At His Majesty's Pleasure

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At His Majesty's Pleasure

Mensagem por Hector Espinoza em Qui Out 11, 2012 1:24 am

Status: RP SUPER-FECHADA DE UM POST SÓ YOLO
Data: 1º de Setembro, pouco antes do fim do banquete.
Local: Sala do Prof. Coen (1º andar, próxima à Sala de Poções).
Participantes: Hector Espinoza, Maor Coen.



At His/Her Majesty’s Pleasure, ou “enquanto Sua Majestade o desejar”: terminologia legal britânica que pode se referir a um tempo de cárcere indeterminado, geralmente usado em caso de detentos muito jovens como substituto à prisão perpétua, ou a cargos de confiança nomeados pelo monarca, sem prazo determinado para abandonar o posto.



Desde a partida de Londres, o temperamento de Hector se mantivera sob a sombra hostil da insegurança. Ele sabia que, do alto de seus noventa anos de história, a adaga do avô não lhe era imprescindível – particularmente não num trem lotado de crianças. O argentino se orgulhava de ser um bom duelista e de lançar feitiços com uma habilidade acima da média de seus colegas de turma na escola de magia sul-americana; também sabia se defender (e contra-atacar, quando preciso) em conflitos corpo-a-corpo; além disso, do jeito que aquele lugar estava cheio de aurores, não era como ele fosse ter muitas oportunidades de usar uma arma branca sem ser expulso e enviado de volta para Buenos Aires (o que, embora promissor por um lado, por outro parecia desnecessariamente desgastante).

Ainda que tudo isso fizesse sentido, ele continuou com o semblante fechado por todo o percurso, vez ou outra encarando o auror sentado junto à porta da cabine dele, próxima ao vagão dos professores. Não trocou sequer uma palavra com ele, porém, nem com qualquer dos alunos que entraram e saíram da cabine ao longo da viagem; apenas revirava a varinha entre os dedos da mão esquerda, depois da direita, um dos pés batendo ritmado no chão, o olhar perdido atravessando a janela conforme a paisagem do norte da Inglaterra transformava-se gradualmente no sul da Escócia.

A pior parte da noite foi, sem dúvida, ter seu nome anunciado em altos brados no banquete de abertura. Sentia-se exposto o bastante sem aquilo, bastando o fato de não ter a adaga consigo – uma muleta do ego? Talvez, mas ainda assim uma fonte de poder, um legado, um lembrete frio e afiado de quem ele era e de onde vinha, e porque tinha ido parar ali. Sem ela ainda podia ser melhor que toda aquela gente, mas lhe faltava algo. Não ia engolir aquilo.

Quase não engoliu a comida dos ingleses, também, e se o fez foi apenas porque seu estômago exigiu algum tipo de compensação pelo arremedo de almoço (basicamente chocolates e varinhas de alcaçuz), e porque toda a comoção do banquete servira para melhorar um pouco o humor do argentino. Sim, porque até o povo começar a levantar e bater boca com os professores, todo aquele cerimonial estava um porre. Se ele já não suportava as ocasiões formais na Punta Negra, que dirá ter que aguentar a mesma coisa no pomposo idioma de Shakespeare. Até chegou a pensar em fugir sem que ninguém notasse, mas vendo que a coisa chegara ao ponto de os professores começarem a estuporar uns aos outros, pro inferno, ele tinha que acompanhar aquela novela até o fim. (E as batatas estavam até que palatáveis, no fim das contas.)

Tendo terminado (a parte que se via capaz de digerir de) o jantar, e com a guerra entre o corpo docente e os alunos tendo acabado em pizza uma bonita confraternização, Hector considerou que seu tempo por ali já havia se esgotado. Verificou rapidamente com o colega mais próximo o caminho a tomar para a entrada das masmorras e levantou-se do banco, decidido a passar o resto da noite maquinando um jeito esperto de recuperar o bem que as autoridades (quanta preocupação com a ordem!) lhe haviam confiscado.

Não foi muito longe, contudo: a voz do professor de Poções o alcançou no meio do corredor do lado de fora do Salão Principal (alarmando também um casal que conversava aos sussurros mais adiante, embora o homem talvez nem os tivesse notado). — Espinoza. Minha sala, agora.

Por mais que Hector não respondesse muito bem a tentativas de intimidação, o tom do chefe da Sonserina não dava margem a qualquer outra resposta que não acompanhá-lo. Além disso, só podia haver um assunto que o professor quisesse tratar com ele com tanta urgência, e se fosse o caso, demonstrar resistência à autoridade dele só tornaria as coisas piores. Segui-lo serviria no mínimo para fazer um reconhecimento de área e, com alguma sorte, descobrir um jeito de negociar.

— Os jantares aqui são bem animados. — O sextanista comentou sem muita emoção na voz, apenas para quebrar o silêncio desconfortável que acompanhava os passos deles pelos corredores do primeiro andar.

O professor respondeu com um ”Ô”, e a conversa morreu aí.

Não demoraram a alcançar o escritório dele. Destrancando a porta com um movimento rápido de varinha e um encantamento que Hector desconhecia (maçanetas personalizadas são o tipo de coisa que diz muito a respeito de uma pessoa), o homem fez com que se acendessem as velas de um candeeiro pendurado no centro da sala, acima de uma escrivaninha com gavetas. A luz bruxuleante não iluminava muito além disso.

Quando o professor Coen (era esse o nome) pediu – não, ordenou – que ele fechasse a porta, Hector obedeceu; mas permaneceu encostado nela, fora do raio de alcance do candeeiro. Podia estar ali por interesse próprio e parcialmente desarmado, mas as ruas da Boca lhe haviam ensinado, entre outras coisas, a não deixar a retaguarda exposta e a nunca, jamais deixar sua rota de fuga ser obstruída. E ele não pretendia sair dali até que o assunto da convocação ficasse claro.

Para sua sorte, isso não demorou a acontecer: pois o professor deu a volta na escrivaninha, abriu o que parecia ser a primeira gaveta e ali estava ela, agora nas mãos dele – a adaga italiana com a cabeça de águia prateada na ponta da empunhadura, a bainha laqueada refletindo o brilho das velas em seu corpo preto. Hector sentiu que havia prendido a respiração, mas procurou manter-se o mais neutro possível, esperando a abordagem do outro para só então pensar em como deveria reagir.

— Os aurores me entregaram isso aqui depois da inspeção em King's Cross. — O tom dele era de enfado, cansaço, quase, mas havia uma pitada de crueldade ao fundo que o argentino não pôde deixar de notar. — Acho que é ela é sua, não é?

O impulso de reaver o objeto era forte, mas Hector deteve a própria língua. Aquele era um jogo que ele conhecia – um jogo no qual não se permitiria perder. Não no primeiro dia do ano letivo. — ... Talvez seja. — Deu de ombros, como se o assunto não lhe importasse; e só então foi se aproximando do centro da sala, invadindo o círculo iluminado pelo candeeiro a passos lentos, feito um gato acuado ou prestes a dar o bote. — E se for? — O tom de sua voz continuava neutro, mas havia uma corrente subjacente de desaforo, no limiar do desacato.

— "E se for"? — Longe de se ofender, o chefe de casa pareceu achar graça na escolha de palavras. Com um sorriso de canto de boca, voltou a dedicar sua atenção à adaga, sacando-a da bainha e testando a agudeza da ponta na polpa de um dedo. Soltou um riso pelo nariz. Se for, eu imagino que você não vá querer que ela fique pra sempre dentro da minha gaveta, pra início de conversa. Porque se for sua, você arriscou um bocado pra trazer isso pra cá. Não é qualquer coisa.

Hector encostou o quadril na mesa e olhou para a arma. Sabia reconhecer um bom jogador. O professor Coen se mostrava um bom jogador. Em casos assim, um jogo aberto costumava ser a melhor estratégia para todos os envolvidos. — Meu bisavô atuou infiltrado entre os camisas negras trouxas por um tempo. É de 1942, autêntica. — Levantou o olhar da adaga para o professor de Poções, erguendo uma sobrancelha. — Não é mesmo qualquer coisa.

Coen fingiu-se impressionado. — Hm. Não, não é. — Revirou a lâmina mais um pouco entre os dedos. — Prata?

— De lei. Os detalhes são folha de ouro.

Hector se sentia nitidamente um mafioso naquele momento, e isso não o incomodava nem um pouco.

— Hm. — O homem pareceu finalmente chegar a uma conclusão a respeito da qualidade do objeto. — É. Parece importante mesmo. E sendo importante assim — franziu o cenho —, imagino que você tenha ao menos uma ideia de como manter uma adaga dessas sem dar na vista.

Um sorriso torto brotou no rosto do argentino. No que dependesse de seu chefe, ele havia sido enviado para a casa certa naquela escola. — Se não fosse aquele ataque ao trem e os aurores não estivessem revistando gente aleatoriamente na plataforma, o senhor não ficaria sabendo da existência dela, Professor. — E era verdade. Hector não tinha pudores de mentir abertamente sobre quase qualquer coisa, mas sentia um certo orgulho pessoal quando podia ser absolutamente sincero e ainda sair por cima. Tirou as mãos dos bolsos da calça e cruzou os braços. — Acho – espero – que estamos seguros contra esse tipo de coisa aqui no castelo — insinuou —, mas, em todo caso, vou redobrar os cuidados.

Coen parecia satisfeito com aquilo. — Bom. Eu ia detestar confiscar uma relíquia de família... — Analisou a adaga mais um breve instante e em seguida voltou a erguer os olhos para Hector, um olhar de aviso. — Mas ia detestar muito mais arrumar problema pro meu lado. — E então, sem mais, guardou a lâmina na bainha e estendeu-a para o rapaz. — Estamos entendidos?

O sextanista olhou para a arma que lhe era oferecida de volta e ergueu uma das mãos para tomá-la, mas se deteve, voltando a olhar para o professor com uma sobrancelha levantada. — Você não vai fazer aquela coisa de puxar pra longe quando eu for pegar, vai? Porque, francamente, seria ridículo. — Soltou um riso cínico pelo nariz.

A risada do professor foi pouco mais efusiva do que a dele própria. — Pega isso logo e some da minha frente.

Hector, que não era besta, obedeceu rapidamente. Nem se permitiu saborear por muito tempo a forma fria do metal dentro da palma fechada; passando as mãos por dentro do paletó até as costas, tratou de acomodar a velha companheira ao longo de sua coluna, prendendo o raramente usado clipe dourado da bainha no cós da calça. — Mais alguma coisa, Professor?

— Não. Dispensado. — A expressão de escárnio continuava no rosto dele. Com um curto assentir de cabeça, Hector seguiu em direção à porta da sala. — Espero que você saiba o que fazer com isso — o professor ainda acrescentou, como se o pensamento tivesse acabado de lhe ocorrer; a isso o argentino não respondeu, mas talvez o homem tivesse notado, antes que ele fechasse a porta ao sair, o meio-sorriso que ele também levava nos lábios.


Resumo:
Hector recupera sua adaga – e ainda ganha a cumplicidade do chefe de casa de brinde, talvez.

-


llevo el Sur
como un destino del corazón
soy del Sur
como los aires del bandoneón


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Hector Espinoza
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Série 6º Ano

Argentina
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