Serious Business

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Mensagem por Viktoria A. Sjöström em Sex Nov 02, 2012 9:43 pm

Status da RP: Fechada
Participantes: Viktoria A. Sjöström e Dohko Shevchenko
Data: 13/09/2012
Local: Cemitério
Horário: 14:00 horas

A INFORMAÇÃO
treze de setembro
Letras garrafais percorriam uma página inteira de seu caderno. Junto a elas, apenas pontos de interrogação. Prostrava-se sentada numa janela qualquer do Corujal. Em seu rosto, olheiras profundas ocasionadas pelas vinte e sete horas sem dormir. O sol raiava e Viktoria Sjöström começava a dar os primeiros indícios de cansaço. Fora das aulas, não descansara um só minuto. Kappa, pseudônimo adotado por um de seus colaboradores suecos, responsabilizara-se por colher os dados da família Hättönen. Era graças a ele que sequer se permitira pregar os olhos uma só vez durante o dia. Enviando e respondendo cartas criptografadas nos mais diversos locais do Castelo, juntos reuniram as informações básicas sobre tal família.

Sobre Elias, o ministro finlandês de transportes por meios mágicos, o máximo que chegou a desvendar foi que ele possuía uma empresa clandestina - ou assim imaginavam os dois investigadores. Ocorre que conseguiram acesso aos documentos do objeto de estudo, que vão desde a identidade do indivíduo até as próprias contas de água e luz. Viktoria sempre fora boa nos cálculos e, observadora que era, notava com certa facilidade quando estes não batiam. Elias Hättönen gastava mais do que recebia no cargo, porém, nunca fechava o mês no vermelho e ainda faturava montanhas de dinheiro. Não é preciso ser um gênio da matemática para saber que há algo de errado nisso tudo e este era seu combustível para continuar trabalhando.

Repleta de dúvidas, ainda precisava de uma ajuda extra. Sphinx daria conta do recado. O investigador tornara-se muito útil durante os últimos tempos. Mantinham contato há aproximadamente seis meses. Nunca deixaram um caso em aberto. Mandara alguns tópicos a serem pesquisados por ele, no entanto, Sphinx parecia enfrentar alguns problemas em seus apontamentos. Não estranhou, pois, pela primeira vez na vida, sua pesquisa estava longe de chegar ao fim. Aquele era, quiçá, o caso mais desafiador já encarado por ela. Era uma chance única em sua vida e não a largaria por nada no mundo.

Antes das aulas iniciarem, Viktoria recebera uma proposta irrecusável. Ela sabia que, se havia um jeito fácil e limpo de sair do reformatório, tratava-se daquele. Nada poderia dar errado. A grana era alta e o cliente, poderoso. O chamado viera do próprio Ministério Sueco. Se conseguisse provar a culpa ou inocência de Elias quanto ao envolvimento em atividades ilícitas, viveria em liberdade até o final dos dias e certamente não teria de trabalhar por um bom tempo. Quantas noites em claro passara até então? Nem mesmo ela saberia responder.

Sacou o maço de Lucky Strike de dentro da jaqueta e acendeu um cigarro. Tragando a fumaça, percorreu o dedo por toda a ficha de Elias Hättönen e foi então que retornou ao nome de Ville. Aprendera que um dos truques mais fáceis para extrair as informações necessárias referia-se a procurar o alicerce mais fraco da cadeia e ela acreditava piamente que nele se encontrava a solução para os problemas.

Vik não assistiria às aulas... Pelo menos não hoje. Precisava dormir um pouco para que pudesse se lançar de cabeça no assunto novamente. Foi o que fez, após fechar a caderneta e sair do Corujal. O dormitório da Sonserina estava vazio, do jeito que ela gostava. Nada de meninas nojentas e esnobes, apenas ela. A sueca deitou na cama que era sua por direito, ou seja, a que ninguém queria, porque ficava perto demais das tubulações. Não se incomodava em dormir ali, no entanto. Desde que ficasse longe daquelas garotas idiotas, estava tudo certo. Então ela dormiu. Dessa vez, nenhum sonho muito visionário veio lhe assombrar. Dormiu feito pedra, deixando o cansaço esvair de cada célula de seu corpo frágil.

Ouvindo as badaladas do relógio anunciando a hora do almoço, ela despertou. Seu estômago roncava. A última vez que degustara algo fora um café na manhã do dia anterior. Odiava socializar, mas sabia que iria desmaiar caso não comesse. Adentrando no Salão Principal, encontrou sua vítima. Cabelos negros com a lateral raspada, óculos Ray-Ban, pele alva. Atenta, sentou-se em seu costumeiro cantinho isolado. De lá, fitava cada um dos movimentos do rapaz. Viu que ele se aproximava, talvez pretendendo trocar algumas palavras. Viktoria abaixou a cabeça, engoliu a comida tal qual um esfomeado o faria e fingiu não vê-lo.

Porco canalha. Com asco, exatamente estas palavras circularam em sua mente a cada momento que ele a fitava. Um brilho no olhar vazio de Viktoria cintilou. Não poderia estar mais disposta a se vingar do estranho. Saciada, saiu dali o mais rápido que pôde.

Próxima parada: secretaria. Alegando a falsa informação de ter notado seu nome errado na chamada de algumas disciplinas, pediu o carômetro dos alunos de sua Casa. Perpassou todo o alfabeto até que a letra “V” se fizesse saliente no pergaminho. Acima de sua foto 3x4 no papel, a imagem dele. Ville Korhonen. Era este o novo nome então. Repetiu-o várias vezes mental e rapidamente, depositando-o de modo definitivo na memória. Agradeceu o funcionário que disponibilizara o livro e saiu dali, rumando diretamente ao Corujal. Ao avistar uma ave negra, verificou apenas a marca na pata esquerda dela. Um “L”. Larsson, sua coruja, esperava-a com algumas cartas no bico. Sem ao menos lê-las, a franzina se dirigiu ao cemitério. Sabia que não seria perturbada em tal local e Dohko provavelmente já estaria lá.

O coturno preto batia de encontro à superfície úmida dos paralelepípedos. Ocultava-lhe a face o capuz acinzentado. Seu corpo estava imolado por uma enorme capa negra. Nos dedos, o costumeiro cigarro. Um vento de ruídos tenebrosos assolava aquela propriedade. Ela caminhava, cabisbaixa, até encontrar a inconfundível árvore velha, de raízes nada diminutas, entre dois tímidos túmulos. Apagou o cigarro no pequeno vaso de flor que ali havia e sentou-se sob a penumbra, recostada à edificação de um dos túmulos. Começou a ler a primeira carta. Na primeira linha, a frase: “Ville Marjo Hättönen possui uma identidade falsa.” Viktoria simplesmente rolou os olhos, dando quase nenhuma importância à sentença.

Notando uma certa agitação e a freqüência com a qual passos eram dados, recolheu todas as evidências de sua pesquisa em questão de segundos. Agora era apenas mais uma estudante excêntrica, que adorava visitar aquele local. Assoviou quatro notas, que ecoaram, em alto e bom som. Era apenas mais um código e ele a responderia.


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Viktoria A. Sjöström
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Re: Serious Business

Mensagem por Dohko Shevchenko em Dom Nov 04, 2012 12:27 am


Treze de setembro. E ele tinha matado todas as aulas da manhã a fim de resolver as pendências e colocar os negócios em dia. Não que Shevchenko fosse dado a freqüência em classe, mas naquela quinta em especial, ele tinha se dedicado aos assuntos que lhe garantiam certa renda e não apenas fritavam seus miolos.

Mundungus Fletcher ficaria satisfeito com as informações que tinha mandado no pergaminho. Dohko podia ser um anti-social, no entanto, era muito vivo quando o negócio consistia em tirar vantagem dos outros. E como seu parceiro de contrabando era o velho Mundungus, no decorrer do mês teriam traçado o plano de suprimentos do primeiro semestre.

O checo relatara em pormenores a chegada dos intercambistas, transferidos e novatos. Gente que tinha sobrenome importante, ou que tinha certa influência. Conseguira a listagem ao passar pela secretaria do Castelo e furtar alguns arquivos. Relatou as aquisições do Corpo Docente, inclusive, mencionou o chefe da Sonserina Maor Coen e o incidente nas Masmorras no dia 03 de setembro e as atitudes do professor. Enviou também um colar de opalas raríssimo que tinha conseguido um dia antes do embarque e que rezava a lenda, era amaldiçoado e já tinha matado várias de suas donas estranguladas.

Acreditava-se que a jóia tinha sido destruída depois de ter quase matado Kátia Bell em Hogwarts, certa vez. No entanto, o untuoso dono da Burgin & Burkes tinha certeza de que o colar tinha sido apreendido pelo Ministério antes que Dumbledore pudesse dar cabo do mesmo. E ele tinha razão.

Dohko demorara tanto tempo para enviar o colar porque não estavam chegando a um denominador comum nas negociações. Burgin queria pagar pouco pela jóia e ainda tinha a comissão lazarenta de Mundungus. Por fim, depois de duas semanas de briga pelo correio-coruja, finalmente o checo saiu levando uma boa quantia em galeões e um crédito alto na loja de Burgin.

Malgrado acabara de despachar a encomenda, que ia disfarçada dentro do recheio de um bolo de caldeirão, um pedaço de jornal recortado no formato da letra X foi entregue por uma coruja. Rabiscado em escarlate, apenas o numeral 14. Shevchenko sorriu de forma sacana e amassou o papel colocando no bolso traseiro do jeans.

Ela estava de volta.

Ela era sua parceira dentro de Hogwarts, quiçá, única garota que Dohko levava a sério. Talvez porque não a visse apenas como uma garota, mas como um cérebro brilhante que ele jamais teria. Ela era a inteligência e ele a força. Viktoria, a estranha garota da Sonserina que a maioria parecia querer evitar e a recíproca era verdadeira. Tinham se conhecido quando a menina entrou no primeiro ano e Dohko a confundiu com um garoto franzino de quem queria roubar alguns sicles.

No trem, um Shevchenko de treze anos ameaçava aterradoramente o tal garoto e dera-lhe um soco forte no estômago pela petulância. Não esperava, porém, que a reação e auto-defesa daquele moleque fosse tão rápida. E recebeu o mais vil e fatal dos golpes sujos: um chute no saco. Dohko jamais esqueceria daquele episódio. Assim como nunca se esqueceu que o garoto magricela era na verdade, uma garota e que ambos tinham em comum o gosto por trabalhos ocultos e nas surdinas.

Pagando bem, que mal tem?

Todas as quintas-feiras os dois se encontravam no cemitério. Viktoria mandava sempre algum papel em forma de X com um numeral que indicava a hora em que deveriam se ver. Phoenix era como a chamavam no submundo. Dohko não adotava pseudônimos, apesar de que nas fileiras do contrabando todos o conhecessem como Dragontroll, devido à sua gigantesca tatuagem de um dragão lutando contra um trasgo nas costas.

E assim seria. Às 14:00 horas no cemitério. Shevchenko passou pelas cozinhas e roubou um prato de almoço. Já estava tarde e ele não gostava muito de freqüentar o Salão Principal. Comeu sua quentinha debaixo de uma sombra de carvalho e jogou o prato no meio do mato. Estava pouco se lixando para a consciência verde. Tirou um saquinho púrpura do bolso do jeans e o papel amassado mais cedo. Jogou o pozinho sobre o papel e o enrolou improvisando um cigarro. Apertou o canudo nas mãos de forma que estava transfigurando o jornal velho em feltro.

Não era bom em transfigurações, mas aquilo ele sabia fazer. Olhou para a consistência do papel. Tinha mudado apesar de ainda estar cinzento e conter letras impressas. Ele não ligava. Guardou o saquinho de volta e continuou pisando com seu kichute na lama pegajosa da estradinha que ligava até o Cemitério, não fazendo questão alguma de esconder seu barulho. Acendeu o cigarro e tragou profundamente soltando uma enorme baforada azulada para o alto.

Foi quando ouviu o som das já conhecidas quatro notas assoviadas e respondeu as duas restantes se identificando. Caminhou um pouco mais e avistou ali, sentada entre as lápides a séria Viktoria que a qualquer olho passaria como uma excêntrica garota gótica estudando. Para ele, a visão mais empolgante de todo o Castelo, pois se ela o convocara, era porque tinha trabalho a ser feito e ele, bom, Dohko não negava um serviço sujo ou limpo contanto que bem pago.

- Sjöström. Não achei que fosse voltar esse ano. – comentou sem nenhuma emoção – Mas então eu lembrei que sem mim você estaria perdida. Quem amarraria os cadarços de suas botas?

E riu aquela sua risada rouca e grossa.:

Porque para ele a sentença tinha todo o sentido amistoso como se fosse um tapinha nos ombros. Estendeu então o cigarro improvisado para Viktoria, depois de tragar mais um pouco e levou a mão esquerda ao bolso despreocupadamente.

- Pó de flu e mandrágora triturada. – e soltou a fumaça que vinha segurando – É mais forte do que os seus. – e se sentou na lápide de frente à sonserina, escorado, esticando-se como se fosse um lagarto buscando nesgas de sol – E então, qual é a boa? Temos um novo jogador na parada ou é jogo antigo?

Resumo: Dohko manda o colar de opalas para Mundungus Fletcher no recheio de um bolo de caldeirão e vai se encontrar com Viktoria no Cemitério a fim de saber qual trabalho que ela tinha para ele.

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Dohko Shevchenko
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