havia brincado com isso. (E sinceramente, Sheppard deveria ser culpado de muita coisa com aquele jeitinho duvidoso, viu?)

Infelizmente suas reflexões foram interrompidas com a constatação tardia de que Anna Blanche estava longe demais dele, indo para a toca do lobo (ignorando as referencias Alleborns que isso pode trazer): o vagão dos professores. O local deveria ser um lugar onde a segurança e paz reinariam supremas, não fosse por boa parte dos encrenqueiros da escola estarem trancafiados lá. Na verdade, a experiência e a presença de sua nojenta irmã mais nova lhe garantia que nenhum deles tocaria a corvinalense, mas os Baudelaire estavam lá e se bem conhecia o provavelmente ex-amigo, ele iria arranjar um jeito de se vingar. Até lá era manter os dois olhos ao redor de Anna... Apenas não foi atrás dela na mesma hora porque deveria dar um voto de confiança aos professores e se Llywelyn estivesse por lá, ele simplesmente iria querer invadir a cabine e socá-lo caso olhasse para Anna. Era um cara estranho que parecia ser bissexual (motivo de Michael ter largado Astronomia na primeira oportunidade) e Anna era ingênua o suficiente para cair nos sorrisinhos dele toda vez que o via.

De qualquer forma, seu nervosismo piorara e demonstrava isso com a sua incrível capacidade de ficar batendo o calcanhar no chão sem pausas . Anthony soltara algum comentário irritante sobre o hábito que ele respondeu com um rosnado incompreensível. Mas o pior viera uns segundos depois: Anna estava fazendo aquilo de novo! Estava feliz daquele jeito que ela ficava quando estava sendo por demais simpática e sendo correspondida. E ele realmente desconhecia os motivos por saber como ela estava, mas atribuía a sua boa intuição quando se tratava dela. Quer dizer, se ela foi até a cabine dos professores não teria sido para dar escândalo, né? Era algo que já deveria ter previsto.

Sua namorada tinha a absurda capacidade de ser agradável demais e aquilo não era saudável... Pra ele. Quer dizer, o que os outros caras deveriam pensar quando ela fazia isso? Ele não estava a fim de pegar fama de bode ou ter um monte de caras em cima dela. Aliás, Michael tinha um certo pavor de aglomerados em torno dela. Sempre pensava que era possível alguém mexer com Anna, que era bonitinha demais para se defender adequadamente quando achava que a coisa era mais “boba”.

(Um resultado interessante do clima pesado que Michael e Anthony estavam disseminando no ambiente é que de um lado parecia um campo de concentração de guerra e do outro a Terra Encantada... da DedosdeMel?)

Esperou ela voltar. Também era absurdo como tinha alguma boa noção de mais ou menos onde ela estava. Pelo menos quando se concentrava no que estava sentindo, e como, no momento, sua cabeça estava preenchida por Anna, ele estava bem ciente da sua aproximação alguns minutos depois. Por isso abriu a porta da cabine, antes mesmo de ouvir a voz da menina, escorando-se no portal, com os braços cruzados, de frente para ela, fazendo questão de fitá-la com seu olhar acusador. Ela saberia o que aquilo significava.

A menina virou-se lentamente, com uma ruga. Pareceu que iria explodir, mas apenas fechou os olhos buscando concentração. Ah, ela estava aborrecida, era? Ele estava pior, e com motivos! Era sempre a mesma coisa.

- Você vai me deixar argumentar racionalmente, ou continuar pulando para conclusões? – disse com uma careta que outrora ele teria rido, devido o nível de beleza da corvinal. – Até porque, se você se acalmar... – e soltou o ar. Michael agora que notara que a menina estava com doces no colo. Mas não iria se deixar abalar pelo fato de que eram seus favoritos e provavelmente ela havia comprado para amenizar a raiva que ele estava sentindo. – Você sabe melhor que isso.

- Já debatemos o assunto. – Disse, a voz um pouco fria, juntamente com a sobrancelha erguida. Não via mais ninguém ao redor, fora ela, o que deveria estar causando um mal-estar geral. Mas bom, os incomodados que se retirassem. – Meu problema são os outros.

E aí ele sentiu a revolta da namorada antes de poder vê-la expressa no rosto da menina com direito a careta de raiva/choro/qualquercoisaperigosa enfeitada com o biquinho que ser metade francesa a ajudara a adquirir.

- Como você ainda tem coragem de--- – E ela evitara começar a ficar alterada cortando a fala. Mas a magoa ainda estava lá. – Não importa o que eu digo, não é? – Uma ruga surgiu no rosto do sonserino enquanto ele recebia o tapa auditivo que era o tom de Anna. – Eu só gostaria de saber porque se a culpa é dos outros, eu que sofro as conseqüências?

Michael suspirou, baixando a cabeça e fechando os olhos. Descruzou os braços e enfiou as mãos nos bolsos, baixando um pouco a guarda.

- Eu bem queria sair socando todo mundo, mas você ficaria ainda mais brava. – Seu tom era de alguém que confessava alguma coisa meio a contragosto. A raiva ainda estava lá, mas a menina não estava mentindo naqueles questionamentos. Estavam empatados, em sua cabeça, porque seus ciúmes eram todos bem fundamentados na realidade.

Enquanto ele olhava para o teto, ela se decidia se o perdoava ou não. Bom, se não perdoasse eles iriam brigar feio. Mas eles se entendiam, de alguma forma absurda, mas se entendiam.

- Não é necessário socar ninguém... Mas também não precisa desconfiar de nada, você sabe melhor disso do que assume para si mesmo. – O tom da menina era mais calmo, mas Michael discordava completamente dela. Sua vontade era expurgar toda a raça masculina de Hogwarts (... ahn, tá bom, homossexuais femininos e masculinos – porque ele tinha que se proteger também – e bissexuais. Quem ligava que só sobrariam mulheres?), mas não colocaria isso em palavras. Tudo bem que ele mesmo preferia resolver as coisas na base da conversa, mas o assunto era Anna, então as coisas mudavam drasticamente. – O que claro não vai acontecer. – Ainda bem que ela sabia... E não se deixou abalar pela ciência de que aquilo era cinismo da parte da monitora da Corvinal.

Desistindo de vez de lutar, ela veio em sua direção, atrapalhada com o número de coisas que carregava. Estendeu a mão com os tabletes de nugá e ele os recebeu com um sorriso já calmo e tirou a mala das mãos da garota. Disse um “Obrigado” baixinho.

- Aqui, só tinham esses dois – Ela hesitara no selinho que ia lhe dar, transferindo o gesto para sua bochecha. O rapaz sorriu, sua raiva completamente vencida. Ele era um cara perdidamente apaixonado mesmo e não tinha armas para lutar racionalmente contra esse sentimento. – Ahnnn... – Ela então dirigiu-se ao resto do corredor. Michael então notou que Gerry e o dramático Sheppard haviam sumido. E percebeu, pela primeira vez, um cachorro e uma velha que ele achava que deveria ter ignorando quando entrou na cabine. Que diabos, ela não poderia ser uma auror com aquela idade, poderia? Mas se não fosse, o que estaria fazendo plantada no meio do corredor? – Então... Achei melhor trazer uns doces; nunca se comparam com o Vagão Restaurante, mas ao menos nos deixava descansar aqui mais um bocado.

Ao fim da fala, Michael captara um ligeiro arrepio vindo da menina. Por todos os deuses, lá vinha um grande problema.

OSB¹: Agora, toda vez que vou escrever Sheppard,
minha mente fica brigando dizendo que é Shepparian.
Obrigada a todas as shippers do chat por essa nova nóia.


Última edição por Michael Alleborn em Qui Ago 30, 2012 6:45 pm, editado 1 vez(es) (Razão : 1. Correções.)

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Re: Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Aidan Sheppard em Qui Ago 30, 2012 4:54 pm

.09

O lufano afundou um pouco a cabeça entre os joelhos antes de soltar o ar dos pulmões e se levantar. Não sabia exatamente o que responder, não sabia se seu cérebro continuava a funcionar ou se tinha pedido demissão quando quase foi atropelado pela bagagem de Kian e o inferno começou a se manifestar em Londres, não sabia nada. Só sentiu que era melhor concordar, se levantar e deixar - por hora, valia salientar - a questão de lado.

(Qual questão, senhoras e senhores, nem ele sabia direito e achava que não podia ser culpado, não estava bem, admitia abertamente.)

- Okay. - foi a resposta que saiu enquanto ele batia as mãos nos joelhos das calças, limpando qualquer sujeira que era com toda certeza menos relevante que os olhos de guaxinim que Aidan esqueceu estar vestindo. Respirou fundo de novo, sorrindo em desculpas por deixar Aiyra e Coragem sozinhos no chão, pensando em como iniciar uma conversa que não falaria de nada e se Guerra e Paz ou o final de Mass Effect e a teoria da indocrinação fosse dar mais de cinco miutos de conversação. Claro, seus pensamentos foram atropelados com a graça de um ônibus rolando a ribanceira quando Anna Blanche apareceu com os braços cobertos de... doces? Era isso mesmo? Sim, era. Confirmou ao ver os olhos do grifinório grudados nos pacotes que a garota trazia, como se o vagão com cheiro de torta de maçã não fosse o suficiente para atestar sobre a lombriga que vivia em simbionte com ele.

Sem querer, Aidan riu. Um som pequeno, pelo nariz, mas riu.

Não riu mais quando Michael Alleborn despontou da cabine, procurando a corvinal com olhos quase assassinos. E se não tivesse visto toda a preocupação bruta quando ele enfiou ela nos ombros mais cedo, quando tentavam salvar as criancinhas, talvez Aidan tivesse dado um passo para junto dela, tentando ajudar. No caso em questão, porém, conforme as cenas se desenvolviam à sua frente, tudo o que ele conseguia pensar é que morreria nos próximos minutos devido a alta taxa de glicose em seu sangue, os olhos sujos se arregalando de incredulidade a cada segundo, até que seu cérebro gritasse com ele para que fosse embora e poupasse a sua vida. Morrer de intoxicação por açúcar devia ser ainda pior que morrer atropelado por um carrinho de bagagens. Oh Deus, se eles fizessem os beijinhos de esquimó de Gupta e Burton, ele cairia ali no chão em convulsão, desistindo por vontade própria da vida, esperando apenas que um Harbinger ou um Marauder Shields da vida acabasse com sua existência.

Antes, porém, de que precisasse chegar a um final tão drástico, seu cérebro deu sinais de vida e sua mão agarrou o casaco do amigo como se fosse um colete salva-vidas, desespero puro impresso nos olhos castanhos.

- Vagão restaurante. Eu te pago o que quiser, agora. - e sem dar espaço para que o outro realmente respondesse, porque talvez ele quisesse continuar entocado na cabine enquanto os pombinhos confratern--- pobre Athony Blanche, se lembrou de repente. Enfim, antes que Gerry tivesse tempo para pensar, arrastou-o pela cabine à fora, fechando a porta atrás dele como se fosse a única coisa que o protegesse de uma morte lenta e dolorosa para, só então, respirar de novo.

- Hah... vagão-restaurante, né? Só me dá um minuto... - e, então, conjurou um scourgify com a varinha, tentado parecer que não era um minerador desnutrido que tinha sofrido um acidente.


Resumo:
Ainda Shepparian Aidan Sheppard, pensando em como desanuviar a situaçãou ou se seu cérebro tinha alguma salvação, só conseguiu assistir meio paralizado a reunião de Anna Blanche e Michael Alleborn (eufemismo puro), antes de perceber que diabetes não era legal e arrastar o amigo grifinório para fora dali, em direção ao vagão-restaurante, momento no qual também conjurou um scourgify para deixar de se parecer com um guaxinim sujo.

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Re: Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Victor Croft em Seg Set 03, 2012 9:47 pm

Spoiler:
Victor finalmente encontra Anna Blanche para devolver-lhe a bagagem de mão, mas a garota não devolve o favor à altura, e ele acaba preso na cabine número 5 entre dois casais apaixonados.

Chapter Four:
Alone In The Dark.

Graças a... Bem, à objetividade da pergunta feita por Victor, a resposta de Aidan, embora um pouco fria à menção do sonserino Alleborn (não podia ser Gabriella; era sabido que ela viajaria junto com os professores) e do grifinório Vakarian (um dos melhores amigos do monitor lufano – “Weird...”), continha tudo o que o corvinal precisava saber naquele momento: onde estava Sanjaya Gupta. Agora só precisaria distribuir mais algum gracejo, um sorriso simpático e um adeus discreto. “Perfeito!

- Yo-ho, companheiros! – E foi aí que a coisa começou a desandar. /’Eɪɹə Kælvæ’kɑːnteɪ/ pareceu se materializar no corredor do vagão, cumprimentando-os em português (e Victor só sabia disse devido ás origens conhecidas da sextanista). – Estou atrapalhando alguma coisa? – “Só a minha already hopeless vida amorosa...”, pensou Croft, abrindo a boca para inventar alguma desculpa (falsamente) simpática que o ajudasse a escapar daquela reunião de “amigos” (para os padrões dele), quando o quarto integrante saiu de uma das cabine mais à frente e se juntou ao grupo. “Ah, não, Vakarian!

- Opa. – Victor sorriu amarelo; Sanjaya podia trazer à tona toda a simpatia adormecida do monitor antissocial, mas nada durava para sempre. – Ei, Sheppard. Tá tudo bem? – “Oh, no!” Agora eles iam começar o… “Como os Muggle-borns dizem mesmo?Bromance. Quanto mais o tempo passava, mais aquela “multidão” sufocava o corvinal, e ele começou a cogitar a ideia de sair à francesa antes que um quinto integrante aparecesse. Ou uma quinta.

- Algum problema...? – questionou a conhecida voz de Anna Blanche, às suas costas. Agora nunca viajaria na mesma cabine que o setimanista indiano. – Victor, merci beaucoup! – exclamou a francesa, aproximando-se de Croft ao reconhecê-lo para recuperar sua bagagem de mão; imediatamente depois, reparando na ruiva ao lado do rapaz, Anna se apresentou. “Deve estar andando muito com os sonserinos para não conhecer a lufana brasileira”, pensou Victor, um pouco surpreso.

Depois disso, tudo aconteceu muito rápido: Michael Alleborn, namorado de Anna, saiu da mesma cabine de Gerry Vakarian, e o casal começou a discutir sobre algum assunto em que Victor não estava inserido, o que o deixou livre para meditar se não seria mais prudente viajar numa cabine isolada lendo um bom livro e esquecer aquele amor platônico que nutria por Sanjaya Gupta desde o segundo ano. Infelizmente, aqueles minutos dentro de sua mente foram tudo o que o destino precisou para pregar mais uma peça; quando se deu conta, Victor já estava dentro da cabine, de frente para o casal franco-germânico, e, ao seu lado, dividindo o banco, Sanjaya Gupta e – “glup!” – a namorada, Adela Burton.

- Oh... – gemeu o monitor inaudivelmente para os casais apaixonados, ao se dar conta de que estava sozinho na cabine. Era só o que faltava.


Última edição por Victor Croft em Qua Set 05, 2012 12:21 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Vagao 6 - Cabine 5

Mensagem por Sam Gupta em Ter Set 04, 2012 11:52 pm

Spoiler:
Sam não consegue de jeito nenhum ficar sozinho na cabine com Adela, mas pelo menos arranja um uniforme emprestado com Michael graças às caras de Gato de Botas da namorada e de Anna Blanche. Por fim, sai da cabine para trocar de roupa, relutantemente deixando Adela na companhia de outro menino, Victor Croft.


Por um instante muito breve, a vida esteve a um Anthony Blanche de ficar perfeita. Sam ainda chegou a nutrir esperanças de que ele fizesse a bondade de ir atrás do primo, quando então o grifinório teria um valioso tempo a sós com a namorada, mas foi em vão: Blanche continuou sentado do outro lado de Adela, braços cruzados, sobrancelhas franzidas e um bico do tamanho de um bonde. E logo a cabine estava superpopulosa de novo, quando Michael voltou com Anna – esta última trazendo comida.

— Então... vocês querem algum doce? Achei que todo mundo precisava um pouco disso, depois de toda a confusão. — A corvinal não poderia estar mais certa. Sam tinha esquecido o estômago até aquele momento, mas à menção de doces, percebeu que estava com bastante fome. E pelo visto Delinha também, considerando a empolgação da menina ao se deparar com os tabletes de nugá e sapinhos de chocolate. Bastou Sam dar uma beliscada na cintura da namorada e erguer as sobrancelhas com um sorriso e ela entendeu que devia pegar algo para ele também.

Mas antes que o grupo começasse a saborear o lanche, Adela deu uma olhada para Sam com ar inquisitivo, depois olhou em volta. — Uh, gente... Com esse problema do incêndio na plataforma e tal, será que algum de vocês tem como emprestar um uniforme pro Sam? — E então, voltando-se de novo para o namorado: — Você nem parou pra pensar nisso, né, Grandão?

Bom, era verdade que ele não tinha parado para pensar nisso. E não era como se ele tivesse muita escolha, já que seus amigos mais próximos não poderiam emprestar nada – Gerry até era mais alto que ele, mas Sam era bem mais largo.

— Ah, Merlin, mas não pode! Ainda mais com os professores... — Anna se interrompeu, franzindo o cenho e pondo uma mecha de cabelo atrás da orelha enquanto se voltava para o namorado. — A não ser que... — Ela fez uma careta. — Você poderia ajudar, não é?

— Preciso? — respondeu o sonserino, revirando os olhos.

O que não era nenhuma surpresa para Sam, que se voltou para Adela sem saber se agradecia pela preocupação ou reclamava com ela por envolver aqueles dois na história. (“Aqueles dois”, no caso, era em referência a Michael e Anthony, ainda que o segundo não tivesse se manifestado a respeito dos uniformes e só encarasse os doces sobre o banco como se eles o tivessem ofendido. Sam não tinha nada contra Anna; pelo contrário, sempre conviveu bem com a garota.) De fato, o descendente de indianos estava muito tentado a dizer que eles não precisavam se incomodar, e que ele daria um jeito de transformar as roupas do corpo no uniforme de Hogwarts (ei, transfigurar um moletom num paletó devia ser mais fácil do que um rato numa xícara); a única coisa que o impediu de abrir a boca foi o Raio Azul da MorteTM que Delinha lhe lançou, prometendo silenciosamente todos aqueles castigos que as garotas costumam aplicar nos namorados, greve de beijos inclusa.

Claro que mais ninguém na cabine se deu conta daquele diálogo mudo entre os dois, visto que no instante seguinte a loirinha já estava fazendo cara de Gato de Botas para o ponto genérico entre Anthony e Michael - leia-se, Anna.

— É, acho que seria bom... — E nisso a sextanista olhou de novo para Michael, com uma expressão muito parecida com a da própria Adela. — ... Por favor?

Michael bem que estava tentando evitar olhar na direção da garota para não cair naquele jogo, mas acabou não resistindo. (Sam sabia bem como era aquilo. Antes mesmo de eles começarem a namorar, Delinha já tinha vencido várias discussões entre os dois com aquele tipo de estratégia desleal.) Derrotado, o sonserino bufou, se levantou, catou na bolsa uma muda de roupas e jogou-as no colo do grifinório sem a menor delicadeza.

Sam podia não ter muita intimidade com Anna, mas suspeitava que ela e Adela seriam capazes de pôr um fim no conflito entre Israel e Palestina, se resolvessem unir forças para isso.

— Valeu, Michael. De verdade. — O agradecimento sincero e gentil tinha vindo de Adela, com direito a um olhar de “viu só?” para Sam. Ele mesmo se dignou apenas a resmungar um “valeu” seco para o outro rapaz, mas fez questão de esclarecer para Anna que devolveria as roupas assim que o banquete terminasse.

— A escola deve ter uns uniformes pra emprestar, vou falar com o prof. Van Der Berg sobre isso.

Anna sorriu sem jeito para o casal, como se pedisse desculpa pela falta de paciência do namorado (em quem acabou dando um beijinho na bochecha e sussurrando um “merci”). — Espero que ajude com alguma coisa, Sam... vamos tentar mandar vir suas coisas o mais rápido possível — disse ela, entortando o rosto de novo.

Sam pretendia responder que ela não precisava se incomodar com aquela história toda, mas Anthony roubou as atenções para si ao dar um tapa na mão da irmã e roubar dela um sapo de chocolate, derrubando duas barrinhas no processo. Depois, sem nem querer saber o que Anna tinha achado ou deixado de achar daquilo, escancarou a porta (fazendo com que Croft, um dos monitores do quinto ano, praticamente caísse pra dentro da cabine) e saiu batendo pé corredor afora.

Houve um breve momento de desconforto em que todos os presentes se entreolharam, sem saber muito bem como reagir àquele estouro de boiada súbito do outro sonserino, até que Anna resolveu que devia cobrar satisfações do irmão e saiu também, com muito menos estrondo, Michael logo seguindo em seu encalço.

As cabines do Expresso provavelmente nunca tinham visto tanta movimentação como naquele dia. E mesmo assim continuava tendo gente sobrando naquela ali.

Sam deu mais um tempo, esperando que uma lâmpada se acendesse sobre a cabeça de Croft e ele se lembrasse de alguma coisa muito importante que tivesse que fazer em algum outro lugar. Ele era corvinal, não era? Podia ter mais esperanças do que tivera com Anthony. Ajeitando no colo as roupas que Michael emprestara, dividiu com Adela uma barrinha e o sapo de chocolate que ela tinha escolhido do espólio de Anna – e nada. O outro menino continuou congelado no lugar, como se estivesse grudado no assento do outro lado da sonserina. Sam travou mais um diálogo mudo com a namorada, arregalando e revirando os olhos discretamente.

Inferno, e ele queria ir trocar de roupa, mas ia deixar Delinha ali sozinha com o garoto?

— Hm, escuta, Grandão... Por que você não vai lá se ajeitar? Melhor que correr o risco de bagunçar a roupa emprestada também. — Com um rápido erguer de sobrancelhas, a sonserina se levantou e foi sentar no outro banco. — Pode deixar, eu fico bem aqui. O Croft me faz companhia, né, Croft? — Ela sorriu um sorrisinho meigo, sua marca registrada em momentos que exigiam altos níveis de simpatia. — Ah, quer chocolate?

(Às vezes Sam suspeitava que Delinha fosse legilimente. Outras vezes ele concluía que não, ela só era esperta demais.)

Resignado, embora ainda insatisfeito com aquela história de Adela ficar sozinha compartilhando chocolates com outro marmanjo, o descendente de indianos tomou o rumo do banheiro mais próximo, não sem antes fazer um carinho no rosto da garota ao passar por ela e murmurar um “já volto” da porta da cabine. Era bom marcar presença, em todo o caso.


A ação continua no Vagão-Restaurante. ;*

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~ soniye ve, soniye ve
mere naal aaja soniye ~
(mãozinha pro alto, vamo lá!)

~ atalho pra ficha
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Sam Gupta
Aluno, Capitão de Quadribol

Série 6º Ano

Índia
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Re: Vagao 6 - Cabine 5

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