Uma Grifinória na Sonserina

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Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Dohko Shevchenko em Qui Set 27, 2012 1:38 pm

Local: Dormitório Masculino do 7º ano – Sonserina
Data: 03/09/2012
Horário: à partir do amanhecer
Status: Aberta
Participantes iniciais: Dohko Shevchenko e Dorothy Auttenberg

“Paramos de procurar monstros embaixo de nossa cama quando percebemos que eles estão dentro de nós mesmos.” – Batman – O Cavaleiro das Trevas.

E tal frase não poderia deixar de ser uma verdade universal, ao menos na concepção de vida de Dohko Shevchenko. Há muito tempo que ele decidiu-se por parar de temer os monstros imaginários e passou a ser ele mesmo o monstro a ser temido. Ele era um garoto problema - exatamente o tipo errado de cara para se estar perto de qualquer garota. O tipo errado de cara para ser o amigo de qualquer cara. O tipo errado para atentar o tipo certo.

E Dorothy Auttenberg era o tipo certo de garota. Era pura e inocente. Era doce e se importava. Sentia as coisas na pele e ao mesmo tempo em que se escondia em recato, tinha uma ousadia feroz no olhar que era capaz de fazê-la imponente mesmo que fosse uma nanica e que intimamente Dohko levasse tão a sério quanto levaria um hamster.

Ele não acreditava em destino e nem nessa baboseira exotérica que o Diretor da Escola costumava ensinar e mais uma trupe de macacos de circo aqui e acolá chamavam Adivinhação, futuro e influência dos planetas. Não acreditava em sentimentos positivistas e utópicos como amor, afeição, amizade, carinho ou algo próximo a isso. E não sabia explicar qual então a ligação que ele tinha com aquela menina de nariz empinado e sorriso de anjo.

Tinha conhecido Dorothy no trem e não fizera a menor questão de ser divertido ou simpático. Na verdade, tinha sido um grosso, um intrometido e mal educado. Tratara-lhe pior do que se ela fosse uma escrava ovelha e ele fosse um dohtraki. E ela tinha todos os motivos do mundo para odiá-lo. No entanto, estavam ali, em uma festa, em pleno domingo bebendo derruba gigante e afanando coisas dos outros.

Ela não precisava dizer que estava bêbada. Aquilo tinha ficado bem claro para Shevchenko quando tomada por um brilho no olhar, sua Florzinha-inha dirigiu-se rumo a Anakin e desajeitadamente, como um elfo doméstico trapalhão, conseguiu furtar o isqueiro. Divertindo-se com a cena que ela provocara, de longe o sonserino assoviava e batia palmas indicando sua satisfação. Sua atitude poderia ser julgada como débil por quem estivesse por perto mas ninguém nunca ousou contradizê-lo antes – não na sua cara – e não foi a troco de nada que alguém resolveu fazê-lo.

Assim, ele assistiu a menina Auttenberg se afastar. Julgou-a fraca por isso, pensando que ela não mais voltaria mas em poucos minutos ela estava de volta ao seu lado como um filhotinho que pegou a bola atirada pelo dono. Parecia satisfeita consigo mesma e mostrou o isqueiro prateado do menino. Dohko apanhou a peça e acendeu um cigarro, jogando fumaça para cima.

- Troféu de guerra, minha querida. – e devolveu para ela – São os melhores...

Dorothy, porém, parecia mais branca que o normal e uma onda de vertigem passou por seu rosto e um segundo depois ela tinha caído desfalecida sobre Dohko. Sua reação instantânea foi ampará-la para que não caísse de cara no chão. Virou o rosto dela para cima, na direção da luz e constatou que ela tinha desmaiado por conta da bebida. Jogou a butuca do cigarro no chão irritado e tirou o cabelo grudado de sua testa molhada.

- Amadora.

Da última vez que algo assim aconteceu, o checo estava em Praga e jogou a mulher desmaiada numa vala no centro para que acordasse no dia seguinte coberta de mijo e aprendesse da próxima a controlar os seus limites. No entanto, ele tinha prometido que além de não abusar sexualmente dela também não iria permitir que outros tirassem vantagem de seu estado etílico. Não poderia deixá-la jogada num canto obscuro a mercê de algum tarado de Hogwarts. E acreditem ou não, eles eram vários.

Desta feita, o sonserino levantou a menina e a passou nos ombros como se fosse um saco de batatas, pois ele não tinha o expediente de sustentá-la como se ela fosse uma donzela em perigo. Ele simplesmente fez que nem Shrek.

Passou perto da mesa de comida e apanhou uma mão cheia de varinhas de alcaçuz e pôs no bolso e saiu pelas Masmorras. Seu primeiro pensamento foi levá-la para a Ala Hospitalar e deixá-la aos cuidados dos enfermeiros. Todavia, ele tinha a ficha podre e ninguém acreditaria que ele não tivesse sido o responsável pelo que quer que tenha acontecido com ela. Acabariam chegando à ele de alguma forma e ele não desejava ter que enfrentar outro inquérito ministerial enquanto estava cumprindo sua condicional.

Não podia deixá-la em nenhum canto tampouco. E não poderia levá-la até a grifinória. E muito menos ser pego com uma menina inconsciente depois do toque de recolher ou pensariam que ele estava tentando estuprá-la. A única coisa que ocorreu em sua cabecinha de trasgo foi levá-la consigo onde ninguém acreditaria que ela esteve: pra dentro da Sonserina.

Quando entraram pela passagem, a casa ainda estava aparentemente vazia pela exceção de Ùna, a bandida, seu pet de estimação e um outro rapaz para o qual ele não ligava a mínima. Estavam absortos em seus assuntos que não o perceberam e ele também não prestou nenhuma atenção ao que diziam. Subiu para o dormitório e deixou a moça no corredor só para verificar. Estava vazio e a cama de Salathiel tinha o dossel cerrado. Se ele estivesse ali não veria nada.

Pegou Dorothy novamente – que a essa altura tinha vomitado na blusa que vestia - entrou com ela no quarto, revirou a mala de Bo Wagtail de onde tirou uma camiseta da Brotherhood, fechou o dossel da própria cama, e lançou um feitiço abaffiato a fim de esconder qualquer som que pudessem fazer. Tirou a roupa vomitada da garota e vestiu-lhe com a camiseta do cantor, não deixando de reparar no quanto ela era bonita. E a deixou ali, deitada de barriga para cima, no canto.

Tirou a camisa e desabotoou a calça, deitando de bruços do outro lado, revelando sua imensa tatuagem de um dragão brigando com um trasgo nas costas. E apagou. Acordou várias horas mais tarde, quando o dia amanhecia, com a impressão de que estava sendo vigiado. Olhou para o lado, espreguiçando-se no meio das cobertas e ao ver que Dorothy estava acordada e com um olhar petrificado, sorriu feito uma mantícore e encarou-lhe com a mesma intensidade.

- Bom dia, florzinha-inha!

Resumo: Dohko leva Dorothy desmaiada para o dormitório da Sonserina e cuida dela durante a noite. Mas ele nunca vai admitir isso.

Spoiler:
[off]Eu pensei muito se isso seria cabível ou não. E cheguei a conclusão de que sim. Porque não são apenas alunos de Hogwarts que podem entrar nas Casas, Sirius Black era um ex-aluno quando invadiu a grifinória. Tá ele era Grifinório... Mas Harry e Rony entraram na Sonserina (por mais polissuco que tivessem bebido, de verdade não deixaram de ser impostores, então não vejo razão para que Dohko não tivesse conseguido trazer Dorothy desmaiada pra dentro da casa).

Quanto à presença dela no quarto, também não vi problemas porque Hermione mesmo vivia entrando no dormitório do Harry e Rony nas manhãs de natal e páscoa. Eles é que não podiam entrar no dormitório das garotas... E eu tenho plena ciência de que é contra as regras do Castelo isso. Mas é a índole do personagem, então, a gente arca com as conseqüências neh...

E não, ele não tocou em um fio de cabelo dela, ok?

Caso alguém queira entrar, fique à vontade, mas acho por enquanto ao menos, mais plausível que sejam alunos do sétimo que estão no dormitório xDD enfim... Suh, surprise rsrs[/off]


-
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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Dorothy Taylor em Qui Set 27, 2012 7:35 pm

Não precisou abrir os olhos para perceber que o cheiro de sua cama estava diferente, mas a consciência disso não bastou para que ficasse alerta, porque havia sintomas mais urgentes nos quais se concentrar: sua língua estava grossa, sua boca estava seca, seus músculos ainda estavam meio letárgicos e, por mais que suas pálpebras ainda estivessem fechadas, o mundo ainda parecia estar rodando.

Abriu os olhos, então, e para a sua estranheza percebeu que sua visão já estava de volta ao normal desse jeito. Voltou a fechar os olhos mais alguns segundos, mas descobriu que, ao contrário do que sempre pensou, álcool era péssimo para fazê-la dormir. Além disso, estava com o corpo meio dolorido, como se tivesse ficado tempo demais na mesma posição, e resolveu acordar de fato. No entanto, desta vez, quando abriu os olhos, detectou o corpo de alguém ao seu lado, através da sua visão periférica. Era Dohko. Ele estava sem camisa e dava para ver suas costas nuas, que tinham uma tatuagem bem assustadora. A cor de sua pele era meio bronzeada, e ela quis comparar com a sua própria, extremamente pálida, mas não conseguia mover um músculo sequer - mesmo que, dormindo, ele não parecesse ser intimidante. Pelo contrário, era até meio simpático.

Mesmo assim, nada conseguia explicar por que estavam na mesma cama. Com o coração descompassado, tentou lembrar-se do que aconteceu e de como fora parar ali. Forçou a memória por longos minutos, mas a última coisa da qual conseguia lembrar-se foi de tombar sobre o checo, quase como um abraço. Ou será que era um abraço? Será que eles tinham se beijado outra vez, e uma coisa tinha levado à outra, e agora estavam deitados na cama dele?

Foi inevitável olhar para a própria roupa, e isso só serviu para que ficasse ainda mais nervosa. Aquela camiseta não era sua. Por outro lado, aquela calça era, e estava muito bem fechada. Além disso, lembrou-se, que Dohko prometeu que não iria abusar sexualmente dela, e a garota acreditava nele. Não achava que o checo era realmente tão mau quanto ele pensava que fosse - poderia até ser uma impressão meio precipitada da sua parte, mas era muito intuitiva e confiava cegamente nessa sua habilidade. Além do mais, ele era um rapaz claramente experiente: por que diabos se interessaria sexualmente por ela?

Ainda estava tentando encaixar as peças daquele quebra-cabeças quando ouviu o cumprimento de Dohko. Ela se assustou e olhou para ele. Havia algo de ameaçador no sorriso do sonserino, mas ela estava tomada por uma vergonha tão grande que nem sentiu medo.

- Bom dia, Dohko - cumprimentou, com cuidado. Sua voz estava meio rouca e seu hálito certamente seria capaz de secar uma planta, por isso, cobriu a boca com as duas mãos e comentou, entre os dedos: - Preciso escovar os dentes - só então reconheceu que tinha compartilhado uma informação completamente desnecessária, e ficou ainda mais rubra. Em seguida, devagar porque ainda estava um pouco tonta, sentou-se o mais distante possível do rosto de Dohko e, meio trêmula, perguntou:

- Você tirou a minha blusa?! - mas, tomada por um súbito desespero, enfiou a cabeça na gola da camiseta (que tinha um cheio maravilhoso, mas não era o de Dohko), e emendou depressa: - Aliás, não me conta, por favor. - Até porque era meio óbvio e, claro, ele a tinha visto sem a blusa, senão como poderia tê-las trocado? E seria fácil deduzir o motivo: estava com um gosto de bílis muito característico na boca, então com certeza tinha vomitado em si mesma. Isso era tão desconcertante que achava que seria incapaz de olhar para ele de novo.

Pronto. Estava presa. Para sair dali, precisava tirar a cabeça da roupa, e seria impossível não olhar para ele se fizesse isso. Por este motivo, permaneceu lá, com as pernas cruzadas, no cantinho da cama, e com o rosto escondido, esperando que alguma solução milagrosa caísse do céu.

- Desculpe por tudo que eu te fiz passar - falou, com a voz abafada. - Juro que nunca mais vou beber.

Queria que Dohko soubesse como estava grata a ele, mas ainda estava desnorteada, um pouco assustada e muito envergonhada para fazer qualquer coisa.

Resumo:
Dorothy ficou confusa quando percebeu que estava na cama com Dohko, mas logo concluiu que o rapaz só a estava ajudando, porque tinha certeza que o checo, no fundo, era uma excelente pessoa. Mesmo assim, ficou morta de vergonha.

-
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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Salathiel Blackburn em Qui Set 27, 2012 11:13 pm



Naquela noite, tinha sonhado com sua falecida irmã Julia, o que para qualquer um seria certamente uma razão ótima para passar o resto do dia na mais profunda depressão, mas para Salathiel, ver novamente o rosto da garota depois de anos significava tanto quanto se tivesse sonhado com uma torta de chocolate e avelã. Pelo menos era assim que ele lidava com a ausência dela, ou seja, suportando sem sensibilidade. Costumava pensar, inclusive, que se Julia pudesse morrer de novo, ele não mais se entristeceria. Já era algo tão... distante...

Todos os dias, quando Salathiel acordava cedo - prática esta que independia do dia da semana - ficava ainda alguns minutos deitado em sua cama, olhando para o teto, porque tinha estudado que tentar relembrar os sonhos assim que se fica consciente ajuda a não esquecê-los, e por mais que confessasse não se importar mais com a morte de sua irmã, aproveitava as oportunidades que tinha para lembrar de seu rosto. Era uma forma inconsciente de mantê-la sempre viva na memória.

Naquela manhã, enquanto fazia exatamente o que fazia todas as manhãs ao acordar, ainda deitado, Salathiel esperou ouvir os passos de seus colegas de dormitório avisarem que estava sozinho, mas uma voz feminina decididamente despertou seu interesse, perturbando seu torpor matinal diário e invadindo sua mente. Podia não ter dado tanta importância a Dorothy Auttenberg dois dias antes no Expresso, mas ele sabia guardar um nome e uma voz, e aquele timbre era definitivamente o dela na sua cabeça.

Apesar do fato de ela estar ali ser curioso, Salathiel não estava interessado nisso. Tampouco achava relevante o fato de ser Dohko quem acordava com ela. A verdade era que a atenção do sonserino era extremamente seletiva e as razões que levaram ambos a estarem em quaisquer condições (ele não podia ver, pois sua cortina ainda estava fechada) pareciam nada importantes diante do simples fato de Dorothy estar ali e pronto.

Intrigado (do seu jeito de se intrigar), levantou-se calmamente - enquanto ouvia a grifinória espantar-se com algo em relação à sua blusa - e vestiu a camisa de mangas compridas de seu pijama verde-escuro, uma vez que achava pouco apresentável aparecer sem ela. Além disso, era provável que todos no recinto ficassem cegos, de tão branca que era a pele de Salathiel, de modo que mais parecia um defunto andante. Vestido, sim, era melhor.

Abriu suas cortinas e percebeu que a de Dohko ainda estavam fechadas e que quanto mais se aproximava dela, maior era o zumbido em seu ouvido. Sabia que poderia encontrá-lo semi-nu, afinal, dividia dormitório com o checo havia anos e por mais que durante muito tempo tenha ignorado completamente sua existência, sabia que o rapaz tinha modos questionáveis, mas isso não fazia a mínima diferença: abriu o dossel com a maior tranquilidade do mundo e olhou para os dois, com seu olhar mais característico, interrompendo Dohko antes que ele pudesse responder à última fala da grifinória.

- Dorothy. - Chamou-a pelo nome certo, com sua voz de veludo - A blusa lhe caiu bem. - Salathiel trazia consigo sua varinha em uma das mãos. Virou-se para o colega de quarto e esteve prestes a lhe dar instruções sobre o que fazer para ajudar a curar a ressaca de Dorothy, mas percebeu que seria como ensinar um cachorro a falar. Então deu um passo à frente, conjurou um copo simples de vidro e o encheu com água em seguida, oferecendo-a à garota. - Tome.

Ela obedeceu ficando consideravelmente rubra e em completo silêncio. Então Salathiel voltou-se para Dohko:

- Eu não sabia que você tinha preferência pelas mais novas. - Não havia um tom de reprovação ou de provocação nas palavras do sonserino, na verdade ele falava realmente como se só estivesse fazendo uma constatação, até porque pouco lhe importava se algo tivesse acontecido entre os dois ou não, ainda que o fato de Dorothy ter apenas quinze anos pudesse ser reprovador para outros pares de olhos. - E o Abaffiato não foi muito eficiente caso a sua intenção tenha sido escondê-la.


RESUMO: Salathiel acorda naquela manhã e escuta os pensamentos de Dorothy. Juntando 1 + 1 + o fato de que ouvia um zumbido da direção do dossel de Dohko, vai até lá e encontra os dois.
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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Bran St. Ledger em Sex Set 28, 2012 12:20 am

O sol ainda espreguiçava-se no horizonte de Hogwarts quando Bran acordou naquela manhã. O sono infalível como um rochedo daquela noite foi embalado por sonhos os quais o moreno esquecera assim que esfregou os olhos e se levantou, tateando toscamente o caminho em direção ao banheiro comunitário.

Olhou-se no espelho, espremeu uma pequena espinha no queixo e ficou analisando a barba rala que crescia sem qualquer indício de torná-lo bonito, fazendo-o ponderar se devia ou não fazê-la. Decidiu que não, por pura preguiça, e já se preparava para entrar embaixo do chuveiro quando ouviu, do dormitório, uma conversa e – pior – uma voz feminina. Correndo, vestiu novamente a samba-canção e a parte de cima do pijama; escancarando a porta. E, por Deus, naquele momento seus olhos deviam tê-lo traído.

Ali, sentados na cama em frente a dele, Dohko e uma garota da Grifinória. O norte-irlandês franziu o cenho para ter certeza do que enxergava, tentava racionalizar inutilmente qualquer motivo para ter uma garota – da Grifinória – no seu dormitório. Estupro consentido? Rapto? Tortura medieval? Invasão de Hogwarts por alienígenas? Conspiração mundial? Não, nada disso, era pior, muito pior. Os dois aparentavam conversar como um casal de velhinhos passando as férias em uma pousada de veraneio e que tinham decidido acordar cedo para aproveitar o dia, fazer caminhada e jogar bingo antes do almoço. Poderia ser essa razão se a poça de vômito na entrada do dormitório não dissesse o contrário.

-Mas que droga é ess-- - O olhar perdido pendeu dos dois até o resto dos sonserinos que dormiam, ou quase. Bran ficara um pouco menos desnorteado ao ver que não era o único ali vendo aquela cena. Salathiel levantou da sua cama e caminhou até os dois e, mesmo que já esperasse pelo pior, o garoto St. Ledger se surpreendera, outra vez, numa mesma manhã, em um espaço de tempo que nenhuma lei da física permitiria.

Seis anos em Hogwarts, seis benditos anos e aquela escola ainda parecia tão distante do garoto como no primeiro dia que pisou ali, colocou um chapéu sobre a sua cabeça redonda e recebeu olhares enviesados de uma mesa verde-prata. Hogwarts, meu amor, eu te odeio.

Quando recuperou os sentidos, seus olhos encontraram com o de Piers, sabia que a expressão no rosto do amigo era a mesma que ele apresentava frente aquilo. Suas pernas formigaram e Bran andou em passos curtos até ficar em pé ao lado da sua cama, como um contrarregra tentando fugir de um desastre teatral. Cruzou os braços, olhou para o vômito seco no piso e sorriu, do modo como sua mãe o ensinara a fazer quando chegasse o dia em que todo o sentido do mundo tiver sido destruído.

Criam a criança com amor e carinho, trocam fralda, ensinam as coisas, colocam na natação, levam na Disney, aí ela cresce e vomita no seu quarto.

Ergueu os olhos e agora encarava diretamente a garota, o sorriso débil permanecia em seus lábios.

-Então... ele te chama de florzinha-inha?

Ouvir a própria voz era como encontrar a sanidade em um pote de bolachas. O sorriso, agora, alargara-se e ele ria infantilmente. Rir era a única coisa consciente que ele podia fazer.

resumo:
E Bran encontrou os dois, teve um piripaque, mas logo se recuperou e terminou sendo Bran.
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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Piers Ainsworth em Sex Set 28, 2012 1:14 am


Só não tinha sido a pior noite de sua vida porque se lembrava de ter tido dor de ouvido e dor de dente simultaneamente uma vez aos doze anos de idade. Na ocasião, sequer podia afundar o rosto no travesseiro e fingir que o mundo não existia porque o dente latejava e porque seu irmão, o maldito, resolveu que era um bom dia para contar sobre como tinha sido bom ir caçar com o pai deles e os Fairbairn. Além disso, depois de ter chegado no dormitório, enterrado o rosto solenemente no travesseiro como se fosse um ritual pagão mais eficiente que Belthaine ou qualquer um desses outros, e depois de uma meia-hora da tequila ainda revirando suas vísceras, o mundo ao redor dele escurecido e esquecido, apagou de pura exaustão.

Sonhou com qualquer coisa que não ia se lembrar mesmo, o que significava que não tinha importância nenhuma, e tudo o que ele queria era acordar, ir ao banheiro, poder escovar os dentes e depois tomar um banho e fingir que tudo era normal, voltar a ser stalkeado pela tarântula, assistir suas aulas e pronto. Só isso. Era o normal, era de se esperar que Hogwarts pudesse oferecer isso a ele - estava no maldito folheto da escola, tinha seus direitos, pelos pregos de Cristo! Mas não, é claro que não. Aquela escola nunca o decepcionava, só que ao contrário.

Após acordar de súbito, com alguma interferência externa que seu cérebro se negava a processar, esticou a mão num hábito já adquirido há anos, até que Nancy subisse por ela e estacionasse em seu ombro. Era bom, aliás, que a tarântula não fosse dada a frescuras, porque ele sabia que seria emasculado se fosse para qualquer lugar sem ela (e com um palito de cabelo) e nunca estava disposto a se trocar e parecer decente antes de um banho, era bom, portanto, que ela não se importasse em escalar seus ombros nus, ao menos ele usava a calça do pijama, devia ser o suficiente.

Foi só quando um zunido de fundo, o que devia ser os barulhos matinais de ambientação, começou a soar agudo demais e que ele percebeu que Nancy em seu ombro girava os oito pares de olhos (anos com a tarântula, ia perceber até se ela sorrisse) que finalmente as vozes começaram a fazer sentindo.

E o marquês de Haywood ficou sentado, sem camisa e com as calças tortas, o cabelo uma bagunça, a cabeça caída para um ombro, tentando entender se aquele era um dos sonhos vívidos, enquanto conversas sobre botânica e água corriam ao seu redor.

Mas por mais que piscasse, não acordava. Não estava disposto a tentar a técnica do suicídio no Sonhar para acordar no Mundo Real, não era dado a essas coisas nem no plano das ilusões, quanto menos no Sonhar, o que significava que sim, aparentemente estava sentado em sua cama no dormitório masculino do sétimo ano e tinha uma menina conversando com Dohko Shevchenko, vestido só a camisa dele e sendo chamada de florzinha-inha como se... como se... não, era melhor não terminar aquele raciocínio, seu cérebro podia travar. A primeira coisa que ele fez foi olhar para Nancy, fazê-la ter certeza de que ele não tinha nada a ver com isso e que, portanto, se sua dona resolvesse castrá-lo, seria prematuro e inverídico.

Não tinha certeza se seu cérebro, já fustigado demais, tinha o necessário para suprir a demanda por entendimento e esclarecimento, então só levantou ainda meio em choque, o cenho franzido em uma careta que era mistura de sono e de "o que que está acontecendo aqui?" e ficou mudo e parado como um pardal em um poste de luz com a cabeça tombada, só tentando fazer algum sentido. O vômito seco foi de grande ajuda nessa tarefa, reconhecer a garota como uma grifinória (e não, naquelas condições ele sequer podia pensar em algum nome) foi um bônus.

Ainda estava assim, sentindo na língua o gosto de mau hálito, olhos meio pregados e um cabelo que parecia ser uma ode a um ninho de ratos, calça do pijama torta e peito descoberto quando encontrou o idêntico olhar de Bran e percebeu que Karsten Alleborn, conforme se lembrava o nome da cerimônia de abertura, saia calçando sapatos e enrolado em um roupão como uma dignidade invejável, para fora do dormitório masculino, provavelmente para perguntar ao chefe da casa quando é que tinha sido permitida uma coisa dessas ou sei lá o que. O parente dele era monitor, devia resolver essas coisas também. Não queria saber, seu cérebro se recusava a processar isso antes de um copo de café, sem açúcar.


-Então... ele te chama de florzinha-inha? - a voz do norte-irlandês soou estranha como um rádio fora da estação, mas foi o suficiente para funcionar como um soco no estômago e soltar toda a histeria contida por diversos motivos, entre eles sua futura emasculação porque Dohko Shevchenko e Salathiel Blackburn acharam que era divertido brincar de casinha no dormitório masculino com uma aluna que provavelmente tinha bebido até passar mal e vomitado no dormitório deles. Vomitado. Não podiam tê-la deixado aos cuidados de uma amiga? Certamente alguma colega que fosse cuidar dela e não levá-la para a toca de lobos setimanistas, oferecendo risco à integridade física e moral da garota. Ou a monitora da Grifinória, a sobrinha do Del Aguirre? Ou mesmo a Ala Hospitalar, ele sabia o suficiente que as enfermeiras e medibruxos não puxavam ficha dos alunos. Qualquer lugar, menos levar a menina e enfiá-la em uma camisa de homem no dormitório masculino da sonserina.

Ele não ia gostar de aparentar ser um estuprador quando a família dela processasse a escola e todos os setimanistas apadrinhados por Salazar. Não.


Dor de dente, Haywood, dor de dente... - tentou lembrar a si mesmo enquanto respirava fundo.

Mas acabou rindo junto com o amigo, aquele riso que era uma mistura de histeria, desespero, choque e falta de entendimento, dentes tortos e sem escovar aparecendo. Mas depois que o som da sua risada cessou e a sanidade bateu como uma mãe exigente em sua fronte, ele percebeu que devia fazer alguma coisa.


- Ô, Florzinha... - seu cérebro também o ajudou a recolher suas roupas e sentir que pisava em chão gelado - e Shevchenko... olha, nem quero saber, mas se eu fosse vocês sumia antes do resto do pessoal acordar, monitores e o chefe aparecer, Merlin dançar a hula ou todas essas opções. Porque se o enternado do quadro que vigia essa birosca deixou você e a menina passarem é só porque estava preparando o banquete pra mais tarde.

Recolhendo o que restava de sua dignidade, calçou os chinelos e respirou, tentando fazer o mundo parecer normal. Era bom em fingir essas coisas, muito bom.


Resumo:
Depois de apagar como uma pedra, Piers acorda assombrado para a visão de uma garota e Dohko Shevchenko conversando na cama dele. Consegue recuperar um pouco o choque e ainda tenta oferecer um conselho - provavelmente com a própria saúde física e ficha limpa em mente.

-
She was the sun, shining upon
The tomb of your hopes and dreams so frail
He was the moon, painting you
With its glow so vulnerable and pale.

The funeral of
hearts and a plea for mercy.


[ficha] - [masterlista]
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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Salathiel Blackburn em Sex Set 28, 2012 12:39 pm



Definitivamente, a decisão de Dohko de levar Dorothy para o dormitório masculino não tinha sido a das melhores. Salathiel não sabia de que casa era a menina de quinze anos, pois quando a tinha conhecido, no Expresso, não descobrira essa informação - apenas a de que ela vinha de Durmstrang - e também prestava pouquíssima atenção na seleção do banquete, mas de uma forma ou de outra, alguém do sexo feminino no dormitório dos homens (e, pior, na cama de Dohko Schevchenko) não era uma boa coisa. E se ele soubesse com certeza que Dorothy era da Grifinória, então poderia tirar mais ainda a razão do colega checo.

- Dude, já te falei que prefiro as coroas... - E depois ficou de pé ao lado da cama, esticando os braços - Mas alguém tem que ensinar as novinhas, não é? No fim é tudo mulher.

Salathiel respondeu-lhe com um sorrisinho muito discreto, ainda que discordasse de pelo menos 98% das crenças do checo. Tinha percebido que podia se aproveitar da inteligência parva do colega, então quanto menos discordasse dele mais conquistaria sua confiança, e assim tornaria o brutamontes um fiel aliado, ou melhor: um cão bem treinado. Blackburn não precisava de um guarda-costas or something, mas o quão pouco tedioso seria usar a ousadia e a força de Dohko para seus próprios fins?

Antes que pudesse continuar com a conversa, porém, ouviu pensamentos distorcidos se tornarem mais altos em sua cabeça. Não conseguiu identificar nada, mas nem precisou. Em poucos segundos, outros colegas de dormitório se aproximavam, mas Salathiel não se lembrava do nome de nenhum deles, ainda que reconhecesse claramente seus rostos pelo simples fato de estarem sempre ali. Sabia que um deles era o marquês de Haywood e outro tinha o sobrenome St. Ledger, todavia, o nome ao qual atendiam era completamente indiferente para Blackburn, assim como suas presenças.

E teria continuado desse jeito se não fosse a fala do marquês, algo que começou com "blábláblá", terminou com "bibibi", mas que no meio de tudo teve a seguinte frase:

- (...) mas se eu fosse vocês sumia antes do resto do pessoal acordar, monitores e o chefe aparecer, Merlin dançar a hula ou todas essas opções...

Ainda que fosse verdade, quer dizer, Maor Coen não ficaria muito satisfeito em ver as regras sendo quebradas - pelo menos era o que Salathiel pensava, visto que ainda não havia tido aulas com o novo professor e só descobrira seu nome na noite do banquete. Entretanto, o sonserino não tinha apreciado muito o fato do garoto se intrometer (como ele próprio fizera, mas isso não vem ao caso) e ainda resolver ameaçar os presentes. Quanto ao outro colega estranho, Salathiel pouco se importava se ele achava a situação engraçada ou não. Acabou, por fim, apontando a varinha para Dorothy e dizendo:

- Silentio.

Do pouco que conhecia a garota, sabia que ela podia se entregar facilmente, ainda mais de ressaca e com álcool ainda correndo pelas veias. Depois disso, virou a cabeça lentamente para encarar o marquês do seu lado:

- Para a satisfação das duas partes, e maior da minha, você não é nenhum de nós. - E se voltou para Dorothy, fitando-a da mesma maneira séria que fizera dias antes no Expresso, quando queria mandar que fizesse algo - Agora saia.

Nesse ínterim, Dohko tinha ido atrás de alguém (levando-se em conta que Salathiel não tinha percebido que outro garoto estava saindo do dormitório) e levou um belo tombo escorregando no vômito de Dorothy, fazendo coro às palavras de Salathiel ao dizer para que a garota saísse mesmo. Seria o melhor pra ela, porque provavelmente as coisas não iam ficar muito boas dali pra frente.




RESUMO: Ao perceber que mais gente havia se aproximado para ver a atração da manhã, Salathiel percebe que a presença de Dorothy não é mais bem-vinda no dormitório e literalmente ordena que ela saia.

OFF: A fala/ação de Dohko foi autorizada e fornecida pela Cella e o feitiço em Dorothy não precisou de dado pois também foi autorizado pela Su. Continua no post deles.
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Salathiel Blackburn
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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Dorothy Taylor em Sex Set 28, 2012 1:24 pm

Antes que Dohko pudesse dizer qualquer coisa, Dory ouviu alguém abrindo a cortina e teve que colocar um dos olhos para fora da camiseta, para averiguar quem poderia ser. Ficou totalmente petrificada: era Salathiel, o rapaz sedutor, porém psicopata, do expresso de Hogwarts. Se a garota não fosse tão inocente, até poderia ter rido da situação de ter os dois homens, com os quais tivera algum tipo pálido de proximidade amorosa, ao redor de si na cama. O que aconteceu de fato, porém, foi uma grifinória mil vezes mais envergonhada. Qualquer pessoa no universo, conhecendo Dohko e sem ter a menor ideia de quem era aquela garota, recém-transferida de Durmstrang, ao vê-los juntos naquela situação, com certeza não acreditaria que ele só estava tentando ajudá-la. No que será que Salathiel estava pensando? No entanto, o ruivo foi gentil como havia sido no trem e ofereceu a ela um copo de água, recém-conjurado. Ela, então, lembrou-se de como sua boca estava seca e apenas pegou o copo com as duas mãos e bebeu avidamente, ainda olhando para ele, tentando entender o que ele estava sentido. Como da outra vez, contudo, deparou-se com uma muralha impenetrável.

Olhou de esguelha, então, para Dohko, querendo saber como ele reagiria às palavras de Salathiel, e aquele acabou se comportando da mesma forma que agira no expresso: como o machista nojento, o que até a atrapalhou a saborear o elogio que o ruivo tinha feito, sobre a camiseta. Desta vez, contudo, Dorothy não sentiu raiva, porque tinha certeza que ele só tentava manter a sua fama de asqueroso e perigoso, até porque ela ainda estava encantada com a postura surpreendente que o checo tivera para consigo.

No entanto, as coisas começaram a realmente piorar, já que os outros garotos do dormitório da Sonserina também apareceram. Um deles, perguntou se Dohko a chamava de “florzinha-inha”, com um tom de zombaria que a grifinória não percebeu, então ela apenas concordou com um lento aceno de cabeça, enquanto seus olhos pareciam-se cada vez mais com dois pratos, de tão arregalados. Outro, ainda, que parecia ser até gentil (mas nunca se sabe, né? É sonserino...), a aconselhou a sair dali o mais depressa que pudesse.

Ela olhava de um lado para o outro, ainda meio desnorteada e sem processar direito o que cada um dos sonserinos estava dizendo. Quando resolveu finalmente agir e colocar em pé na cama para defender a honra de Dohko (o que provavelmente serviria para arruiná-la, ao invés de reconstruí-la), ouviu Salathiel usar um feitiço contra si que a impedia de falar uma palavra sequer. Chegou a testar a voz, mas de fato, não conseguiu pronunciar um “A”. Olhou para ele com um enorme ponto de interrogação no rosto, mas estava tão absolutamente desbaratinada que logo concluiu que ele estava fazendo isso para ajudá-la, embora não conseguisse reconhecer como isso poderia ser útil. Até porque, precisava falar para praticar feitiços, então estava completamente desarmada. Foi quando, do seu jeito frio e assustador de ser, Salathiel foi bastante ríspido com o sonserino gentil e loiro, antes de dizer para ela:

- Saia.

Por mais que tivesse sentido um arrepio enorme na coluna diante daquela ordem, Dorothy manteve-se firme na cama. Sabia que ele poderia ler seus pensamentos, caso quisesse, então tentou explicar para ele que tinha sido a causa daquela desordem inteira e agora não podia simplesmente fugir, como uma covarde. Precisava ficar, para ajudar Dohko a explicar tudo que tinha acontecido, e assim com certeza todos iriam entender que não tinha motivo nenhum para tamanha comoção. Além disso, precisava esclarecer a todos que tinha sim dormido com o checo, mas apenas no sentido inocente e literal da palavra.

No entanto, logo ouviu a voz de um Dohko caído, mais à frente, dizendo que ele tinha cumprido a sua parte no combinado e agora ela deveria sair. Já eram três pessoas a expulsando do dormitório, mas isso não importava: o que a fez levantar-se e sair correndo em disparada, descalça, rumo à saída não só daquele lugar, mas, com sorte, também da Sonserina, foi o fato de que era o próprio Dohko quem pedia. Isso porque só então percebeu que sua presença poderia complicar a vida do rapaz ainda mais, caso o chefe da residência aparecesse e simplesmente desse de cara com ela ali, ao invés de ajudar, como estava cogitando minutos atrás. Mesmo que fosse muitíssimo difícil que o chefe notasse que ela não era sonserina, já que era novata, continuava sendo uma garota no dormitório masculino.

Mesmo assim, ficou incomodada com o que Dohko tinha dito. Então ele só estava sendo legal com ela por causa de um combinado? No fundo, ela realmente esperava que tivessem se tornado amigos, porque agora sabia que ele era uma boa pessoa e, independentemente de seus motivos, nutria gratidão por ele.

Olhem, no entanto, o lado positivo: agora Dorothy tinha uma camiseta de Bo! Todas morreriam de inveja.

Resumo:
Dorothy é silenciada por Salathiel e depois de ter sido expulsa do dormitório por ele, Piers e Dohko, resolveu tentar fugir, antes que alguma coisa mais séria acontecesse


OFF: Dado para escapar xD

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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por RPG Enervate em Sex Set 28, 2012 1:24 pm

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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Piers Ainsworth em Sex Set 28, 2012 7:19 pm


Alistair não sabia, mas aquele ia ser o pior dia de sua vida. Ia ganhar disparado do dia em que a dor de ouvido andou em sincretismo com a dor de dente e ia ganhar ainda de algo bem recente, nessas últimas férias, na última festa que os pais dele deram, provavelmente procurando moças em idade nubente para ele e Cormac. Ia ganhar de longe, de lavada, como um cavalo em uma corrida que disparasse como uma bala após o som do disparo, deixando os jóqueis concorrentes e os outros cavalos a comer, literalmente, a poeira de seu sucesso.

Aquele dia era esse cavalo vencedor.

Não era só por conta da confusão no seu dormitório, isso só tinha contribuído como uma aviso, sinistro e grave, do que o resto do dia tinha guardado para ele e, se soubesse, talvez o marquês tivesse se recusado a se levantar da cama e dar ao destino a satisfação de transformar sua vida em um inferno. Ele, claro, não sabia de nada, então só observava por trás de olhos azuis o prelúdio do seu apocalipse particular.

Ergueu uma sobrancelha loira, os braços cruzados à frente do próprio corpo, quando finalmente decidiram emprestar atenção a ele e todos os outros colegas de dormitório que tinham despertado. Fazia parte de sua natureza, como ele bem andava descobrindo, abrir a boca e soltar conselhos baseados em pura racionalidade, especialmente quando era algo que podia implicar sua pessoa. Era por isso que tinha falado, e também porque, de verdade, sentia dó daquela menina. Não se lembrava do nome dela (era um milagre que se lembrasse de qualquer coisa, na verdade), mas tinha na mente a recordação do banquete e da apresentação dos novos alunos, incluso os transferidos, e que ela tinha vindo do Instituto Durmstrang e sido designada para a Grifinória.

Agora, a pobre menina se encontrava metida só em uma camisa masculina, na cama de um dos alunos sonserinos que não tinham uma boa reputação, completamente perdida e um pouco apavorada. Para sorte dela e de sua dignidade pessoal, a poça de vômito seco no chão sustentava rigorosamente um álibi para qualquer besteira que alguém pensasse sobre ela, mas não fazia nada para remediar o fato de que ela estava quase nua em um dormitório cheio de garotos com hormônios em fúria e que aquilo era perigoso para ela - tanto quanto era perigoso para todos eles, imagina as conversas e acusações quando os outros descobrissem, imagina o que Ùna faria à sua saúde se pensasse por um segundo que ele tinha algo a ver com aquilo!

Então, foi de braços cruzados e uma estupefação que só encontrava reflexo em seu enfado e pena que ele ouviu aquilo que Salathiel lhe dizia, sem sequer poder fazer algo quando ele lançou um feitiço que emudeceu a menina. Porque, é claro, não bastava encontrar uma garota recém-transferida que provavelmente tinha se embebedado na noite anterior e que não podia responder por seus atos ali, não! Também iam encontrá-la seminua e muda. Claro. Só começava a melhorar.

(Nancy, a pobre, abandonou seu ombro e sumiu pela porta do dormitório, provavelmente tinha decidido que era enfadonho demais ou absurdo demais, resolveu que o pescoço de Ùna era melhor que aquilo tudo, qualquer coisa dessas, ele não teve tempo para analisar as minúsculas expressões da tarântula.)


- Para a satisfação das duas partes, e maior da minha, você não é nenhum de nós. - Blackburn falou, um olhar seco e talvez duro em sua direção que não fez mais do que erguer aquela sobrancelha loira quase na altura da raiz do cabelo do Ainsworth. Porque, claro, ele tentava aconselhar e ainda levava uma patada daquelas. Claro, o mundo não fazia sentido mesmo.

Spoiler:

Entretanto, tudo o que ele fez, as palavras passando por ele como água porque nenhuma delas jamais se compararia àquelas que sua guardiã tecia em lábios bonitos, foi erguer os dois braços em um claro sinal de oração, e falar um audível e muito aliviado
"Graças a Deus que não!", para logo depois ver a garota passar correndo pela porta do dormitório masculino.

Ele ainda tentou ir atrás dela, chegou até a dar meio passo e a pegar o robe sobre o baú para emprestar a ela com pelo menos instruções de como sair de lá, mas viu Shevchenko escorregando em algo que ele não queria saber no chão e, quando sua atenção retornou ao que devia, ela já tinha sumido pela porta do dormitório.

Oh-oh.

Uma grifinória, novata em Hogwarts, que não fazia ideia de que os corredores da Sonserina não eram como os outros. Eram, literal e não figurativamente, um labirinto. As salas não tinham janelas porque viviam trocando de lugar conforme os corredores se movimentavam, nenhum cômodo era ligado ao outro diretamente, precisando sempre atravessar o maldito labirinto para se chegar a algum lugar. E se era difícil para os sonserinos decorarem o caminho quando os corredores trocavam, quem diria para alguém que nunca tinha pisado ali, confusa, descalça, vestindo uma camisa, muda e com uma provável ressaca? Teve pena da garota, mas aquilo já não estava mais em suas mãos.

Como Salathiel Blackburn bem o tinha lembrado, ele nada tinha a ver com aquilo, realmente.

(E se quisesse, podia processar Hogwarts por ter sua intimidade invadida daquele jeito, cadê a segurança prometida nos folhetos? Ia ter que começar a fazer uma lista dessas coisas, podia ganhar algo com isso.)

Portanto, lavando suas mãos do problema em questão e tendo certeza de que já tinha feito o suficiente, já que seu conselho tinha sido desprezado sumariamente além de terem lhe dito sem rodeios para não se meter naquilo, fuçou em suas coisas até achar um pente e, como já estava mais do que atrasado e teria que diminuir suas abluções matinais (seu banho, adeus, só depois do almoço agora), voltou a se sentar em sua cama e começou a pentear o próprio cabelo.


- Ô, St. Ledger, bota uma calça aí, a gente já está atrasado, daqui a pouca ela vem aqui me buscar pra ver o que está errado, se a gente demorar muito mais.- Piers não precisava explicar ao outro quem era ela, todo mundo sabia.

E se finalmente notou que havia a falta das zombarias de Del Aguirre porque o mexicano não estava lá, não falou nada, Del Aguirre parecia ter sido uma pessoa que roubou a caixa da Sorte na fila antes de encarnar.


Resumo:
Como ninguém realmente estivesse interessado no que ele tinha a dizer, como também já tinham deixado bem claro que ele não tinha nada a ver com isso, e mesmo tentando ajudar a menina sem, contudo, conseguir, Piers decide que as coisas já não estão mais em suas mãos e vai cuidar da sua própria vida (antes que sua guardiã a ceife dele.)

-
She was the sun, shining upon
The tomb of your hopes and dreams so frail
He was the moon, painting you
With its glow so vulnerable and pale.

The funeral of
hearts and a plea for mercy.


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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Dohko Shevchenko em Sab Set 29, 2012 1:03 am

Dohko não era um rapaz muito esperto, ele era mais força e músculos do que diplomacia e sabedoria. Se quer sabia o que era ponderação. E ele agia trogloditamente como se isso fosse o correto, porque bem, para ele era o correto e pronto. Sua opinião era de que regras nasceram meramente para serem quebradas e ele não costumava pensar muito nas conseqüências de seus atos impensados.

Trazer Dorothy para o dormitório masculino da Sonserina tinha sido a coisa mais legal que ele já fez por alguém na vida. E não porque se importava, mas porque tinha prometido. E por mais boçal que ele seja, quando assume um compromisso, ele vai até o fim. A paralisação de Dorothy não durou muito, pois em questão de minutos ela já tinha voltado a se comportar como a florzinha-inha que ele conhecera no trem.

Seu comentário sobre escovar os dentes não afetara em nada a concepção do checo sobre a garota que naquela hora da manhã ele não sabia bem ao certo qual era. I mean, Tico e Teco ainda não tinham acordado direito e estavam na malemolência de uma segunda-feira pós férias e pós festa...

E enquanto ela lançava milhares de perguntas – foram umas duas ou três – mas para ele, era o equivalente à milhares, sua mente estava longe dali, divagando absurdamente sobre o que fazer. Porque bem, sempre que acordava com uma garota em sua cama, ele simplesmente levantava e ia embora sem dizer palavra. Aquele fato era inédito porque além de ser a primeira vez que partilhara o leito de uma moça e não tinha feito nada, era a primeira vez que ele simplesmente não podia levantar e sair andando catando suas roupas pelo chão.

Foi quando Salathiel Blackburn simplesmente achou que tinha o direito de abrir as Portas da Esperança e abriu o dossel de sua cama. Dohko ficou sentado de um salto, fechou a calça jeans por debaixo das cobertas e cerrou os punhos de forma ameaçadora. NINGUÉM ABRE O DOSSEL DO CHECO! Teria metido um soco na cara do intrometido almofadinha mas sua ação tinha chamado a atenção de todo o dormitório masculino, aparentemente.

E diante das risadas de Bran St. Ledger, ele se sentiu humilhado, uma vez que toda a sua brutalidade estaria questionada se ele saísse por aí dizendo que Dohko Shevchenko, o cara que quebrou a cara do ex-artilheiro da Grifinória com um bastão de quadribol em pleno jogo e perdeu a capitania por isso, tinha uma florzinha-inha. Aquilo era péssimo. Ia faze-lo parecer maricas.

Seu sangue ferveu nas veias e seu punho se fechou mais ainda, quando Piers abriu a boca para dar conselhos que por mais prudentes que fossem, não fazia o menor sentido na cabeça oca de Dohko. Ele achava sim que tinha protagonizado um ato heróico e não ia deixar que nenhum daqueles caras contradissessem.

Estava de pé ao lado de sua cama quando um dos garotos, um com cara de entojado se levantou, enrolou o corpo cheio de pudores num roupão e tentou sair do dormitório. MAS NÃO VAI MESMO! FOFOQUEIRO!

O reflexo rápido de Shevchenko fez com que pulasse sobre o mancebo e ia encher a cara dele de porrada gratuitamente só por ter tentado sair do local, porque bem, se ele ia se dar ao trabalho de sair de roupas de dormir é porque ia atrás de alguém para tagarelar. Dohko não conhecia Karsten Alleborn e para ele pouco importava o nome de alguém se decidia descer o braço. Agarrou a gola do robe do rapaz. No entanto, o novato fora rápido e lançou um estupefaça no checo que desviou jogando-se para o lado.

E no meio do caminho tinha uma pedra. Ou melhor, uma poça semi-mole de vômito, na qual Shevchenko escorregara e caíra enquanto o outro saía pela porta. Com raiva, ficou de pé e socou três vezes a parede. Os nós de seus dedos se quer mostraram qualquer sinal de agressão visto que já tinham se acostumado com aquele tipo de reação desde que ele era bem pequeno.

Dorothy aparentemente tinha tentado sair do dormitório mas não conseguiu. Com muita sorte o X-9 que tinha saído teria lacrado a porta, ou ela estava totalmente aparvalhada que ficou congelada. Reunindo um pouco de sua sanidade e fazendo um esforço tremendo para fazer algum sentido, escolheu as palavras que pensava serem as corretas em seu curto e nada culto vocabulário.

- Todos sabem que a culpa vai ser minha, mesmo que eu nem tivesse aqui. Então foda-se! - e encarou Salathiel – Por mais que eu odeie admitir, o marquês de Sapucaí ta certo. – ele não sabia quem tinha sido Marquês de Sapucaí ou onde tinha ouvido isso, mas achou que era um apelido digno de trollagem então tratou de usá-lo – Ela tem que vazar. - falava mais para si mesmo agora do que parao resto - A merda é minha então pode deixar que eu mesmo limpo a bunda, já que não tenho a Fairbairn pra fazer o serviço.

Oh sim! Ele ainda não tinha se esquecido da semi-surra que tinha levado de Ùna ao defender o garoto Ainsworth certo tempo atrás e era puro rancor por conta disso. Afinal, ela tinha sido a única que no mano a mano tinha sido páreo pra ele e por ser mulher aquilo só fazia com que ele ansiasse por chutar o próprio traseiro de tanta raiva.

Abriu a porta e deu uma sacada lá pra fora. Não viu nada.

- St. Ledger, se esse apelido sair do dormitório eu quebro sua cara e te faço engolir a aranha da Fairbairn enquanto você dorme! – sua ameaça parecia tola e fútil mas Shevchenko era sem noção e se brincar seria bem capaz de tentar tal coisa.

Pegou, por fim, Dorothy novamente, como se fosse um saco de batatas e colocou no ombro. E saiu do dormitório nas surdinas tencionando deixá-la no Salão Comunal e fazer com que se virasse dali pra frente. De uma coisa, porém, ele tinha certeza: nunca mais ia tentar fazer o bem porque convenhamos, ele não estava fazendo isso certo.

Resumo: Dohko se irrita com Salathiel por ter aberto o seu dossel mas acaba transferindo sua raiva para Bran que zombou do apelido Florzinha-inha. Tentou bater em Karsten Alleborn que lançou um feitiço, escorregou no vômito de Dorothy ao desviar do estupefaça e por fim, além de ser rude e vulgar com os colegas que só queriam ajudar, tentou levar Dorothy para fora do quarto sem ser visto.

[OFF] Ações do Karsten autorizadas pela Gabi. Rolando dados para sair com Dorothy carregada através de furtividade.[/OFF]

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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por RPG Enervate em Sab Set 29, 2012 1:03 am

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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Maor Coen em Sab Set 29, 2012 3:38 am

Pray for the children
You lost along the way
Still remember the names, and faces...
Cold and abandoned,
They cry, their fate put in your hands.
When it's over, they come to haunt you...
- One More Soul to the Call (Silent Hill Homecoming)



Para ler ouvindo: Bus to Nowhere

Tinha de haver algo de errado em carregar um filhote de leão assim, tão impunemente, para o covil das cobras. Não havia o que explicasse a falta de resistência do vigia do dormitório masculino, o homem de terno no quadro que encarava a tudo e todos como se pudesse devorar um pedaço da alma de cada um; tampouco havia nexo em uma noite passada em paz – ao menos até onde isso era possível, dadas as condições precárias da pobre grifinória.

As coisas voltaram ao seu rumo habitual, contudo, quando os corredores das masmorras se embaralharam e reorganizaram suas posições, uma infinidade de caminhos exatamente iguais, silenciosos e vazios, onde tudo que se fazia ouvir eram os passos pesados de Dohko Shevchenko e um gotejar distante.

Se entrar na Sonserina não tinha sido um problema, talvez fosse porque sair se provasse uma tarefa muito mais inglória.

Quadrantes idênticos se repetiam, esquina após esquina, sem que qualquer variação surgisse diante da dupla; não havia sinal dos dormitórios, do salão comunal e muito menos da saída. Nada além da luz bruxuleante dos archotes, o irritante gotejar e a umidade cada vez mais densa, provocando um frio de enregelar os ossos. Se houvesse algum sentido naquilo, a sensação seria a de estarem descendo cada vez mais fundo nos subterrâneos de Hogwarts, mesmo que não tivessem passado por qualquer rampa ou escada. As chamas, contudo, pareciam mais fracas e quem sabe o teto mais baixo.

No alto, quase afastado o bastante para que a baixa luminosidade não alcançasse mais, havia qualquer coisa reluzindo como metal; forçando bem a vista para ver além da fina camada névoa que já se formava por ali, podia-se distinguir uma forma curva como um anel – uma alça. Mas desde quando havia um alçapão no teto das masmorras?

– Põe a garota no chão.

Para quem já tinha tido, nos últimos dois dias, o prazer (ou desprazer) de passar alguns minutos na companhia do recém-chegado Maor Coen, o torto senso de humor do pocionista já não deveria mais parecer novidade; era raro vê-lo ostentando qualquer expressão que não fosse de desinteresse ou então deboche.

Agora, contudo, não era o caso.

Trajando um robe por cima do que deveria ser ainda o pijama, de chinelos no pé e com os cabelos em absoluto desalinho, o recém-nomeado chefe da Sonserina exibia um ar inesperadamente sério, a varinha apontada sem qualquer tipo de reserva para o nariz de Shevchenko. Não havia um traço sequer de irritação, zombaria ou qualquer outra coisa em sua voz ou nos olhos azuis estreitados; absolutamente nada além do comando muito claro. Alguns passos atrás dele, encontrava-se Karsten Alleborn, que aparentemente tinha tido sucesso em convocar o professor.

Agora.

Ao longe, o gotejar havia se tornado mais intenso, o intervalo entre as gotas mais curto. Talvez fosse só impressão – ainda que, de toda forma, nada ali parecesse ser apenas isso.

Resumo e OFF:
Mesmo já conhecendo os corredores das masmorras suficientemente bem, Dohko se perde neles ao tentar carregar Dorothy, como se o labirinto se reorganizasse de forma a mantê-los presos. Depois de um bom tempo caminhando em círculos, ainda carregando a menina como um saco de batatas, o sonserino é interpelado pelo chefe da casa, que ordena que ele coloque a grifinória no chão.

OFF: Meninas do meu coração, podem comemorar. Nem teve Cthulhu no post de vocês! Mas vamos deixar algumas coisas claras aqui, ok? A primeira delas: ainda que esse post tenha sido feito dentro da RP para manter as coisas organizadas, Dohko, Dorothy, Coen e Karsten estão em um ponto isolado dos corredores; a dupla em fuga acabou presa lá por ação do próprio labirinto – efeito suave pros dois erros críticos somados à infração grave, vai –, enquanto Coen os encontrou porque é a autoridade lá dentro. Ou seja, o pessoal que está no dormitório masculino continua por lá, que é o território original da RP (ou então, claro, tem toda a liberdade de sair da área e da RP). Eu cogitei abrir uma nova apenas para a dupla perdida, mas como as ações são todas referentes à "Uma Grifinória na Sonserina", achei melhor manter aqui dentro mesmo.

Segundo detalhe importante: como estamos em uma situação de conflito – vejam bem, eu disse “conflito”, não “combate” ou coisa que o valha –, vamos lidar com posts curtos, com apenas uma ação principal. Coen encontrou os fugitivos e deu ordem ao Dohko para soltar a menina. Agora espero as reações de vocês, contando com o bom senso de todo mundo. Beleza?

E em tempo: tio Coen tem maestria em intimidação – o que não significa que ele tenha sucesso automático, fique claro. Mas se porventura o Dohko quiser se recusar a obedecer, tem que rolar um dado antes, ok? O teste, no caso, seria de Perseverança.

Qualquer dúvida, pergunta ou afins... Bem, vocês sabem o caminho das minhas caixas de MP!

-

So we rewrite our lives, but it's not what we think
in the chaos we dance as we stand on the brink...
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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Salathiel Blackburn em Sab Set 29, 2012 4:12 pm



Salathiel ficou estático e inexpressivo observando Dohko escorregar, Dorothy sair correndo e os outros dois colegas sonserinos conversarem entre si, resolvendo se iam ou não continuar participando daquela confusão. Na verdade, Blackburn estava ligeiramente alheio à realidade. Uma vez longe do alvo de sua distração - a recém-descoberta-grifinória - voltava ao seu estado de inércia, tornando-se vazio e insensível como era.

Virou-se para o marquês com quem tinha sido rude segundos antes e até cogitou dizer-lhe alguma coisa - que nada tinha a ver com pedido de desculpas, mas sim um assunto totalmente diferente que provavelmente seria nonsense aos olhos do colega - mas descobriu que, afinal, não podia deixar seu brinquedo favorito sair porta afora assim. Quando a encontraria de novo? Além disso, Dohko tinha a perspicácia de um atum, acabaria por denunciar para o castelo inteiro que tinha levado a garota para a cama, independentemente do que tinha feito com ela lá, e isso acontecer longe dos olhos de Salathiel parecia um tremendo desperdício.

Entendam: para uma pessoa sem ambições ou emoções, o mundo é um constante e irremediável tédio. Então a única coisa que movia Salathiel Blackburn era a possibilidade de encontrar alguém ou algo que perturbasse sua eterna linha de ócio e frieza, e isso não contava com contextos comuns como assistir um jogo de quadribol, colecionar objetos, fazer amigos, praticar um esporte ou entrar para um clube; a definição de "diversão" do sonserino era extremamente atípica para todos e quaisquer olhos e concepções normais. Ele gosta de ser espectador de grandes desgraças, de brincar com os sentimentos e crenças dos outros, de enganar e até de ser enganado; aprecia os piores tipos de violência, mas também aplaude a paz quando esta parece ser impossível de ser estabelecida; Salathiel pode ser mais cruel que o pior carrasco torturador do mundo, mas também consegue ser gentil quando vê que, para sair de seu estado de inércia, precisa praticar bondades.

E foi sua personalidade obscura e suas tendências psicopatas que o moveu, fazendo-o ir atrás de Dohko e Dorothy, pelo simples motivo de que, se não o fizesse, mergulharia novamente no marasmo que era sua vida erma. Para ele, era uma razão mais do que plausível.

Desceu as escadas do dormitório masculino, porém ao chegar no Salão Comunal não viu nem sinal do casal. Tentou se concentrar para ouvir os pensamentos de Dorothy ou do checo, mas em vão. Tudo que conseguiu ouvir foram os ruídos aleatórios e ininteligíveis que vinham das consciências de outras pessoas presentes no Salão. Será que tinham conseguido sair assim tão fácil da Sonserina, então? Por outro lado, Dohko tinha tentado garantir que um dos presentes no dormitório não saísse para que a história vazasse, e se ele tivesse falhado e agora estivessem todos sob detenção de Maor Coen? Restava, então, pelo menos se certificar de que não estavam em lugar nenhum do covil das cobras.

Assim, Salathiel passou pelo vigia e seguiu pelo labirinto, cujo caminho até o ar lúgubre do exterior da Casa ele já conhecia, mas se pegasse um caminho diferente... Não tinha medo de se perder e muito menos de se arrepender, pois há muito havia aniquilado esses dois sentimentos. Nada nas esquinas escuras e abafadas do labirinto poderiam assustar Salathiel. Aquela era a casa dele também.


Resumo: Insatisfeito por perder de vista seu brinquedo favorito, que é Dorothy, e descrente de que Dohko pudesse tomar alguma providência sensata e eficaz, Salathiel vai atrás da dupla.

OFF: Bem, como eu tinha dito pra Lily, rolarei os dados para tentar encontrá-los no labirinto. Se não conseguir, que venha o nêmesis de oito cabeças. Também vou rolar outro dado para furtividade, porque caso Salathiel os encontre, pode ter a escolha de não se revelar, e caso não os encontre, pode se esconder de algum demônio aí rss resumindo:

#1 dado: Encontrar Dohko e Doroty
#2 dado: Furtividade

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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por RPG Enervate em Sab Set 29, 2012 4:12 pm

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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Dohko Shevchenko em Sab Set 29, 2012 5:34 pm

Dohko tinha saído da Sonserina carregando Dorothy e tinha absoluta certeza de que seu plano era tão perfeito ao ponto de não poder falhar uma vez que ele não tinha plano algum então não poderia dar errado. Certo? ERRADO! Mas para ele fazia todo o sentido essa lógica irracional.

Após andar por três minutos percebeu que algo estava errado. Ele era grande demais e dava passadas gigantes, o que implicava que Shevchenko já teria ganhado as escadas. Jogou a cabeça para trás em consternação extremamente irritado. Ele deveria saber que o espírito de Salazar Slytherin jamais deixaria que seu ato impensado passasse impune. Estavam trancados nos labirintos de corredores.

Quando ia dar a “boa” notícia para Dorothy, no entanto, viu as paredes se mexerem e de lá entrarem em seu corredor o Chefe da Sonserina (apresnetado na Seleção) e o empelotado que fugira. Dohko fechou os punhos em reflexo sentindo sua raiva aflorar. Acabou apertando um pouco a panturrilha de sua Florzinha-inha, no entanto, estava tão em choque com aquilo que ficou simplesmente estagnado.

Ele tinha sido pego, no flagra. Sabe o quanto amador é isso? Se Mundungus Fletcher descobrisse, provavelmente reveria todo o conceito de sociedade de tráfico de artigos das trevas que tinham estabelecido. Só conseguia pensar na grana voando quando sentiu as mãos finas e delicadas de Dorothy em seu ombro nu, como se lhe fizesse carinho. E então piscou duas vezes enquanto o professor imperava em sua autoridade um “Agora”.

Teria sido mais prudente ficar calado e aguardar instruções porque até o mais burro dos asnos saberia que aquela situação não estava nada favorável e nem perto de ser pacífica. Todavia, Shevchenko estava com Karsten Alleborn atravessado na garganta como se fosse uma espinha de peixe entalada e não seria capaz de se segurar.

- Você já fez seu papel, verme. Pode dar o fora daqui. – mirou e dirigiu-se ao professor, por fim – Não vejo necessidade de expor ainda mais a garota.

Resumo: Dohko obedece Coen e coloca Dorothy no chão por não ter opção. Xinga Karsten Alleborn e tenta de sua maneira xucra que ele vá embora para não expor Dorothy à mais comentários levianos.

[off]Assim, Dohko pensou na Dorothy em segundo plano porque apesar dele ter se preocupado dela levar um rala ou coisa pior na frente do Karsten o fato é que ele não deseja que o Karsten fique ali e presencie a cena toda. Por isso estou rolando um dado para tentar certo apelo pra cima do Coen e ver se ele manda o Karsten embora.[/off]


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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por RPG Enervate em Sab Set 29, 2012 5:34 pm

O membro 'Dohko Shevchenko' realizou a seguinte ação: Rolar Dados

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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Dorothy Taylor em Sab Set 29, 2012 7:07 pm

Dohko andou mil léguas, e mesmo assim não conseguiam sair no salão comunal da Sonserina. Dorothy, claro, não conhecia nada da residência em questão, mas realmente duvidava que eles forçassem os alunos que moravam ali, que, já percebera, eram quase todos cheios de pompas, a fazer uma boa caminhada diariamente antes do café da manhã. Ela, szulvprakiana, até apoiaria a iniciativa, mas sabia que não era o caso.

De repente, ouviu uma voz muito imponente mandando Dohko colocá-la no chão, tão assustadora que ela mesma lamentou por não poder obedecê-lo. Neste momento, sentiu a mão do seu salvador na sua panturrilha, apertando com tanta força que ela chegou a falar um “AAI!”, inaudível por conta do feitiço de Salathiel. Ok, estavam com sérios e nítidos problemas e Dohko estava nervoso. Não gostava de pensar no que o checo faria estando bravo, porque algo lhe dizia que coisa ficaria muito feia.

Antes que pudesse raciocinar, levou sua mão ao ombro livre do sonserino e o acariciou de maneira desajeitada, por conta da sua posição. Queria que pudesse dizer a ele que ficaria tudo bem, portanto ele podia soltá-la. Jamais saberia dizer se foi isso que o motivou, mas no fim das contas ele resolveu colocá-la em pé. Contudo, quase pediu para voltar para o seu ombro, porque deparou-se com duas das pessoas mais mal encaradas que já vira. Será que todos os homens sonserinos são assim?

Sem muito o que fazer, apenas torceu para que Salathiel, naquele momento, estivesse investindo na sua habilidade para invadir a sua mente para que pudesse dizer a ele: “Salathiel, Não venha! Estamos com problemas! Há dois homens maus aqui... sem contar com Dohko, se você achar que ele é mau”. Em seguida, apenas encarou o homem mais velho, com seu olhar naturalmente suplicante. Se estivesse em Durmstrang, qualquer um saberia dizer que Dorothy não poderia ter feito nada no dormitório, nem bêbada, nem drogada, nem sob qualquer outra hipótese. No entanto, estava longe, muito longe de casa, então só pôde torcer para que ele percebesse que tudo não passava de um mal entendido.

Resumo:
Sem muitas opções, por estar momentaneamente muda, Dorothy tenta conquistar a confiança ou pelo menos alguma simpatia de Coen com o seu olhar, querendo ajudar Dohko a convencê-lo de que sua dignidade precisava ser protegida. Além disso, tenta se comunicar mentalmente com Salathiel, que é legilimente, para adverti-lo sobre a presença de Coen e Karsten

OFF:
Dados para a Diplomacia, para tentar abaixar a CD para o Dohko... se pá, queria tentar abaixar a CD para o Salathiel encontrá-los também, porque ele tem maestria em percepção e poderia localizá-la pelo ~ pensamento (não sei bem como funciona rs)

Então tá, organizando:
Dado #1: abaixar a CD pro Dohko e conquistar um pouquinho da simpatia do Coen (diplomacia).
Dado #2: abaixar a CD pro Salt.

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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por RPG Enervate em Sab Set 29, 2012 7:07 pm

O membro 'Dorothy Taylor' realizou a seguinte ação: Rolar Dados

#1 'd20' :

#1 Resultado : 13

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#2 'd20' :

#2 Resultado : 1
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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Karsten Alleborn em Dom Set 30, 2012 6:57 am


Resumo e OFF:



Karsten acorda já aborrecido e nota que existe uma menina no dormitório masculino. Ultrajado com tamanha quebra de decoro, sai para falar com o responsável pela Sonserina. Um brutamontes – Dohko Shevchenko – tenta lhe impedir, mas Karsten tenta enfeitiçá-lo. No ato de desviar o agressor escorrega em vômito. Aproveitando a chance, o alemão consegue chegar até Coen, o informa do ocorrido, e quando ambos retornam a Sonserina, conseguem dar de cara com o tal brutamontes carregando a menina nos ombros. Karsten é insultado, mas não responde. Sinceramente também espera poder sair dali, visto que não tem interesse em ficar olhando plebeus.



OFF: Post longo, mas não tem ação nenhuma nele, a não ser que se considere que Karsten quer ir cuidar da vida dele. Postei para não acumular mais coisas, então acho que estou perdoada. rs A parte importante está depois do segundo ~ & ~.
Ah, eu estou terminando esse post quase as oito da manhã. Relevem qualquer coisa esdrúxula.




fallen angel waiting for the prey
karsten alleborn
.xx.

Karsten von Alleborn normalmente ignorava a plebe rude. Infelizmente, a que frequentava a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts estava se mostrando muito além de suas pessimistas perspectivas de forma que, em menos de 48 horas (do instante que pisara na Plataforma 9 ¾ até o presente momento), o que o jovem sentia em relação àquela classe inferior havia adquirido um grau de intensidade fora do comum (era a primeira vez que convivia tão diretamente com aqueles tipos desgraçados de seres humanos). O alemão já poderia afirmar que verdadeiramente nutria uma inconformidade sobrenatural – para ele e os demais, pela extensão que normalmente seu mau humor tomava – quanto ao estado intelectual miserável que a absoluta maioria apresentava e ninguém poderia confrontá-lo por isso. Não ali, naquele antro de alienados. Aliás, a única coisa que havia abstraído de todas aquelas ridículas situações era que esperava e deveria dar um fim no agente determinante que o fizera estar ali – mas isto envolvia problemáticas questões familiares que não cabem aqui.

De qualquer modo, enumerando os episódios que culminaram naquela ebulição sentimental negativa teríamos: um atraso colossal da saída do trem por alguma asneira pirotécnica de algum estudante, que o fizera ter “saborear” a água suja daquelas espeluncas da Plataforma, para se proteger do caos instalado; uma confirmada ameaça à vida dos passageiros por conta de bombas, o que o impelira a passar absolutamente todo o trajeto sentado perto da porta da cabine esperando o menor movimento hostil para virar um assassino, enquanto ponderava sobre os vários modos de sair daquele inferno vivo; um banquete em que a maioria sequer sabia segurar talheres e comia de forma tão animalesca que toda a sua educação gritava em desespero; as diversas pequenas trocas de farpas com seu primo Michael e Anthony Blanche; e, por fim, quando ele já achava que havia sido torturado o suficiente, aquela deprimente ocorrência transcorria diante de seus olhos, logo pela manhã de segunda-feira.

Não era a coisa mais difícil do mundo despertar o sempre preparado Karsten Alleborn. Considerando que ele já estava se sentindo categoricamente desconfortável sendo obrigado a repousar entre desconhecidos, em um leito que se sabe lá o que havia usado (e ele definitivamente não confiava na limpeza daquelas cortinas), e esperando impaciente o dia estressante que teria, o menor ruído fora capaz de acordá-lo pela manhã. A questão, porém, se tornou insustentável quando ele ouvira uma voz de menina. Uma voz feminina, num dormitório masculino.

Primeiramente o jovem herdeiro, prudente como era, antes de tomar qualquer atitude precipitada, desesperadamente agarrou-se na probabilidade de tão somente ser um indivíduo cujas cordas vocais conservaram-se infantis. Contudo, todas as suas – propositalmente – infantis expectativas esvaíram-se quando ouviu claramente a interação entre os outros usuários do dormitório com quem deveria ser a dona da voz. Não era possível que um homem tivesse sido nomeado de Dorothy (ou fosse lá a grafia que tivesse). Como igualmente não era aceitável a presença dela em um ambiente como aquele.

Abriu a cortina de sua cama, levantou-se o mais dignamente que conseguiu, colocando os sapatos, porque instintivamente já se preparava para seu próximo passo. E não foi preciso muito, embora o espaço fosse amplo, para detectar, nos dois segundos que se prestou a analisar o ambiente, uma menina seminua. A expressão do garoto Alleborn tornou-se tão nublada que certamente lembraria seu intimidante avô paterno.

Antes de narrar suas atitudes, é preciso primeiro entender que Karsten é um aristocrata, criado da forma mais pomposa possível. Viera de uma escola mista, cujo regulamento era considerado um dos mais severos da Alemanha (que ele era o primeiro a obedecer e fazer obedecer) e, por sinal, era a que sua família era fundadora e administradora. Lá apenas estudava a aristocracia, portanto, ele jamais havia tido contato com as classes mais baixas e achava assustador que humanos conseguissem agir de forma tão selvagem. Depois, simplesmente achava de uma brutalidade desmedida a possibilidade de duas pessoas terem feito o que bem entendessem em um ambiente público. Vejam bem, mesmo seus pais dormiam em quartos separados! (Pois a ideia de cônjuges dormirem juntos foi uma criação da plebe para ocupar menos espaços. Na nobreza, cada um possuía um quarto para si.)

E a coisa ainda ia muito além: se os alunos se comportavam daquela forma, quem iria lhe garantir que Brigitta não seria forçada a passar pelo mesmo constrangimento? Sua irmã, a quem ele tinha na mais alta estima, tendo que enfrentar comportamentos semelhantes! Dietrich jamais o condenaria por pelo menos lutar para que o mínimo de respeito fosse mantido! Aliás, se aquela situação chegasse aos ouvidos de sua mãe, Phillipa, certamente Hogwarts teria muito com o que se preocupar.

Assim sendo, ele realmente não queria nem saber quem ela estava acompanhando (embora, pela lógica, não pudesse ser nenhum dos dois rapazes que estavam claramente surpresos) ou quantas cabeças iriam rolar pelo delito: não permitiria tamanha afronta. Portanto, com uma perícia aristocrata, colocou o robe de seda preto que se encontrava na cabeceira (mesmo que estivesse de pijama de calças e mangas longas, odiava se expor) e rumou, sem se pronunciar sobre qualquer coisa, para fora do dormitório.

Como claramente esperava ser impedido (fosse pelo infrator, fosse pelos aliados deste), reagiu prontamente ao avanço de um dos brutamontes em sua direção. O rapaz ainda fora capaz de segurar a gola de seu robe, mas Karsten tirara a varinha da manga com rapidez (sim, até no pijama havia costurado um compartimento para varinhas) e, para sorte do infeliz, apenas mandara um feitiço estuporante. Na tentativa felicita de desviar, o trasgo acabara por escorregar no que o nariz fino de Karsten reclamava ser vomito. Ignorando os próprios pensamentos sobre sujeira excessiva, não se demorou o suficiente para captar qualquer outro detalhe além deste.

Saiu tentando assumir o controle de si – praticamente maltratando o quadro do homem engravatado que guardava a entrada – para ser capaz de andar naqueles infernas corredores úmidos e quadrantes feitos para confundir. Aimee havia lhe instruído sobre eles, era apenas questão de se focar nas descrições. Ainda assim, felizmente, visto o estado em que se encontrava, fosse seu alto QI, fosse a mágica do castelo, ele parecia estar sendo auxiliado em sua empreitada, pois seus pés cruzavam os espaços mais rápido do que acreditava, sem sequer um empecilho.

Já no corredor, pode notar as luzes que dariam para o Salão Comunal e apressou ainda mais o passo. Na saída, Karsten notara que os homens que jogavam xadrez, no quadro que a guardavam, pareciam bastante entediados. Educadamente o alemão os questionou sobre a direção do dormitório de Maor Coen e, sendo respondido, deixou sua dignidade de vez na casa para ser capaz de andar de forma tão íntima, por aqueles corredores imundos.

Chegou à porta de Coen, onde teve que bater algumas vezes para ser atendido. E quando o homem finalmente apareceu, o menino não pudera evitar alterar a voz:

- Em nenhum momento eu notei qualquer abertura no regulamento desta instituição que permitisse tamanha discrepância! Existe uma aluna imunda e seminua no dormitório masculino!

~ & ~


Foi reavendo um pouco de sua fleuma, que Karsten acompanhou Coen até os aposentos dos sonserinos. Notou que o homem não parecia nada satisfeito, o que contrastava bastante com o pouco que vira dele. Esperou, com isto, que uma punição adequada se desse – ou isso significaria que ele deveria tomar providencias drásticas para manter a própria segurança e da irmã. Como sempre pensaria no pior, em relação ao que se passava naquela instituição falida, já começava a traçar planos.

E obviamente sua linha de pensamentos fora ferozmente cortada quando, de alguma forma – que supôs ser o comando silencioso de Coen –, eles deram de cara com o acéfalo que o atacara, carregando a menina que ele vira no dormitório masculino.

O professor havia sacado a varinha, apontando-a para o transgressor, juntamente com uma ordem clara, e o homem não parecia ser do tipo que hesitaria em atacar. Já Karsten... A primeira coisa que fez foi indagar-se como ninguém havia tido a presença de espírito de fornecer qualquer traje que fosse capaz de cobri-la com alguma decência, em todo aquele tempo. A segunda foi desviar os olhos para o canto esquerdo, fingindo admirar o asqueroso musgo que se formava entre duas pedras, devido à umidade; a menina até poderia não se dar ao respeito, mas Karsten era educado o bastante para saber quando deveria se reter. E bem, não era como se ele estivesse ali por opção: definitivamente não lhe interessavam seres criados em uma cultura tão animalesca e que não demonstravam qualquer sinal de inteligência.

Ademais, ele não gostaria, nem poderia (para o próprio bem, já que sua presença ali se devia a ordens de escala maior) adquirir mais problemas além dos que já sabia que havia acumulado. Provavelmente pelo menos o imbecil a sua frente iria tentar vingar-se mais tarde, e ponderando sobre isso, ele deveria ter amigos. Então o alemão se pôs em guarda, prestando atenção em qualquer absurda aparição que pudesse vir a ocorrer, sobretudo alguma estúpida o bastante para querer lhe atacar pelas costas, com a presença de um docente. É claro, mesmo que aquele fosse um espaço fechado e, em tese, impossível de se chegar, ele verdadeiramente era um pessimista – e aquela característica ainda lhe garantiria alguns passos a frente, tinha certeza.

- Você já fez seu papel, verme. Pode dar o fora daqui. – O ogro articulou, claramente dirigindo-se a ele. Karsten não se deu ao trabalho de desviar seu olhar do musgo, mesmo que sua visão periférica o tenha captado lançando um olhar ousado. Sentia tanto desprezo pela situação e pelos envolvidos, que esperava realmente sair dali. Ignorou mesmo o xingamento, porque sua arrogância possuía escalas tão impressionantes, que era como se um inseto minúsculo estivesse tentando incomodá-lo: ou seja, não trazia nenhum prejuízo, fora um certo enfado. – Não vejo necessidade de expor ainda mais a garota.

Nesse meio tempo, a menina era posta no chão e ele finalmente voltou-se para fitar os dois desgraçados. Sua expressão estava inegavelmente fechada e os olhos cinzas que herdara dos Alleborns não demonstravam nada além de uma infinita repulsa. Era, definitivamente, melhor o chefe da casa liberá-lo logo. Não havia sentindo continuar torturando o jovem Alleborn se ele não tinha real utilidade no que viria em seguida.

~ & ~


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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Piers Ainsworth em Dom Set 30, 2012 11:04 am


Os Ainsworths estavam no ducado da Cornualha desde o século XII e nem sequer a nova realeza fora capaz de retirá-los de seu posto (tentaram, uma vez, mas desde que o pretendente ao título desaparecera em circunstâncias trágicas, coitado, simplesmente não tentaram mais, a Cornualha se tornou um assunto fechado e as pessoas gostavam de fingir que ela não existia). Os Haywoods, por sua vez, nada mais eram do que um braço da família que tinha se deslocado por casamento há quase um século e retornado para o ramo principal com Bogdana. Os assuntos mais triviais os enfadavam e se eles consideravam a pequena Lizzie e sua família como um bando de novatos (que gostavam de provocar escândalos com seios de fora ou orgias estampadas nos jornais), o que não dizer das outras pessoas? Eles tinham, afinal, sobrevivido à idade média e toda a purgação de bruxos no comando de um título trouxa sem que ninguém jamais tivesse ameaçado com sucesso essa posição. Não era como se eles fossem um bando de pomposos que não sabiam nada do mundo, era só que muitas coisas os entediavam e outras simplesmente os chocavam a um ponto onde nem tentavam entender a procedência da ação.

A poça de vômito que encarava o atual marquês de Haywood era um desses exemplos.

Pois vejamos que o marquês não era das pessoas mais enjoadas e frescas, seu amigo Bran St. Ledger podia testemunhar a favor disso (se ele fosse, o norte-irlandês não lhe emprestaria um segundo de atenção). Tinha sido criado em um castelo, verdade, mas tinha se educado ouvindo filosofia sentado em lápides de cemitérios e assistido a mais de um embalsamento. A diferença era que os Fairbairn cuidavam de suas lápides como cuidavam de suas crianças, e o mesmo podia ser dito sobre os corpos preparados pela família de Ùna. Não havia vômitos nem outros fluídos corporais brincando ao ar livre porque um dos Fairbairn tinha desviado a atenção de seu serviço, não.

E se no dia anterior Piers tinha se sentido ressabiado em beber do copo de Ángel del Aguirre, o que dizer de passar sobre uma poça de vômito na qual não fazia muito tempo que Dohko Shevchenko tinha escorregado? Por falar neles, aliás, não entendeu porque Blackburn saiu em disparada como se pretendesse ajudá-lo, não sabia que eles eram amigos tão íntimos assim mas supôs que não era da sua conta, já tinha se abalado demais com a inconveniência dessa manhã (viram? Os Ainsworths também eram ótimos em eufemismo). Para não dizer da tentativa de Shevchenko em ameaçar Bran com Nancy ou qualquer coisa similar, que só fez os dois sonserinos se entreolharem achando graça. Ademais, ele que não iria limpar vômito de ninguém, não era sua culpa e, portanto, também não era sua incumbência, de forma que ele desviou tudo o que podia da bílis meio seca no chão e respirou mais aliviado quando estava perto da porta do dormitório.

Não tão aliviado assim, pois começava a achar que a aranha tinha se esgueirado para avisar sua dona do infeliz incidente e ele não tinha certeza de qual seria a reação da sua viúva-negra ao fatos. Ele não tinha culpa nenhuma, mas certamente iria ouvir dela que se não dormisse igual a uma pedra, poderia ter evitado todo o assunto para todo mundo. É, ele esperava algo assim.

O que não esperava era encontrar a garota Fairbairn, Nancy em seu ombro, estacionada ao lado do quadro do homem de terno, os olhos dele parecendo estranhamente saciados como Piers jamais tinha visto, e ela reta e serena, mas com olhos que eram pura preocupação.

De fato, se entendesse um pouco mais de presságio, teria sabido que era o começo do fim.

Como não entendia, simplesmente andou ao lado dela e do outro narrando todos os pormenores e rindo de alguns detalhes porque, realmente, esperavam que aquelas ameaças soassem perigosas ou intimidadoras para alguém cuja família tinha sobrevivido à época negra sem um único arranhão? Esperavam algo diferente do que os três sonserinos rindo o caminho todo pelo labirinto? Se esperavam, ficariam desapontados. Por último, passaram por todos os corredores, cujo novo padrão o loiro tinha decorado logo no primeiro dia da volta às aulas, sem nem sinal de nenhum dos envolvidos o que Alistair considerou um bônus e não emprestou maior atenção ao assunto, não lhe interessava saber se tinham escapado ou não, se estavam dando um tempo na claraboia, se algum monitor os tinha flagrado ou o que fosse, não.


Resumo e Off:
Com a partida das pessoas que tinham iniciado aquilo, deixando, porém, suas consequências no chão, o jovem marquês finalmente sai do dormitório masculino, se deparando com Ùna Fairbairn esperando por ele logo na saída, aparentemente preocupada. Evidente, nem ele nem St. Ledger parecem levar a sério a ameaça e, assim, logo estava narrando o episódio à sua guardiã com riqueza de detalhes.

Off - Só postando para finalizar aqui e partir pra outra RP ;D Além disso, coloquei que Piers saiu sem se deparar com ninguém porque Dohko e Dorothy estão presos em uma parte desconhecida da Sonserina, conforme eu entendi, e como não sei o que será das ações do Salathiel, achei melhor não citá-lo nem de vista =)

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She was the sun, shining upon
The tomb of your hopes and dreams so frail
He was the moon, painting you
With its glow so vulnerable and pale.

The funeral of
hearts and a plea for mercy.


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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Maor Coen em Dom Set 30, 2012 11:29 pm

Para ler ouvindo: The Downpour


Tão logo Shevchenko colocou a menina de pé, o professor baixou a mão esquerda, que levava a varinha; mantinha-a em prontidão, mas não a apontava mais para o setimanista, como uma ameaça direta. Sua atenção, porém, continuava firme sobre o casal, os olhos estreitos passando de um rosto ao outro como se pudesse lê-los. E ainda que sequer tivesse se dado ao trabalho de repreender o fugitivo por insultar o colega, não esboçando qualquer reação além de respirar fundo, soltando o ar em um suspiro visivelmente cansado, teve de responder quando o rapaz tatuado decidiu interceder pela jovem que carregava nos ombros até instantes antes.

– E eu não vejo necessidade de ser acordado junto com o sol porque algum esperto decidiu contrabandear uma menina pra dentro do dormitório masculino, filhão. Infelizmente, essas coisas acontecem. – O homem retorquiu em um tom seco, como uma constatação qualquer. Chegou ainda a fazer menção de dizer mais alguma coisa, mas acabou se voltando por cima do ombro, dirigindo-se ao aluno que chegara ali com ele. – Mas eu realmente não tenho mais por que prender você nessa situação. Obrigado. – Ergueu então o olhar e, mesmo que suas palavras indicassem que sua conversa era com o jovem alemão, o professor parecia literalmente falar com as paredes quando anunciou: – Os caminhos vão levar você de volta, Alleborn.

Sem uma palavra sequer, o garoto meneou a cabeça positivamente e logo desapareceu pelos corredores com seu ar altivo, não olhando para trás em momento algum. Coen também não pareceu se preocupar com o rumo que ele tomava, voltando a observar a dupla que tinha diante de si como se ponderando a respeito de algo.

A luz dos archotes falhou, deixando o trio no mais absoluto breu pelo que provavelmente não passou de uma fração de segundo. Quando voltou, contudo, o que iluminava não era mais aquele quadrante desconhecido dos corredores: os três se encontravam em uma sala, quase tão desprovida de decoração e mobília quanto a da claraboia. Havia apenas uma cadeira para cada um, dispostas bem ao centro, uma de frente para a outra. Além delas, uma única porta e, no teto, um alçapão com uma argola de prata. Não havia um lugar como aquele na Sonserina – ao menos em tese.

– Muito bem. – O professor começou, tomando uma cadeira para si e, depois de se acomodar, gesticulou para indicar que os dois deviam se sentar. – Eu não sou de perder tempo com sermão. Mas... Espera. Você é uma das transferências desse ano, não é? – Interrompeu-se, fitando a garota com atenção redobrada. Após um breve instante de silêncio, ergueu as sobrancelhas com um quê de surpresa e uma nesga de sorriso ameaçou torcer o canto de sua boca em um ar quase predatório, mas ele logo reprimiu a expressão, meneando a cabeça e retomando o ar neutro anterior. – Enfim. O que é que vocês dois têm a dizer sobre essa história? Se a mocinha puder começar, eu agradeço.




Ainda que, para algum desavisado, fosse possível entender a atitude de Salathiel Blackburn como bom-mocismo, uma luz de altruísmo fazendo com que ele fosse em busca dos colegas que haviam partido corredores afora visivelmente alterados, a situação não era bem essa. O que o impelia pelas masmorras, a mente aberta e os sentidos voltados para qualquer sinal diferente, era o mesmo tipo de curiosidade de uma criança que persegue uma borboleta e não hesita em dissecá-la após a captura. Não era de temer qualquer coisa, mas a perspectiva de perder de vista seu objeto de observação favorito justamente agora, quando os eventos tomavam rumos tão improváveis, era algo que o perturbava; para fugir do tédio, embrenhou-se no labirinto e tentou encontrar a jovem grifinória, sabendo que era apenas uma questão de tempo – pouco tempo – até que uma mente tão desqualificada quanto a de Shevchenko acabasse com seu brinquedo favorito. Não deveria ficar para trás.

Havia, contudo, algo de errado com os corredores. Logo ficou claro para o setimanista que eles haviam se rearranjado, mas os seis anos completos no covil das cobras faziam com que apenas um pouco de lógica bastasse para reorganizar o mapa que todos ali já levavam gravado na memória. Localizou-se, apenas para não perder o referencial, mas o que fazia era vagar sem rumo certo; buscava algum sinal.

E foi o que encontrou após algum tempo, quando provavelmente todos os outros colegas já haviam partido para o café da manhã – ainda que não fosse exatamente o que procurava.

–... Fez um bom trabalho. – O rapaz conseguiu ouvir ao longe uma voz feminina elogiar, pegando a frase pela metade. Ainda que o tom fosse contido, havia qualquer coisa de histriônico no fundo agudo das notas – e algo ainda mais profundo, uma distorção não natural das palavras.

– Eu não fiz trabalho algum. Não para você, certamente, ou qualquer um dos seus. – Quem respondia, o garoto percebeu, era o homem de terno que vigiava o dormitório masculino – e que jamais fora particularmente dado a conversas. Era de se supor que não houvesse mais ninguém na entrada do alojamento.

Ela riu. Um riso contido no fundo da garganta, que mais fazia lembrar um animal rosnando, desvairado. Mesmo que ainda não estivesse perto o bastante para vê-los – só precisava se aproximar mais da esquina, devagar –, Blackburn quase podia vislumbrar os dentes arreganhados da mulher.

– O que importa é que o trabalho está feito. Que, deixando aquela coisinha imunda entrar aqui, você nos ajuda a evitar que novos covardes traidores surjam entre nós. Porque, ah, nós estamos agindo. É questão de tempo até que eu encontre cada pedaço dele, cada pedaço do meu amor... – Por um instante, a voz dela se perdeu em algo que era quase um lamento, mas logo retornou revestida de uma nova camada de ódio. – Mas eles vão pagar, todos eles. Sangues-ruins e mestiços podres, grifinórios nojentos e os malditos amigos da Grifinória! Todos. Um por um.

Se conseguisse ao menos chegar mais perto e vê-la...

– Nós vamos retornar à glória! – Havia tanto orgulho quanto insanidade nas palavras que ecoavam fantasmagoricamente pelo corredor. – Nós vamos tomar tudo que nos era de direito em vida! E eles, cada um del—

O discurso inflamado se interrompeu no exato instante em que Blackburn, tentando menos conseguir um ângulo do qual pudesse ver o diálogo se desenrolar, acabou acidentalmente entrando na direção de um archote próximo, projetando uma sombra na parede oposta. Não foi mais que um segundo, mas bastou para que fosse notado pela mulher – ou aquilo que algum dia havia sido uma mulher, mas hoje não passava de um vulto espectral de cabelos desgrenhados, que desapareceu atravessando o concreto.

Resumo e OFF:
O professor Coen dispensa Karsten e permanece nas masmorras com Dohko e Dorothy, esperando ouvir explicações Enquanto isso, Salathiel entreouve a conversa do homem de terno que vigia o dormitório masculino e o fantasma de uma mulher, mas por um deslize acaba interrompendo o discurso dela.

OFF: Só pra dar um retorno pra vocês a respeito dos dados, meninas: sendo absolutamente sincera, o Dohko nem precisava ter rolado aquele dado, porque o Coen já pretendia dispensar o Karsten de qualquer forma – mas estou levando em consideração a soma de roleplay e dado para outro fator relacionado. Da mesma forma, ainda que o rolamento de Diplomacia da Dorothy não tenha sido necessário para ajudar o Dohko, levei em conta o bom resultado não para a ação específica, mas para o roleplay.

... Já o erro crítico (gente, essa RP tá amaldiçoada mesmo) simplesmente fez com que não, Salathiel não escutasse nada dos pensamentos de Dorothy. Sem contra-efeito, dessa vez.

Para o Salathiel, as coisas funcionaram da seguinte forma: conforme comentei com a Fê, a única chance que ele teria de encontrar o grupo nos corredores seria com um acerto crítico – ou seja, um belo 20 no dado. Porque, como tentei deixar claro no primeiro post de narração, Dohko e Dorothy foram “presos” pelo labirinto em uma zona à qual os alunos normalmente não têm acesso. De qualquer forma, como o resultado do rolamento de Percepção foi muito bom, o rapaz encontrou outra coisa que talvez sirva para tirá-lo do tédio absoluto. Por outro lado, com aquele 4 em furtividade, ele não conseguiu se manter oculto por muito tempo.

Mais uma vez: caso alguém tenha alguma dúvida, é só mandar MP. E vamos ao jogo! ;)

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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Dorothy Taylor em Seg Out 01, 2012 11:11 am

Dorothy olhou para Dohko, com uma marca de tensão entre os olhos azuis, enquanto Coen dispensava Karsten Alleborn. Queria encontrar qualquer sinal de satisfação no rosto do checo, depois de seu pedido ter sido atendido, apesar de não saber por que a presença do outro sonserino o incomodava. No entanto, a iluminação do lugar, que já não era maravilhosa, de repente se extinguiu por completo, fazendo com que Dory levasse a sua mão à varinha, que, ela ficou feliz em perceber, ainda estava em um bolso de suas calças. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, contudo, alguma claridade foi retornando ao lugar, que já não era como outrora: agora estavam dentro de uma sala sem janelas, que contava apenas com três cadeiras, e, o que mais atraiu a atenção da grifinória, apenas uma porta. Estar ali, para uma jogadora de quadribol, era sufocante.

Sentou-se, seguindo o exemplo do homem, com os joelhos fortemente fechados e as mãos entrelaçadas no colo. Sentia que se relaxasse seus músculos, mesmo que apenas um pouco, começaria a tremer. Então passou a observar o adulto que estava diante de seus olhos, e distraiu-se com a percepção de como suas sobrancelhas eram claras, o que deixava ainda mais difícil interpretar as expressões que ele pudesse fazer. Mas logo ele começou a falar e obteve toda a sua atenção. Perguntou se ela era uma das alunas transferidas, e quando concordou afirmativamente com a cabeça, teve a impressão de que ele considerou aquela informação importante. Isso a deixou um pouco curiosa.

Em seguida, o homem pediu que ela começasse a explicar o que tinha acontecido, e Dorothy ficou feliz que ele tivesse perguntado, mas ainda estava sob o efeito do feitiço de Salathiel. Por este motivo, tocou de leve o braço de Dohko e em seguida levou a mão para a garganta, claramente pedindo que ele a ajudasse a comunicar-se novamente. Ouviu o checo pronunciar o contra-feitiço, mas, como não o viu gesticulando com a varinha, só acreditou que o feitiço funcionara quando ouviu a própria voz.

- Obrigada, Dohko - e sorriu para ele, antes de começar: Meu nome é Dorothy Taylor Auttenberg, da Szulvprak - apresentou-se, porque parecia ser o mais educado a se fazer, e em seguida respirou fundo. Queria dizer a verdade, porque não era boa para mentir - pelo contrário, era um desastre - e reconhecia que, por mais terríveis que as coisas estivessem para Dohko, a verdade poderia deixar o cenário bastante positivo para si mesma. Respirou fundo outra vez, e de novo, até que finalmente disse: - Antes de mais nada, eu gostaria que o senhor soubesse que sinto muito por ter sido a causa de tamanha perturbação na sua manhã, principalmente porque é segunda feira - o que me faz lembrar que vou perder a minha aula de transfiguração”, conseguiu pensar, desesperada, antes de recobrar o raciocínio. -E sinto ainda mais por ter prejudicado um amigo, que nada fez além de se mostrar extremamente humano comigo, em um momento de grande dificuldade - até aí, tudo verdade. Secou as mãos nas calças antes de começar a sua narrativa: - Ontem, durante um evento social beneficente, eu acabei bebendo demais - corou furiosamente - e passei mal. Eu sabia que o senhor Schevchenko também tinha estado lá, então acabei acreditando que seria uma boa ideia pedir para que ele me ajudasse, porque até então ele era uma das três pessoas que eu conhecia em Hogwarts, entre outros mil completos desconhecidos. Por este motivo, eu segui uma das sonserinas até aqui, e como sou novata e estava sem o uniforme, não foi difícil me misturar em meio aos demais alunos da residência e adentrar ao salão comunal.

- Uma vez ali, mais fácil ainda foi encontrar o dormitório masculino onde eu supus corretamente que poderia encontrá-lo.
- Olhou para Dohko com uma gratidão enorme, que provavelmente era a única coisa sincera de tudo fazia. - Ele ainda tentou me avisar que o melhor seria procurar pela enfermaria, e ainda se ofereceu para me levar até lá, mas eu insisti à exaustão, porque confio nele, então seria ali que eu ficaria mais tranquila. Apiedando-se da minha situação, Dohko finalmente cedeu e cuidou de mim. Logo, como o senhor pode perceber, ele deve ser liberado, e sua nobre atitude deve ser não só levada em consideração como encorajada.

Resumo:
Apesar de não ser boa para mentir, Dorothy resolve tentar livrar Dohko, como forma de gratidão a tudo que ele fez por ela.

OFF: irmãos, oremos.
Dados para enganação, amém?


Última edição por Dorothy Taylor em Seg Out 01, 2012 7:27 pm, editado 1 vez(es)

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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por RPG Enervate em Seg Out 01, 2012 11:11 am

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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por Salathiel Blackburn em Seg Out 01, 2012 8:30 pm



A escuridão parecia engolir os passos de Salathiel. Ainda não tinha acendido a ponta de sua varinha, até porque gostava do breu e ainda era capaz de enxergar através da pobre luz que mostrava o caminho para ele, mas a tinha firme em sua mão esquerda, conhecedor que era das histórias da Sonserina e seus labirintos. Não acreditava que fosse se perder, no máximo que sairia em algum cômodo indesejado, mas não tardou a ter a impressão de que algumas paredes se repetiam. Salathiel era observador e muitíssimo inteligente, mas não tinha parado para pensar que as próprias pedras ao seu redor podiam se voltar contra ele e enganá-lo. A ideia era perturbadora, mas ele gostava.

Pensou estar andando por apenas dois minutos quando ouviu uma voz firme vir de algum canto. Parou e inclinou a cabeça como um cão curioso, mesmo que não tivesse ninguém ali para ver sua expressão. Ele simplesmente fazia isso quando queria demonstrar interesse. Na verdade, não fosse a ausência de pensamentos discerníveis poderia jurar que aquilo era um sinal de que estava próximo de Dorothy, ainda que a voz não fosse a sua. Concentrado em entender o diálogo que acontecia mais à frente, não tentou pegar os pensamentos no ar e, porquanto, teve que ir chegando perto.

Escondeu-se atrás de uma esquina e, então, pôde ver um vulto translúcido falando com o que Salathiel achava ser a parede, mas era o quadro do guardião da entrada sonserina. Foi difícil discernir à princípio, por causa da pouca luminosidade. Tinha escutado as palavras anteriores, mas quando achou que encontrara o ângulo perfeito para acompanhar tudo sem ser notado, acabou se denunciando de algum modo, o que espantou o fantasma.

Nisso, uma dúvida foi plantada na mente de Salathiel: que trabalho fora realizado? Por outro lado, não lembrava do rosto e dos cabelos desgrenhados - que ele só notou por uma fração de segundo - da alma penada, todavia, estava mais interessado em descobrir o sentido daquela conversa do que de propriamente saber quem era a mulher, até porque nem se fosse a figura de sua mãe (que beirava a morte, mas ainda estava viva) isso teria feito diferença. Assim, já ciente de que tinha sido descoberto pelo vigia, e movido pela mais pura curiosidade, deu alguns passos à frente até ficar completamente visível para o quadro.

Mantinha sua expressão oca e indecifrável como uma estátua de marfim, até porque não havia o que expressar de qualquer forma. Mesmo que estivesse curioso, o máximo que Salathiel fazia era piscar mais vezes - o que já era muito, visto que ele não costumava fazê-lo com frequência, dando-lhe até um ar meio assustador de vez em quando, como se estivesse morto ou paralisado - e, além disso, não estava preocupado com a possibilidade do homem indagar-lhe a razão de estar no meio de uma parte "estranha" do labirinto. Apontou-lhe a varinha bem nas fuças, sabido de que ele era apenas uma pintura - mas igualmente ciente de que podia danificá-la (mesmo que isso custasse uma detenção ou expulsão. Ele realmente não se importava) -, e também conhecedor da personalidade amarga do homem - que nada lhe incomodava - disse:

- Bom dia. - Monocórdico, prosseguiu. - Procuro uma garota que não deveria estar na Sonserina. Certamente você a viu entrar e sair, caso ela o tenha feito, e caso tenha gastado mais tempo zelando pelo cumprimento das regras do que conversando com mortos. Onde ela está?




Resumo: Após notar que o quadro conversava com uma fantasma desconhecida, Salathiel se revela por completo e, apontando a varinha para o vigia, pergunta calmamente pelo paradeiro de Dorothy, pensando que esse seria um bom começo antes que tentasse descobrir mais sobre o tal "trabalho" que o vigia conversava antes com a fantasma.

OFF: Então, vou fazer umas observações só pra não restar dúvidas mesmo. Salathiel realmente não sente nada (emocionalmente), por isso eu friso sempre esse fato em todos os posts, já que sigo sua personalidade MUITO à risca; ele ficou interessado em saber de que trabalho os dois estavam falando e se isso envolvia Dorothy, e deu pouca importância ao fantasma (ao contrário de mim rs), por mais que tenha ouvido parte de seu discurso; Salathiel não sabe se o quadro é protegido com "feitiços especiais", assim como eu, mas tomei como base a invasão de Sirius Black em Hogwarts e quando ele rasgou o quadro da gorda da Grifinória, ou seja, tô acreditando que ele pode sim, ser danificado, independentemente das consequências disso; sabendo que o vigia não é dado a muitas palavras, Salathiel espera que ele não fale mesmo ou diga alguma coisa arrogante (ou pior: vá embora rs), mas vou pedir 10 no dado (maestria em Percepção), caso o quadro resolva mentir, e também um dado para Intuição, pra tentar notar algo de estranho que possa acontecer.

Resumindo:
#1 dado para Intuição
#Pedir 10 para Percepção

Se passei por cima de alguma informação, informem-me, pease.

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Re: Uma Grifinória na Sonserina

Mensagem por RPG Enervate em Seg Out 01, 2012 8:30 pm

O membro 'Salathiel Blackburn' realizou a seguinte ação: Rolar Dados

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Re: Uma Grifinória na Sonserina

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