Indiana Magic

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Indiana Magic

Mensagem por Gastón Saunière em Seg Ago 13, 2012 2:38 pm

Status: RP fechada.
Data: 01 de setembro - 13h15
Local: Expresso de Hogwarts - Décimo Quinto vagão, Corredores/Cabine Número 4
Participantes: Gastón Saunière, Elena Holdfeny, Viktoria A. Sjöström, Louise Saunière e Stwart Dawson.

Destino. Você e eu poderíamos perder horas a finco discutindo sobre esta pequena palavrinha. Não que seria uma total perca de tempo, na verdade acredito que qualquer discussão, por mais errônea que seja ou pareça, se o indivíduo acreditar em um fato, a discussão é válida. É uma simples questão de defesa e acusação, debate, diálogo. E veja que engraçado, como é incrível e mágico o destino. Estávamos aqui conversando brevemente sobre ele e fomos levados automaticamente para o ponto em que eu gostaria de por em pauta: diálogo.

Isto que você tem em mãos pode parecer um pouco velho, desgastado, manchado, mofado e até mesmo fedido (coisas velhas tendem a feder, isso é engraçado, porque é na velhice que estamos mais ricos). Com certeza estará amarelado, algumas páginas desse livro podem estar rasgadas, perdidas, embaralhadas (não, grudadas não!). Você é uma pessoa de sorte porque não se fazem mais diários como antigamente: você encontrará aqui pedaços de cabelos pregados com fitas colantes, chumaços de uma vegetação, um pedaço quadrado de tecido, enfim, qualquer coisa, objeto ou material que possa lhe dar uma vivência maior da situação que você estará lendo. Bom, é assim que eu sou. Vivo, detalhista, um pouco perfeccionista, admito, mas acima de tudo cuidadoso. Então, se este livro chegou até suas mãos é porque algo de especial há nele para você. Talvez uma única frase, um parágrafo, um capítulo ou o livro todo, não sabemos. Mas há algo aqui feito para você. Não que eu tenha pensado em você, mas por simplesmente estarmos pré-destinados a viver esse breve momento juntos. E serão nessas páginas que você lerá todos os momentos que passei com as pessoas da minha vida (sim, porque todas foram e são importantes).


Expresso de Hogwarts - Décimo-Quinto Vagão
Sábado, 13h15; Início de Viagem

Se pararmos para pensar um pouco em nosso caminho, analisando com um pouco de calma e objetividade iremos perceber facilmente alguns traços de similaridade intrigantes. Há uma teoria de fluxo muito interessante, na qual devo dizer que aposto todas as minhas fichas. A teoria diz, falando em uma linguagem bem simples e prática, que nossa vida, nosso caminho, segue constantemente para frente, como um rio, mas que podemos alterar o curso desse rio, criando um novo rio, uma ramificação. Mas este novo fluente não deixa de ser o nosso rio, o nosso caminho e não é porque o percurso das águas fora modificado que tudo que viria naquele trajeto deixará de existir. Aquele rio principal continuará existindo, as águas passarão o obstáculo e ele voltará a seguir seu ritmo, o que não significa que o novo braço de rio nunca mais encontrará sua origem. Um tronco de árvore pode mudar o percurso do rio principal, criando um novo braço para aquele rio fluir, mas isso não significa que o rio nunca mais volte ao seu trajeto inicial mais na frente. A questão é: o destino, por mais que mudemos o percurso que seguimos, ele sempre dará um jeito de nos fazer voltar para o passado, ou trará o passado para o nosso presente. É um ciclo vicioso, depende do seu ponto de vista.

Naquela manhã perturbadora na Estação King’s Cross aconteceu o que eu chamaria figurativamente de o meu “primeiro tronco”, o primeiro obstáculo fora posto. Seria uma questão de tempo para o ciclo se completar. A presença dos aurores e de todo um departamento de investigação criminal dentro do Expresso de Hogwarts transformou a questão em algo mais sério do que poderia ser. É sabido que após os atentados do final do século passado a segurança nacional (e mundial, de certa forma) mudara drasticamente, mas ainda sou a favor de medidas menos drásticas para um simples caso de popularismo escolar. Porque era evidente que aqueles estudantes não queriam outra coisa senão popularismo, foco, flash de câmeras e suas caras estampadas na capa da próxima edição do Profeta Diário. Besteira na minha opinião. O Profeta sempre fora um jornal muito sensacionalista, apesar de mostrar a verdade em algumas situações, mas não seria o tipo de veículo público no qual eu procuraria alguma atenção, uma primeira página. O Pasquim sempre me pareceu mais direito.

O fato é que a problemática daquela manhã de embarque, o estardalhaço, provocara uma série de mudanças no percurso da vida de muitas pessoas, evidentemente, mas acredito que o que temos de valioso aqui se chama Elena Holdfeny. Eu poderia dar nome à mais algumas criaturas bovinas, mas neste ponto, neste capítulo, o que você lerá talvez soe como meloso e romântico demais para a minha pessoa (procurarei não dar ênfase a esse lado), mas entenda que tudo não passa de verdade, fatos e destino.

Após a supervisão de todos os vagões do trem e a liberação ministerial para que o Expresso seguisse seu caminho normalmente (ou quase normalmente), a aura mágica sobre a Plataforma 9 ¾ retomou os ares, encheu os pulmões e as portas foram reabertas. Minha breve estadia na cabine de número quatro, do penúltimo vagão acessível fora muito breve, a intromissão ministerial levou todos os alunos para a Plataforma de forma tão rápida e inesperada que não tivemos tempo de recolher nossos pertences sobre os compartimentos da cabine. Sendo assim, não tive outra alternativa senão retornar para o número 4, com companhias nitidamente confusas para alguém como eu. Mas não entrarei em detalhes quanto aos meus acompanhantes e nossas estranhas relações, Viktoria e Stward não são o foco desta breve aventura romântica que tive naquele ano.

Estávamos em início de viagem, o trem havia iniciado seu processo de aumento de velocidade gradativamente. A cabine estava um tanto quanto escura (não é preciso citar o nome da garota-causa deste fato) e somada ao tempo fechado e chuvoso além das janelas, diria que minha visão da leitura de Guinevere em Paris estava drasticamente prejudicada. Houvera problemas demais para uma manhã, não haveria necessidade de mais um descaso de segurança nacional perturbando Viktoria com problemas iluminários. Aqueles primeiros quinze minutos parecia terem durado uma eternidade. O clima pesado da cabine e minha falta de leitura me trouxeram de volta para a realidade, saindo de meu costumeiro estado de distração: Louise! Como pude me esquecer da pequena Louise? Se eu, Gastón Saunière, fosse uma religião, o fato do esquecimento completo de Louise seria considerado um pecado passível de forca. Uma calúnia!

Levantei-me rapidamente, balbuciando algumas palavras que mais tarde poderiam ser traduzidas mais ou menos assim:

- Preciso encontrar Louise. Com a confusão de nossa partida não sei como esqueci da pequena Louise! Logo mais voltarei, infelizmente.

Os corredores estavam mais iluminados, apesar da vasta vegetação decorativa. Era uma mistura um tanto ousada: Viktoria e aquele vagão; o vagão cheio de vida, sons e cores, ela tão morta e sombria. Na verdade, agora que paro para notar mais proximamente, percebo alguns pontos interessante na garota. Talvez não fosse tanta ousadia assim, aquela mistura; havia uma explicação, agora sei.

O clima fora da cabine não poderia ser melhor para a leitura. De fato você já deve ter conhecimento de meu vício incontrolável por leitura. Acredito que seja algo de família, ou algum gene problemático implantado nos herdeiros Saunière. Me retirei da cabine com Guinevere, agora podendo retomar minha leitura enquanto iniciava as buscas pela pequena Louise. E cá estamos nós fechando o ciclo do rio, o destino nos pregando uma peça, juntando passado e presente, e futuro, de certa forma.

Lembro-me de não ter dado mais do que cinco passos antes de o vagão sofrer um solavanco anunciando o aumento de velocidade, me fazendo esbarrar com outro estudante. Viajando na leitura não percebi que seguia na direção oposta de Elena Holdfeny. Balbuciei algum pedido de desculpas, talvez uma tentativa de recompensá-la por minha distração, uma maneira de dizimar algum estrago. Não me lembro ao certo. Admito que a visão de Elena demorara algum tempo para se encaixar em minha mente, também não sei dizer ao certo se por algum distúrbio mental (devido a muita leitura, talvez?) ou algum distúrbio emocional. Mas era nítido que Elena possuía algum poder sobre mim. Congelei.

- Ah! Oi. Eu não... eu não vi você. Me desculpe. Eu estava indo procurar Louise, preciso verificar se ela está bem. Não que eu esteja procurando uma garota, veja bem. Não, Louise está longe de ser algo do tipo. Digo, ela é uma garota, sim, logicamente, até onde eu sei. Mas não o tipo de garota que você pode estar pensando que estou pensando em procurar. Não... – Poderia estar mais confuso e nervoso se estivéssemos no meio de um palco encenando a morte de Romeu e Julieta, mas ainda não sei se minha situação no Expresso me colocaria como Romeu ou Julieta! – Louise é minha melhor amiga, entenda. É muito bonitinha, com certeza, mas não estou buscando este tipo de aventura. Digo, não que você seja feia, não, não, não. Por favor, não pense isso de mim. E... nossa, por Merlin, também não considero você uma aventura ou... Ok! Deuses, me salvem – é preciso enfatizar que esta última parte fora murmurada unicamente para mim, mas pela expressão de Elena era óbvio que eu não precisaria dizer muito mais para deixar claro meu embaraço. Na verdade, hoje sei e percebo melhor, Elena e eu estávamos muito sintonizados, incluindo nos sentimentos e emoções.

Eu não sabia naquela época, mas estava prestes a iniciar a mais mágica e incrível das minhas aventuras. Eu, que tanto lia os Indiana Jones e Sherlocks, teria minha própria aventura.

Resumo:
Okay, okay, Ratinhôôô!
Esta é minha primeira tentativa de retomar os posts em primeira pessoa. Acredito que tenha dado certo! *-*
Você está lendo um trecho do perdido diário de Gastón Saunière. Nas páginas acima ele nos conta brevemente como ficara sua situação perante os acontecimentos no Expresso, além de uma breve aula de teorias e destinos. Não podemos esquecer de mencionar o foco de suas páginas: Elena Holdfeny. Gastón e Elena não se viam desde o término das aulas no ano passado, em Hogwarts, terminando um encontro de forma bem constrangedora para ambos. Após todo esse tempo sem se verem, sem se falarem e, provavelmente, sem nem ao menos lembrarem-se um do outro, se reencontram no corredor do décimo quinto vagão, quando Gastón sai da quarta cabine (que dividia com Stwart e Viktoria) para procurar sua irmã, Louise.

-
"don't you worry, don't you worry child
see heaven's got a plan for you"




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Gastón Saunière
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França
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Re: Indiana Magic

Mensagem por Elena Holdfeny em Ter Ago 14, 2012 3:25 pm

Ela não teve muito tempo para entender o que tinha acontecido.

Ela só ouviu o barulho. E de repente viu pedaços de porta vindo em sua direção. Automaticamente virou-se para o lado. Tampando o rosto com uma das mãos e seu troco com outra. Foi tudo tão rápido que ela levou um tempo para se orientar de novo. O estrago já estava feito e o caos parecia dominar aquele local do trem. Passaram-se alguns longos segundos antes que Elena conseguisse abaixar os braços.

- Astor? O que foi que houve? O QUÊ? REPETE! - dizia Lara na sua frente para um menino que ela não conhecia bem, mas achava que conhecia de vista talvez.

O simples movimento de abaixar os braços fez ela voltar a realidade. O impacto da explosão tinha com certeza afetado seu ouvido. Não só notou que algum problema sério tinha acontecido com seus tímpanos, como também sentia seu senso de equilíbrio afetado. Ela estava próxima da janela da cabine, no momento da explosão, e quando a porta foi pelos ares, a janela tinha se estilhaçado também. Reparou que tinha pequenos estilhaços de vidro em boa parte dela, até no cabelo. Com cuidado, e ainda com lerdeza, checou seu estado no geral. Estava horrível. Não estava apenas com vidro em si, como também tinha vários cortes em diversas partes do corpo. “Mas que belo começo de ano...

O menino que entrara na cabine parecia ajudar Lara com os machucados. Elena ainda estava atoarda quando o mesmo levantou a cabeça, a olhou e disse algo. Ela simplesmente não foi capaz de entender o que ele dissera. Saiu então da cabine sem nem olhar pra trás. Ela precisava sair do trem. Ela queria sair do trem. Podia sentir o vidro em seu corpo. Aquilo estava começando a desesperá-la e ela não queria perder o controle. Sem rodeios, saiu do trem apressadamente, esbarrando em algumas pessoas e algumas coisas. Ela ignorava a dor que sentia nos cortes, em prol de seu autocontrole, buscando uma solução para sua situação. Vagava pela estação sem saber ao certo o que procurava. Entretanto, conseguiu perceber que alguma coisa estava muito errada. Viu aurores surgindo na estação. Se esforçava pra entender tudo o que estava acontecendo, mas era demais pra ela no momento. Sentiu-se tonta por um minuto. Encostou-se na pilastra mais próxima e fechou os olhos.

Não sabia dizer ao certo se tinha ficado inconsciente por alguns minutos ou se apenas tinha se concentrado tanto em voltar a si, que não prestou atenção em mais nada ao seu redor. Só sabia que quando abriu os olhos se viu sendo guiada pela mão por uma mulher vestida de branco. Sentaram-na numa maca improvisada e ao poucos foram examinando-a. Um tempo depois ela já se sentia melhor. Alguns remédios tomados, os ouvidos tratados, os cortes limpos e mais nenhum caco de vidro no corpo. Não estava novinha em folha, mas aquilo era melhor que nada. Agradeceu com um sorriso sincero ao homem que a atendia e a mulher que o auxiliava. Fizeram alguns curativos na menina nos cortes mais graves que levariam um pouco mais de tempo para fechar e a garantiram que não precisava se preocupar com cicatrizes. Ela respirou fundo e então perguntou-os o que tinha acontecido. Eles responderam-na, mas ela não sabia ao certo se acreditava no que ouvia ou se ria da desgraça toda da situação. “Pra quem não esperava nada demais de hoje...” Assim que os médicos a deixaram em paz, ela olhou ao seu redor. Buscava algum rosto conhecido. Não precisou procurar muito para encontrar Lara. A amiga estava sendo atendida também.

- Lara... - ela se aproximava da amiga sorrindo. O corte que ganhara na maçã do rosto do lado direito a incomodou quando sorriu. Contudo, pequenas dores e incômodos não eram novidade para ela. Quando se treina boxe há mais de 5 anos, um pequeno corte no rosto não é nada demais... - Se machucou muito?

- Nãaaao, tô de boa. - a amiga tinha uma expressão engraçada e sorria bobamente. - E você? - Lara estendia a mão pra tocar no curativo do rosto da amiga, mas de repente recuou.

- O que eles te deram pra dor hein? Eles quiseram me dar um troço forte lá, não lembro o nome, mas eu não quis... Peguei uma poção leve pra dor apenas. - ela dizia rindo pra amiga que tinha uma expressão serena e divertida. - Mas pelo visto você tomou tudinho que te deram né? – dorgas, manolo. Muitas dorgas.

- Eu não tava ouvindo nada quando ele me ofereceu, e isso aparentemente é código para "dê a poção mais forte que encontrar"!- Lara disse, dando os ombros como se não estivesse em aí. - Alguém já te disse quem foi que tentou explodir a gente?

- Não. - na verdade, ela ainda não tinha nem parado para pensar nisso. - Mas quando eu descobrir, vai ter volta. Isso eu garanto. - um sorriso maroto se formava em seus lábios.

- Conte com a gente! – sua amiga dizia, levantando o dedo na frente do rosto. - Digo, comigo! Digo... quê? – mal ela terminara de falar, a gata que estava em seu colo quieta até então, pulou e saiu correndo pela estação - Louise! – Lara então saiu correndo atrás de sua gata, virando-se só pra falar - Te encontro lá no trem!

Não pode evitar rir olhando a amiga, levemente drogada, correndo atrás de sua gata. Sem muita pressa, tentou seguir na mesma direção que a amiga ia. Andava displicentemente quando seus olhos caíram numa figura que ela não esperava ver. Aquele rosto lhe trazia lembranças. Poucas lembranças que ela passou boa parte das férias tentando esquecer. Sentiu seu rosto quente de vergonha. Colocando a mão na bochecha para ver se era apenas impressão sua, ela sentiu seu curativo no rosto. “Eu devo estar horrível. Ele não pode me ver assim”. Virou-se rapidamente e rumou em direção contrária. Foi para o mais longe possível daquela parte da estação. Tinha quase certeza que devia estar vermelha como um pimentão. Um sentimento de vergonha crescia dentro dela, só de pensar na última vez que vira o menino.

Percebia aos poucos que todo seu esforço para esquecer o que tinha acontecido no final do ano anterior tinham sido relativamente bem sucedidos. Entre sua recusa a aceitar sentimentos amorosos e a presença frequente do seu treinador, ela tinha conseguido guardar bem aquela sensação embrulhada no estômago a maior parte do tempo. Aquela bendita sensação que ia tomando conta de todo seu estômago naquele momento. Mesmo com Gastón ficando cada vez mais para trás, enquanto ela mesma quase corria para longe.

Flashback:
(Final do 3º Ano. Uma semana antes das provas finais)

As provas finais se aproximavam. Essa era uma das épocas do ano em que Elena passava tanto tempo dentro da biblioteca quanto dentro da quadra de quadribol ou se exercitando. Tanto tempo ou mais. Um canto vazio da biblioteca, em especial, era seu cantinho preferido. Todos os dias a menina ia para aquele canto e estudava, estudava, estudava e estudava até não conseguir mais. Mas aquela matéria de defesa contra a arte das trevas simplesmente não entrava na sua cabeça. Depois da quinta tentativa sem sucesso de resolução de um problema, a menina esqueceu por um minuto que estava na biblioteca e, num tom inadequadamente alto, soltou um palavrão.

Um menino que estava sentado próximo a olhou de longe. Era um dos poucos que, assim como ela, também ficavam naquela parte da biblioteca. Ainda num tom mais alto do que o adequado para o local, ela olhou de volta para ele e se desculpou. Ele então se aproximou e perguntou se estava ela estava bem. Ainda irritada consigo mesma, por não conseguir resolver a questão, explicou um tanto exaltada o seu problema para o garoto. Seu tom diminuía conforme falava. Soltando um suspiro após a explicação, ela encarou por fim o garoto, finalmente prestando atenção nele. Ela já tinha o visto algumas vezes por ali e, depois de tanto tempo naquele local, passava até a cumprimentar os alunos que via com mais frequência no local. Mas mesmo que tivesse visto-o antes, obviamente não tinha prestado atenção, porque pela primeira vez notara o quanto ele era lindo.

Não era fácil para ela assumir que achava outra pessoa atraente, não fazia o tipo dela apreciar outras pessoas assim de graça. Mas aquele menino tinha pegado ela de surpresa. E que surpresa boa! Ele era alto, mais alto do que a maioria dos caras no geral, e mesmo magro, tinha um físico aparentemente bonito. Parecia mais velho que ela, com certeza. Olhos verdes, cabelos loiros e um rosto lindo. Por um segundo, ela se distraiu, perdida enquanto apreciava ele ali na sua frente. Voltando a si, ela demorou um pouco antes de responder positivamente o menino que se oferecera para ajudá-la com a matéria que estudava. Não gostava exatamente de receber ajuda, mas aceitou a dele sem sequer pensar. Sentiu-se tola e boba por um momento, por ter se deixado encantar tão fácil, então decidiu fazer o seu melhor para ignorar aquela sensação. Começaram a estudar, por fim, e ela voltou seu foco a matéria maldita na sua frente. Após bom tempo conversando e discutindo a matéria, decidiram encerrar os estudos daquela noite. Antes de se despedirem, o menino se ofereceu para ajudá-la outras vezes, caso ela precisasse. Novamente, sem pensar muito, ela aceitou a proposta.

Depois de uma semana estudando por horas, todas as noites, com Gastón – o corvino que se oferecera para ajudá-la – ela estava ali, finalmente, terminando sua prova de DCAT muito segura de ter o melhor resultado final possível. Um sorriso brotara em seu rosto e ela não conseguia tirá-lo de lá. Saiu da sala de aula olhando para baixo, ainda feliz com seu desempenho e, por mais que não fosse contar para ninguém, surpresa com o mesmo também. Levantou a cabeça e ao olhar para frente viu Gastón sentado no chão, do outro lado do corredor, lendo um livro. Por algum motivo, vê-lo ali deixou-a mais feliz ainda. A semana que passaram juntos, estudando, tinha sido inesperadamente agradável para ela. O garoto não era só bonito, como também interessante. Pelo menos, era o que ela tinha achado após conhecê-lo um pouco melhor. Numa pausa e outra que davam nos estudos, eles conversaram um pouco e, por mais que parecessem ter interesses quase que completamente distintos, ela gostava da companhia do rapaz. Ela se sentia à vontade com ele. E aquela era uma sensação rara para ela.

Cruzou o corredor correndo e o menino levantou-se rapidamente ao vê-la vindo em sua direção. Jogando os braços ao redor do pescoço dele, ela o abraçou com força, enquanto dizia entre risos que ele era um gênio e que ela tinha ido muito bem. O garoto então a segurou pela cintura, mantendo o abraço. Ela então afrouxou o abraço, afastando o rosto, para vê-lo melhor. Não sabia dizer bem no que estava pensando mais, porém ainda tinha seu sorriso no rosto. O menino também, apesar de um pouco surpreso a olhava com uma expressão feliz. E foi então que aconteceu algo que ela não soube explicar.

Um beijo.

Não tinha sido um dos mais intensos, nem sequer um dos mais longos, mas tinha sido seu primeiro beijo. Um selinho de aproximadamente 5 segundos. Ela não sabia o que tinha pensado para beijar o menino, mas agora estava feito. Ela tinha lhe dado um beijo e já não sabia mais o que fazer. Ao fim do mesmo, seus braços soltaram o menino e ela pode sentir o enlace do mesmo se afrouxando também. Tudo o que conseguia pensar era “por quê?!”. Via no rosto de Gastón a mesma confusão que achava estar estampada em seu rosto. Sem falar nada, deu um passo para trás e colocou a mão sobre os lábios. Sentia seu rosto esquentando e seu estômago embrulhando. Precisava sair dali. Deixou então Gastón para trás e rumou em direção ao seu quarto, quase correndo, sem olhar para trás. O que ela tinha feito? E por quê tinha feito? Por quê?!

Sentindo que já devia estar distante o suficiente, ela se encostou em uma pilastra e tentou se acalmar. Não sabia porque estava tendo aquela reação tão exagerada após ver o menino. Afinal, tinha passado um verão inteiro desde a última vez que o viu e nem se conheciam tão bem assim para se preocupar em como lidar com ele. Tinha sido só um beijo, não é? Um beijo não era nada demais para ela estar tão tensa com o desenrolar da amizade dos dois. Se é que eles podiam se chamar de amigos já. Se conheciam tão pouco ainda... Ela só precisava se convencer bem daquilo tudo e ficaria tudo bem. Porque a idéia de cruzar com o garoto ainda deixava-a inquieta e envergonhada. Tentou reprimir seu nervosismo, enfim, e não demorou muito tempo para que os funcionários da estação e aurores a orientassem de volta ao trem. Preocupada em evitar encontros desnecessários, ela esperou que quase todos os alunos tivessem entrado no trem para então embarcar. Achou que seria tempo suficiente para que pudessem se acomodar nas cabines e os corredores ficassem mais vazios. Decidiu então ir para o final do trem, para o último vagão, que costumava ser o que tinha as cabines mais vazias. Estava subindo e virando-se para ir para o mesmo, quando notou flores no corredor do vagão seguinte.

Depois de tudo que tinha acontecido, ver aquele vagão parecendo um jardim, conseguiu surpreendê-la. Ela caminhava displicentemente, olhando ao seu redor. Nem reparou que vinha alguém em sua direção, até que dera um esbarram na pessoa. E como a vida é muito sacana, não era simplesmente uma pessoa qualquer. Ela tinha esbarrado em Gastón.

O misto de sensações, algumas contraditórias, que sentiu naquele momento, eram difíceis de descrever. Sentiu de repente uma vontade imensa de sorrir e ao mesmo tempo sentiu também um enorme arrepio que a impedia de se mexer. Seu estômago parecia gelado e revolto. Sentiu uma onda de calor tomando conta de si. “Ah não...” Não estava acostumada a sentir tais sensações. Não era uma menina muito dada a emoções, achava que emoções atrapalhavam seu foco. Ela não gostava de distrações. Sentiu-se então muito incomodada. E mesmo não sabendo explicar porquê, sentiu-se também muito feliz.

- Ah! Oi. Eu não... eu não vi você. Me desculpe. Eu estava indo procurar Louise, preciso verificar se ela está bem. Não que eu esteja procurando uma garota, veja bem. Não, Louise está longe de ser algo do tipo. Digo, ela é uma garota, sim, logicamente, até onde eu sei. Mas não o tipo de garota que você pode estar pensando que estou pensando em procurar. Não... - o menino parecia confuso e nervoso. Por algum motivo aquilo tinha deixado ela um pouco mais tranquila. Saber que ela não era a única que estava desconfortável com a situação tinha sido reconfortante. - Louise é minha melhor amiga, entenda. É muito bonitinha, com certeza, mas não estou buscando este tipo de aventura. Digo, não que você seja feia, não, não, não. - “Ele tá me chamando de feia? Será que ele quis insinuar que me acha gorda? Ele me chamou de gorda? Como assim?!- Por favor, não pense isso de mim. E... nossa, por Merlin, também não considero você uma aventura ou... Ok! Deuses, me salvem – o garoto parecia tão desconcertado quanto ela.

No entanto, tudo o que ela conseguiu prestar atenção de tudo o que o menino tinha dito, tinha sido um pequeno detalhe.

- O que você tá falando? Você me chamou de FEIA? – ela respondia indignada.

- Não, não, não. - o menino tentava se explicar - Eu me expressei erroneamente, me desculpe. Jamais diria isso de você, até mesmo porque não é verdade, é óbvio que não é verdade. Você é... você é muito bonita Elena.

Ao final daquelas palavras, ela sentia como se as borboletas em seu estômago tivessem virado um tornado. Ficando levemente corada, ela baixou o olhar, por um momento. Precisava se acalmar. Tinha quase certeza que não ficava com sua melhor aparência quando seu rosto ficava vermelho com um pimentão.

- Obrigada. - dizia levantando a cabeça, sentindo-se um pouco menos insegura, mas mantendo seu olhar no chão. - Está tudo bem com você? – era tudo ou nada. Usando toda sua coragem naquele momento, ela decidiu fitá-lo nos olhos e ver no que dava.

Ela esperava que ele a respondesse. Mesmo não tendo ideia da resposta, ela esperava uma. No entanto, o silêncio se fez presente. Ele a olhava com uma expressão que ela não conseguia definir. Nem imaginava o que se passava na cabeça do garoto. Esperou alguns segundos por uma resposta, mas de repente sentiu que não podia mais... Sua coragem ia se esvaindo e desânimo ia tomando seu lugar. Soltou um leve suspiro. Não sabia bem porque, mas seu nervosismo parecia diminuir depois daquele silêncio. Sentindo-se menos tensa, ela olhou para o lado e depois voltou a encarar Gastón.

- Deixa pra lá, esquece. Me desculpa... - ela dizia de um jeito tranquilo.

Era hora de acabar com aquela cena. Odiava se sentir tão vulnerável daquele jeito. Não que fosse a pessoa mais fria do mundo, mas ela odiava deixar transparecer tanto assim seus sentimentos. Mesmo que só ela pudesse perceber que estava fazendo isso. Respirou fundo e deu um passo para o lado, desviando de Gastón. O garoto então guardou o livro que tinha em mãos no bolso de trás da calça. Não deixando aquele movimento súbito distraí-la, ela prosseguiu. No entanto, não conseguiu dar nem três passos, quando sentiu uma mão segurando a sua mão esquerda. Gastón tinha pegado na sua mão. Não somente tinha segurado ela, como também a puxou para perto de si.

- Não, não deixo não. - o garoto dizia para ela com segurança, enquanto passava seu outro braço pela cintura dela.

E foi ali, no meio daquele vagão repleto de flores, que Elena dava seu segundo beijo.

Resumo:
Elena tenta se recuperar do choque da explosão e decide sair do trem. Na plataforma, fica meio perdida diante a confusão toda que acontecia no momento. Devido aos ferimentos que apresentava por causa da explosão da porta da cabine e da janela quebrada, ela foi recolhida para ser tratada. Após receber os cuidados necessários, encontra sua amiga Lara, mas a mesma logo some atrás de sua gata fujona. Elena tenta segui-la, mas vê de longe uma pessoa que a deixa desconcertada: Gastón. Tenta então fugir do menino, mas já de volta ao trem não consegue evitar esbarrar no mesmo. Os dois tem um curto, confuso e constrangedor dialógo, até que Elena decide encerrá-lo e sair dali. Gastón a impede e então a beija de surpresa.

OFF:
Tudo devidamente autorizado. Qualquer coisa, MP.

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Re: Indiana Magic

Mensagem por Viktoria A. Sjöström em Qua Ago 15, 2012 8:56 pm

A MOCHILA
primeiro de setembro
Pulse. Palavras lentamente repetidas, que martelavam em seu cérebro. Pulse. Bastava olhar para os lados e ver o motivo de sua inquietação. Pulse. Recolheu todo o ar presente na atmosfera para dentro de seus pulmões. Pulse. Lá estava Gastón. Lá estava ela. Susto. Mentalmente, matara-o três vezes de diferentes maneiras. O olhar paralítico repousou sobre a janela e as palavras emudecidas ocultaram-lhe os pensamentos sombrios. Virou-se para o lado, amaldiçoando-o por ter nascido. Então, foi quando ele resolveu falar, e ela resolveu não ouvir. Ah... A voz dos homens. Doce, para algumas mulheres inocentes, amarga, para outras desiludidas.

Mate-o. Podia ouvir as frases daquele louco, em sua cabeça. Mate-o. Lembranças ruins, charadas no escuro. Fechou os olhos, esforçando-se para ignorar o mundo como um todo. Estava acostumada com aquilo, não estava? Enjaulada durante as férias, tida como sociopata por seus conterrâneos... Uma menina perigosa. Sádica? Talvez. Cruel? Jamais. Veio-lhe à memória, então, o momento da crucial decisão que fizera o Chapéu Seletor. Ainda depois de anos, sentia as orelhas esquentarem ao rememorar de que quase a colocara na Lufa-lufa. Por meses, foi zombada pelos próprios colegas de casa – e, durante este tempo, ignorou-os completamente.

A porta tornou a ser aberta. Sjöström manteve-se estática. Quem quer que fosse, ela não dava a mínima. Bom, não dava a mínima... Até o sujeito fazer o que fez. Desprevenida, sentiu-se massacrada pelo peso do brutamonte que se sentara em cima de seus frágeis ossos. Não conseguia se mexer e, caso o rapaz não saísse de cima dela tão cedo, seria facilmente sufocada. Retomando a forma de se portar, maquiou a expressão de dor com um tom blasé. Stwart Dawson era apenas folgado. Um garoto incapaz de fazer mal sequer a uma formiga, mas, ainda assim, forte e pesado o suficiente para esmagá-la. Viktoria constatou, naquele instante, a súbita aceleração do coração. Tirar os pés dela de onde estavam? Onde já se viu um negócio desses? Não fosse por um vestígio de que havia algo de muito errado, ela teria, certamente, protestado.

Sem tempo para discussões, pôs-se de pé em uma fração de segundo. Alarmada, abriu a porta da cabine de forma brutal. Que merda estava acontecendo? Correndo até a porta do vagão, sentiu o ar intoxicado perpassar pelas narinas. Sem olhar para trás, saiu dali. Viu-se diante de um imenso zoológico de pessoas desesperadas. Pais e filhos... Sempre os irritantes pais e filhos. Lembrou-se, então, do que havia deixado dentro do vagão: a mochila. Havia aurores por todas as partes e ela não poderia estar mais preocupada. Precisava arranjar um jeito de chegar à cabine urgentemente. E se descobrissem tudo o que se encontrava dentro de sua aparentemente vazia mochila? Num mundo onde todos eram bruxos, ninguém se deixaria enganar pela aparência de algo tão simples – ainda mais quando o item era de uma garota que, durante as férias, ficava num reformatório.

Merda... Mil vezes merda! Pra piorar a situação, Stwart veio procurá-la. Em seu olhar mascarado pela inocência, ela enxergava interesses os quais jamais alguém ousaria imaginar. Respirou fundo. Maldito. Queria falar de negócios justamente naquele momento? Viktoria ignorou-o por completo. Do bolso, puxou um maço de cigarros. Se pudesse, fumaria quatro de uma só vez para não explodir em nervosismo. Stwart cutucou-a. Foi quando viu que os aurores liberaram a circulação novamente. Jogou para fora todo o trago que lhe preenchia o peito. Alívio.

Ao adentrar, se deparou com um vagão vazio, que logo foi preenchido pela existência de Gastón. Na outra extremidade, ele flertava com uma garota qualquer. Evitou olhar para a cena. Não porque gostasse dele, mas as cenas de amor adolescente a enojavam. Entrou em sua antiga cabine. Estava tudo muito diferente desde a última vez em que lá estivera. Plantas e flores para todos os lados... Era o que conseguia ver. Nada interessada nos porquês que ocasionaram em tal situação, sacou, de pronto, a mochila de dentro do pequeno bagageiro. Verificou-a de cabo a rabo, jogando todos os pertences no chão. Ah... A magia. Certamente não havia ali somente livros, trocas de roupa e a varinha, como anteriormente foi dito. Ali apresentavam-se muitas outras coisas. Em sua maioria, ilícitas - itens dificílimos de encontrar. Aquela era Viktoria, afinal... E Viktoria era a rainha do contrabando.

Pelo corredor, viu apenas uma figura aproximar-se. Dessa vez, era, de fato, quem estava esperando. Hora de tratar de negócios.

Spoiler:
RESUMO: Viktoria é surpreendida pela entrada de dois rapazes em sua cabine. Embora esteja irritada, algo chama sua atenção. Sai do vagão imediatamente, ao avistar vestígios de fumaça. Nisso, esquece a mochila no trem. Por trazer artigos ilícitos dentro dela, fica extremamente preocupada. Quando aurores liberam a circulação dentro do trem, ela busca por suas coisas e as acha, felizmente, intactas. É, então, que seu sócio chega à cabine.

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Re: Indiana Magic

Mensagem por Stwart Dawson em Qua Ago 15, 2012 10:12 pm

”Resumo”:
O garoto Dawson vê-se aprisionado em um trem em polvorosa. Tudo parecia destruição. Sem hesitar, ele se afasta do local para evitar maiores danos à sua saúde física e mental. Durante uma hora, o garoto anda de um lado ao outro na plataforma, como se fosse apenas um fantasma em busca de sua salvação. Ao adentrar na locomotiva, porém, qual não é a sua surpresa ao deparar com Elena e Gáston se beijando, em uma odiável e ardente paixão.


Hogwarts jamais poderá ser definida em palavras. Talvez possa ser definida em sentimentos, sentidos, magia... Mas qualquer um que tente fazê-lo, jamais chegará perto de consegui-lo. O único mérito de tentar defini-la seria, naturalmente, apenas a tolice. A construção imponente é tão poderosa quanto é simples, seus muitos mistérios são tão profundos quanto sua límpida clareza. Hogwarts é um lar para aqueles que dela necessitam, mas é violenta para aqueles que nela não deviam estar. Embora não haja definição que possa se enquadrar a escola, características podem muito bem serem observadas. E uma das mais marcantes é, sem dúvida, a diversidade que habita os corredores aconchegantes deste castelo. Aqui, habitam os descendentes do leão que mais parecem venenosos como os habitantes de Slytherin; encontramos ainda os herdeiros da cobra que são tão corajosos quanto qualquer semelhante a Gryffindor; passeiam por seus corredores os inteligentes Lufanos que são perspicazes como a águia; e também vagueiam os irmãos e irmãs de Ravenclaw, dotados de um senso de justiça que não há igual. Está é Hogwarts.

O menino estava trancafiado em seus próprios devaneios. Seus olhos, petrificados pela velocidade com que seus pensamentos moviam-se, eram de uma tonalidade verde tão profunda e penetrante quanto a visão de um campo gramado. Ele sequer sentira o impacto quando a bota de Vik lhe atingira, sem notar verdadeiramente em nada além de seus pensamentos. Sua ousadia em encarapitar-se defronte àquela garota estava diretamente ligada aos sentimentos que se mesclavam dentro dele, como em um poderoso redemoinho incontrolável. Francamente, fora desnecessariamente atrevido por retirar-lhe os pés do banco, mas, agora, quando seu olhar vítreo fincava-se para fora da janela, perdido entre as muitas famílias que se comunicavam amavelmente, ele parecia desconhecer o mundo. Talvez, desconhecesse a própria sanidade naquele momento. Tal qual era a confusão interna que se desprendia no garoto, ele não notara a algazarra exacerbada que se avolumara no trem. Ao longe, fora de seu estado de torpor, era possível ouvir estampidos e gritos, misturando-se a incontáveis fragrâncias de origem duvidosa.

As pessoas ao seu redor moviam-se, no entanto, para ele, mover-se era algo inteiramente desprovido de razão. Seu corpo petrificado pela horda de diferentes sentimentos enrijecera-se nos pontos de maior necessidade, tornando-o inflexível e quase inútil. A sonserina e o corvinal bailavam com falta de elegância e desmérito, tão eufóricos quanto dois humanos podem ser. Fora quando, trazido pela brisa, o cheiro de matéria em combustação invadira-lhe os sensores olfativos que ele despertara de seu transe. A lembrança do fogo atingira-lhe como uma flechada, ferindo-lhe apenas o suficiente para trazê-lo ao aflitivo estado de alerta. Com um gesto gracioso, ele ergueu-se de prontidão e, através do vácuo, sua mão alcançara sua varinha, tão rápida e solenemente quanto era possível. Ele tivera o mísero instante de vislumbrar as botas da garota de olhos negros, quando seus passos entrecruzaram a cabine. Sua audição lhe indicara o foco do estardalhaço, e, quando ele dera apenas um passo adiante, uma criatura, trajada de roupas negras e com um ar urgente e tempestuoso, surgia na dianteira de uma porta aberta. Os olhos de Stwart Dawson arregalaram-se e, antes que ele pudesse qualquer coisa fazer, o homem transpassou o espaço entre ele e o conduzira, de forma violenta e abrupta, para fora da locomotiva.

Quando seu pulmão fora atingido pelo golpe gélido e refrescante de ar, o garoto notara o que estava acontecendo. Por todos os lados da estação 9 ¾, haviam pessoas feridas. Algumas, jaziam deitadas inertes em um chão feito de maciço concreto. Outras, porém, corriam de forma enlouquecida, gritando os nomes de seus pais, como se suas vidas dependessem disso. Era notável que o caos instalara-se de forma tão absoluta, que quase podia ser sentido e tocado. Seus passos eram abafados pela contínua corrente de falácia, ora interrompida por um grito assustado ou por um choro contido. Ao longe, ele vira uma espécie de portal, cuja finalidade mágica era, entre outras coisas, coligar dois lugares distantes. Uma chave de portal ainda mais sofisticada e eficiente que anterior. Quando seus olhos esverdeados voltaram-se para a locomotiva avermelhada, ele pudera vislumbrar a vistoria minuciosa que estavam realizando, ora ou outra ponteada por um estampido e um clarão, em métodos de percepção que, talvez, ele jamais conheceria. Neste instante, ele percebera que, pela primeira vez na história do castelo, ou talvez na história da humanidade, a pontualidade britânica seria finalmente violada.

~

Os minutos que ele passara vagando transcorreram de forma lenta, quase tão lenta quanto o pulsar de um coração desfalecido. Sua mente trabalhava em direções diferentes, algumas vezes tornando a atravessar devaneios dos quais não queria ser prisioneiro. Seus olhos vislumbravam toda a plataforma, repousando por sobre aqueles que foram feridos e aqueles que, como ele, saíra sem qualquer ônus. Pelo que pudera vagamente entender, uma série de crianças fora assaltada por repentinos desejos de demonstração e poder, variando simplesmente da explosão de um líquido avermelhado ou preto, ninguém pudera precisar, e de uma maldição de magia negra, a qual ainda parecia pairar sobre os inocentes do local. Stwart sempre pensara de forma cautelosamente madura, e quando pessoas da sua idade tinham atitudes deploráveis, ele as comparava com grandes e pretensiosos pavões. Podiam ser até belos e talentosos, no entanto eram frágeis àquilo que pode destruir uma nação: o orgulho trespassado pela dor.

Transformando em andarilho, o garoto deslocava-se sem qualquer rumo, vagando de um lado ao outro da plataforma, observando atentamente a atividade do esquadrão responsável pela segurança. Ora, o protocolo de pontualidade fora tão impiedosamente rompido que as horas voaram de forma imperial. Passara-se mais de uma quando a primeira nuvem de fumaça saíra pela chaminé da locomotiva. O garoto abriu um sorriso aliviado, porque estivera preocupado que o expresso não partiria. Se não, como ele poderia rumar para o seu tão amado lugar? Enquanto andara, perdido e sem direção, vira a garota que era encoberta por segredos maléficos: Sjöström. Alcançou e cutucou-a, como se tentasse lhe chamar a atenção, mas sem motivos ou desculpas, ela sumira antes que ele pudesse completar a comunicação. Sem delongas, por volta do meio do trem, ele entrara sem preocupação. Sua varinha jazia novamente em seu bolso, resguardada por um compartimento desenhado sob medida para tal finalidade. Sua mãe, mesmo que obsoleta, era de uma genialidade ímpar. Enquanto ele caminhava no meio da locomotiva, vira, prostrados em todos os corredores, diferentes personalidades, cada qual travestida de uma forma única e diferente. Alguns dos novos viajantes estavam pacatamente trajados de preto, ao passo que, outros, eram de peculiaridade altamente interessante. Pudera jurar que, ao cruzar com uma série de cabines, nas quais haviam alunos eufóricos e barulhentos, sentira um cheiro tão delicioso e agradável para aquela situação: torta de maçã.

Stwart Dawson é, entretanto, um garoto resguardado em seus próprios pensamentos, blindado por seus sentimentos incoerentes. Vislumbrar qualquer balbúrdia era, para ele, um desperdício de talento ou de energia, muitas vezes empregados em coisas que jamais poderiam ter retorno. Seu corpo, esculpido de acordo com o que ele quisera, tinha a aparência de um jovem comum, ainda que ele fosse dotado de características físicas que outros jamais teriam, mas sua alma, por outro lado, era tão velha quanto os livros que ele lia avidamente, como se pudesse achar a resposta para todas as perguntas do mundo. Seus olhos, que representavam em grande parte suas próprias reflexões, eram maduros, pairando exatamente sobre o meio termo entre a definição de sua alma e de seu corpo. O garoto era uma criatura de complexidade avançada, ainda que, sob muitos aspectos, sua vida fosse encenar a respeito de condições as quais ele deveria esconder. Seus passos cruzaram o trem sem nenhuma delonga, como se já soubessem para onde deveriam rumar.

O Expresso de Hogwarts podia ser tão altamente acolhedor como a própria escola. Ocorre que, porém, havia algo em seu interior que traduzia uma frivolidade para aqueles que não eram benquistos. Seus corredores eram perfumados como se houvessem acabado de serem limpos, e brilhavam de forma lustrosa, tal qual um diamante que reluz sob o sol. Aqui e acolá, era possível ouvir sons tão distintos que, caso não fossem guturais, poderiam ser facilmente interpretados como uma sinfonia, uma orquestra que, de forma impetuosa, permeava o vácuo do local. Existiam lugares neste trem que assemelhavam-se a diversos ambientes da vida cotidiana, talvez para reter e relaxar os sentimentos infanto-juvenis que insistiam em se traduzir de forma incorreta. Imaturidade, imperfeição, tolice. As palavras bailavam por sobre o trem, em uma liberdade tal qual a mitologia grega tendia a fantasiar. Beiravam à loucura, sem qualquer rodeios.

Fora ainda em seus devaneios que Stwart sentira a mudança relativa na umidade do ar. Seus pés roçaram em algo de aspecto agradável, e um aroma subiu-lhe imediatamente para as narinas. Por uma fração de segundo, ele pensara estar nos campos que rodeavam a sua casa. Quando observou atentamente, via-se em um dos últimos vagões do trem. Fatalmente, é claro, este havia sido transformado em um ambiente do cotidiano, ainda que este fosse um pouco diferente do que havia ali. Seus olhos preencheram-se com um toque de alegria e nostalgia, quando muitas de suas lembranças brotaram em sua mente, nas incontáveis tarde em que praticara, no bosque, as músicas que sua mãe lhe ensinava. Fora tingido por suas memórias de forma enregelante, e ele sentiu, através de seus braços, os arrepios subirem à mera menção da canção. Fazia tempo que ele não mais cantava, fazia tempo que ele não mais tinha motivos. Sem delongas, seus passos tornaram a andar, exalando o cheiro que ficava por entre as plantas e flores, por entre os espaços mais ínfimos.

Então, seus olhos lampejaram e ele vira as duas criaturas prostradas ali. Um deles era um homem, de maneiras e trejeitos robustos, tal qual uma criatura que não fora agraciada pela tecnologia. Seu modo de se mover não tinha graciosidade ou perfeição e, ao contrário disso, ele parecia altamente descontraído, perfeitamente encaixado ao ambiente rural. Seus braços estavam a mostra, reluzindo sob o poucos raios de luz que conseguiam alcançar o local. Seu modo de se mover, porém, era sistemático. Ao fim, no entanto, havia uma jovem mulher. Sua semelhança com o ambiente era tamanha que os olhos do garoto pensavam ver as fadas das árvores. Ela murmurava, vez ou outra, um cântico junto aos pássaros, como se conversasse com eles através de seu timbre perfeitamente afinado. Para Dawson, ela era uma criatura de impetuosa preciosidade. Seus olhos demoraram-se nela, mas ele continuo sem deter-se.

Quando cruzou a soleira da porta, encontrava-se ali a menina que ele menos queria ver, ainda que precisasse falar com ela. Viktoria jazia, novamente, deitada sob um ângulo reto, de forma estranha, mas que, de alguma maneira, parecia causar-lhe algum conforto. Sua mochila estava jogada em um lugar qualquer, disposta de forma involuntária e desajeitada. O sorriso de Dawson abriu-se levemente, mas, naquele momento, ele não queria falar nada. Seus olhos esquadrinharam a cabine e ele notou, com certa apreensão, que era um lugar perigosamente aconchegante e agradável. Subitamente, um calafrio perpassou-lhe a nuca. Ao sentar-se, notou que o mundo ao redor girava, como se tudo estivesse em desalinho, como se o mundo estivesse ruindo. Ele fechou os olhos e seus lábios moveram-se, conforme a música que ele entoava. Para sua infelicidade, entretanto, Gastón surgira na porteira da cabine, materializando-se com seu jeito irritantemente desdenhoso e desprovido de inteligência. O grifinório fechou o semblante, traduzindo o desagrado que sentia pela aparição nada desejável. A única que permanecia em inércia era, naturalmente, Viktoria.

Stwart Dawson estava sentado em uma posição que lhe causava dores. Seus olhos bailavam por sobre a cabine, como se pudessem captar um segredo que, outrora, havia lhe escapado. Ele permanecia imóvel, sob todos os motivos possíveis, vislumbrando quase sempre o vulto de pastos esverdeados passarem pela janela. Ainda que chovesse em demasia, as janelas permitiam visualizar os locais onde o verde era abundante, uma paisagem que passava um rápido. Aquele caminho deixava o garoto tranquilo. Seus olhos carregavam-se de uma felicidade genuína, como aquela quando matamos a saudade de alguém que nos faz falta. Seu coração palpitava de forma irradiante, ora disparando-se por entre os campos, como se pudesse voar livremente, ora vivendo em monotonia e tranquilidade. Suas mãos, jogadas sobre o banco, mexiam-se ao prazer dos balanços e redirecionamentos do circuito programado. Em determinado momento, o garoto da Corvinal levantara-se e murmurara qualquer coisa que não fora inteligente. Isso, é claro, comprovava a teoria do jovem grifinório: nem todos os filhos de Rowena eram inteligentes. Os minutos avançaram no mais absoluto silêncio, como se não houvessem pessoas ali. Os únicos sons que quebravam o silêncio eram os sons provenientes da chuva e, por ventura, algum ruído característico daquele emaranhado de plantas e flores.

Não demorara-se cerca de alguns minutos, ou talvez tenha demorado horas, quando o menino revolvera levantar-se e assumir o local que Saunière ocupara. Ali, poderia visualizar os acontecimentos que se desenrolassem no corredor, preocupando-se apenas em defender-se, caso houvesse a intuitiva necessidade. Arrependera-se no instante que seu corpo tocara o macio local. Seus olhos vagaram pelo recinto, atravessando a porta que o separava dos demais locais. A cabine estava em um ponto estratégico, permitindo visualizar toda a paisagem do local. Quando eles vagaram para além do que deveriam, ele vira a cena que o deixara paralisado. Por um breve milésimo de segundo, o seu mundo pareceu tornar-se mais lento, parar, retroceder. Seus olhos tornaram-se gélidos e em seu coração apossara-se o desprezo. Sua respiração pareceu desnecessária, a vida parecia-lhe desnecessária. Algo dentro dele fora profundamente abalado, como se um alicerce tivera desfalecido e, com ele, toda a construção imperiosa. Dawson, vira Elena Holdfeny,. Seus cabelos louros pareciam naturalmente brilhantes, sua pele, mesmo que pouco visível, era de um tom imaculado e puro. Ele podia ouvir o som de sua risada, como se ela estivesse ali, com ele, rindo de suas bravatas insensatas e tolas.

No entanto, ela estava entregue nos braços de outro homem. Seus lábios roçavam-se junto aos dele, como se a vida dela dependesse de tal formosura. Seus movimentos eram confiantes, ainda que fossem imprecisos. Sua vida parecia transcorrer enquanto seus lábios perpetuavam-se em um momento único. Uma fúria incontrolável tomara conta dele. Ela era uma ingrata, tola, mesquinha. Como pudera nutrir qualquer sentimento por ela? Agora, tão cortesã e experiente, ela entregava-se a alguém que, certamente, jamais estaria ao pé de Stwart. Seus olhos fecharam-se até formarem fendas finas e ameaçadoras, enquanto seu cérebro arquitetava meios de fazê-los parar. Contudo, foi neste instante que o beijo acabou e que tudo ficara ainda mais alarmante. Quando ela finalmente desunia-se do jovem, ele viu a pior pessoa que poderia ter visto. Seu sangue pareceu gelado, seus braços pareciam inertes. Sua mente estava mergulhando em um torpor de profunda exaustão. Escuridão, ódio, fúria mesclavam-se junto a um emaranhado de situações.

– Caramba, a princesa encantada resolveu abrir o baú e soltar as aranhas?! Só não deixe-as vir aqui, se não mato todas – Seu corpo sucumbira à fúria. Sem ele sequer notar, ele levantara e escancarara a porta da cabine. Seus braços cruzados exibiam uma tentativa subconsciente de se proteger, seus lábios pareciam convidativos, sorridentes e meigos. Mas, em seus olhos, havia a fúria e a dor. Os seus olhos estavam profundamente tristes, mas o seu coração resguardava a amargura.

– Se você fizer qualquer outro comentário, não precisa se preocupar com as aranhas, que a princesa aqui quebra sua cara ela mesma – A resposta de Elena viera surpreendentemente rápida. Seus calcanhares descreveram um círculo semi-aberto, de modo que, ao final dele, ela estava de frente ao garoto. O menino perscrutou sua face, buscando qualquer reação que não a pura raiva. No entanto, ali havia a serena tempestade que se anuncia, um prelúdio de terríveis destruições. A face ruborizada da menina nada indicava ao acanhamento e à vergonha, estava relacionada intimamente com a fúria produzida. Por um instante, Stwart Dawson tivera o insano desejo de rir, gargalhar até tudo aquilo partir. Como um sonho desperto. Mas ele sabia que nada daquilo era um sonho. A realidade o atingira com precisão, tornando-o uma pedra insensível de gelo, desprovida de dor ou compaixão.

– Agora você resolveu transformar sapos em príncipes, é isso? - Olhou com gélido desprezo para Gastón, a pessoa que, neste momento, ele mais odiava em vida.. – Foi por isso que você não quis me beijar? Porque eu já sou um princípe? – Seu corpo movera-se sutilmente, em uma ligeira mesura. Sem jamais retirar os olhos dos olhos da traidora, seu sorriso estampou-se em sua face. O sorriso mais belo e terrível, o sorriso mais detalhadamente desenhado. Em seus olhos, porém, transmitia-se a dor e a insegurança. Uma vontade incontrolável de amaldiçoar a todos ali. Implacável e impiedoso.

Spoiler:
Não preciso dizer que tudo foi autorizado, né?! Bom, espero que não. Não coloquei hora e nem nada dessas informações, porque tudo ocorre em sequência ao que o Vlád colocou no post dele. As ações seguintes serão narradas no próximo post!

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"(...)as duas bruxas travavam um duelo mortal."
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Re: Indiana Magic

Mensagem por Louise Saunière em Qui Ago 16, 2012 11:28 am

Talvez seus pais tivessem razão em não dar um gatinho a Louise, esse ano. Já não era lá muito responsável com sua própria vida, então era complicado imaginar as condições que a criatura teria, caso pertencesse àquela garotinha.

Tá. Já não dá pra chamar uma menina de treze anos de criança, mas essa em questão tinha a inocência de uma. Tinha suas ressalvas, quanto crescer. Não era um assunto dos mais agradáveis. Nesse momento, inclusive, queria seus pais.

Tossia, agachada, passeando por vagões em chamas. Mas não estava lá a toa. Não caçava aventuras. Não, buscava seu irmão. Perdeu-se dele, logo depois de despedirem-se de seus pais, antes de atravessarem o portal à plataforma. No momento pareceu uma ideia maravilhosa, a de observar os trouxas antes de partir.

“É que eles são tão fascinantes!” responderia ela, caso fosse questionada. Sempre que podia, espichava os olhos na direção deles, sempre tão apressados, correndo com seus quadradinhos coloridos colados a orelha. Aquilo sim era mágica. A encantava a capacidade deles de criarem sem uma varinha. A forma como faziam as coisas com as próprias mãos, como carregar uma mala, mesmo que pesada, enquanto bruxos usavam feitiços para levantar caixas mais leves, só para não lidar com o peso.

- Gastón? – chamava, intercalando com a tosse, toda vez que alcançava uma porta. O medo a invadia, junto com o ar quente e pesado.

Não achava que o irmão era estúpido, ou coisa assim, para não deixar o trem em caso de incêndio, mas talvez, quem sabe, ele estava lá dentro, buscando-a, também.

A voz que a respondeu não pertencia a nenhum Saunière, mas a fez parar e busca-la. Podia não ser seu irmão, mas e se fosse alguém em perigo? Meleca. Não era a heroína da história! Era a mocinha! Então lembrou-se, que em alguns livros e contos, as mocinhas também podiam ser heroínas, e isso encheu-a de coragem. Ficou de pé, mas com o tronco curvado, e passou a correr.

Sentiu-se erguer, e assustada, passou a sacudir as pernas e os braços, buscando a liberdade. “Você é maluca?” – alguém a questionou, enquanto a garotinha só conseguia pensar que aquele era um daqueles ninjas a quem Cacá se referia as vezes. - Preciso encontrar meu irmão! – pediu, em vão, antes de ser posta numa ala hospitalar, onde com um aceno de varinha da enfermeira, seus olhos voltaram a ficar úmidos e ainda ganhou um aquário na cabeça. Teve até os cortes nas mãos limpos e curados! E nem sabia que os tinha!

Percebeu que o aquário a ajudaria muito na busca de Gastón. Não precisaria mais se preocupar com a fumaça irritando sua garganta. Mas suas tentativas foram frustradas por mais daqueles homens grandes e poderosos. Teve que se contentar em busca-lo na plataforma, ansiosa para segurar sua mão e confirmar que estava tudo bem. Pra sentir que tudo ficaria bem.

Viu pessoas feridas, recebendo cuidados e outras apenas sentadas, recebendo lanchinhos. No meio dessas, “Principe de Chocolate”. Tentou alcança-lo, para pedir ajuda – afinal, Príncipes Encantados salvam mocinhas indefesas, certo? Ele provavelmente encontraria seu irmão! – Mas quando achou que seus problemas teriam solução, e que enfim teria alguma coisa decente a dizer, depois de dois anos, os ninjas passaram a correr atrás dele e não contentes em acabar com o seu momento, o apagaram com um feitiço.

Tentou correr até ele, mas a muvuca que se instaurou depois dessa cena a impediu. Pode, apenas, seguir de longe e ver para onde o carregavam. O deixaram no vagão dos professores, o que não era tão ruim. A não ser que fosse uma prisão, ou algo do tipo.

Permaneceu no impasse entre ir atrás de Gastón, ou descobrir como trazê-lo a liberdade, por cerca de um minuto, em que dava passinhos na direção da cabine, sacudia a cabeça e ia na direção oposta, até que chegou a conclusão de que ele, ao menos, sabia estar em segurança. Bom, desde que o professor de transfiguração não entrasse ali.

Tinha suas ressalvas à índole do docente. Desde que Cacá lhe contara sobre seu sequestro, e de como o sr Karl van den Berg foi inocentado, achou melhor ficar de olhos bem abertos.

Olhou uma ultima vez pra cabine, gravando na memória o número e o vagão e voltou a sua busca. Tinha percorrido só sete vagões, quando o trem sacolejou, partindo enfim. Olhou em cabines cheias de gente, vazias, viu pessoas conhecidas - entre elas, um setimoanista da Grifinória, que gentilmente retirou aquela bolha de sua cabeça - e outras que sentia que nunca tinha visto na vida. Atravessou o vagão restaurante partiu para a segunda parte.

Só sossegou quando alcançou o décimo quinto vagão, e ali, bem na porta da quarta cabine, encontrou seu irmão, muito próximo a uma garota.

Então sentiu-se pequenininha. O alivio se transformou em desamparo. Sentiu vontade de chorar, mas não podia. Sentiu vergonha. Gastón, provavelmente nem se lembrara dela, desde o momento em que atravessou aquele portal. Estava ocupado de mais com outros assuntos. Então quis ir lá e contar pelo que passou, mas isso só a fez sentir mais mesquinha.

As cinzas que sujavam seu rosto, seu casaco, antes branquinho, e braços, só mostravam o quão boba era. Virou-se. Sairia dali, antes que ele a visse. Não queria atrapalhar. Mas a porta da cabine abriu e alguém disse coisas que não pareceram legais aos seus ouvidos, fazendo com que desse a volta.

Enquanto ele falasse sobre a garota, não se incomodou muito, mas foi só ele chamar Gastón de sapo, que esqueceu que aquele que proferia tais coisas, era um veterano da Grifinória. Tão pouco lembrou-se do olhar de adoração que costumava destinar a pessoas com esse status, ou de sua considerável desproporção de poder, ou altura, em relação ao garoto. Correu aquela curta distância até ele.

- Você é que é o sapo! – Disse, impondo toda a sua força, em um movimento ágil para chutar-lhe a canela – Gastón é um príncipe! UM PRINCIPE!

Afinal, se ela era a princesa da história, que papel teria seu irmão, se não o de príncipe?

Spoiler:
Ignorando as chamas e a fumaça, buscou seu irmão pelos vagões, até que foi retirada do trem. Recebeu cuidados de enfermeiras, e assistiu ao "Príncipe de Chocolate" (Chester Lewis), ser carregado para a cabine dos professores, no primeiro vagão. Acreditando que ele está em segurança, mesmo que temporária, volta à busca por seu irmão, Gastón. O encontra, enfim, no décimo quinto vagão, acompanhado de uma garota. Um pouco decepcionada pensa em não incomodá-los, até que a chegada de Stwart e suas palavras a fazem voltar. Tenta, então, atingi-lo com um chute na canela, como uma parca defesa ao irmão.

Spoiler:
Lancei o dado, mas fica a critério do player do Stwart, a utilização deles, ou não. ^^
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Re: Indiana Magic

Mensagem por RPG Enervate em Qui Ago 16, 2012 11:28 am

El miembro 'Louise Saunière' ha efectuado la acción siguiente: Rolar Dados

'd20' :

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Re: Indiana Magic

Mensagem por Elena Holdfeny em Qui Ago 16, 2012 5:26 pm

Ela podia contar nos dedos as vezes em que sua mente parecia em paz como estava naquele momento: no mais repleto silêncio interior. Ela não estava pensando em nada. Absolutamente nada! E sentia-se tão bem que não sabia como expressar sua felicidade durante todo o tempo que estava nos braços de Gastón. Com seus lábios unidos aos dele. Não estava acostumada a nada daquilo que estava acontecendo, mas não estava nem aí. Sua cabeça geralmente parecia ter uma listinha de preocupações sobre coisas que precisava fazer, coisas que deveria estar fazendo e coisas que já tinha feito. Mas não naquele momento. Ali sua mente parecia mais com uma folha em branco. Sentia-se até mais leve.

Entretanto, como tudo na vida, aquele momento tão bom teve fim.

Se afastou um pouco de Gastón, mas bem devagar, como se estivesse acabando de acordar de um sonho bom. Olhou o menino nos olhos enquanto um sorriso tímido surgir em seu rosto. Ela não tinha muita certeza sobre o que estava acontecendo ou sobre o que estava sentindo, mas estava tão feliz. Sua mente aos poucos voltava a funcionar normalmente, tentando em vão, entender aquela situação num todo. Gastón tinha acabado de beijá-la! Dessa vez, não tinha sido ela quem tinha tomado a iniciativa e sim ele. Sentia seu rosto ruborescer a cada segundo que passava e seu coração acelerando. E como se precisasse achar algum defeito na situação, se viu pensando que tudo ali estava fora do seu controle. E no quanto não estava nem acostumada ou gostava de tal fato.

- Caramba, a princesa encantada resolveu abrir o baú e soltar as aranhas?! Só não deixe-as vir aqui, se não mato todas. – dizia uma voz conhecida, num tom um tanto provocativo.

Em qualquer outra situação, ela com certeza abriria um sorriso ao ouvir a voz de Stwart Dawson. Qualquer outra situação. Mas não ali, tão vulnerável e ainda incerta do que tinha acabado de acontecer. Num momento tão íntimo e pessoal dela. Não que não tivesse reparado na presença de dois aurores ali no corredor também, mas não estava nem aí para ele. Não os conhecia e tinha quase certeza que nunca mais os veria de novo, então não podia se importar menos com ambos. Mas com Dawson não. O menino ter visto a cena tinha a incomodado muito e de um jeito que ela não sabia explicar. Rapidamente, se virou para ele e rebateu com raiva o comentário anterior.

- Se você fizer qualquer outro comentário, não precisa se preocupar com as aranhas, que a princesa aqui quebra sua cara ela mesma. - a essa altura, seu rosto já devia estar tão vermelho quanto podia ficar. Seu tom, apesar de contido, era notavelmente ameaçador.

Não sabia ao certo se estava envergonhada ou com raiva naquele momento. Nem porquê estava sentindo tantas coisas confusas assim tão de repente.

É esse o problema com emoções e sentimentos: eles te distraem, não te permitem pensar ou ver as coisas claramente e tampouco te permitem raciocinar direito. Detestava sentir tal falta de controle sobre si. Era de se esperar que, com a situação ficando cada vez mais fora de sua compreensão e controle, ela estivesse furiosa. Dawson talvez nem merecesse que ela fosse tão rude com ele a troco de nada, mas o próprio rapaz não parecia menos irritado que ela. Pela sua postura podia notar que ele estava furioso, mas nem usando seu melhor sorriso, ele conseguiria enganá-la. Já conhecia-o um bom tempo, praticamente o considerava um amigo de verdade. Com aquele olhar triste, ela sentiu um aperto no coração, mesmo sem conseguir entender o porquê do mesmo.

- Agora você resolveu transformar sapos em príncipes, é isso? – Dawson voltou olhar para Gastón enquanto falava, mas logo olhou para ela de novo - Foi por isso que você não quis me beijar? - “AH, MAS ELE NÃO FEZ ISSO...- Porque eu já sou um princípe? – um sorriso lindo se formava no rosto de Dawson.

Eu. Não. Acredito. Nisso.

Ele só podia estar de sacanagem com a cara dela. Princípe? Ele? Dawson estava mais para um bobo da corte. Mesmo que um bobo que sempre gostou muito de ter por perto. Apesar de metido e orgulhoso, ela gostava do rapaz. Talvez gostasse mais ainda por ele ser metido e orgulhoso, afinal, ela também era assim. Mas ele sempre era capaz de fazê-la sorrir com as cantadas de pedreiro e com os papinhos mais divertidos que ela já tinha ouvido. Após um tempo de contato e convívio com o garoto, já considerando-o um bom amigo, ela foi então surpreendida pelo mesmo por uma brincadeirinha sem graça. Uma brincadeirinha um tanto constrangedora para ela – e pensando bem, talvez constrangedora para ambos. No entanto, já não estava mais nem aí. Passou um bom tempo evitando o rapaz o máximo que pode depois do incidente. Já nem lembrava mais daquilo até ele aparecer trazendo o assunto à tona.

Antes de conseguir pensar em qualquer coisa outra coisa para responder Stwart, uma menina aparecia ali e se intrometia no assunto. Da melhor forma possível, na opinião de Elena, que ela podia se intrometer.

- Você é que é o sapo! – dizia a pequena enquanto chutava a canela de Dawson com força. – Gastón é um príncipe! UM PRINCIPE!

Por um segundo, sorriu e pensou que aquela sim era uma menina legal. Raramente ela tinha uma boa opinião assim, tão facilmente, sobre alguém, mas por um segundo ela tinha certeza daquilo. Mas assimilando melhor o discurso da menina, sentiu uma emoção muito forte dentro de si. Uma sensação um tanto obscura e pesada. Não tinha certeza, e não pretendia admitir nunca, mas parecia sentir ciúmes de Gastón. Afinal, quem era aquela menina pra sair chamando seu homem de príncipe? Quer dizer, não que ela fosse dona dele, mas era evidente que depois de dois beijos, ela já tinha marcado território. Mesmo que a menina só tivesse visto um beijo, que seja! Um beijo devia ser um sinal mais do que claro que os dois tinham alguma coisa. Mesmo que ela não soubesse o que tinha, mas aquilo não importava no momento. Gastón era dela e ela achava que aquilo era evidente naquele minuto! “Será que eu vou ter que fazer xixi nele pra ficar claro que ele não tá mais na pista pra negócio?

Lançou um olhar um tanto intimidante para a menina e disse com muita calma: - Um príncipe sim: MEU príncipe. – terminava dando um sorrisinho charmoso para a menina, enquanto segurava, com as duas mãos, o braço de Gastón.

Acreditando ter deixado claro para a menina seu recado, voltou-se para Dawson. O garoto tinha levado as mãos a perna que receberá o chute e tinha em seu rosto uma expressão clara de incômodo. A interrupção da menina desconhecida tinha desviado a atenção de Elena do que Dawson tinha falado, mas ela não tinha esquecido. Sentia seu ciúme se transformando em raiva novamente. Ainda não conseguia entender porque estava com tanta raiva de Stwart por ter pego ela ali no flagra com Gastón, afinal, não estava fazendo nada de errado. E também não conseguia acreditar na reação tão estranha do garoto ao se meter na vida dela. E como se já não estivesse confusa o suficiente, não fazia ideia de quem era a garota que tinha ido defender Gastón, antes mesmo que ela pudesse ter dito ou feito alguma coisa. Ou seja: não estava entendendo nada.

Como se tivesse se livrado de correntes, ela sentiu algo dentro de si explodir. Eram coisas demais fora de seu controle para ela tentar se esforçar para manter o controle sobre si. Tentando ter um mínimo de clareza quanto ao que estava prestes a fazer, pensou em quem seria o alvo sua raiva: Gastón, a menina ou Dawson? Gastón não tinha feito nada - ou melhor, tinha feito sim e tinha feito algo que, por sinal, ela tinha adorado; a menina desconhecida parecia ter sua idade ou um pouco mais nova, e apesar de ter parecido briguentinha, Elena teve quase certeza de que ela não renderia uma boa briga, pois dificilmente ela conseguiria bancar uma briga com ela. Além de não ter certeza se tinha motivos reais além de ciúmes para tratar mal a mesma, já que ela não tinha feito nada para ela. Pois bem, por eliminação, só restava Dawson para alvo.

“Bom. Vamos ver então se esse sorriso aí continua bonito sem metade dos dentes!”

Se moveu tão rapidamente que pegou todos de surpresa. Soltando um grito de raiva, lançou-se contra Dawson. Ele não devia ter nem ideia do que estava acontecendo quando se viu derrubado novamente dentro da cabine, com a garota montada em cima dele. Elena parecia um monstro atacando o rapaz: deu-lhe socos e tapas, sem esquecer de arranhá-lo em todos os lugares que suas mãos alcançavam. O garoto parecia não revidar, pelo contrário: tentava se proteger como conseguia dos golpes cobrindo o rosto. Até que de repente chamou-a de louca e clamou por ajuda.

- AJUDA NÃO, QUERO VOCÊ PEDINDO ARREGO! ANDA DAWSON, PEDE! - ela dizia ainda montada em cima do menino, segurando o menino pela gola de sua jaqueta, aproximando-se para encara-lo de perto.

Ela estava completamente fora de si. Era um tanto libertador quanto assustador estar tão descontrolada. Contudo, a situação deveria estar mais assustadora do que qualquer outra coisa para os demais ali, pois mal terminara de falar, sentiu um par de braços lhe agarrando pela cintura e puxando-a para trás. Para longe de Dawson. Considerou resistir e voltar para cima do garoto, mas apesar de ainda estar com raiva, após aquela briga sentia-se bem melhor.

Já Dawson não podia dizer o mesmo. Olhou para o menino e ficou satisfeita com o estrago que tinha causado. Menos agitada, olhou para trás para ver quem a segurava. Não se surpreendeu ao ver que era Gastón quem tinha apartado a briga. O menino a segurava pela cintura e ela repousou seus braços nos dele, transformando aquele enlace num abraço. Não que precisasse de proteção, porque era óbvio que ela sabia se cuidar, mas sentiu-se tão segura nos braços de Gastón, que sentia aos poucos toda sua raiva desaparecendo magicamente.

Respirou fundo e olhou para Dawson. A menina desconhecida tinha ido socorrê-lo. Estava abaixada olhando de cima a baixo o rapaz, verificando sua patética situação após a briga. Elena, agora mais calma, olhando o estado de Stwart, sentiu uma pitada de remorso pelo que tinha feito. Não que tivesse a mínima intenção de deixar aquilo transparecer, mas sentiu-se envergonhada e arrependida. Ele até estava merecendo isso, há muito tempo por sinal, mas ela sabia que não devia ter feito aquilo. Ele era muito querido por ela, mesmo que fosse um nascido trouxa. Até um tempo atrás, tinha certeza até de que os dois eram bons amigos. Sentiu então um grande incômodo no peito. E sabia que por mais que detestasse o que estava prestes a dizer, era preciso.

- Desculpa. – dizia suave e sinceramente, mesmo que sentisse um nó na garganta ao falar. - Mas você tava pedindo isso... E não é de hoje. – ela olhava-o nos olhos com uma expressão meio cansada e meio triste.

Resumo:
Elena é surpreendida por Stwart, após beijar Gastón e se irrita com a reação e comentário do rapaz a respeito da situação. Uma menina que ela não conhece surge então e defende Gastón, causando ciúmes em Elena. Ela então perde toda a paciência e explode, partindo para cima de Stwart numa briga mano a mano, estilo trouxa. Gastón aparta a briga e a menina estranha auxilia Stwart. Ela então percebe o que fez e sente-se mal a respeito, se desculpando com Dawson.

OFF:
Tudo devidamente autorizado. Qualquer coisa, MP
Rolando dados pra ver o grau do estrago que a briga causou no Stwart, caso Rubens queira considerar. (;


Última edição por Elena Holdfeny em Qui Ago 16, 2012 7:48 pm, editado 4 vez(es)

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Re: Indiana Magic

Mensagem por RPG Enervate em Qui Ago 16, 2012 5:26 pm

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Re: Indiana Magic

Mensagem por Gastón Saunière em Sab Ago 18, 2012 12:59 pm


Anteriormente...
Elena Holdfeny e Gastón Saunière se beijaram. Até Stwart Dawson entrar em ação e soltar piadinhas sobre ambos. Elena começa uma briga no chão do corredor do décimo quinto vagão, surrando Stwart. Ao mesmo tempo surge Louise Saunière, irmã de Gastón, indignada com o que vira (o beijo).

Resumo:

Neste capítulo do diário de Gastón Saunière você encontrará uma breve explanação sobre o relacionamento dele com Elena Holdfeny (eles já se conheciam e já haviam se beijado antes, sabia disso?). Você ainda encontrará um detalhamento da visão de Gastón sobre o que acontecera durante e após a briga de Elena e Stwart. Enraivecido por Stwart aproximar-se de sua irmãzinha Louise, Gastón saca a varinha e inicia-se um duelo mortal entre o corvino e o grifo. Mas tudo é interrompido quando a pequenina Louise entra em ação mais uma vez em meio a gritos, explosões e choros.


Capítulo II - O duelo tão aguardado;
Sábado, 01 de setembro; Expresso de Hogwarts, vagão 15; 13h40.


Elena Holdfeny e eu não tínhamos exatamente um relacionamento amoroso, na verdade, até pouco tempo atrás nós poderíamos ter qualquer tipo de relacionamento menos algo fichado como “amoroso”. Falando mais livremente, diria que éramos opostos, completamente opostos. Para início de conversa ela era cobra e eu era águia e águias comem cobras no café da manhã (apesar de recentes acontecimentos mostrarem divergências nessa questão). Sinceramente talvez fizesse mais sentido um romance desses se fôssemos Grifinória e Sonserina, um ódio natural que facilmente poderia ser convergido em amor. E amor e ódio, na minha opinião, são de fato sentimentos muito próximos, afinal, de que outra forma estaríamos aqui falando de mim e Elena Holdfeny? Não que nos odiássemos, longe disso, mas estávamos pré-destinados a isso, ou pelo menos era o que nos fizeram acreditar.

Nossa situação poderia manter-se complicada somente nessa questão animal da cadeia alimentar, e isso já nos causaria uma problemática sem fim, mas como nem tudo são flores e a vida nunca facilita para os românticos de plantão, eis que surge então uma nova questão: quadribol. Tínhamos de fato uma certa pitada de Grifinória e Sonserina, afinal eu era artilheiro do time de quadribol da Corvinal e Elena era, nada mais, nada menos, que a batedora do time sonserino. Minha obrigação era fazer os pontos e levar meu time para a vitória, enquanto a obrigação de Holdfeny consistia em arremessar uma bola de ferro com cerca de vinte e cinco centímetros em direção a minha cabeça e me derrubar da vassoura. Com um pouco de sorte eu desmaiaria ou entraria em coma por algum tempo e ela alcançaria a vitória para seu time.

Aparentemente nosso relacionamento sempre iria convergir para algum tipo de ato destrutivo e esse poderia ter sido outro motivo para nos separarmos, mas já estávamos ligados, seja qual fosse o motivo ou a razão. Desde que nos conhecemos – o que é curioso, pois não nos conhecemos no campo e sim em uma biblioteca – percebi que talvez fosse exatamente o tipo de relacionamento que eu fosse querer guardar comigo. Não que ela seja um amor de pessoa, mas Elena Holdfeny mostrou-se ser tudo menos uma típica sonserina – exceto talvez pelo gênio explosivo e destrutivo em dadas circunstâncias, mas isso não vem ao caso. Essa idéia de rivalidade entre casas, para mim sempre fora algo um tanto quanto preconceituoso, mesmo que tenhamos alguns casos que seguem a risca certos padrões característicos.

Em todo o caso, nossos encontros sempre terminavam de forma brusca. Nos conhecemos em meio a xingamentos em plena biblioteca e nosso último encontro não poderia ter terminado de forma mais surpreendente para mim. O beijo sem sentido que a garota me dera fora totalmente inesperado, não que tivesse sido ruim, mas digamos que eu estava disposto a constatar que uma segunda vez seria muito melhor que a primeira. E isso era um tanto quanto estranho, pois eu nunca tomaria alguma iniciativa se não tivesse certeza de que sairia ganhando e nosso mais novo encontro nos corredores do décimo quinto vagão do Expresso acendera essa chama de coragem em mim.

A sensação não poderia ser outra senão... nenhuma. Acredito que Elena Holdfeny e eu estávamos em uma sincronia maior do que imaginávamos. Ambos estávamos incrivelmente nervosos e desconfortáveis com aquele novo encontro, ainda mais depois daquele incidente nos corredores do quarto andar. Mas o contato corporal transformara qualquer nervosismo e desconforto em calma e tranqüilidade. Estávamos ali, só nós. Estava tudo bem, estava tudo resolvido.

Agora, lembra-se quando mencionei que nossos encontros sempre envolviam algum ato destrutivo e/ou catastrófico? Bom, em situações normais eu poderia me colocar no lugar do garoto e quem sabe até mesmo defendê-lo, mas estávamos bem longe de uma situação normal. O dia havia começado com problemas demais: um caos estudantil e ministerial. Seria normal termos mais alguns incidentes até o fim daquela viagem, o que não foi surpresa ao perceber que Stwart Dawson passava por pequenos problemas físicos. Mas eu estava em choque! Toda aquela confusão que rastejara até agora e o contato com Elena me deixaram simplesmente paralisado. E havia Louise! De onde, por sete infernos, essa garota saira? E por Merlin, ela estava bem, graça a Deus. Por algum tempo permaneci ali, parado, assistindo a intromissão de Louise e em algum lugar da minha mente eu acompanhava a luta de Elena e Stwart. Até que um leve solavanco sobre os trilhos me trouxera de volta para a realidade. Piscando várias vezes olhei em volta e consegui unicamente focalizar Louise. Ocorria uma briga feia aos meus pés, mas acho que por algum sentido protetor e paterno minha única preocupação, no momento, fora Louise.

- O que...? Louise! O que VOCÊ está fazendo aqui? – minha voz saiu um tom mais alto do que pretendia, mas igualmente alarmada e perdida.

- Estou dançando rumba! O que você acha? Eu estava procurando meu irmão! – Era palpável a raiva aflorando da pequenina.

- Mas... não aqui, né? – com um movimento de cabeça indiquei Elena, que nesse momento estava mais preocupada em arrancar os dentes de Stwart. – E por que... por que você está toda suja? Louise! Já falei para você não mexer no carvão da locomotiva! Você pode se queimar! Se mamãe e papai souberem que você andou outra vez...

- Eu te procurei nos vagões que queimavam... – Respondeu baixinho, desviando os olhos para o teto, nitidamente desconfortável com o rumo que a conversa tomara. Então baixou o olhar para mim novamente, irritada. - TINHA UM GATO LÁ DENTRO! EU JÁ DISSE QUE OUVI MIADOS! FOI SÓ UMA VEZ! SÓ UMA! – Defendeu-se indicando a numeração com o dedo.

- Você está horrível! Vem aqui... – Puxei Louise pelo ombro e com a manga ligeiramente molhada de cuspe comecei a tentar limpar alguma fuligem do rosto da garota. – Não pode sair por ai me procurando em meio ao caos, Louise. Já conversamos sobre isso. Em caso de incêndio fique abaixada, lembra-se? A fumaça, você não pode inalar a fumaça, lembre-se sempre disso.

- Mas eu engatinhei pra te procurar, Gastón! E se você se queimasse... – sua voz retomando a tonalidade infantil de sempre.

Foi só então que pareci perceber o que realmente se desenrolava ao chão do corredor, quando um dos pés de Stwart acertou minha canela em uma tentativa de se safar de mais uma série de socos. Como se a cena tivesse surgido do nada em minha visão, assustado, puxei Elena pela cintura tirando-a de ação.

- Acho que já está bom por hoje, hum?

Fora tudo muito rápido: o beijo, Stwart, Louise e a explosão de Elena. Após voltar a realidade e minha mente ler todos esses acontecimentos, lentamente me recompus. Por alguns segundos o silêncio pairou naquele vagão, interrompido somente por alguns zumbidos de insetos, pios de passarinhos voando por entre a vegetação e o arranhar do trem sobre os trilhos.

- Desculpa... – Elena parecia levemente arrependida. – Mas você tava pedindo isso... E não é de hoje.

Nesse momento, como se as palavras de Elena tivessem causado uma descarga elétrica na pequenina, Louise avançou para cima da sonserina com o pé carregado mais uma vez, mirando na canela de Holdfeny. Eu deveria ter previsto isso.

- Louise! Não seja mal educada! – Reprimi a pequena Louise abraçando Elena, uma visível tentativa de mostrar que havia alguém para defendê-la ali.

Dawson fora atrevido o suficiente para apartar aquela nova briga que surgia. Levantando-se do chão segurou Louise e subiu-a a sua altura.

- Não vale a pena pequenina. Deixe-os para lá.

Aquela nova intromissão de Dawson só fez os ares esquentarem novamente. Era nítido que qualquer palavra do garoto só nos aborreceria mais. Certas pessoas não possuem senso de ridículo e acabam passando dos limites. Esse era o caso de Stwart Dawson, um grifinório que desde o primeiro instante, por algum motivo que desconheço até hoje, não fora com a minha cara. Bom, o sentimento fora mais do que recíproco e sempre que nos encontrávamos nos corredores algumas palavras fortes surgiam ou, em casos mais selvagens, algumas faíscas e fogos rolavam pelos corredores. Certa vez explodimos uma janela do quinto andar em uma de nossas brigas, mas nunca passamos disso. Por mais ridículo que a situação fosse, sempre nos mantínhamos dentro do limite aceitável de civilidade. Não chegamos a incendiar uma sala de aula, explodir um andar do castelo ou estuporar um ao outro, veja bem.

- O clima está pesado demais aqui dentro. Não quero ficar aqui. Você vem comigo, Lou?

Eu não poderia ter um pretexto melhor para finalmente passarmos aquela tênue linha limitativa que passamos esses anos todos evitando ultrapassar. A idéia de ter Dawson como amigo de minha irmãzinha era simplesmente absurda. De fato fora um tiro no peito quando Louise caíra na Grifinória, como eu poderia cuidar da minha pequenina? Mas Louise mostrara-se mais do que esperta e saíra melhor do que a encomenda sozinha. Mas mesmo assim, a visão de uma amizade entre aquele garoto e minha irmã acendera alguma chama desconhecida em mim. Talvez fosse essa a sensação que Elena sentia com tanta intensidade, várias vezes. Aquilo não poderia ficar assim.

Saquei minha varinha e apontei para as costas do garoto que tentava sair do vagão com minha irmã.

- Pode parar por ai, leãozinho. Largue a garota, Dawson. A irmã é minha e ela fica comigo!

O sorriso estampado no rosto do grifinório só atiçava mais ainda as chamas em meu interior. Em algum lugar perdido de minha mente uma voz fraca e debilitada gritava pela razão. Estávamos em um vagão repleto de vegetação, sem contar os dois aurores encarregados da segurança do local. Um duelo ali só poderia piorar a situação. Mas ao mesmo tempo uma voz mais viva e forte sussurrava ao meu ouvido indicações do que fazer, de como agir. Estava na hora de por um fim a isso, Dawson fora longe demais agredindo verbalmente Elena e ultrapassara a barreira da razão ao aproximar-se de Louise.

- Estupefaça! – Mentalizei a visão de Dawson recebendo uma forte pancada na cabeça enquanto lançava meu ataque.

A pequena voz fraca e debilitada que gritava em minha mente agora estava desesperada, aos berros. Aquela era a própria razão e o medo de algo pior acontecer, berrando por um pedido de “pare”. A voz que sussurrava em meus ouvidos agora gargalhava, mas só depois percebi que a risada na verdade era minha e não era uma gargalhada, era somente um risinho de satisfação. Mas eu não acertara o alvo, ainda bem. Acertar Dawson poderia ter trazido algum mal para Louise e o feitiço passara próximo a sua orelha esquerda, explodindo em uma das luzes de parede do corredor do vagão.

Nunca tínhamos chegado naquele ponto de rivalidade. Sempre nos mantivemos em um nível clássico de intrigas e disparate de palavras, mas nunca em um duelo livre, muito menos em um vagão do Expresso! Acredito que estávamos ambos assustados com aquela situação, mas ao mesmo tempo aliviados por finalmente chegarmos a um possível desfeixo. Ficamos algum tempo nos encarando, até Dawson agir contra mim.

- Expelliarmus!

Um jato de luz voou em minha direção, mas o tempo que passamos nos encarando me dera tempo suficiente para raciocinar caso isso viesse a acontecer. Empurrei Elena para dentro da cabine número 4 e joguei meu corpo na parede oposta do vagão, desviando no último segundo do feitiço. O jato de luz era quente e senti meu rosto enrubescer. Precisei virar o rosto para não ser atingido. Fora por pouco. O feitiço explodira em uma janela alta ao meu lado, cacos de vidro sumiram na vegetação.

Os minutos seguintes resumiram-se a gritos, jatos de luz voando pelo corredor do décimo quinto vagão, algumas janelas danificadas, algumas lâmpadas internas explodidas e, em alguns pontos, vegetação chamuscada. Nossos movimentos passaram a ser brandimentos de varinhas, pulos, agachamentos e giros, desviando incansavelmente dos feitiços lançados um pelo outro. Era somente Dawson e eu. Estávamos tendo nosso acerto de contas, ou pelo menos era o que pretendíamos. Mantivemos esse ritmo até certo ponto.

- Sec...!

- Parem!

Louise entrara no meio da briga e agitou seus braços em uma tentativa de me empurrar. Era tão pequenina, tão inocente... seus olhos estavam marejados e minha pequenina chorava. Tudo estava “calmo”.



Não houve rolagem de dados pois foi tudo combinado e autorizado. Que fique claro isso.

-
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Re: Indiana Magic

Mensagem por Stwart Dawson em Dom Ago 19, 2012 2:04 pm

E, de repente, o mundo parece parar. Seus olhos são tomados por um torpor que transborda de sua mente, da mesma forma que seus braços e pernas mantêm-se imóveis, como se algo os prendesse firmemente. Seu coração pulsa de forma automática, sem acelerar ou diminuir seu compasso lento. É nesse momento que todos os seus sentidos estão aguçados demais, provocados pela quantidade exuberante de adrenalina que seu cérebro, infiel, produz. A sensação percorre-lhe o corpo, tocando e exaltando os extremos de seu aspecto físico, tão rápidos quanto o é o raio em uma tempestade nebulosa. Tal sentimento parece expandir-se de forma que mesmo sua alma, enclausurada por sua própria condição, percebe a hegemonia que cresce dentro de si. É curioso quando se transpassa pela sensação, porque, estranhamente, uma parte de seu intelecto é capaz de registrar todas as nuances desse período, como a gravar, de forma espectadora, um filme que nada passa além de amador. Mesmo os seus pulmões, parte cujo controle é praticamente involuntário, parecem ater-se aos sentidos que seu corpo tenta, por todos os deuses, interpretar coerentemente. E a descrição acima trata-se do choque emocional.

Ao longe ele pode ouvir uma voz hipnotizante ecoar por todo o vagão. O som era límpido, cristalino, puro. Seu coração preenchera a fúria e o ódio com os embalos da canção, acompanhados por um instrumento que ele bem conhecia. As plantas pareciam agitar-se ao mero toque produzido pelas cordas finas da harpa. Era uma canção pura, que contava a história de um amor escondido. Seus braços cruzados relaxaram a medida que a canção entoava-se entre notas belamente tecidas, cuja voz parecia o som de um sino a reverberar. O garoto quase embalara a canção junto a mulher que a entoava. Embora não conhecesse a letra, podia sentir o significado dela perpassando o seu corpo, atingindo-o onde nada mais poderia atingi-lo. Por um breve instante, apenas o instante necessário para que um coração pudesse pulsar, ele sentiu as lágrimas preencherem seus olhos, como se elas, também, almejassem entoar a canção. Por um momento, o mundo inteiro parece tranquilo; a vida parecia não ter mais sentido e tudo o que nela ocorria era mera distração. Por uma única fração de segundo, ele esquecera a dor que seu coração sentia. Esquecera que haviam pessoas ali, esquecera até mesmo que seu mundo parecia sucumbir. Sua única preocupação era poder ouvir a música.

Stwart Dawson não era um garoto mal. Talvez fosse áspero por seus inúmeros sofrimentos, mas jamais tivera a intenção clara de ferir ou machucar alguém. Na verdade, sequer tinha coragem e poder para tal. Embora fosse desprovido de qualquer ato caridoso, era um menino que pensava pelo bem de outrem – característica logicamente herdada de sua mãe. Seus atos de profunda melancolia, geralmente regados de algum azedume ou irritação, sempre coincidiam com o seu passado, enraizados por algum sentimento encubado, cuja tendência era crescer de forma maléfica. Mas, ainda assim, ele era um humano, e, como condição vital para tal, resguardava em seu interior o rancor e a derrota. Odiava perder coisas que acreditava estarem em seu absoluto controle, odiava figurar como patético após absurda quantidade de esforço. Seu empenho, na sua opinião, sempre deveria ser recompensado, seu esforço sempre deveria ter um mérito maior do que a própria medalha de ouro. Ele era assim, talvez mesquinho, talvez arrogante, porém era dotado de um senso de humanidade maior que alguns seres providos de magia celestial. A canção ainda podia ser entreouvida por seu coração, como se não mais seus ouvidos fossem os captores de som.

Enquanto divagava a respeito de sua própria integridade, no entanto, o garoto fora desvairadamente arrancado de seus próprios devaneios. Uma dor aguda e pontual surgiu em sua canela quando, em um ritmo frenético, uma pequena menina surgira de algum lugar além de sua visão. Seus olhos sentiram a dor e arregalaram-se, com o pavor que apenas a despretensão da negligência da vigia pode causar. Em um movimento reflexivo, suas mãos puseram-se sobre a parte de seu corpo que fora atingida, ouvindo o murmurar agudo e irritadiço que a menina proferira. Mesclando-se a dor, sua mente pareceu concluir que o mundo inteiro viera em defesa do corvino que ele tanto odiava. Seus olhos percorrem as vestes surradas que a menina vestia, só então notando a semelhança entre ele e ela: Louise Saunière era integrante da casa dos leões destemidos. E foi aí, então, que mais uma vez o seu cérebro pareceu chegar a uma conclusão brilhante. A menina indefesa, cujo garoto observara tantas vezes no Salão Comunal da Grifinória, cuja voz estridente ecoava sorridente pelos corredores, era irmã de seu arquirrival. No instante em que a conclusão atingiu sua racionalidade, o menino quis deixar-se partir. Andar como se não houvesse rumo, caminhar até seus pés sangrarem pela peregrinação.

Entretanto, antes que ele pudesse tomar qualquer atitude, sentiu o seu corpo sucumbir mediante a um peso que desconhecia. De forma generosa, as leis da física ajudaram Elena Holdfeny a derrubá-lo com uma precisão sem precedentes. O único prelúdio ao ataque fora o grito que ela soltara, animalesco e voraz, como se fosse um animal a disputar território. Seus joelhos cederam ao peso que não podia ostentar, e ela caiu por sobre ele, atingindo-o com socos, tapas e unhas. Seus cabelos louros, lindos feitos o brilho do sol, bailavam ao redor de seu corpo, como se uma tempestade de raios dançasse sobre si. Stwart jamais pretendera revidar. Seus músculos retraíram-se apenas na tentativa vã de defender-se, amenizando a força do ímpeto de seus golpes, evitando que algum ponto crucial fosse atingido. Sentiu sua boca ser cortada por um soco bem sobreposto, sentiu seu peito ser atingido por tapas e arranhões. Sentiu-se fraco, mas jamais sentira-se tentado a intervir em sua punição desvairada. Ele tentou pedir que ela parasse, balbuciou um pedido falho de ajuda, e ela apenas gritava, como se suas palavras fossem o acréscimo de seus socos e pontapés.

- AJUDA NÃO, QUERO VOCÊ PEDINDO ARREGO! ANDA DAWSON, PEDE – Berrava ela, tão descontrolada e enraivecida como ele jamais a vira. Subitamente, o garoto entendeu que jamais conhecera a batedora. Seus olhos verdes fechados podiam vislumbrar a máscara de fúria que o rosto dela estava contorcido. Ele não sentia medo e quase esquecera-se de sua dor. Ele estava desapontado, sentindo-se profundamente enganado. A menina sempre agira de força desdenhosa e cruel, mas ele sempre vira o lado agradável e doce da sonserina, que sorria sempre que suas bravatas falhas eram ditas. Quando ele moveu um de seus pés, tentando encontrar um jeito de tirá-la de cima dele, chutou uma superfície dura.

De repente, o peso da menina fora agilmente retirado de cima dele, e ele pode respirar de forma libertária. Seus pulmões pareciam agradecer à sua liberdade, distribuindo o oxigênio por toda a sua parte. Seus olhos abriram-se e ele viu a luz acima, como se ela estivesse ali para guia-lo. Quase sorriu diante de sua tolice ao imaginar se havia morrido, mas concluiu que não. Sentiu os pés de Viktoria tocarem-lhe com rudeza, e sua face distorcida pela imparcialidade surgiu, enegrecendo a luz outrora reconfortante. A garota, cuja única expressão facial era o desprezo, estendeu-lhe uma mão, demonstrando que estava ali para ajuda-lo a se erguer. Ele aceitou-a de bom grande, com seu arfante repuxar de ar. Sentia dores maiores em determinados lugares e o frescor do ar, ao atingir-lhe a face, elevava o estado de ardor de algum de seus inúmeros machucados. Seus olhos percorreram o ambiente, observando as pessoas que ali estavam envolvidas. A profunda cor de seu verde era como a vegetação que encobria o vagão: serena, tranquila, pacífica.

– Desculpa... – Fez-se ouvir a voz da garota que o espancara. Seu timbre era cruelmente firme, como se ela estivesse encoberta por uma muralha de razão. Seus olhos estavam ainda desvairados, mas, por detrás dessa ferocidade, podia-se sentir uma mescla de arrependimento e compaixão. Seus lábios tremiam de forma leve, como se estivesse com medo, com fome ou com dor. Por um breve instante, ela parecia pronta a sucumbir. – Mas você tava pedindo isso... E não é de hoje. – Neste instante, ele entendeu que ela jamais tivera qualquer relação com ele. Fora neste instante que seu cérebro captou uma mensagem oculta, que dizia simplesmente o quão perversa era a garota por quem seu coração, um dia, se apaixonara.

Gastón estivera ali o tempo todo, como se a observar com desdém a cena que se desenrolara. O menino agora segurava a agressora, como se a demonstrar que seus braços podiam proteger-lhe de todas as ameaças. Ela parecia não esboçar reação que não o leve arrependimento, mesmo que fosse enigmática a sua expressão. O garoto agora via a pequena grifinória estarrecida, como se ela pudesse não acreditar no que seus olhos jovens viam, descrendo da tolice que pessoas mais velhas podiam ostentar. A outra sonserina, porém, sequer emitira um som ou manifestara-se durante o embate. Na verdade, Dawson não conseguia vê-la durante sua luta, como se ela não estivesse presente e aparecesse apenas em momentos estritamente necessários. Sua análise circunstancial dos envolvidos durou pouco mais que um segundo, quando ele viu um lampejar de cabelos esvoaçar a sua frente. A pequena [color:2c95= orchid]Louise, que lhe atingira com um golpe em sua canela, avançava furiosamente em direção a Elena, tão desvairada quanto estivera a lutadora. Por um segundo, Stwart não sabia como agir e, então, sua única atitude fora agarrar-lhe pela cintura pequena e delicada, levantá-la do chão, e colocá-la para longe da garota que, agora, ele desconhecia.

– Não vale a pena, pequenina. Deixe-os para lá!Stwart abriu-lhe um sorriso acolhedor, elevando sua expressão até seus olhos, os quais revelavam um controle emocional sem igual. Sua intenção era, claramente, acalmar a pequena garota. Ele sabia o quão ruim era presenciar cenas de extravagante violência. Seu irmão, o corvino, havia repreendido-a com severidade em sua voz. O menino da Grifinória apenas lhe olhou nos olhos, como se nada do que ele dissesse pudesse importar. Ele podia sentir o furioso redemoinho de sentimentos que a pequenina sentia, sentia a possibilidade de quase poder tocá-lo e envolvê-lo para si, em uma vã tentativa de arrancar-lhe a angústia do peito. – O clima está pesado demais aqui dentro. Não quero ficar aqui. Você vem comigo, Lou? – E novamente sorriu, como se nada tivesse acontecido, como se o mundo não estivesse desabando ao redor. Ele lhe estendeu a mão, e quando ela tocara e apertara, o menino virou-se para partir, esquecendo o quão desprezível pode ser um humano que ataca-lhe pelas costas.

– Pode parar por ai, leãozinho. – Disse Gastón, com uma raiva tão desvairada e profunda quanto a mulher em seu lado. O grifinório apenas virou a cabeça de lado e sorriu, demonstrando todo o desdém que possuía por aquele homem tão desprovido de qualidade. – Largue a garota, Dawson. A irmã é minha e ela fica comigo! – Completara ele, em um tom que pretendia ser ameaçador. Sem sequer se importar pela estranha condição de proteção que se instalara ali, o garoto deu um passou a frente, desafiando-o a qualquer outra reação. Seu corpo, dolorido pelos golpes bem atingidos, proclamava por descanso e cuidado, ao passo que o garoto apenas o ignorava. Ele deu um novo passou, quando algo passou-lhe ao lado de sua cabeça, explodindo uma lamparina que havia mais a frente. O feitiço que seu oponente invocara atingira-lhe apenas no sentido de causar-lhe surpresa, porque o alvo fora fracamente mirado. Ele sentira a força da magia eriçar os seus cabelos, causando-lhe momentâneo arrepio.

Imediatamente, o garoto soltou a mão da jovem menina que, outrora, precisava de sua proteção. Com um movimento ágil, empurrou-a para o lado, a fim de tirá-la do campo de feitiços que, em breve, permearia o corredor do 15º vagão. Seus olhos encontraram-se com os de seu adversário, tão quando seus calcanhares terminaram de girar e sua mão alcançara sua varinha. Por um instante semelhante à eternidade, o azul celeste dos olhos do corvino atingira o verde sereno do grifinório, e, ali, nenhuma magia podia equiparar-se. Havia a natural rivalidade, um ódio cuja origem era apenas do desprezo. Os garotos miravam-se com plenitude, como se suas vidas tivessem a estranha dependência desse momento. Ainda sob o mesmo devaneio, Stwart imaginou que sua vida inteira fora guiada para este duelo, um duelo que seria travado com afinco e mortalidade. Seu corpo, ainda dolorido, causava-lhe uma enorme desvantagem. Alguns de seus feitiços jamais poderiam ser produzidos sem a perfeita execução de seus movimentos; seus olhos voaram de Gastón para Elena, agora carregados de uma fúria que ele jamais sentira anteriormente.

– Expelliarmus! – Sem sequer avisar, o garoto brandira o seu feitiço pelo ar. Em sua mente, uma mão gigantesca atingia a mão de seu oponente, fazendo-o soltar sua arma de embate. Ele sabia que não poderia pegá-lo de surpresa, considerando que se encaravam nos olhos instantes antes de proclamar o feitiço. Por isso, o adversário do inglês empurrou sua amante para o lado e ambos escaparam por milímetros do feitiço, que, ao longe, pode ser ouvido rompendo o vidro de uma janela, e esquecendo-se de seu efeito em meio ao ar gélido do lado de fora. Quando a vidraça fora abatida, o vento úmido adentrou o recinto, fazendo gotículas de água espalharem-se pelo ar, com a chuva que brandia sua imponência ao lado de fora. O oponente do garoto, porém, pareceu não nota a mudança de ar e temperatura, enquanto agitava sua varinha e fazia borrões de luz desprenderem-se dela.

Ambos os garotos travavam um duelo magnânimo. Ora um deles invocava a proteção de um escudo, a fim de defender as pessoas envolvidas, ora bailavam de acordo com o que as luzes pareciam eclodir no ar. Os feitiços que colidiam um contra o outro chamuscavam-se e de forma bela criavam faíscas, tal como fogos de artifício a comemorar uma data feliz. Stwart e Gastón empenhavam-se ao máximo, mostrando a destreza que possuíam em agitar e balançar suas varinhas. Seus olhos estavam compenetrados no duelo, e, conforme a luta avançava, era possível ver o chamuscar das plantas, vulneráveis às magias que ambos lançavam. A intenção do grifinório não era atingi-lo mortalmente e sequer machuca-lo, o menino do condado de Norfolk apenas queria retardá-lo, com a clara intenção de poder fugir dali. Por diversas vezes, seus feitiços foram desviados de seu curso, atingindo algum outro elemento do campo de batalha. A voz, que outrora cantara uma canção pela, parecia extinta agora da mente do garoto, como se nada além de seu oponente importasse no mundo. Gastón parecia ligeiramente em vantagem no duelo, não apenas por estar em um ano mais avançado que seu oponente, mas, também, pelas deliberantes fraquezas que o outro dispunha e demonstrava.

– Sec... – Iniciara o descendente de Ravenclaw, desvairado pela incapacidade de derrotar o guerreiro de Gryffindor. Neste instante, a varinha de Dawson baixara de forma incrédula, como se não pudesse crer que seu oponente seria capaz de usar uma magia tão cruel. Seus olhos cruzaram-se no instante em que a perversão atingiu o sereno azul dos olhos de Gastón, assemelhando-se à fúria de um mar em pairo à uma tempestade impetuosa. Nem ele, o autor da intenção, parecia capaz de acreditar em sua tão cruel decisão. No entanto, ambos ouviram o grito desolado que fora produzido. A dor parecia transparecer na voz estridente da pequena menina, como se ela própria tivesse sido atingida pela maldição. Por um breve instante de desespero, o inglês procurou onde sua colega de casa estaria, buscando constatar que sua ideia estiver errada. Ela avançava para seu irmão, tão descontente que era possível ver as lágrimas, como diamantes, escaparem-lhe pelo rosto. Suas mãos fracas empurraram-no para trás, fazendo-o desistir do embate travando tão arduamente. Um alivio incomparável atingiu o peito de Dawson ao constatar que a maldição não atingira Lou. Era esse o momento de distração de que ele precisava.

Depois de verificar que sua amiga de classe estava perfeitamente saudável, o menino girou em seus calcanhares e partiu para o lado de ouvira a voz. Lá estava a auror que protegia a porta que era o alcance para o último vagão do trem. Ela estava em sua postura imponente, tocando o instrumento que possuía em mãos. Era vislumbrante a visão que ela causava no emaranhado de rosas e outras flores, como se elas fossem parte viva de seu corpo. Sua voz ecoava um cântico antigo, provavelmente em outra língua que o menino jamais conseguiria entender. Seus lábios moviam-se no ritmo compassado de uma balada, encantando os pequenos sons que se produziam ao redor. Era uma cena melodramática, como se fosse parte de grandes tragédias antigas, cujo inesperado sucesso fosse a mortandade de seus envolvidos. Neste instante, o menino entoou sua própria canção, convidando a mulher esguia a fazer parte de seu dueto.



O garoto entoava a sua parte da música, cantando a história de um amor sem fim. Seu timbre de voz diáfano era tão contundente com a música, que o som parecia causar-lhe certo bem estar. Durante a sua entonação, ele esquecera de tudo pelo que passou nos últimos minutos. Esquecera-se porque estava dolorido, esquecera-se porque sentia o gosto acre de ferro em sua boca. Seus olhos brilhavam como se uma plateia inteira pudesse vê-lo, sem jamais respirar, tão encantada pela música que ele tentava embalar. Sua perna manca, provavelmente atingida por um dos golpes desvairados ou tocada por um feitiço, cambaleava de forma precária, como se ele estivesse constantemente encenando a dor da canção. O seu mundo pareceu parar enquanto sua voz, entrecortada em determinados momentos, incorporava a dor que o atingia pelo o amor eterno que ele jamais teria.

Spoiler:
Considerações importantes:
1 – Em paralelo à nossa ação, ocorre a ação de busca de um gato de nome Docinho. Nos posts destes personagens, entretanto, não há marcação de horário que possam de fato decidir se foram concomitantes a nossa ação, ou não. Neste caso, descrevi todo o texto como se pudesse ouvi-los, mas sem jamais vê-los. A nossa ação ocorre, conforme o post do Vlad, no corredor do vagão 15, também. Naturalmente, seria de se supor que eles vissem todo o desenrolar da busca, tal qual a batalha que se sucede por parte dos buscadores do gato. Neste caso, então, descrevi a situação para ficar paralela aos acontecimentos, sem que um interfira necessariamente no outro. Qualquer necessidade de edição, comunique-nos, para, então, haver alguma coerência.
2 – Achei a música da “Celtic Woman” belíssima! XD
3 – Rolando os dados para:
3.1 – Os danos da pancadaria terem um efeito menos brando. Em outras palavras, para diminuir os estragos.
3.2 – Para fazer um dueto com a auror que canta.
4 – Não rodei os dados para o pontapé da Lou porque eu o aceitei normalmente.

-
"(...)as duas bruxas travavam um duelo mortal."
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Re: Indiana Magic

Mensagem por RPG Enervate em Dom Ago 19, 2012 2:04 pm

O membro 'Stwart Dawson' realizou a seguinte ação: Rolar Dados

#1 'd20' :

#1 Resultado : 2

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#2 'd20' :

#2 Resultado : 14
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Re: Indiana Magic

Mensagem por Louise Saunière em Seg Ago 20, 2012 1:53 pm

Vamos lá. Aquela história já tinha cerca de cinco anos. Tinha, MESMO, um gato na caldeira. Ao menos acreditava nisso com toda a sua fé. Ouviu os miados e até podia jurar que o viu entrar naquele lugar. Não era doida. Tinha oito anos, não era uma lunática! Mas o que deveria fazer? Se um gato entrou num lugar tão perigoso, podia se ferir. Se o ignorasse, que tipo de pessoa seria? No final das contas não achou o gato, seu vestido de rendinhas, novinho, seus sapatinhos fofinhos e as pontas de seus cabelos foram pro saco, mas ao menos um gato não se queimou naquela tarde!

Trazer aquela história a tona foi um golpe baixo, muito baixo. Mas Gastón conseguiu quebrar suas pernas, ao se aproximar tão ternamente. Parecia seu irmão, de novo. Aquele que sempre esteve ali por ela. Então sentiu vergonha por seu comportamento, até ali. E por mais que fosse extremamente nojento pensar que naquela manga de Gastón, tinha a saliva daquela menina feia também, não se esquivou.

- Mas eu engatinhei pra te procurar, Gastón! E se você se queimasse... – sussurrou, sem jeito, com o sotaque francês carregado. Sentia-se numa bolha de afeto, protegida dos urros e resmungos da luta que se desenrolava no mesmo vagão.

Então a coisa ali, do lado, ficou mais feroz e não se deixa um companheiro de casa na mão, certo? Gastón segurou a garota feia, enquanto ela correu para o lado de Stwart, para avaliar o estrago.

Tudo bem, ele não fora nada gentil ao chamar Gastón de sapo, mas definitivamente não merecia aquele tipo de tratamento. Sabem como é, né? Em irmão, amigo, ou companheiro de casa, só a gente pode bater. E foi por isso que, mesmo a garota se desculpando, não achou aquilo certo. Por isso avançou nela, mirando mais um chute na canela.

Acertou alguma coisa, mas não soube precisar se foi, ou não, a canela dela. Até porque seu movimento foi prejudicado ao ser erguida do chão, pela cintura. Não virou para ver, tão pouco, de onde aquilo vinha, já que sua sede de vingança pelos ferimentos provocados em Stwart, ainda não estava aplacada. Sacudiu os braços na direção de Elena, tentando alcançá-la nem que fosse pra um reles arranhão. Ainda mais depois de ver a atitude defensiva de Gastón com relação a ela. As palavras dele, então, serviram só pra aumentar a sensação de abismo. Então parou de se debater. Tomada pela tristeza. Queria abraçar o irmão, como consolo, mas como poderia se era ele quem a feria?

Segurou o choro, mais uma vez. Não daria esse gostinho pra ela. E assim que pisou o chão, abraçou Stwart. Ele não era mais o antagonista do livro, mas outro inocente ferido. Ainda mais quando ouviu de seus lábios palavras tão doces. Algo na forma como a chamou de pequenina a fez conectar-se. Sentir que ali encontrava o apoio que Gastón não fora capaz de dar. E o sorriso? Esse lhe dava a sensação de que tudo ficaria bem, de que não importava o que fizessem, ou de como os ferissem, tudo ficaria bem.

– O clima está pesado demais aqui dentro. Não quero ficar aqui. Você vem comigo, Lou?

Balançou a cabeça positivamente, com o seu jeitinho infantil, sem nem saber pra onde ele ia. Ele podia levá-la para onde quisesse, que ela iria. Tudo o que mais queria era sair dali e deixar pra trás aquela sensação ruim que sentia. Podia até levá-la pros carvões, se quisesse. Então segurou sua mão, e não olhou pra trás. Stwart foi de antagonista da história, a Príncipe aos seus olhos. Príncipe Biscoito.

Bom, até que Gastón atrapalhou o plano de fuga. Pensou em protestar, dizer que não o queria por perto, que ficasse ali com sua amada, ao mesmo passo que o queria de volta, que dissesse que ainda era seu irmãozão e que tudo não passava de um mal entendido. Então um feitiço passou tão perto de Príncipe Biscoito, que sentiu a boca abrir com a surpresa. E ao virar para trás, buscando o mais novo vilão daquela história, encontrou o riso do irmão.

Sentiu-se sem chão, sem apoio. Ainda mais quando em uma atitude de braveza, Príncipe Biscoito, ergueu sua espada/varinha para protegê-los. E então? O que deveria fazer? Não estava preparada para uma reviravolta daquelas! Era pequenininha, agora, medrosa como um filhote, entre feras. Nunca antes vira Gastón daquele jeito. Nem quando discutia com papá. Sentia medo.

O ar parecia fugir com mais rapidez do que deveria. Não sabia como agir, se juntava-se a Gastón ou a Stwart, ou se escondia-se dos disparos de feitiços em alguma cabine. Mas mesmo se decidisse o que fazer, não poderia. Não conseguia fazer nada além de manter os olhos bem fechados e os ouvidos tapados pelas mãos, enquanto encolhia-se a um canto do corredor.

O poder tinha algo de ruim. A forma como o poder de usar a magia, para trazer destruição, a paralisava. Cacá tinha razão, quando falava daquilo, afinal. Se não fosse pela magia, seu irmão não seria corrompido. Não agiria daquele jeito, não explodiria janelas – mesmo que não soubesse ao certo quem é que fizera aquilo, afinal.

Então enfrentou o medo. Começou por destapar os ouvidos e abrir os olhos. Desdobrou o corpo e ergueu-se. Gastón não era vilão. Só estava alterado pela magia. Ela é que era a vilã. Seu corpo vibrava, conforme aproximava-se do irmão. A visão turva pelas lagrimas. Então tocou-lhe o tronco, numa tentativa de empurrão.

- Parem... – o som escapou, arranhando sua garganta.

O silêncio, então, tornou-se um alivio e uma tortura. Ouviu Gastón balbuciar alguma coisa, mas não podia mais ficar ali. Não conseguia. Fugiu, então. Correu o mais rápido que podia no piso acidentado, rumo ao décimo quarto vagão.

Spoiler:
Depois de um momento doce com Gastón, Louise tenta vingar a surra de Stwie com um chute bem dado na canela da Elena. Stwart a impede de continuar com aquilo e quando acha que tudo ficará bem, em sua fuga com Príncipe Biscoito, Gastón os impede e um duelo começa. Com medo do irmão e do que ele se tornou por conta da magia, encolhe-se num cantinho do vagão, até que toma coragem e chama a atenção de Gastón, com suas lagrimas. Foge, no fim, sem saber como agir.
Spoiler:
Dadinhos para o chute na canela da Elena. ^^
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Re: Indiana Magic

Mensagem por RPG Enervate em Seg Ago 20, 2012 1:53 pm

O membro 'Louise Saunière' realizou a seguinte ação: Rolar Dados

'd20' :

Resultado : 15
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Re: Indiana Magic

Mensagem por Viktoria A. Sjöström em Seg Ago 20, 2012 7:30 pm

O NOME
primeiro de setembro
Enfim, sós. No olhar da sonserina, um enigma impraticável. Arrumou suas coisas, colocando-as, calmamente, uma por vez, em seu devido lugar. Não se prostrava deitada como antes. A postura estava ereta, a boca, fechada, e os olhos, penetrantes. Era como se estivesse mais alta, como se fosse mais imponente. Quando o assunto era “negócios”, comportava-se sempre da mesma maneira. Stwart a olhava, quiçá curioso. Não dissera uma só palavra, estava hiperativo demais para tanto. Bastou um corvinal aparecer e seu mundo caiu. Viktoria ficou ali, compenetrada, terminando de colocar tudo em ordem, enquanto, certamente, seu sócio estaria fazendo besteira – sendo impulsivo, sendo tolo.

Quando terminou de colocar tudo em ordem, viu um vulto interessante atravessar a cabine. Interessante, não, perturbador. Largou tudo do jeito que estava e locomoveu-se ligeiramente até a porta da cabine. Não abriu-a, ficou apenas a observar o mundo lá fora. Era ele. Seus olhos saltaram das órbitas. Não havia qualquer dúvida. Era, sim, ele. Viktoria chutou a porta, estourando em um súbito momento de ódio. Céus, por que o mundo era tão pequeno? Três palavras sonoras lhe vieram à mente: “filho da...”! Abriu a porta da cabine, e olhou para trás. Suas coisas estariam seguras ali enquanto a atenção estivesse voltada para o showzinho de Dawson.

Puxou o capuz da blusa preta para que lhe ocultasse o rosto facilmente reconhecível. Embrenhou-se pelo vagão, tentando não perdê-lo de vista. Chegando ao fim da linha, viu-o sair do vagão e dirigir-se à Plataforma. Ville. Aquele nome a perturbaria durante alguns dias, meses... Talvez até anos. Longe de qualquer serviço banal incumbido a ela por patricinhas com síndrome de “traídas”, tinha de estudá-lo melhor.

FLASHBACK


Enquanto fumava num canto qualquer, percebeu a presença de outra pessoa. Definitivamente não estava mais sozinha, definitivamente alguém havia invadido seu espaço. Marko, o dono do bar, sabia o quanto ela odiava ser perturbada por outrem naquele beco imundo, que apelidavam carinhosamente de área de fumantes. Olhou para o lado e viu somente uma criatura tão estranha quanto ela mesma era. Via alargadores e óculos enormes, via também um cabelo escuro longo, raspado no lado. Aquela visão não lhe incomodava nenhum pouco, mas também não a agradava de todo. Era apenas um ser comum naquele cenário apático e revolucionário.

O rapaz foi se aproximando, nas entranhas do beco. Perto demais, pensava ela a cada passo que ele dava. Perto demais, e seu alarme tocava. Como quem não quer nada, em questão de segundos, estava ao seu lado. Do bolso, tirou um maço. Do maço, um cigarro. E o cigarro foi para lábios, conduzido por dedos ágeis e descompromissados. Viktoria decidiu que fingiria não haver qualquer pessoa ali. Recostou-se na parede, tragando, e deixou o estranho jogado às traças. Mas ele era esperto e cara-de-pau. Enquanto ela tentava evitá-lo, ele buscava seu olhar. Enquanto ela virava o rosto, ele a acompanhava. Se não fosse cansativo, seria chato.

- O que você quer? – indagou, respirando pesadamente.
- Por favor?! - disse ele por fim, num sotaque finlandês sem tirar e nem pôr, enquanto levantava as sobrancelhas e apontava para o cigarro, como se sua ousadia de estar ali não fosse o suficiente.

Viktoria tirou do bolso o isqueiro e jogou-o para as mãos do rapaz, que certamente estava esperando-a fazer uma gentileza. Ele acendeu seu próprio cigarro e jogou de volta o isqueiro. Colocando-o no bolso, Vik fixou o olhar na parede da frente e continuou fumando como se nada tivesse acontecido. Depois de muito silêncio, o sujeito jogou o cigarro no asfalto frio.

- Lugar estranho esse que vocês suecos se escondem - e riu, esperando ela o acompanhasse. Não acontecendo nada, apressou-se – Me chamo Ville, você é a...? – ela nada disse. – Então você não é de falar, né? Bem típico – disse o rapaz, pisando nos restos de lixo com a bota toda suja de lama e mato, chegando bem próximo à garota. – Me disseram que as suecas que pouco falam, são as que mais fazem. Queria saber se isso era verdade.

Se ele esperava algo caloroso, o que veio foi gelo. Viktoria lançou o mesmo olhar de asco que lançaria às baratas. Ignorou-o por completo, dando passos para o lado. Foi quando o ápice do atrevimento entrou em cena. O rapaz pegou-lhe pela mão e beijou-lhe à força. Viktoria sentiu-se completamente invadida, sem reação por um instante. Ele puxava sua nuca de forma bruta e apertava-a como se fosse uma vagabunda. A jovem era fraca demais para tentar combatê-lo. Numa tentativa de defesa, mordeu-lhe o lábio inferior. O sujeito urrou de dor, mas não largou-a. Com a mão que ainda carregava o cigarro, Viktoria depositou a ponta em chamas no braço do rapaz. E ele urrou novamente. Por via das dúvidas, chutou-o nas partes baixas, deixando-o caído no chão.

- Vá se ferrar, cara – e andou perturbadamente para fora do beco.

FIM DE FLASHBACK


Deixando para trás os pensamentos, percorreu todo o corredor novamente. Via, ao longe, o desfecho que tomara toda a situação de Stwart. Ele estava caído, era o perdedor. Chegando próxima à cabine que estava sua mochila, ajudou-o a levantar-se. Tinha certeza de que, se algo do gênero acontecesse a ele, lá estaria Dawson – mesmo que não fossem amigos do peito. Querendo ficar fora da briga, enfiou-se novamente na cabine repleta de plantas. Mergulhou no sofá para depois pegar o caderno. Nele, depositou apenas aquele nome: “Ville”.

Spoiler:
Viktoria e seu sócio estão na cabine prontos para discutir sobre os negócios, mas um certo corvinal os interrompe. Minutos depois, quando está arrumando suas coisas, vê-se diante de um conhecido, que traz à tona algumas lembranças nada agradáveis.

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Re: Indiana Magic

Mensagem por Elena Holdfeny em Qua Ago 22, 2012 2:42 pm

Foram poucos minutos os minutos para muitos acontecimentos.

Ela estava acostumada a estar sob pressão, a raciocinar e tomar decisões relevantes em poucos segundos, a lidar da melhor forma possível com situações inesperadas, entre outras coisas do tipo. Afinal, a prática de vários esportes ajudou-a a desenvolver muito bem tais características. Ação e reação era com ela mesmo. Poucas vezes na sua vida isso tinha sido um problema. E mesmo assim, lá estava ela, quase imóvel diante do que acontecia ao seu redor, após ter perdido a cabeça com Stwart.

Mal se desculpou com o garoto pelo que tinha feito e foi surpreendida pela garota desconhecida – que por algum motivo ainda estava ali, mesmo sem ninguém a ter convidado para vir e muito menos para ficar – partindo para cima dela, chutando-a na canela, buscando briga. Para alguém pequena, até tinha sido um chute forte. Quem diria que ela tinha se enganado escolhendo Stwart ao invés dela para brigar antes! Naquele momento ficou claro que essa menina devia ser uma oponente melhor que Dawson. “Mais macho pelo menos”. Mas ignorou o pontapé. Não que ela fosse simplesmente deixar passa o ocorrido, porque aquilo ia ter voltar... Porém, ela não estava disposta mais a ceder a seus impulsos de momento. “Além do mais, vingança é um prato que se come frio”. Ignorando a dor sem mostrar seu desconforto, manteve sua expressão impassível diante a ousadia da menina.

Para sorte da pequena, Dawson a segurou, impedindo-a de continuar em busca de briga. Elena sentia o abraça de Gastón mais forte. O menino repreendeu a garota que, aparentemente, se chamava Louise. Marcou bem o rosto e nome da menina. Mais tarde tomaria providências a respeito daquela ali. Respirou fundo, então, e se decidiu: Não deixaria nada mais abalá-la ali. Dawson ainda segurando a menina, evitando uma nova briga, dizia para a pequena parar, porque não valia pena arrumar mais confusão. “Não vale a pena mesmo...”. Ela pensava em todo aquele drama, sentindo-se cansada. Era frustrante começar o ano daquele jeito: não tinha dormido nada na noite anterior; estava irritada pela derrota que tinha sofrido e ainda não tinha feito nenhuma refeição descente desde o café da manhã do dia anterior; já tinha quase ficado surda e se cortado toda com vidro antes mesmo do trem partir, devido toda a confusão que tinha se passado; blábláblá... E então, quando tudo finalmente parecia mais tranquilo, lá estava ela no meio de um drama sem explicação.

Se fosse pra ver o lado bom da situação, pelo menos ela tinha pegado alguém ali, né? Mas mesmo assim a situação no geral, era muito chata! Primeiro Stwart a flagrando e interrompendo seu momento com Gastón, depois a menina abusada se metendo na história do nada e aí ela se deixando perder o controle e batendo na moça que era Dawson, aparentemente... Era tudo muito bobo. Ela não tinha idade ou maturidade ainda para lidar com aquilo não. Aff.

- O clima está pesado demais aqui dentro. Não quero ficar aqui. Você vem comigo, Lou? - Dawson finalmente dizia algo útil.

Ai, vão... Vão com Merlin, por favor, mas vão mesmo! Tchau e fechem a porta após saírem, obrigada.

Estava começando a relaxar, sentindo a tensão nos ombros sumir devagar após ouvir aquelas palavras, quando notou que talvez ela fosse a única que adoraria ver os dois fora dali. Gastón interrompia a partida de Dawson com a menina. E finalmente esclarecia para ela o mistério da menina misteriosa. “Ah, eu tenho uma cunhadinha é?”.

De repente, se viu absorta em seus próprios pensamentos, divagando sobre manter ou não os planos de vingança contra a menina. Ela tinha chutado sua canela sem nenhum motivo. Estava em dúvida se deixava isso para trás e agia como uma adulta para evitar possíveis desconfortos nos futuros encontros de família, os quais ela pretendia acompanhar Gastón como sua namorada, ou, quem sabe, até esposa um dia desses... Sabe como é, ela não queria “climão” entre as duas. Mas ela não conseguia simplesmente ignorar aquele pontapé literalmente inicial.

Ainda se decidia se deixava pra se vingar somente se seu calcanhar ficasse roxo, quando viu seus pensamentos serem interrompidos por um empurrão. Não que não tivesse notado uma confusão bem ali na sua frente, mas não tinha percebido como estava mais séria a briga, até aquele empurrão. Começou a suspeitar que talvez não estivesse cansada de toda a situação em si. Aquela sensação estava mais para um cansaço físico que caminhava para exaustão. Não tinha comido ou dormido direito no dia anterior. E isso após ter se esforçado bastante na última partida do torneio que tinha participado. Talvez estivesse sentindo-se daquele jeito por precisar de descanso e paz. Mas aquelas eram muitas ponderações e necessidades tanto inadequado para ela naquele momento.

O empurrão tinha derrubado-a de volta para dentro da cabine. Levantou-se e já foi se ajeitando. Estava decidida a ignorar os motivos pelos quais Gastón tinha empurrado-a, se convencendo de que tinha sido por um bom motivo. Já de pé, parou perto da porta da cabine. Se conteve apenas em observar a briga. Ah, ela adorava uma boa briga. “Entre dois machos gatinhos então! Ôôô...

- Parem! - sua cunhadinha gritava com um tom choroso, pondo-se na frente de Gastón.

Pelo visto, Louise não compartilhava da opinião dela. Coitadinha... Claramente Elena não era a única que não estava lidando bem sob pressão ali. A pobre parecia tentar empurrar Gastón, como se desejasse afastá-lo daquele duelo. Provavelmente com esperança de parar a briga entre Dawson e o irmão. Aquela menina devia ser lufana ou grifinória (Elena estava em dúvida), porque ou você é muito idiota ou muito corajoso para sair se metendo assim no duelo alheio - ou melhor, no duelo entre dois caras mais velhos. Sendo um deles seu irmão! Não sabia quanto a Gastón, mas se ela tivesse algum irmãozinho mais novo que fosse dado a apartar suas brigas, fazendo parecer que ela não pudia ou sabia se defender sozinha, ela iria ficar bolada.

Estava tudo indo violentamente bem até essa interrupção de Louise. Interrupção essa que tinha sido incrivelmente bem sucedida, porque sem entender bem como aconteceu, Elena viu Dawson virar-se de costas para eles. Deixando para trás tudo o que tinha passado, voltando-se para a auror que estava ali no corredor com eles. Fitou-o por um minuto pensando em como a bipolaridade deixa as pessoas estranhas. O grifinório então pôs-se a cantar junto da auror que deveria estar vigiando o vagão.

Quase se esquecera da presença dos aurores ali. Certamente eles não deviam ter sido instruídos por seus superiores para manter a paz entre os adolescentes em relação a seus dramas. Ocorreu-lhe que talvez tivesse sido, no mínimo, sensata uma interrupção dos mesmos enquanto ela avançava para cima de Dawson e batia no mesmo. Talvez não parecesse possível uma menina conseguir dar uma surra tão bem dada em um garoto maior e mais velho, mas tinha acontecid. Quem sabe por isso eles não tiveram nenhuma reação no momento... Mas como adultos responsáveis, eles provavelmente deveriam ter impedido ou apartado a briga. “Vai ver acharam tudo muito divertido. Ou quem sabe eles também gostam de ver uma bela briga... Mesmo que essa tenha sido ridiculamente fácil.

Louise, “Graças a Merlin”, tinha sumido da vista de Elena. Sua canela ainda doía. Apesar de ainda não ter olhado, tinha quase certeza que aquilo ficaria roxo. O que significava uma coisa: Louise estava para descobrir que payback is a bitch.

Voltando seu olhar para Gastón, notou que ele parecia um tanto sério e estático ainda, diante da a situação. Sentiu um aperto no coração vendo-o ali parado, parecendo perdido dentro das consequências dos próprios atos. Aproximou-se do rapaz. Pegou sua mão e olhou-o nos olhos com uma expressão serena e um sorriso discreto no rosto. O garoto então segurou sua mão de volta e inclinou-se, dando um selinho nela. Tão logo sentiu seus lábios se tocarem, viu o menino já se afastando novamente.

Ansiava por mais beijos, por beijos mais longos, pela paz que aqueles beijos pareciam lhe trazer... No entanto, naquele momento, aquele selinho era tudo que ela iria ter. Gastón soltou suas mãos, virou-se e saiu correndo na mesma direção que Louise tinha ido. Sentiu uma pontinha de ciúmes ao ver o garoto ir atrás da irmã, deixando-a ali. Principalmente depois de ter beijado-a novamente! Aquele beijo tinha deixado Elena com gostinho de quero mais. Um gostinho bem inconveniente.

Olhou para Dawson, que ainda cantava com a auror doida, e se permitiu divertir com a cantoria dos dois. “Esse vagão já deu o que tinha que dar...”. Rindo ao ver o menino completamente envolvido com seu dueto, ela virou-se e foi caminhando devagar na mesma direção que os irmãos Saunière tinham saído correndo momentos antes. Procurando por rostos amigos, um em especial, deixou o vagão 15 para trás...


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Re: Indiana Magic

Mensagem por Ville M. Hättönen em Sab Set 01, 2012 2:33 am

O pensamento de voltar a estudar era reconfortante, mas só de entrar naquele ambiente onde todos ao seu redor pareciam fúteis e mesquinhos provocava náuses ao garoto Hättönen. Logo após passar um ano vagando pelos mais inusitados burados da Europa, conhecendo pessoas com mentes tão abertas pra vida, pra outras culturas e com os pensamentos e ideais mais diversos, que muitas vezes iam de contra tudo que lhe fora ensinado em sua adolescência, ficar rodeado de garotos e garotas sem nada na cabeça que só pensavam sobre modinhas dentro de seus minúsculos mundos egocêntricos tornava-se algo realmente desafiador. Porém, como um sujeito forte que era, ignorar tanta idiotice não seria tão difícil para aquele estrangeiro. Essa era uma das poucas vantagens de não se ter a língua inglesa como sua língua nativa, segundo o rapaz - bastava de um mínimo de esforço que todas as conversas ao seu redor não passavam de zumbidos, o que era uma dádiva de Merlin dentro daquele trem.

Esse é só o início da história deste rapaz que veio da Finlândia fugido dos pais e foi se meter naquela escola, tão famosa, que era Hogwarts. Todos conheciam aquele lugar mesmo nos mais longínquos pontos do mapa, e as referências eram boas o suficiente pra convencer o jovem Ville a largar sua vida boêmia e voltar a estudar as artes bruxas. Adaptar-se não seria difícil, o garoto facilmente se enturmava em tudo quanto era local, pelo menos assim foi por toda a sua vida, quando saia da casa de alguém pela manhã e pegava o trem para alguma outra cidade, e então logo conhecia alguém no meio do caminho e rapidamente conseguia um lugar para passar a noite novamente. A escola provavelmente iria lhe dar uma cama, e apesar da fama do povo do leste ser bem fechado, nada poderia ser mais fechado que os Finlandeses - além do mais, o pouco que ele viu da multidão de alunos na plataforma do trem, muitos ali pareciam tão estrangeiros quanto ele - o que tornariam as coisas muito mais fáceis ainda - era como ir morar em um grande hostel no meio do nada. Algo promissor.

- Olha por onde anda, idiota!

Talvez não tão promissor assim. Muitas pessoas olhavam para Ville de forma bem cômica, e isso divertia o rapaz. Suas roupas escuras, com uma aparência um tanto velha, seu brinco enorme na orelha, sua cabeça semi-raspada, e seus óculos escuros à lá Ray-Ban que havia ganhado num jogo de azar com um mendigo ali mesmo em Londres no dia anterior provavelmente o dava um aspecto de "estranho" - ou no mínimo que ele tinha acabado de dar um passeio turístico pela Travessa do Tranco. E para qualquer pessoa entitulada "estranha" em todas as regiões do mundo, sempre irá existir aqueles imbecis que vão brincar com fogo e tentam atacar a "estranheza" do sujeito, seja com um esbarrão proposital ou com piadas sem graça onde todos ao redor fingem que foi engraçada pra apoiar a falta de noção da pessoa. No primeiro caso, bastava Ville parar por um estante, virar para a pessoa e ficar lá, encarando o idiota como quem não quer nada. Nunca foi sua intenção bater em ninguém, mas a tática funcionava - a resposta sempre era um resmungo inaudível, uma cabeça baixa e uma criatura desprezível se afastando. Poucas eram as pessoas que tinham a coragem de olhar pro rapaz nos olhos de primeira. Quem o fazia com certeza ganhava muitos pontos com Ville. Os que puxavam conversa ganhavam dois.

Porém, apesar da fama de Hogwarts ser tão boa,um sujeito daquele tipo provavelmente não iria aparecer e comprimentá-lo tão cedo. Desta forma, adentrar o Expresso de Hogwarts logo de início e achar uma cabine vazia não foi nem um pouco difícil. Ville aproveitou e pegou um restinho de um bolo que tinha enrolado mais cedo e fumou dentro da cabine - a viagem provavelmente seria longa e ele precisava de um pouco de estímulo pra não desistir de estar ali e descer do trem, por mais que tudo indicasse que aquele fosse o lugar certo para se estar.

--FLASHBACK--


- Uma cerveja amanteigada, por favor - falou o forasteiro com um sotaque carregado para o dono do bar, que prontamente o atendeu.

Um senhor sujo e mal encarado ficou olhando para o garoto enquanto ele virava o copo e pedia outro. Este logo percebeu que o homem o encarava.

- Que lugar estranho esse que vocês se escondem pra beber, ein! - disse o garoto para o velho enquanto limpava seu bigode de espuma. O sujeito o encarou um pouco antes de responder.

- Você que é idiota a ponto de procurar um lugar como esse, rapaz. Isso não é lugar para você - falou com sua voz aguda e doída.

O dono do bar que limpava um copo com um pano mais sujo que o próprio chão levantou os olhos pros dois clientes conversando. O local de fato era uma espelunca, imundo e sem cuidados, de uma forma que era possível ver aranhas passeando por cima das mesas e pelo balcão, pois parecia que ninguém ali frequentava. Nas prateleiras as bebidas pareciam mais escuras que o normal, um dos olhos do dono parecia enfeitiçado de forma que se você parasse 10 segundos para encará-lo, você acabava hipnotizado por aquele branco fumacento e traicoeiro. Provavelmente o lucro do bar vinha de como as pessoas pagavam alto por um ou dois copos, visto que o caixa era de responsabilidade daquele homem, e ninguém pagaria nada sem ter que falar com ele. O velho ali, coitado, não bebia, mas provavelmente não tinha dinheiro para pagar qualquer coisa ali dentro - era impossível entender o porquê de sua presença.

- O que lhe faz pensar que este tipo de lugar não seja para mim, senhor? Sem querer ofendê-lo, mas o senhor não me conhece.

O velho riu, e então o dono do bar também, e de repente uma senhora saiu de uma porta que há dois segundos atrás não estava lá, e acompanhou o grupo de rizadas. De repente todos riam do garoto, e alto, e mais alto, e mais alto ainda.O garoto tentou olhar para a porta de relance, para ver se conseguiria correr e achar uma saída a tempo, mas ela não estava mais lá. Que diabos de lugar ele havia se metido, Ville não sabia. Quando se deu conta, a velha senhora estava ao seu lado.

- Você tem talento, meu jovem. Sua família sabe disso, pois você herdou esse talento dela…

- Eu não tenho família - o garoto riu debochando da mulher - Você deveria saber disso, não?! Já que vocês sabem de tudo... - falou encarando os olhos completamente negros da senhora. As rugas ao redor de seus olhos e lábios não paravam de se mexer, por mais que ela nem sequer tentasse expressar alguma emoção com eles. Olhar naqueles olhos fazia o garoto suar, porém, ainda assim, insistiu.

- Você é corajoso - soltou o dono do bar em uma voz grave e dura - É admirável isso nele, Rita! Talvez isso nos seja útil.

- Cale a boca! Não há o que pensar, o futuro dele já foi decido há muitos anos atrás quando aquela… VÍBORA!

- VÍBORA! - gritou também o pobre velho ao lado.

- Aquela Víbora tirou meu filho de mim!

- Todos sabemos muito bem das nossas histórias, Rita… eu mesmo nunca vou esquecer da minha... - o dono do bar continuou como se falar aquilo o machucasse - mas olhe pra esse rapaz. Ele tem tanto ódio quanto nós daquela família. É possível sentir!

- Será? Ele é só um adolescente, você não pode acreditar nisso! - resmungou o velho por entre os dentes, como se não quisesse que alguém o ouvisse - Adolescentes sempre odeiam as suas famílias.

- Vocês são vítimas daquela gente, também, presumo eu - falou o garoto agora, com aquela mesma coragem que o tinha levado para fora de casa - Vocês não me conhecem, por mais que vocês achem que me conheçam, e não sei se vocês sabem, mas fazem 10 meses que tenho fugido dos assuntos daquela casa. Não vim para a Inglaterra para me envolver mais uma vez nisso!

- AH! Mas vocês já está envolvido, garoto! - a velha gritou e colocou sua unha no pescoço do garoto numa velocidade e com uma força como se a qualquer momento a unha fosse rasgar a pele do pobre rapaz, e então atingisse a carne, como já estava acontecendo.

- Vá com calma, Rita! Você pode muito mais que isso! Lembra?

Os três velhos se olharam como se algo os tivesse alertado de um grande terremoto subitamente. No mesmo instante uma criança veio correndo pela mesma porta que a velha, tão branca que era como se brilhasse em meio aquelas pessoas, uma garota tão pálida que parecia que não possuia lábios. Ela ficou olhando para o garoto enquanto o sangue e o suor se misturavam em seu pescoço, seus olhos brancos, como se cega, davam arrepios. Naquele exato momento a unha da senhora saiu do pescoço do garoto, e a criança permaneceu séria enquanto a velha se afastava, dando-lhe espaço. O que quer que estivesse acontecendo ali, todos pareciam temer a criança de alguma forma.

- O que eu vou falar para você agora você nunca mais irá esquecer, garoto - dez vozes saíam da boca garota, sem ela sequer mexer seus lábios - você não vai trair os seus pais, nem a sua família, pois eles que te darão tudo o que você vai possuir na vida. Porém, você será o responsável pelo futuro deles, que pode ser bom ou ruim, isso vai depender das suas próximas escolhas - a garota virou o rosto para os outros três presentes, um por vez, bem devagar, até voltar para o garoto - e estas escolhas você não fará sozinho... portanto, ninguém mais fará por você.

- Que escolhas são essas? Quem são vocês? - perguntou o garoto e olhou para todos ao redor, mas todos fugiam o ohar.

- Tudo o que você precisa saber é isso, no momento. - as dez vozes soavam em uníssono - Aparecerei para você mais vezes, de outras formas. Até lá você já saberá.

Antes que Ville pudesse perguntar mais alguma coisa, tudo ficou escuro. Quando se deu conta, ele estava deitado numa cama de um bar-lanchonete da Suécia que ele frequentava quando mais novo, em suas férias com a família. Perguntou a todos ali como ele havia chegado, e todos diziam que ele fora no meio da noite passada, enquanto estava fora de si por causa das drogas.

Não tinha ideia do que diabos tinha sido aquilo, se fora um sonho ou não… mas aquela coisa o fez pensar sobre os últimos dez meses fugindo de sua família. Por mais estranho que pareça, era como algo o estivesse avisando que algo deveria ser feito em relação a diversas coisas sobre a sua vida. Foi ali que toda a mudança começou.

--FLASHBACK--


Alguns minutos depois de solidão, a fumaça dentro de sua cabine o entregaria com certeza pra qualquer aluno que sequer fosse pedir pra usá-la, e o garoto não queria ser pego por seja-lá-quem-for, por mais que não ligasse de ter que se livrar de mais uma bronca, já que sempre conseguia. Por isso pegou suas coisas, saiu da cabine e foi dar uma volta exatamente no momento que o trem começou a andar na procura de um lugar mais seguro para se estabelecer. Várias crianças passavam por ele a todo momento, umas tímidas e inseguras, outras alegres e com brilhos nos olhos que só uma criança de primeiro ano poderia ter. Enquanto ele andava, não demorou muito pra uma gritar do fundo do trem - Que cheiro estranho é esse? - ninguém sabia.

De qualquer forma, estar em Hogwarts seria abrir seus horizontes. Naquele lugar ele conheceria muito mais pessoas e poderia até conseguir alguns bicos entre tanta gente fútil que quer fofocar e saber tudo sobre todo mundo. O mercado parecia bem faminto e ele poderia aproveitar bastante suas artes de espionagem -o mais complicado era que por ser um lugar novo para ele, contatos seriam o carro chefe de tudo que ele pudesse pensar em fazer naquele primeiro momento, até conseguir se ambientar de fato na escola. Em Durmstrung foi fácil fechar negócios pois ali todos o conheciam e iam a sua procura - ali ele ainda precisaria fazer fama. Seu estilo o ajudaria nisso, todos já olhavam pra ele nas janelas das cabines - o resto seria só questão de tempo.

Resumo:
Ville volta a para estudar em Hogwarts depois de um ano fugido pela vida. Seu jeito estranho não parece ser muito bem aceito a primeiro momento. Para contornar isso, foi ele sozinho para uma cabine do trem tentar ficar um pouco alto e esquecer dos problemas, quando lhe vem à memória o motivo de sua decisão de ter voltado a estudar.


Última edição por Ville M. Hättönen em Sab Set 01, 2012 2:45 am, editado 1 vez(es) (Razão : Colocar o resumo do Post)
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Re: Indiana Magic

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