a story of boy meets girl

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a story of boy meets girl

Mensagem por Lara Rosenberg em Sex Set 28, 2012 2:42 pm

Local: Vários lugares, mas, no final, dormitório feminino do quarto ano - Sonserina
Horário: Após o banquete de abertura, dia 01/09
Status: RP fechada (mas se alguém quiser interagir é só mandar MP!)
Participantes: Elena Holdfeny e Lara Rosenberg

Segurava a gata como se a própria vida dependesse disso, e Louise deu um miado alto, desgostosa por estar sendo apertada. Teria que aguentar. A menina estava voltando para Hogwarts, e seu estado era lamentável. Suas roupas estavam sujas de fuligem, seu rosto exibia grandes olheiras, e seus ouvidos voltaram a doer (o efeito da poção dada pelo medibruxo estava passando, pelo visto) quando subira nas carruagens que as levariam ao castelo.

Ela sabia o que puxava as carruagens, embora não pudesse vê-los. Testrálios eram criaturas doces e curiosas, apesar de sua aparência tão horrível. Não fazia diferença para ela, é claro, mas os desenhos que tinha visto em seu livro de Trato das Criaturas Mágicas ficaram marcados em suas retinas. Não se esquivava deles, pelo contrário. Sempre estendia a mão cegamente até que ela fizesse contato com a pele seca deles, e os acariciava um pouco antes de subir nas carruagens. Seu irmão costumava fazer isso.

A viagem de volta tinha sido, em sua maior parte, silenciosa. Leslie ia de um lado, alternando entre brincar com Louise e olhar pela janela suspirando por algo, e Lena estava sentada do outro, distraída e calada. Lara suspeitava que teriam muito o que conversar hoje depois do banquete, e se sentiu exausta só de pensar. Queria saber o que tinha acontecido com ela, estava sim muito curiosa, mas cada músculo do seu corpo doía e clamava por uma boa noite de sono.

Despertou como um pássaro, no entanto, na hora do banquete. Seu sono e cansaço não lhe privariam da comida de Hogwarts, de jeito nenhum. Comeu e repetiu, encontrando espaço até mesmo para conversar com alguns colegas da Sonserina que reencontrava, e tentar empreender uma conversa sobre quadribol com Lena, embora não tenha durado muito porque a amiga aparentemente estava estranha sobre esse assunto também.

Após terminarem o banquete, Bo veio falar com Lara, e a menina ficou tão feliz que largou toda a pretensão de força e frieza e abraçou-o, quase partindo as costelas do menino no processo. Não ia admitir isso nunca, mas ficou com os olhos cheios de lágrimas enquanto o abraçava. Bo era amigo de seu irmão, e quando este desaparecera, a apoiara e prometera que, juntos, o encontrariam. Liam fizera uma promessa semelhante, porém mais razoável: que cuidaria dela enquanto o irmão estivesse “fora”. Deveria preocupá-la o fato de que inspirava tanta pena nos amigos de seu irmão que eles estivessem prontos a fazer promessas tão absurdas, mas só conseguia se sentir extremamente confortada com o pensamento de que ainda havia alguém que se preocupava com ela e estava disposto a protegê-la.

O sonserino mais velho perguntou como ela estava, e ela virou o rosto para que não visse seus olhos cheios de lágrimas, garantindo-o que estava ótima, obrigada. Ele então a convidou para o show que daria nas masmorras, no dia seguinte. Era uma festa beneficente, pois, com a confusão do trem, algumas pessoas haviam perdido suas malas com as roupas dentro, portanto ela deveria levar uma peça de roupa na entrada. A menina agradeceu o convite, sorrindo, e disse que com certeza iria. Antes de sair correndo para a mesa da Corvinal, no entanto, gritou:

-Ah, eu adorei a música nova!

Depois disparou até Leslie, que ainda estava terminando de comer, e sentou-se do lado do garoto para combinarem a hora que se encontrariam na biblioteca, e decidiram-se enfim: o mais cedo possível. Ela grunhiu em protesto, mas ele não a ouviu, fascinado pela possibilidade de começarem a pesquisar logo. Ela também estava mas, tão cedo assim? Nerd.

Quando já estava no dormitório feminino da Sonserina, tomou um longo banho, com cuidado para não cair água em seus ouvidos (exatamente como o medibruxo a avisara), e, botando seus pijamas mais velhos e puídos, verde-musgo com pequenas cobras prateadas, deitou-se na cama ao lado da de Elena.

- - Você ouviu falar sobre a festa que vai ter nas masmorras amanhã? A Brotherhood vai tocar. Aparentemente é uma festa beneficente.

Lena não pareceu muito animada com a possibilidade.

- - Ouvi umas pessoas comentando... Mas o showzinho no trem já foi o suficiente pra mim. - ela dizia voltando o olhar para Lara - Não sou muito fã de festinhas, você sabe.

Lara deita na cama, as mãos cruzadas atrás da cabeça, olhando para o teto e absorta em pensamentos.

- É, eu sei. Mas eu provavelmente terei que ir. Lembra das coisas estranhas que aconteceram no vagão que eu estava? Acho que uma das pessoas que foi atacada pelo auror estará lá também, e eu queria... – Era estranho dizer isso, mas não havia outra palavra. – Observá-la. Ver se ela não está agindo estranho. – Não sabia se Lena entendia o que ela estava falando, mas não podia entrar em muitos detalhes. – Seria legal ter um rosto conhecido no meio da multidão de menininhas gritando pelo Bo.

- Lembro que você comentou alguma coisa. Mas um auror atacou ela? - dizia dando ênfase na palavra auror – Ele a feriu? Por que ela estaria diferente?

Droga. Deveria ter adivinhado que Lena faria muitos questionamentos sobre isso. Você não simplesmente fala que foi atacada por um auror no trem e espera que as pessoas deixem pra lá! Sua amiga era perspicaz, e merecia uma explicação inteira.

- Ele... olha, é complicado. O vagão inteiro estava tomado por uma espécie de sombra, e quando a menina tentou falar com o auror, ela foi sugada por essa sombra. E devolvida pouco tempo depois, só que com uma marca no ombro. E se for uma maldição? E se ela estiver sendo controlada por alguém?

Não conseguia, no entanto, explicar porque se importava com aquilo tudo. Talvez simplesmente gostasse de mistérios. Talvez estivesse desesperada para pensar em outra coisa que não o desaparecimento do seu irmão. Não importava. A menina estava decidida a pesquisar mais sobre isso.

- Hmm, sim. Vocês devia era falar com algum professor sobre isso, ao invés de ficar perseguindo a menina. - Ela dizia descontraidamente, voltando o olhar para as pernas.

Claro que seria essa a opinião de Lena. Fale com um professor! Era o que uma pessoa sensata diria. E essa era a coisa mais racional a se fazer. E Lara estava ignorando sumariamente qualquer conselho de pessoas sensatas no momento.

Estava distraída, olhando para o teto do dossel de sua cama, quando Lena recomeçou a falar.

-E falando em trem... Preciso te contar algumas coisas.

Seu tom era mais sério, e indicava que finalmente falariam sobre o que ela estivera escondendo da amiga pela tarde inteira. Lara se levantou, ficando sentada de frente para ela, uma curiosidade no olhar.

- Vai finalmente me contar por onde você esteve quando nos perdemos no trem?

Resumo: Lara chega em Hogwarts cansada, mas logo se anima quando vê a comida do banquete. Depois de repetir várias vezes o prato, fala com Bo e dá um abraço bem apertado no garoto, seus olhos enchendo de lágrimas pela fragilidade do dia, mas ele não percebe. A convida, então, para a festa Trasgo nas Masmorras, que aconteceria no dia seguinte, avisando que é beneficente. Lara se despede dele elogiando sua música, e vai na mesa da Corvinal falar com Leslie e combinar de se encontrarem na biblioteca pela manhã, bem cedo. Depois vai para o dormitório feminino, toma um banho, e conversa com Lena sobre o que aconteceu no seu vagão. Lena a aconselha a procurar um professor, e depois começa finalmente a falar o que houve com ela no trem.

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Re: a story of boy meets girl

Mensagem por Elena Holdfeny em Seg Out 01, 2012 11:50 am



Dia 1 de setembro. Dormitório da Sonserina. Após o banquete.

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Chegou no seu dormitório antes de todas suas colegas. Para sua alegria, a mala com suas coisas já estava ali. Pegou o que precisava para tomar um banho caprichado. E também para fazer seu “ritual de beleza”. Precisava muito de uma sessão de spa caseiro para relaxar. Tendo tudo o que precisava em mãos, foi rumo ao banheiro. Assim que entrou, não pode evitar olhar-se no espelho. Soltando um suspiro, começou a remover os curativos que ainda tinha espalhados pelo corpo. Esquecera completamente deles e dos ferimentos que tinha arranjado no trem. Era meio decepcionante se ver daquele jeito tão acabado. Já acostumada a se machucar das mais diversas maneiras, durante a prática dos vários esportes que treinava, tinha seu próprio kit de primeiros socorros. Voltou ao quarto para buscá-lo. Tentaria dar um jeito nos cortes do rosto. "Pelo menos."

Tomou banho, fez hidratação nos cabelos, limpeza de pele, esfoliação corporal, tomou mais uma ducha, escovou os dentes, secou os cabelos, usou algumas poções e ervas de seu kit para tratar dos ferimentos, passou todos seus cremes faciais e por fim todo os cremes corporais. Sentia-se muito melhor. Voltou para o quarto e sentou-se em sua cama. Queria meditar um pouco, mas não demorou muito para que suas colegas de quarto aparecessem. Incluindo Lara.

Precisava conversar com a amiga. Ainda não tinha falado sobre Gastón. Nem sequer mencionado sobre seu primeiro beijo. Pensar em tal conversa já deixava-a enjoada e nervosa. Não tinha o hábito de conversar sobre seus sentimentos. Parecia-lhe errado falar sobre eles com outros. Sentia que isso seria como dar muita importância a uma coisa que ela buscava ignorar diariamente. Só que estava tomada pela necessidade de conversar com alguém. E não tinha opção nenhuma que fosse melhor que Lara. Não em Hogwarts.

Esperou então que a amiga se aprontasse para dormir para puxar conversa. Enquanto a menina tomava banho, ela arrumava sua roupa e outras coisas que precisaria para sua série de exercícios matinais. Não que se importasse muito com o sono alheio, mas achava gentil deixar tudo pronto na noite anterior, para que de manhã não fizesse muito barulho. Assim que terminou e voltou a se sentar em sua cama. Lara logo voltou para o quarto, vestiu-se e então deitou-se. Sentia um certo nervosismo crescer dentro de si. Sentindo necessidade de ocupar as mãos, pegou uma loção hidrante e refrescante que ficava em sua cabeceira e começou a passá-la nos braços e pernas.

Lara de repente puxou assunto, falando algo sobre um outro show da bandinha da escola. Ela não entendia como aquelas pessoas gostavam tanto de uma bagunça e de uma festa. Não tinha bastado todo o tempo das férias de verão e o show surpresa no trem? Não... Elas queriam mais. O ano mal começava e as pessoas já estavam nem aí para os compromissos com os estudos que logo começariam. Elena nunca entenderia isso.

Mas o assunto mudou de festa para o que tinha acontecido com Lara no trem. Não queria parecer rude ou desinteressada no que a amiga tinha a dizer, mas ela precisava muito desabafar. Então não pode evitar procurar uma brecha para que pudesse fazê-lo. A cada segundo que deixava de falar, sentia-se juntando mais de coragem para fazer o mesmo. Conversaram mais um pouco sobre o assunto da cabine estranha e o auror doido, porém Lara parecia meio relutante em lhe dar muitas informações. “Aí está minha brecha.

- Hmm, sim. Vocês devia era falar com algum professor sobre isso, ao invés de ficar perseguindo a menina. - aconselhava-a falando o óbvio. Talvez um dia Lara seguisse algum de seus conselhos. Mas aproveitando sua brecha, disse com um tom mais sério, fitando as próprias pernas - E falando em trem... Preciso te contar algumas coisas.

- Vai finalmente me contar por onde você esteve quando nos perdemos no trem?

Não tinha noção de que era assim tão óbvio que havia acontecido algo a ela no trem. Ainda que soubesse que tinha se comportado com mais descontração do que normalmente. Colocou a loção de volta em sua cabeceira, limpou as mãos, deitou-se virada pra cima e respirou fundo.

- Acho que estou namorando. - “Pronto, falei.

Pausa dramática.

- Antes que você me pergunte já te respondo logo: eu não sei como aconteceu. Eu não sei ainda nem o que é essa situação toda pra ser sincera. Mas dizer namoro me parece o melhor “rótulo”, ainda que seja complicado. - dizia um pouco constrangida, num tom mais baixo que o normal. - Não tenho nem certeza do que sinto por ele ainda... E só tenho uma única referência sobre o que é gostar de alguém, assim desse jeito: gostando mesmo mesmo. Sabe quem é né? - dizia, virando-se de lado na cama, para poder encarar a amiga. - Com meu treinador, o Brad... - sussurava baixinho. - Só que nunca tive nada além desse sentimento por ele, nem nada com ele! - voltou então a falar normalmente, com um tom visivelmente ansioso. - Só que ano passado, aqui em Hogwarts, aconteceu um lance. Tudo começou na Biblioteca e depois um dia eu fiz uma coisa e daí hoje ele que fez lá no trem e depois eu briguei com o Dawson - sabe quem é né? Aquele meu amigo piadista da Grifinória. Pois então, ele apareceu do nada e pegou a gente de surpresa, fiquei tão sem graça. Justo ele me pegou no flagra sabe... Foi horrível. - falava sem parar nem para respirar, com o tom um pouco reclamão. - Quer dizer, não o beijo! O beijo foi ótimo. Não podia imaginar que uma coisa tão esquisita e insanitária podia ser tão boa. - tentava esclarecer isso com muita convicção. - Enfim... Não sei! Só sei que foi assim. - respirava fundo e em seguida soltava um longo suspiro.

Não tinha notado o quanto tinha se afobado, mas precisava se acalmar. Ela era péssima para se expressar. Evidentemente. E nervosa ficava tudo ainda pior...
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OFF:
Primeira parte do post, dentro do spoiler, pois não se aplica diretamente a RP. Feita apenas para melhor compreensão da cronologia dos acontecimentos e fatos. Tudo autorizado.
Resumo:
Elena deixa o trem, junto de Lara e Leslie, mas devido seu cansaço, está de mau humor. Durante o banquete apenas observa a seleção, finalmente sacia sua fome e após uma breve conversa com alguns colegas de mesa se retira mais cedo do banquete. Voltando ao dormitório, toma banho e faz seu ritual semanal de beleza, antes de voltar ao quarto. Espera Lara chegar e se ajeitar para dormir para poder começar a conversar com a amiga sobre algumas novidades. Lara começa a puxar conversa e assim que Elena vê uma brecha, desabafa com a amiga sobre seu primeiro caso amoroso. Ainda que tenha explicado tudo de uma forma extremamente confusa, devido sua dificuldade para se expressar.

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Re: a story of boy meets girl

Mensagem por Lara Rosenberg em Qui Out 04, 2012 2:58 pm

- Acho que estou namorando.

Lara, a princípio, não registrou o que Lena tinha dito. Ela soltara, assim, como algo que quisesse se livrar, rápida e em tom de confissão. Era entendível que Lara tivesse ficado um pouco confusa.

- Quê?

Mas, depois de alguns segundos de silêncio, a mensagem passou. Lara ouvia Lena se explicar e só conseguir se enrolar ainda mais. Ela não sabia como isso tinha acontecido? Não sabia se podia chamar isso de namoro? Nossa, mas que bom! Ficava feliz que não fosse a única confusa nessa conversa.

- Não tenho nem certeza do que sinto por ele ainda... E só tenho uma única referência sobre o que é gostar de alguém, assim desse jeito: gostando mesmo mesmo. Sabe quem é né?

Ora, se não soubesse, que tipo de amiga seria? Embora nunca tivesse dito nada, Lena já havia demonstrado várias vezes que possuía sentimentos especiais por seu treinador. Lara já havia visto-o, quando fora visitar Lena nas suas férias de verão do segundo ano, e ele era, de fato, bonitinho. Nada demais, se perguntassem a sua opinião. Era um pouco estranho que ela gostasse de um cara mais velho (e, por mais velho, ela queria dizer fora da escola), mas não ia discutir com os gostos alheios, e não é como se ela fosse ficar com ele, né?

Principalmente agora, que tinha um namorado-ou-quase-isso.

Depois, entrou em explicações confusas sobre algo que havia acontecido com ela e o menino ano passado na biblioteca. “Uma coisa”. Um beijo? Francamente! Ano passado? E ela não tinha dito nada? E, em outra situação, riria do fato que Dawson a tinha pego no flagra. Lara gostava dele, ele era engraçado. Só podia imaginar a imensa gama de provocações que ele poderia ter feito ao vê-los nessa situação. Mas não conseguiu achar muito bem o seu senso de humor.

Contraiu seu rosto quando a amiga começou a falar dos beijos. Ah, um bom slogan: esquisitos e insanitários. Era exatamente como Lara descreveria, pelo que já tinha visto. Pessoas sugando a face umas das outras, como desentupidores de pia ambulantes. E elas ainda gostavam disso, Merlin. Não conseguia imaginar situação mais constrangedora do que enfiar a língua na garganta de um garoto.

Um namorado. Ora, vejam só. Lena tinha um namorado.

Um namorado que ela provavelmente ia beijar (correção: já tinha beijado), e abraçar, e olhar nos olhos estupidamente com um sorriso idiota e o coração acelerado, e apresentar para a família, e tomar café da manhã dando risinhos, talvez até dar pedaços de suas comidas um pro outro e –

Blergh. Se havia uma coisa que a menina odiava ainda mais do que figuras de autoridade (e gente que tocava na sua comida), eram adolescentes bobas que se arrastavam pelos cantos de Hogwarts segurando a mão de seus namorados igualmente bobos e riam descontroladamente cada vez que eles faziam alguma piada ridícula (e ofensiva) sobre um elfo, um anão e um meio-gigante que entraram em um bar. Paixonite Aguda dando Febre das Risadinhas , ela costumava dizer.

Ela também chamava de burrice, às vezes. Porque era burrice. Elas tinham 14 anos, pelo amor de Merlin. Ela tinha perdido o seminário de iniciação ao “Garotos não são mais fisicamente repulsivos, mas na verdade atraentes”, e ninguém tinha avisado? Agora não era mais esquisito trocar bactérias pela saliva? Ela tava querendo mesmo dizer, a sério, que queria ter o aborrecimento de um namorado?

Seu irmão só tivera uma namorada, e, naquela época, ficara tão ridículo que Lara tinha se afastado dele por alguns meses. Ele, ao contrário de tudo o que seus pais lhe ensinaram, se gabava da (suposta) fortuna da família e do (falso) emprego que seus pais tinham no Ministério da Magia, mentindo pelos cotovelos para tentar impressionar uma lufana mais velha que não perdia a oportunidade de beijá-lo longamente na frente de qualquer um que passasse. Eles terminaram o namoro tão rápido quanto começaram, porque ela disse que queria se concentrar nos estudos e ele estava atrapalhando sua carreira acadêmica, e Lara teve que suprimir o sorrisinho que surgiu no seu rosto quando ele veio encontrar a irmã na biblioteca, arrasado, para contar tudo.

O idiota tinha tido sorte de não terem descoberto as mentiras dele, isso sim. Pensara, e não hesitara em falar isso pra ele, acrescentando que ele sabia bem demais o quanto era fácil descobrir que não havia nenhum Rosenberg no Ministério, já que ele mesmo descobrira essa informação quando tinha apenas doze anos. Ela sabia falar verdades inconvenientes com tato (eu juro!), mas dispensara qualquer dose de diplomacia quando ele resolvera caçoar dela por ter se ferido na aula de Trato das Criaturas Mágicas, rindo largamente da irmã na frente da namorada e de um grupo de seus amigos lufanos.

A conclusão era simples: namoros mudam as pessoas. Elas ficam mais bobas, mais sorridentes, e, geralmente, mais burras. Lena era o exemplo de foco e obstinação, e se as consequências de seu namoro com Gastón fossem que ela virasse uma das Risadinhas, então era melhor que as duas se despedissem ali mesmo.

Só que... ok. Não. Não queria perder sua melhor amiga. Elas estavam juntas desde o dia 01 de Hogwarts, quando Lara ainda achava que podia jogar quadribol e tinha ficado amiga de Lena por interesse, já que a menina mostrava uma clara aptidão para atividades físicas. Era um hábito seu que tinha sido difícil de largar, agregar pessoas ao seu círculo social por interesse (já que tinha visto seus pais fazerem isso por toda a sua vida), mas que ela já tinha abandonado quase que completamente, em parte com a ajuda de Lena, pois Lara quis continuar sendo sua amiga mesmo quando ficou claro que não tinha nascido para jogar quadribol. Gostava de seu humor seco, de sua força de vontade, de sua energia, e sempre se sentia melhor quando a amiga estava por perto, como se ela fosse uma faísca que a mantinha esperançosa, focada, virada para frente. Lena faria grandes coisas em sua vida, a menina estava certa disso.

O que esse namorado podia ajudar nisso? Ele só iria distraí-la. E provavelmente tirá-la do convívio de Rosenberg. Passou em sua cabeça, por um momento, uma intenção de separá-los, mas que foi imediatamente soterrada pelo pensamento de que ela não tinha, de jeito nenhum, o direito de interferir na vida amorosa da amiga. Ética, Lara. Ou algo equivalente.

Ficou um longo tempo sem falar, as sobrancelhas contraídas, olhando para a amiga como se esta fosse uma estranha que acontecia de estar ali ao seu lado.

- Eu te deixei sozinha por uma hora no trem. – Foi o que falou depois de alguns minutos. – Como diabos você conseguiu...?se meter numa confusão dessas? Queria dizer, mas achou melhor não.

Respirou fundo e desviou os olhos da amiga.

- Eu nunca pensei que você fosse esse tipo de garota, Lena. Que fica dando risadinhas com seu namorado por aí, totalmente esquecida do mundo. Isso explica porque você estava tão distraída no trem e nas carruagens.- Bufou, enquanto olhava pras suas próprias unhas, tentando demonstrar desinteresse e falhando miseravelmente. – Quem é ele? – Falou rapidamente, parecendo mais agressiva do que inicialmente pretendia.

Resumo: Lara fica um pouco confusa no início, mas logo entende o que a amiga quis dizer, ouve suas explicações sobre Gastón. Não gosta nem um pouco da ideia de a amiga estar namorando, e falha em tentar esconder isso.

Off: desculpa a demora, lê ._.

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Re: a story of boy meets girl

Mensagem por Elena Holdfeny em Sab Out 20, 2012 12:34 pm



Dia 1 de setembro. Dormitório da Sonserina. Após o banquete.

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Fria e calculista. Era como ela gostava de ver a si mesma. Não importava o que diziam sobre pessoas assim. Essas pessoas sempre pareciam-lhe melhor resolvidas aos seus olhos. E menos infelizes. Sentimentos e emoções lhe passavam a impressão de causar uma série de atos e comportamentos contraditórios nas pessoas. A inconstância de ser o que se realmente é lhe irritava. Parecia que o amor existia para destruir toda a beleza consequente de determinação e de objetividade. Quem inventou o amor provavelmente não saberia sequer explicá-lo.

A irracionalidade de tal coisa só parecia irrelevante quando pensava em todas as pessoas e coisas que amava. Amava seu pai, amava sua mãe e amava a Brad. Amava quadribol, tênis, natação, boxe e esportes em geral. Amava competições e desafios. Amava uma série de coisas, se fosse parar para pensar bem. E tudo o que amava parecia ter uma justificativa para ser amado. Tanto as pessoas quanto as demais coisas. Sempre acreditou que seu amor fosse racional, que fizesse algum sentido. Amava sua mãe, por exemplo, porque ela era sua mãe, logo: ela precisava amá-la. Amava quadribol pois a prática de tal esporte libera o neurormônio da endorfina no sistema nervoso que é o responsável pela sensação de prazer e bem estar, que é super relaxante, logo: era ótimo práticar esportes para relaxar.
Amava coisas as quais ela sabia explicar porque amava.

E para ela amor era assim: algo justificável, algo que exigia um motivo para existir, algo que deveria ser racionalizado.

Por isso era tão difícil assim para ela estar tendo aquela conversa com Lara. Ou talvez chamar aquilo de conversa fosse um pouco demais, já que a amiga parecia ter ficado muda após o desabafo de Elena. Respirou fundo e se ajeitou em sua cama. Lara era tudo, menos uma pessoa que reagia pacificamente a algumas mudanças. Ela sabia que, cedo ou tarde, a menina se manifestaria sobre a novidade. Apenas esperava que fosse logo. O olhar que ela lançava em Elena era um tanto desconcertante e desconfortável.

- Eu te deixei sozinha por uma hora no trem. Como diabos você conseguiu...? - e lá vinha chumbo grosso. Deixando sua frase acabar imcompleta, Lara respirou fundo e então desviou o olhar de Elena, antes de prosseguir. - Eu nunca pensei que você fosse esse tipo de garota, Lena. Que fica dando risadinhas com seu namorado por aí, totalmente esquecida do mundo.

Opa, opa, opa. Nem ela mesma pensava que era aquele tipo de garota. Aliás, ela sabia que não. Rapidamente assumiu uma postura mais defensiva. Sentou-se na cama, de perninha de chinês, voltada para Lara. Olhava para a amiga com um olhar não mais confuso, mas sim sério.

- Isso explica porque você estava tão distraída no trem e nas carruagens. – dizia com uma expressão desinteressada, mas bufou, deixando clara sua insatisfação.

Aquela não era bem a reação que ela esperava da amiga. Pensou em interrompê-la para explicar o porquê de sua distração, mas já tinha falado isso antes no trem com Lara: estava faminta, com sono e ainda irritada pela sua derrota. Apesar de boa sob pressão e lidando com seu organismo, sua mente ainda precisaria de muito trabalho e meditação para assimilar com menos rispidez e raiva que ela não podia ganhar todas. Queria dizer uma série de coisas para Lara, mas em toda sua vida pode aprender em vários momentos que diálogo não leva ninguém a nada. Lara já devia saber aquilo tudo. E deveria compreender também.

Lançando um olhar um pouco decepcionada para a garota, engoliu tudo que estava entalado em sua garganta e cruzou os braços. Não bastava ela estar se sentindo perdida e confusa na situação toda, Lara tinha conseguido fazê-la se sentir pior...

- Quem é ele? – rápida e agressivamente a pergunta saía da boca de Lara.

Ora, quem é ele! Ela não tinha falado quem era ele já? Tinha desabafado uma pá de coisas e não tinha dito quem era o garoto? Tentou lembrar-se de todo seu discurso, mas não conseguia. Odiava admitir para si mesma, mas provavelmente tinha deixado isso passar mesmo. Ela era péssima se expressando verbalmente, nada mais natural do que ter pulado algumas informações importantes.

- Gastón. – dizia séria, porém calma. -Saunière. Da Corvinal. – completava, sentindo a necessidade de não deixar dúvidas. - E eu não sou esse tipo de garota que você está destacando aí, cheia de preconceitos. Sou eu mesma, apenas vivendo e crescendo. Nada mais natural que isso... – dizia com um tom quase acusatório, torcendo para que aquilo pudesse atingir Lara de alguma forma. - Ter, talvez, um namorado não vai mudar quem eu sou. Nunca fui esquecida de nada, não vai ser agora que vou ser. E não tô entendendo essa sua reação assim tão... ofendida. – dizia a última frase com pesar.

Afinal, porque uma reação assim, meio hóstil, para cima dela? Ela não tinha contado que tinha matado, roubado ou feito mal algum a ninguém. Apenas que talvez estivesse se apaixonando ou já estivesse apaixonada. E que talvez já estivesse até namorando. Ou não. Tinha começado a conversa com a esperança de acabar com sua confusão, mas pelo visto, só iria arrumar mais confusão ainda...

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OFF:
LARA, ME PERDOA PELA DEMORA, eu sei que abusei da sua boa vontade, mas sorry. Eu vi a resposta ao post só recentemente e ando meio enrolada com mudança e com minha volta às aulas, daí acabei não respondendo antes. Me desculpa de verdade, fica livre pra postar quando quiser e quando puder, sem pressa! :/
Resumo:
Elena já confusa com sua situação, fica se sentindo um tanto pior ao ver a amiga ter uma reação inesperada sobre o que ela lhe contou. Um pouco irritada, um pouco confusa e um pouco decepcionada, ela dá continuidade a conversa, mas muda sua postura completamente, ficando mais defensiva.


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