Where do we draw the line?

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Where do we draw the line?

Mensagem por Ùna Fairbairn em Dom Set 16, 2012 12:49 am

Status: RP Fechada
Data: 02 de Setembro – tarde
Local: Salão Comunal da Sonserina, pouco antes das 18h.
Participantes: Ángel Del Aguirre, Piers Ainsworth e Ùna Fairbairn.

.05
and you got style
and you got grace
and you got the means
to leave that place
but you'll never, never make it...


Anteriormente...



A improvável cadeia de eventos só voltou a se organizar e tomar forma na mente de Ùna quando a garota já se via prestes a sair da masmorra do Pirraça, copo de ponche em uma das mãos e a outra mal conseguindo segurar a varinha, presa no enlace dos dedos de Piers.

Quando o seu protegido passa a perna em você e ainda acaba sendo o responsável por sua saída de uma situação daquelas, mesmo não estando exatamente sóbrio, alguma coisa está muito errada com a forma como você desempenha sua missão. O orgulho ferido deixou um gosto amargo em sua língua, uma vontade súbita de puxar o braço com força e explicar ao nem sempre tão considerado marquês que, se eles estavam passando por aquilo, a culpa era única e tão somente dele.

Tudo que fez, contudo, foi concentrar a raiva no olhar que lançou ao maldito elfo que ficara com seu cardigã. Mesmo que, no fim das contas, a criatura patética não tivesse culpa de nada, alguém tinha de pagar o pato – e começar uma discussão inútil em plena fuga estava fora de questão.

Assim, apenas deixou-se arrastar pelos corredores úmidos das masmorras, a barulheira da festa soando ao longe e ainda ecoando em seus ouvidos. Quem lhe trouxe algum conforto imediato foi Nancy que, desistindo de permanecer nos ombros do rapaz, usou a ponte formada pelos braços estendidos para voltar a se aninhar junto ao pescoço de sua companheira humana. Pouco depois, já alcançavam a porta do Salão Comunal, com Piers anunciando a senha para os enxadristas do quadro – era ele a voz da dupla, afinal.

– Ei. – Ela chamou com uma firmeza calculada tão logo teve chance de verificar que o salão estava vazio, puxando sua mão de dentro da dele. O marquês voltou-se para encará-la, olhos ainda um tanto vagos. – Você nem sequer está sóbrio, está?

Sentindo a frieza na própria voz, Ùna se interrompeu, um suspiro pesado lhe escapando. À raiva que sentia (o orgulho, sempre, amargo feito bile), mesclava-se algum reconhecimento pela preocupação demonstrada por ele lá na festa. Bem possível que fosse um misto entre o efeito da bebida e qualquer estratagema para livrá-lo da briga que tinha comprado com ela ao mentir descaradamente em um arranjo – porque ela conhecia como ninguém o poder que ele tinha para manipular gestos e palavras, desenhando o próprio comportamento de acordo com a melhor saída para a situação. Ela tinha que conhecer muito bem esses artifícios e manter-se alerta em tempo integral; do contrário, estaria perdida. E mesmo assim, era difícil evitar pensar que talvez houvesse mesmo alguma honestidade ali, nem que fosse em nome da amizade que descarrilhara ao longos dos últimos anos (especialmente por culpa dela, admitia de cabeça erguida).

Acabou por tomar um gole de ponche para molhar a garganta e, quem sabe, adoçar um pouco o gosto ruim que sentia. Com a mão da varinha, fechou um pouco mais o blusão com que cobria os ombros, os dedos sentindo o relevo da corrente e do anel de noivado, o grilhão que levava preso ao pescoço.

Tentou recomeçar.

– Aliás, eu estou bem... Obrigada pela preocupação. – Medir as palavras, tentando caminhar na linha tênue entre ser grata e gentil demais, era uma tarefa quase excruciante para Ùna, que sempre preferira falar de forma clara, atendo-se apenas ao necessário. Fazer isso com Piers, então, que era capaz de torcer qualquer discurso da forma que bem entendesse, beirava o impossível. – A questão é que poderíamos ter nos poupado disso se você n– Tsc. Não importa. A questão é que as aulas nem começaram e você já usou a presença da Sorcha aqui em Hogwarts contra mim. E eu espero que, não importa o quão esperto você seja, daqui para frente você deixe a minha irmã fora disso, em respeito a–

A quê? Ele certamente não julgaria dever qualquer respeito a ela. E Ùna tampouco ousaria evocar fantasmas de uma infância dividida em Tintagel.

–... A qualquer coisa que o valha. – Arrematou da melhor forma que foi capaz, em pouco mais que um fiapo de voz.

Resumo e OFF:
Depois de fugir da confusão armada na festa, Ùna e Piers se refugiam no Salão Comunal da Sonserina. Como encontram o espaço vazio, a garota aproveita para expor o motivo principal de toda a sua irritação: o fato de ele ter usado a preocupação dela com Sorcha para escapar.

Como não tem área pra RPs dentro da Sonserina, povo, postei aqui mesmo em Ambientes Internos. Qualquer coisa, é só avisar que, sei lá, remanejo. d:


Última edição por Ùna Fairbairn em Seg Set 24, 2012 6:33 pm, editado 2 vez(es)

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She was the wind, carrying in
All the troubles and fears you've for years tried to forget
He was the fire, restless and wild
And you were like a moth to that flame.

Love is the funeral of hearts and an ode for cruelty.


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Re: Where do we draw the line?

Mensagem por Piers Ainsworth em Dom Set 16, 2012 1:55 am


Era como assistir o vento trocando de direção.

Em um momento, ela era uma brisa que ele tinha que agarrar com as mãos e tirar dali, uma necessidade bastante primitiva e irracional de colocá-la sob seu braço e protegê-la de qualquer coisa que acontecesse, ainda que, em tese, ela fosse sua guarda-costas, sua protetora. Em um momento ela era condescendente e se deixava levar, segurava sua mão e andava atrás dele sem nenhuma palavra, um aperto quase firme. Chegava a se lembrar de quando ainda eram crianças e nada importava, não existia o filho dos Ainsworth nem a filha dos Fairbairn, só duas crianças sentadas sobre lápides limpas enquanto o avô de uma delas, quase pai de outra, contava sobre Tam Lin e falava sobre todos os assuntos do mundo. Quase, porque não demorou muito, nem o tempo necessário para rever a história do homem perdido no outro mundo, antes que a brisa se tornasse uma tempestade e começasse a fustigá-lo.

Nem sabia porque tinha esperado que fosse diferente, provavelmente efeito do copo de tequila, mas agora estava subitamente sóbrio e acordado - é isso o que uma injeção de adrenalina daquelas fazia com você - e se perguntava exatamente em que ponto tinha se esquecido que Ùna o desprezava como se ele não fosse nada mais do que um daqueles pirralhos idiotas de cinco anos de idade e ela a babá contratada para cuidar do pobre doentinho. Tinha sido assim desde o começo de Hogwarts, não ia ser diferente no final. E a garota morena, com olhos que eram quase de cristal verde ladeado de azul, não se demorou em desfazer o mal entendido. Ela puxou a mão quase com violência e ele só respirou e contou até dez, esperando os trovões que seguiriam a tempestade.


- Você nem sequer está sóbrio, está? - ela falou, a voz tão gelada como chuva, e ele de novo respirou porque não podia perder a paciência ainda. Era melhor erguer a máscara de sempre e deixar a tempestade passar.

- Bem, eu acho que deve ter alguns estudos científicos sobre o efeito da adrenalina no organismo mas, olha só, acredite você ou não, eu não estou vendo coelhos rosas nem nada e pareço estar até bastante sóbrio, huh? Quer que eu faça o quatro aqui? Ande em linha reta? Cante Scarborough Fair em gaélico? - ele falou, dessa vez um sorriso que nada tinha de mole, algo firme mostrando todos os dentes enquanto se sentava em um dos sofás, confortável como um paxá. - Santo céu, você ouve isso? São os sinos do Apocalipse! Você agradeceu por algo, nem acredito, são os anjos chegando.... posso escolher não ser vítima da Fome?

Era difícil, era realmente difícil só ouvir, deixar passar e rebater com brincadeiras, mas era a eterna dança deles desde os primeiros anos naquela escola, era mais versado nela do que em qualquer giga irlandesa ou escocesa. Ouviu sobre Sorcha e passou uma mão nos cabelos, só respirando e esperando que ela terminasse, esperando os trovões silenciarem para que pudesse ser ouvido de verdade.

- Olha, Ùna... - se inclinou no sofá, para ela, observando-a bebericar do copo que, surpreendentemente tinha passado intacto por toda aquela jornada - Eu quase gosto mais da sua irmã do que meu próprio irmão e você sabe disso. Não fica aí de pé falando como se eu tivesse por costume deixar a Sorcha perdida em alguma trilha escura de Tintagel só por diversão, usá-la para enganar gente a troco de qualquer coisa, você sabe que não é assim. Por mais inútil que eu possa parecer pra você e todo mundo, você tem que saber que eu faria quase de tudo por aquela menina. Então, antes de mais nada, para com isso, tira isso da sua cabeça que você sabe que se algum dia acontecer alguma coisa é mais provável que ela é que tenha me obrigado a fazer. Você sabe disso. E se você esqueceu e não me considera para nada além de dever, isso não significa que eu tenha menos carinho pela sua irmã ou ela por mim. - a voz dele não tinha se alterado, firme e simples, não fazia esforço para empregar nenhum tom a mais nela, não quando engolia metade de seu orgulho e de todo o resto, já era esforço demais - Pode parecer questão de semântica, mas eu não usei a Sorcha, usei a oportunidade que teria sido a mesma se, sei lá, você tivesse se perdido no banheiro feminino.

Era ridículo demais ter que explicar isso, era ridículo porque ela tinha que saber que a irmãzinha dela era praticamente a irmãzinha que ele não tinha. Ridículo, mas se ela queria explicações e promessas (realmente?), ele daria quantas ela quisesse, ainda que provavelmente não acreditasse em nenhuma.

- E sobre o incidente, nem vou perder tempo me desculpando. Se eu errei ou não em ir para a festa contra suas ordens, não importa muito. Incrível, né, mas eu não tenho o controle sobre a TPM das garotas de Hogwarts e... agora me conta uma coisa, que diabo aconteceu lá? Tudo o que eu vi foi uma garrafa voando e uma louca, teve algum motivo ou todo mundo aqui é realmente louco e a gente devia ter se transferido para Durmstrang porque o que é um casaco de pele contra garrafas voando na parede?

Continuava sendo ridículo, mas sua garganta estava seca e ele não queria continuar falando de coisas que eram impossíveis de se resolver. Não tinha queda para tendências masoquistas, não assim.

Resumo:
Depois de escapar da confusão na festa e ir para a Sonserina, Piers só consegue engolir e esperar a tempestade passar, ouvindo tudo o que Ùna tem a dizer. Rompendo por instantes toda a estratégia tecida com muito cuidado para lidar com ela, porém, não pode deixar de ser honesto e falar quase um discurso e a sério sobre a irmã da garota, para depois tentar trocar de assunto e acabar com a chuva.

cacilda, isso foi quase poético, oremos

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Re: Where do we draw the line?

Mensagem por Ùna Fairbairn em Dom Set 16, 2012 3:07 am


Ela só deixou que ele falasse.

Da mesma forma que não era nem de longe dotada da mesma eloquência que Piers, Ùna era incapaz de entender como tamanha economia de palavras era capaz de afetá-lo tanto. Faltava-lhe jeito, isso era fato – não era versada em diplomacia como os nobres, afinal, como não poderia deixar de recordar. A convivência dos dois fazia o favor de esfregar isso em sua cara o tempo todo.

Mas deixou-o falar o que bem entendesse, enchendo o vazio do salão com seu discurso e o sorriso que, agora sim, ela conhecia muito bem: polido e branco e voraz, com tantos dentes quanto um tubarão e todo o veneno de uma serpente. Silenciou e mordeu a própria língua antes de sequer pensar em dizer qualquer coisa porque, ainda que ela soubesse de tudo aquilo que ele dizia, era melhor que continuassem assim. Que ele continuasse pensando que ela ignorava todo o afeto que ele tinha por Sorcha, ou qualquer outra ideia tão errada quanto essa. Qualquer coisa que alimentasse o abismo que os separava, no qual ela vinha trabalhando sistematicamente havia anos.

E então ele deu novo rumo ao assunto, como era de se esperar; apesar das inúmeras escaramuças quase afetuosas que travavam, Piers não se envolveria em uma discussão assim tão fácil, e muito menos ela. Se chegaram àquele ponto, era apenas por conta de Sorcha – que, querendo ou não, era um amor que os dois partilhavam.

– Eu não sei bem. – Respondeu depois de alguns instantes, mesmo que não quisesse realmente conversar sobre coisa alguma, apenas em reconhecimento à louvável habilidade que o marquês tinha de amenizar qualquer situação. Acabou aproximando-se alguns passos, ocupando um assento do mesmo sofá que ele, ainda que mantendo certa distância – a distância que lhe cabia. Sem sequer recostar-se contra o encosto, ainda segurava a gola do blusão e, por baixo dela, a corrente com a aliança, prensando-a na palma da mão. – Se entendi bem, a garota que quebrou a garrafa tem algum tipo de compromisso com um daqueles dois grifinórios; Logan, acho. O loiro. Ou ao menos acredita ter porque, a julgar pela forma como ele foi atrás de uma... ovelhinha, não creio que ele mesmo se veja amarrado a alguém. Então aparentemente ela decidiu marcá-lo feito gado à base de tapa e, não satisfeita, acabou com aquela bebida do Del Aguirre e espatifou a garrafa contra a parede. Vai entender.

Revirou os olhos, como se para enfatizar sua absoluta falta de compreensão do que só podia definir como rituais de acasalamento na sociedade moderna; às vezes se perguntava se o crescimento da influência trouxa sobre o mundo magista era responsável por esses rompantes. E então, com mais um gole de ponche, viu-se obrigada a acrescentar um comentário.

(Em tempo: existem duas formas básicas de fazer com que Ùna Fairbairn se engaje em uma conversa. Uma delas é dar-lhe estímulo suficiente para uma discussão; já a outra seria incorrer em comentários ligeiramente maldosos, beirando o inócuo. Em ambos os casos, Piers Ainsworth ainda parecia ser o único a dominar a técnica.)

– Acho que já perdemos o tempo de tentar uma transferência para Durmstrang ou mesmo Beauxbatons, de qualquer forma. Já consegui garantir a nossa sobrevivência aqui por seis anos, o que é que mais um pode fazer a essa conta? Aliás... –Franziu o cenho por um instante, como que para ponderar sobre o que ia dizer. Conseguimos. Não posso dizer que fiz todo o trabalho sozinha... Veja só, marquês! Até que você não é tão inútil, afinal... – A sombra do humor quase cúmplice que ia em seu tom surgiu também nas sobrancelhas erguidas e no sorriso que torcia apenas o canto da boca.

Não pretendia se explicar e muito menos pedir desculpas por qualquer ofensa não intencional. Mas ao menos uma verdade ela devia a ele – mesmo que em tom de piada. Ele sempre fora melhor com as palavras, de qualquer forma.

Resumo:
Depois do discurso ofendido de Piers, Ùna aproveita a guinada no assunto providenciada pelo próprio marquês, em uma tentativa de dar um tom mais leve à conversa.

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Re: Where do we draw the line?

Mensagem por Piers Ainsworth em Dom Set 16, 2012 3:09 pm


Assim como tinha chegado, a tempestade também tinha passado, deixando alguns náufragos em seu caminho, mas nenhum morto. Ele ainda estava desconfortável, ajeitando a camisa que usava enquanto ela aceitava sua tentativa de distração e desviava o assunto. Piers não era bom em brigar, nunca tinha sido, não era algo exatamente em seu sangue. Gostava de falar, exercer eloquência e resolver as coisas antes que elas tomassem indevidas proporções, era o que ele fazia.

(De certa forma, eram parecidos, os dois. Nenhum deles deixava a situação atingir seu ápice, ela torceria o pescoço do ofensor antes e ele o derrubaria em palavras e o faria desistir antes de qualquer coisa)

Não pode deixar de rir quando ela explicou sobre a situação, ainda que algo meio amargo tingisse seu riso. Será que o pobre coitado estava realmente noivo, e era tão corajoso assim a ponto de flertar (mal) na frente da noiva? Era uma noção a qual Piers estava acostumado, tinha a certeza que sua família já tinha travado seu contrato de casamento e esperava apenas que ele chegasse das férias para anunciar casualmente que ele se casaria no próximo final de semana. E como ele era um segundo filho, alguém que era só uma vantagem estratégica, sabia que sua família provavelmente bateria o martelo pela oferta mais alta porque não era como se tivessem que considerar outros fatores, como ocorria com Cormac. Temia, do fundo do coração, que o contrato já estivesse preparado e até imaginava que família teria dado um preço por sua cabeça, mas não queria pensar nisso agora.

Enfim, ou o grifinório em questão estava realmente noivo e toda tentativa de flerte era uma rebelião interna como só os grifinórios sabiam fazer (ele não, ele fazia planos, tinha planos para evitar seu destino) ou ele entendia patavinas do que havia acontecido e desistia de entender porque não queria ficar com o cérebro condicionado a compreender somente aquilo.

Mesmo assim... ovelhas?


- Se você não sabe, ó mais bela das mulheres, siga o rastro das ovelhas e leve as cabras a pastar junto às tendas dos pastores.- ele se levantou do sofá e começou a declamar, uma mão no peito, a outra se erguendo num arremedo cênico, as palavras do Cântico dos Cânticos soando em sua memória, se derramando de sua boca com uma doçura fingida, era tudo o que tinha conseguido pensar com aquela história de ovelhinha - Minha amada, eu comparo você à égua atrelada ao carro do Faraó! Que beleza suas faces entre os brincos, seu pescoço, com colares! Faremos para você pingentes de ouro cravejados de prata. Como você é bela, minha amada, como você é bela! São pombas seus olhos escondidos sob o véu. Seu cabelo... um rebanho de cabras ondulando nas encostas de Galaad. Seus dentes... um rebanho tosquiado subindo após o banho, cada ovelha com seus gêmeos, nenhuma delas sem cria.

Então, com uma mesura para uma platéia invisível, ele voltou a se sentar, só um pouco mais perto dela, atraído pelo magnetismo que sempre o fazia orbitar ao redor dela.

- Viu? Os clássicos sempre vem a calhar, eles conseguem chamar uma mulher de égua arreada e parecer bonito, poético, huh? Ainda conseguem dizer que a mulher não é desdentada numa poesia parnasiana. Esses jovens tem muito o que aprender ainda.

Respirou, então, toda a falsa doçura e lisonja sendo limpa de seu rosto e sua voz, deixando assentar as outras palavras que ela tinha dito. Era mesmo um idiota - ele, não ela. Não tinha mais dúvidas a respeito disso. Depois de quase sete anos de patadas e coices, trovões e trombas d'água, qualquer migalha que ela atirasse em sua direção e que parecesse minimamente gentil era suficiente para que os barcos levantados pela tempestade voltassem ao mar. Idiota, realmente. Mas abriu um sorriso, verdadeiro, sem dentes e sem qualquer outra coisa falsa colorindo, e estendeu o braço para segurar uma das mãos dela.

- Obrigado por não ser tão ridiculamente explosiva, espalhafatosa, qualquer dessas coisas. Sei que se um dia resolver me jogar numa vala, ninguém vai precisar testemunhar minha indignidade. - com um aperto final nos dedos dela, deixou que a mão escorregasse pelas sua, depois apoiou a própria mão em um joelho, era melhor assim.

Ao menos o tempo parecia melhor, fácil de respirar de novo.

Resumo:
Aproveitando-se que Ùna aceitou sua mudança de assunto, Piers encontra espaço até mesmo para recitar O Cântico dos Cânticos, o ar mais leve ao redor deles.

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Re: Where do we draw the line?

Mensagem por Ángel Del Aguirre em Dom Set 16, 2012 9:01 pm


V
Corujas negras sempre trazem noticias ruins, jovem Del Aguirre


Ele caminhava devagar agora, parcialmente oculto pelas sombras, parcialmente iluminado pelos archotes. Passos indolentes que mal soavam no piso, as mãos enfiadas nos bolsos da calça escura. Anjo sorrateiro que assoviava baixinho alguma canção perdida de sua terra, um sentimento quente e aconchegante da terra natal. No fundo Ángel Del Aguirre era muitas vezes menino em corpo de homem, alguém que ainda não encontrou seu lugar no mundo e nem um pouso para sua cabeça a noite. Não que ele reclamasse. Tinha apenas dezessete anos e desses havia vivido 10 deles sem conforto ou luxo, correndo liberto nas ruas da Cidade de México, sobrevivendo à metrópole de asfalto, intensa e quente como o deserto. E então tudo se modificou.

Houve cores, sons, cheiros novos. O vermelho e o ocre das cidades andaluzas, o ritmo dos pés no flamenco, o cheiro de jasmim dos cabelos das espanholas. E ele? Era errado que ele quisesse provar de tudo? Que quisesse viver tudo ao mesmo tempo pois era voraz pela vida e sabia que a vida era tão rápida? Ele não achava que agia errado de forma alguma. Apenas vivia intensamente, respirava profundamente todos os ares que podia, provava ansioso todos os sabores que lhe eram ofertados e não tomava aquilo de graça, de forma nenhuma! Em troca oferecia sua intensidade, sua entrega. Ele era a chama, como todo Del Aguirre, e o mundo inteiro era o ar que o animava.

Sorriu pensando nessas coisas! Pensou também que a Del Diablo era tão forte que mesmo a única dose que havia tomado talvez já afetasse seu raciocínio. Angel apertou os passos, queria chegar logo a sonserina e deitar-se. Já havia conseguido seu intento naquela noite, observara de longe a sobrinha carregar o grifinório para fora da festa! “Vergonhosa” ele classificaria a atuação de Derfel na festa e certamente aquele era um primeiro golpe no respeito que Virginia depositava no irlandês (desejava inclusive que o irlandês desse a entender a espanhola que ela deveria ser “tosquiada” para ter certeza que irá parir boas “ovelhinhas”). Em breve não sobraria nada da relação fraternal dos dois grifinórios e ele finalmente teria sua aliança com a herdeira de seu pai.

Viu-se então de frente aos enxadristas que guardavam a entrada da casa e disse rapidamente a senha. Adentrou o salão comunal da sonserina, percebendo nesse instante que seus “companheiros” de festa também estavam lá sentados em um sofá. Parou por um instante e é digno de nota que as últimas pessoas que Ángel desejava ver naquele momento eram aqueles dois, pois desde a masmorra sentia-se estranhamente deslocado entre eles, quase como um luzeiro incomodo quando se deseja apenas a escuridão aconchegante da noite.

E Del Aguirre não gostava dessa posição.

Pretendia então cumprimenta-los rapidamente e de longe, seguindo de imediato para o dormitório onde sua cama e o sono dos justos o esperavam. Era o que ele pretendia, mas sentiu algo pousar sobre seu ombro e percebeu uma coruja negra que deveria estar esperando por ele ali já algum tempo, talvez encarapitada em algum móvel, escondida aguardando sua chegada. Soube pela cor da penugem da ave então que era algo enviado por seu pai, pois as corujas criadas no castelo para uso da família eram todas daquela espécie de pelagem escura e olhos inquisidores. Animais espertos! Bons mensageiros, incansáveis, que entregavam sua encomenda mesmo na mais fria das masmorras.

O mexicano retirou o pedaço de papel dobrado preso a perna da ave e ela imediatamente alçou voo, voltando a se encarapitar em um móvel mais alto, bem oculta. Abriu o pergaminho pomposo, imediatamente reconhecendo os selos e brasões da família de seu pai, o poderoso Cristobál Del Aguirre, e dedicou-se a leitura que prometia ser rápida.

E o mundo inteiro pareceu sem ar!

Ángel deu dois passos para frente, titubeante. E afrouxou o colarinho da camisa com a mão livre. O salão comunal parecia sufocante agora. Mais dois passos e ele sentou-se no sófa que estava próximo, deixando o pergaminho cair no chão. Sentia calor, sentia algo engasgado, algo que não podia dizer. Enfiou os dedos nodosos nos cachos escuros, alheio ao resto do mundo agora. Seu semblante duro como os cascos dos galeões espanhóis de outrora. Todo o peso do mundo sobre ombros tão jovens.

Na carta era possível ler, pouco abaixo do brasão da família espanhola, poucas palavras de saudação e, de forma muito econômica e direta, a informação de que o filho deveria preparar-se para voltar ao castelo Del Aguirre no recesso de natal, pois finalmente havia sido arranjado um casamento para ele e o no período mencionado seriam assinados o contrato pré-nupcial e dada uma festa em honra aos noivos, que depois poderiam voltar a Hogwarts para terminar seus estudos. Del Aguirre pai subscrevia com uma rubrica pomposa. Simples assim.

Toda sua vida decidida em poucas linhas que ele não escreveu. Mas não poderia se deixar abater não é? Amanhã seria um novo dia e ele iria pensar em alguma coisa, qualquer coisa, para recuperar sua vida de volta.

- Boa noite! – disse finalmente para o casal próximo e se encaminhava, com toda a pouca dignidade que ainda possuía, para o dormitório quando a ave encarapitada no móvel piou e o rapaz estancou seus próprios passos segurando nos lábios um palavrão. O que mais o velho queria? Sua alma?


¿Qué ha pasado?:


Resumo: Ángel volta para a sonserina e encontra Piers e Úna no Salão Comunal. Nesse momento recebe uma coruja de seu pai, informando sobre o seu já acertado noivado, fato que deixa o rapaz atordoado xD

-
Every rose has its thorn
Just like every night has its dawn


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Re: Where do we draw the line?

Mensagem por Piers Ainsworth em Seg Set 17, 2012 1:38 am


Ela riu quando ele declamou o Cântico dos Cânticos com uma dedicação digna de uma alma apaixonada, riu, só isso, como fazia tempo que ele não ouvia. Aquele som, que não durou muito como se de repente ela se lembrasse que não devia, ficou reverberando por ali, criando um espaço novo que não era o salão comunal da Sonserina nem, de fato, lugar nenhum no presente.

Alistair não estava bêbado, mas não podia ignorar que a dose da tequila que tinha tomado estava causando alguma coisa dentro dele, certamente não podia ignorar todos os sinais evidentes desde que tinha tomado a bebida, até o momento em que estava com uma mão no joelho, engolindo em seco e sentindo o estômago virar. Reconhecia os sinais - e reconhecia que não devia mais assim virar copos sem ter certeza do que realmente estava bebendo.

Foi por isso que se assustou, piscando pelo choque, quando ouviu outra pessoa e passadas pesadas e descoordenadas no salão comunal. Se virou a tempo de ver Ángel Del Aguirre - a quem podia culpar por todas as infames reações biológicas que vinha sofrendo, mas preferia não - e uma coruja. Observou mudo a cena, provavelmente ele e Ùna nem estavam sendo computados pela mente do outro que parecia aterrorizado enquanto lia alguma coisa, como se alguém muito próximo a ele tivesse falecido, sido morto, mutilado e jogando pela encosta em alguma estradinha de terra.

Por princípio, o marquês não se intrometia na vida dos outros, mas já definimos que ele não estava em um dia no qual estava tendo muito bom senso e, com o "Boa Noite" que soava mais como uma declaração de morte do mexicano, Piers decidiu que era um bom dia para ajudar alguém, ou ao menos tentar.

Fez um sinal de cabeça para Ùna, uma conversa muda que somente os dois eram capazes de entender, e assim ela se levantou junto como ele, como sempre, seguindo seus passos enquanto ele ia até o mexicano. Piers ainda se abaixou para pegar o papel que tinha caído, talvez houvesse uma pista para saber o que tinha acontecido ao Del Aguirre que, nem vinte minutos antes, estava gargalhando com o resultado da festa. Mas ele não soube de imediato, porque passou o papel para as mãos de sua guardiã, naquele acordo mudo entre eles, para que ela lesse enquanto ele partia para uma abordagem mais direta.


- Não parece tão boa assim, não pra você. - ele respondeu sério, uma mão se fechando rápido no ombro do outro como para demonstrar empatia. Era uma pessoa bastante pragmática, embora eloquente até demais, mas nesse momento sentia que quanto mais incisivo se portasse, talvez fosse melhor - O que aconteceu? É alguma coisa que podemos ajudar? - porque em problemas, Piers tinha que admitir, ele já estava começando a se tornar versado em resoluções.

Resumo:
Ao perceber Ángel Del Aguirre adentrar no salão, os outros dois começam a observá-lo e veem o desenrolar da cena. Num acordo mútuo, provavelmente mais pela vontade dela, Piers e Ùna vão até ele para descobrir o que aconteceu - o marquês entregando o papel caído a ela sem nem ler e, por sua vez, perguntando diretamente ao outro o que houve.

OFF- Menor que minha conta bancária [2]

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Re: Where do we draw the line?

Mensagem por Ùna Fairbairn em Seg Set 17, 2012 3:30 am


A parte mais dura de ver-se subitamente tornada a guarda-costas de seu melhor amigo de infância, responsável por mantê-lo na linha de acordo com os mandos da família dele, era perceber que, mesmo depois de seis anos e muito empenho, ele continuava sendo seu melhor amigo. Geralmente conseguia empurrar essa noção para algum lugar apagado, bem no fundo da consciência, por mais que ele fosse quase a única companhia que ela tinha em Hogwarts. Mas havia também as vezes em que ele também parecia se lembrar da amizade que costumavam ter, da proximidade; era em momentos assim que tudo era colocado a perder.

Se acabou rindo da declamação improvisada, era menos por culpa da égua e mais por conta de tudo que haviam passado antes – desde a inversão de papéis na festa até o esboço de briga. Pequenas coisas que nunca aconteciam entre os dois, e que quando surgiam, derrubavam as defesas dela. Um riso e só, mas lá estava ele, sentado mais perto, pegando a mão dela e agradecendo por ela não ser como as outras. A mão dela fechada na dele, e era o bastante para que ela se lembrasse de quem eles costumavam ser, brincadeiras de cavaleiros e princesas em Tintagel; para que se esquecesse do compromisso firmado com os Ainsworth e, principalmente, do contrato assinado pelos Fairbairn.

Ouviu o ruído vindo lá de fora apenas uma fração de segundo antes que Ángel Del Aguirre surgisse também no Salão Comunal. Quase que instintivamente, Ùna retesou o corpo, olhos estreitos e atentos, já dando como certo o surgimento de algum comentário maldoso – por que as pessoas em Hogwarts tendiam a se importar tanto com a vida alheia e cuidavam tão mal da própria lhe seria eternamente um mistério. Surpreendeu-se, portanto, quando a provocação não veio; a bem da verdade, o hispânico chegou a parecer quase disposto a evita-los, mal olhando em sua direção até ser interrompido por uma coruja.

É verdade que Ùna condenava terminantemente o hábito de se acompanhar as ações dos outros como se fossem um espetáculo a ser assistido, mas era difícil despregar os olhos do moreno conforme a cor fugia do rosto dele e o ar parecia faltar nos pulmões; conforme ele praticamente se deixava cair em outro dos sofás, decididamente perturbado pelo conteúdo da carta que, em questão de instantes, jazia no chão.

Também tinha de dar o braço a torcer: Del Aguirre definitivamente tinha mais brios do que aquela disposição largada deixava transparecer. Tão logo recobrou o fôlego, ele se ergueu e, vestindo mais uma vez a máscara que tão bem lhe servia (quem ali não tinha uma?), desejou uma boa noite aos outros e foi se encaminhando para a saída. Isso, claro, até que a ave – uma coruja negra que em nada deixava a desejar aos corvos e urubus em termos de agouro – piasse de onde estava, detendo os passos dele. Foi quando Piers, após uma breve troca de olhares e um menear de cabeça, tudo que precisavam para se entender quando era conveniente, levantou-se e aproximou-se do outro sonserino; a Ùna, que o seguira de perto, coube verificar a correspondência abandonada.

A primeira coisa que sentiu foi um nó se formando na garganta.

Então Del Aguirre estava agora entregue ao mesmo destino que ela: noivo sem sequer saber de quem. E se ela tinha um bom motivo repleto de nomes para hoje repudiar a decisão dos pais, o hispânico devia ter centenas deles, considerando a fama de libertino que o antecedia onde pisasse. Ela só podia supor que seria entregue ao futuro esposo após a formatura; ele, por sua vez, seria apresentado à noiva em questão de alguns meses, em uma cerimônia depois da qual ambos poderiam voltar a Hogwarts para terminar seus estudos. Ela estava ali, então, sob o mesmo teto que eles.

Talvez fosse mesmo Ùna, malgrado o fato de que lhe parecia extremamente improvável que sua família fosse travar conhecimento com gente tão distante, considerando o quanto valorizavam as relações de confiança. Outro fator importante era o fato de que finalmente haviam arranjado o casamento dele; decerto era coisa recente, enquanto Ùna partira para Hogwarts levando no pescoço o maldito anel que algum dia entregaria ao homem que iria desposá-la – e que pouco tempo depois arrebentaria o crânio contra as rochas do litoral de Tintagel em um acidente terrível, mas essa era outra história. O importante era saber mais sobre o caso de Del Aguirre. Talvez os Fairbairn tivessem feito um acordo em aberto com os espanhóis no passado; ou talvez não fosse nada disso, mas sempre podia haver uma lição a se tirar em um dilema tão parecido com o dela própria.

Em silêncio, aproximou-se dos rapazes que conversavam, dobrando diligentemente a carta traziada pela ave negra. Parou bem ao lado de Piers, como a sombra que era, estendendo ao outro o pergaminho.

Resumo:
Atenta aos passos de Ángel Del Aguirre desde o momento em que ele entrou no Salão Comunal, Ùna acompanha a consternação do mexicano ao ler a carta enviada pela família dele. Quando Piers passa o documento a ela, a surpresa: o moreno libertino teria um casamento arranjado com uma noiva cuja identidade desconhecia – exatamente a mesma situação pela qual Ùna passa. Ela devolve a carta, então, disposta a se informar mais sobre o problema do outro.

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Re: Where do we draw the line?

Mensagem por Ángel Del Aguirre em Seg Set 17, 2012 7:50 pm


VI
Esto no es una canción de amor.


Ángel sabia por que a coruja havia piado. Eram animais espertos aqueles criados na propriedade de seu pai e não retornavam enquanto não tivessem cumprido sua missão. O animal avisava-o que seu senhor esperava uma resposta, mas mesmo sabendo o significado daquilo o rapaz não conseguia deixar de ver o piar da coruja como um mau agouro, tal qual aquele terrível corvo do poema a lembra-lo que nunca mais teria sua vida de volta. Nunca mais. Estava propenso a acreditar nisso, mas talvez fosse a aura daquela noite em que situações estranhas aconteciam. Tão estranhas como o aristocrático Piers Ainsworth aproximar-se dele, Ángel Del Aguirre, o infame bastardo e oferecer ajuda. Tão assustadoras como a altiva señorita Úna Fairbairn aproximar-se em seguida e de forma gentil entregar-lhe o que ele descobriu ser o pergaminho que acabara de receber e, tão sem chão estava, que esqueceu em algum lugar da sala.

- Obrigado! – Agradeceu a moça, realmente sincero, mas ainda assim bastante surpreso e um tanto desconfiado com toda a solicitude daqueles dois. Aquela era sua natureza de desconfiar, pois sabia do que ele próprio era capaz e os três que estavam naquela sala não haviam sido separados à sonserina por acaso – Eu ãh...preciso escrever uma resposta para essa carta senão esse maldito pássaro vai passar a noite piando empoleirado na cabeceira da minha cama. - Deu dois passos em direção às mesas destinadas a tal fim. Mandaria a resposta e voltaria seus passos em direção ao quarto e algumas horas depois ele estaria refeito. Isso era o que o moreno tencionava fazer, mas a verdade é que um homem de sangue latino não afogava os problemas em travesseiros solitários e frios. Preferia estar em sua própria terra e embrenhar-se em algum bar de fama duvidosa, ar ébrio e quente, pedir uma garrafa inteira da bebida de maior teor alcoólico e perder os sentidos até se resignar ou rebelar-se de vez. Se estivesse na Espanha ou em sua Ciudad De México era isso que faria.

A verdade é que ele não queria ficar sozinho aquela noite com tal noticia entalada na garganta.

Talvez só por isso, unicamente por isso que o mexicano deu meia volta, ainda receoso e desconfiado, aqueles olhos amendoados em uma interrogação dirigida ao casal, uma interrogação que não seria feita em palavras, mas só pedia que ambos fossem confidentes e dignos da sua confiança. Fosse como fosse, apesar da fama de libertino que antecedia Ángel Del Aguirre, a verdade é que ele não queria sua vida exposta em praça pública e embora sua especialidade não fosse o confronto direto, sabia bem pagar por outras vias aqueles que não correspondessem suas expectativas. Seu olhar, tão afiado como o olhar de uma serpente, era também um aviso.

- Eu – ele começou indeciso e toda a mascara de autossuficiência caiu, deixando a mostra o rapaz que não sabia o que fazer diante de uma situação que passava a sua compreensão - ... A vida é mesmo engraçada, não? – E riu nervoso. Seus dentes brancos mal surgindo no semblante pesado. - Eu passei a maior parte da minha vida sem ter o que chamam de “família” propriamente dita, vivendo da forma mais miserável que se possa imaginar e então fui alçado a membro de uma estirpe poderosa. Não pelos meios convencionais, mais ainda assim eu me tornei parte da família dos Del Aguirre. Não! – o rapaz se corrigiu, balançando a cabeça, resoluto - Não uma família, mas um clã seria melhor para designar aquilo. Eu recebi deles educação, renome, uma existência luxuosa, a possibilidade de viver tudo o que não tinha vivido até então. Mas agora, meus “amigos” , é hora de pagar a conta! De assumir “meus deveres” com meu pai e tornar-me um “homem de respeito”. Foi essa a palavra que ele usou quando se despediu na sexta feira. Velho maldito, já sabia de tudo! – Angel se enfurecia em uma crescente e socou o ar como se o orgulhoso Cristobal Del Aguirre pudesse estar ali - Essa carta diz que meu futuro já está escrito, que no recesso de natal eu irei assinar um contrato pré-nupcial e retornarei praticamente casado para cá com uma mulher que eu nunca vi! Mas isso não importa não é verdade? A vida não é minha, não é verdade? Essa vida não é minha para que eu faça dela o que quero! Case com quem quiser! Viva da forma como me aprouver!

A coruja escura como a noite piou novamente tal como o corvo agourento do poema. “Nunca mais” o mexicano pensou antes de afogar as mãos nos cabelos revoltos.

- Se você tiver qualquer coisa alcoolica forte o bastante para me deixar inconsciente, Piers, eu acho que seria de grande ajuda nesse momento! - E sorriu por fim. Que mais podia fazer senão rir de tudo aquilo?


¿Qué ha pasado?:


Resumo: Ángel, um tanto desconfiado, conta à Úna e Piers as novidades sobre seu futuro casório com uma moça misteriosa.

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Re: Where do we draw the line?

Mensagem por Piers Ainsworth em Ter Set 18, 2012 8:24 pm


Ele trocou um olhar com Ùna assim que as ações de Ángel Del Aguirre pareceram não fazer mais sentido. Ela, porém, respondeu com um olhar esquisito, algo diferente depois que tinha lido a bendita correspondência que agora estava de volta às mãos de seu verdadeiro dono. Havia ainda algo de macabro naquela coruja, não se parecia muito com aquelas que eram criadas na propriedade de sua família e nas dele, lembrava mais os falcões que tinha herdado do avô, agourentos e perigosos.

Fora que o mexicano parecia compenetrado em fingir que estava tudo bem, sem muito sucesso, e dispensar os dois que estavam ali. Piers entendia disso, não gostava que outras pessoas soubessem de seus problemas, tinha construído toda uma máscara, remendada pelo seu orgulho, e a vestia todos os dias tão logo levantava da cama e se lembrava que era gente, era melhor do que se todos se dessem conta da verdade e, às vezes, mesmo ele se esquecia que usava uma máscara e começava a creditar no personagem.

Orgulho, senhoras e senhores, a sonserina tinha sido construída com tijolos de puro orgulho e soberba. E todo o ano, novos sonserinos adicionavam à pilha mais um tijolo feito de seus próprios brios, ele fazia sua parte todos os anos. Apostava um braço que Del Aguirre era tão orgulhoso quanto ele próprio, algo que ia no sangue de cada um daquela casa, e por isso pretendia fazer vistas grossas e fingir que nenhum deles tinha tocado no assunto se assim o outro preferisse - e daí o mundo podia voltar ao normal.

Evidente, isso nunca aconteceu. E todos os parafusos entraram em ordem com as engrenagens assim que o outro sonserino pareceu atirar sua máscara pela janela e contar sobre o que lhe acontecia. Era uma torrente de palavras como Piers nunca o tinha ouvido cuspir, sem o constante tom jocoso e ígneo de sempre, com uma secura quase agourenta. Deixou que ele falasse, apenas prestando atenção e sentindo uma estranha empatia pelo outro. Bem, talvez não tão estranha assim.

Alistair não era um bastardo (termo ridículo aliás, coisa de séculos remotos, mas tinha gente que ainda teimava em usar, os rematados tolos), nem tinha crescido na adversidade, mas ele entendia Ángel Del Aguirre. Etienne Col of Ainsworth era um homem tido como íntegro e muito menos indolente que a maioria de sua classe, também levava seus compromissos a sério e costumava agir movido pelo racional e não pelos seus sentimentos. Isso era bom para todas as pessoas, exceto para seus filhos, exceto para com aqueles que ele devia demonstrar afeto, amor, e não só uma pálida camada de carinho. Era ainda pior para o mais novo, porque ao menos Cormac recebia mais atenção e alguns elogios, mas não Piers.

E o marquês de Haywood também temia o dia que receberia sua própria convocação. Porque era isso, era uma convocação e tanto ele como Del Aguirre nada mais eram do que peças em um enorme tabuleiro de um jogo que misturava xadrez e gamão. Simples peças à disposição do jogador num jogo incompreensível, era isso.

A única diferença era que Piers já havia há muito aceitado o costume de sua família e, ao invés de berrar sua frustração ao mundo, traçava planos. Alguns eram ridículos, baseados em sua própria e inócua esperança, coisas que jamais aconteceriam, mas os outros eram sólidos e, até agora, tinham funcionado muito bem porque ele nunca tinha recebido nenhuma carta de sua família como a que o outro tinha recebido. Entendia, porém, que era uma novidade para Ángel, algo que destruía o chão sob seus pés entendeu que ele não estava pronto para engolir a imposição paterna mas também não parecia encontrar um modo de sair dela.

Empatia, foi o que Piers sentiu ao ver os ombros caídos e a pose derrotada, o tom seco de voz como se tudo diante dele estivesse destruído.

Empatia - que o levou a respirar fundo, soltar o ar dos pulmões num arremedo de suspiro e erguer a palma de uma mão como quem pede calma, o rosto limpo servindo de moldura para olhos azuis extremamente calculistas.


- Bem vindo ao mercado de casamentos, onde somos só os bois enfeitados esperando para ver quem dá o leilão mais alto - o sorriso que abriu de novo mostrava todos os dentes e uma raiva muito justa de todo esse ridículo sistema - Você acaba de passar pelo passo principal da cartilha, que é sentir ódio, frustração e pena de si mesmo. Acredite, eu sei. E nem pretendo entrar no mérito de que isso é justo ou injusto ou blábláblá, até porque realmente não importa, importa? A fase da negação deve vir logo, mas é melhor a gente pular ela e a ébria também, enquanto você senta aí, para de se lamentar um pouco e começa a planejar o que quer fazer a partir disso. Nem preciso perguntar se você quer se casar, é evidente que não.

E nisso, mais uma vez, o moreno e o loiro eram tão diferentes entre si como o dia e a noite. Alistair não era nada avesso à ideia do matrimônio, muito pelo contrário. Queria sair de Hogwarts, começar a cuidar de verdade de seus negócios - porque ele não era um herdeiro, ele já tinha herdado - se assentar e ter uma família. O problema dele não era esse, o problema é que ele não iria aguentar ser vendido para a melhor oferta, não iria aguentar uma mulher que jamais tinha conhecido ou que simplesmente não tolerava, não ia aguentar até porque, todo esse tempo, aqueles planos todos sempre desaguavam nas ridículas ilusões e ele não sabia mais se ia conseguir gostar da sua vida se de fato não chegasse lá.

Era diferente do outro sonserino nisso, mas não podia deixar de sentir menos empatia só porque o objetivo final deles era diferente.


- Isso vai soar extremamente ridículo e insensível e eu talvez procurasse te dizer de um jeito melhor, mas não. Você está precisando de solução e não de conforto, abraços e um cházinho regado com uísque. A vida é sua. Isso a gente nem discute, a vida é sua mas o seu pai acha que não e parece estar fazendo um bom trabalho em te convencer disso. É claro que não seria proveitoso nem bom pra você só ignorar isso e romper com a sua família nem nada dessas coisas extremistas. Eu, por exemplo, tenho certeza que tem um contrato me esperando mas não pretendo viver na pobreza só pra desagradar meu pai, não. O negócio, Del Aguirre, é que você tem que encontrar um jeito do seu pai desfazer isso. Entende? Não você quebrar tudo, não. Arrumar um jeito, qualquer que seja ele, de que ele se convença por si só a retirar essa ridícula imposição. Ele ou a família da sua noiva. Algo que o torne, de verdade, um alvo desencorajador. Você não tem ideia mesmo de quem é a escolhida? Deve ser alguém dessa escola, podemos comparar nossas listas.

E quem sabe assim Del Aguirre tivesse mais sorte do que o próprio Piers? Porque muito embora conseguisse adiar ad eternum compromisso algum, isso não significava que aquela ridícula esperança algum dia jamais fosse ser alcançada. Era melhor que algum deles realmente conseguisse o que queria, podia se sentir consolado assim. Olhou para o lado, para onde Ùna estava, ainda mais silenciosa do que o costume. De fato, algumas coisas jamais mudariam.

Resumo:
Diante de um Ángel Del Aguirre muito diferente do habitual e com a explicação para a súbita mudança, ao invés de oferecer os pêsames, algumas palavras de auto-ajuda ou o que fosse, Alistair acha mais proveitoso fazê-lo acordar daquele torpor todo e tenta oferecer alguns conselhos bem mais práticos.

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Re: Where do we draw the line?

Mensagem por Ùna Fairbairn em Ter Set 18, 2012 10:45 pm


De todas as pessoas em Hogwarts – não, no mundo inteiro –, era justamente com Del Aguirre e seu recém-revelado drama pessoal que Ùna tinha de se identificar. Se isso não era o bastante para comprovar a ironia do destino, ela não imaginava o que mais poderia ser. E foi movida por essa empatia triste, por saber na carne exatamente o que ele estava passando, que se dignou a dobrar a carta e devolvê-la ao dono em um gesto que não continha nada além de educação e talvez mesmo uma dose de gentileza. E foi o mesmo sentimento que a impeliu a menear a cabeça positivamente com o agradecimento do hispânico, mas não deixou que ela encarasse Piers como se nada fora do normal estivesse acontecendo. Nem mesmo ela tinha estômago para tanto.

Não esperava, contudo, que o rapaz que mantivera silêncio após a oferta de ajuda acabasse mudando de ideia de forma tão drástica, derramando o coração para duas pessoas que não eram nada mais que seus colegas. Em tese, Ùna censuraria uma atitude dessas, mas não se viu capaz disso; o máximo que conseguia era comparar à própria decisão de esconder o problema de todos, seu melhor amigo incluso, mesmo que isso só agravasse a situação entre eles. Tendo em vista o ponto em que estavam hoje, ela chegava a questionar quem estava mais certo, Del Aguirre ou ela mesma.

Provavelmente estavam os dois errados, isso sim. E esse era exatamente o tipo de pergunta que não levaria a lugar algum – sua decisão já estava tomada havia muito tempo, e ela não era de voltar atrás em sua palavra.

Não que a resolução tornasse mais fácil encarar aquele espelho torto de sua própria desgraça, a derrota impressa em olhos verdes que, ao contrário dos dela, não resistiam em transparecer o que ia na alma. Mais do que empatia, o que sentia por Del Aguirre naquele momento era inveja, pura e simples; inveja da liberdade que ele tinha para dizer o que quisesse a quem bem entendesse.

Também não estava preparada para o que viria a seguir. A bem da verdade, não havia coisa alguma no mundo que a pudesse preparar para ouvir Piers tratar justamente do problema dela, ainda que sem saber. Ouvi-lo falar de fases as quais ela nunca se dera ao luxo de ter – ainda que escondesse dos outros, jamais negara para si mesma o noivado – ou de providências que ela não poderia tomar por se sentir inquestionavelmente amarrada ao compromisso com a família.

(E como acreditar que sua própria vida lhe pertence quando se é forçada a viver em função de outra pessoa? Para o marquês, era fácil falar.)

Não que ela não tivesse seus planos. Não pretendia ficar amarrada a alguém que sequer conhecia para sempre, sem dúvida, mas tampouco podia trair a decisão tomada pelos pais; era de se supor que eles não a empenhariam caso não se tratasse de algo grande para o bem dos Fairbairn, conhecia bem a ambição e a esperteza da mãe. Mas cogitava sim livrar-se do esposo tão logo possível, ainda que não soubesse bem para quê. Afinal, era bem capaz de se livrar de uma gaiola para cair em outra, condenada a vigiar e escoltar os filhos que o Marquês de Haywood viria a ter com sua futura esposinha, quem quer que fosse a moça escolhida na tal lista.

E como se ele pudesse ouvir seus pensamentos, na mesma hora o olhar de Piers caiu sobre Ùna – justo quando ela não tinha a menor condição de encará-lo de volta sem denunciar que havia qualquer coisa de muito errada ali. Tampouco podia baixar os olhos; seria como assinar uma confissão de culpa. Tudo que fez, portanto, foi soltar um suspiro lacônico, como se já estivesse cansada daquela conversa, afastando-se alguns passos. Foi se acomodar junto à lareira, de pé mesmo, como se simplesmente tivesse decidido que os rapazes não precisavam dela ali. De toda forma, era plenamente capaz de fazer seu serviço daquela distância.

Assim que conseguisse voltar a olhar para eles, claro.


Resumo:
Refletindo sobre a situação de Ángel e sua própria, Ùna acaba afetada pelo discurso de Piers e prefere se afastar um pouco dos dois.

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Re: Where do we draw the line?

Mensagem por Ángel Del Aguirre em Sex Set 21, 2012 8:52 am


VI
Um sonserino em uma familia de coléricos.


Os Del Aguirre certamente eram uma família diferente dos Ainsworth, sonserinos por excelência enquanto os primeiros eram tradicionais coléricos de Beauxbatons. A questão do casamento entre os coléricos era muito clara: mandava quem era mais forte e obedecia quem tinha juízo. Não era apenas por ser patriarca que Cristóbal controlava a linhagem, era por ser também o mais forte entre eles, o mais disposto até a ir às últimas consequências e Ángel tinha apenas uma vaga ideia da briga entre seu pai e a filha mais velha, Luz Del Aguirre, justamente iniciada quando tentaram colocar os enfeites na morena e leva-la ao “mercado de bois” mencionado por Piers. Luz não cumpriu seus deveres para com a família, mas vive exilada na França, longe de sua terra natal tão amada. Ela é independente, mas construiu seu nome por mérito próprio e contra a vontade de seu pai. Uma potencia inspiradora, mas um tanto trabalhosa e ele, Ángel, preferia meios menos radicais que estes. Preferia não perder nada.

Mas a verdade é que não tinha tido muito tempo para pensar no assunto, pelo menos não tanto tempo quanto Piers. O mexicano foi criado de forma humilde, correndo livre em ruas nada seguras e ainda assim sedutoras, nada sabia das sinuosidades dos aristocratas. Descobriu sua ascendência espanhola já menino criado de uma forma torta, nascido da liberdade, ainda assim tinha jogo de cintura para adaptar-se e aprender rápido e nas festas do castelo Del Aguirre era mais popular que a própria Virgínia, a herdeira natural de tudo aquilo, mas um tanto desligada do social e mais preocupada em treinar seus dotes bélicos.

Ángel foi uma aquisição inteligente de Cristobal, um rosto popular para os Del Aguirre enquanto Virgínia seria o braço forte. O mexicano a principio pensou que seria destinado a casar com a sobrinha, mas descobriu que a revolta de Luzita deu a chance à filha de escolher seu próprio noivo dentro do que seria adequado para a família (afinal ela podia voltar para as asas da mãe a qualquer momento e conscientes disso os avós fariam de um tudo para mantê-la no castelo por vontade própria). Mas ele era diferente, não tinha ninguém poderoso para voltar caso rompesse com seu pai e certamente queriam usa-lo como moeda de troca para algum acordo diplomático entre famílias de renome.

O mexicano pensava em todas essas coisas enquanto Piers falava. E o mais estranho era que concordava com o outro rapaz. Inusitadamente loiro escondia muito bom senso e inteligência atrás de seus dentes tortos. Não tinha a menor vontade de choramingar seu destino decidido a revelia, antes preferia lutar contra ele, não como luz havia feito muitos anos antes, mas de uma forma sonserina, usando os subterfúgios próprios da aristocracia, mantendo sua já suada posição na casa do pai. O mexicano inspirou fundo o ar, enchendo o peito, orgulhoso e cansado de bancar o fraco. Ele não era gado para ser vendido e esquartejado, suas partes dadas a quem pagasse mais. Era um Del Aguirre e faria sua vontade valer. Se tivesse que casar seria com alguém de sua escolha e na hora que lhe aprouvesse, assim quisesse seu pai ou não.

- Obrigado! – disse sincero ao outro, não sem antes notar que a garota havia se afastado de ambos. Por um segundo pensou que talvez ela se sentisse próxima a ele por todo aquele drama, afinal também Úna era uma aristocrata de fato, também deveria se preparar para em breve viver as imposições de um casamento arranjado e o mexicano sabia que para as mulheres aquilo sempre seria mais difícil. No entanto também pensou que a moça em questão lembrava-lhe mais uma geleira imutável e intocável, capaz de aguentar a pressão de um sol de verão e ainda assim não derreter. Concluiu então que o mais provável é que toda aquela conversa era disparatada demais para ela e que preferia se afastar e talvez devotar seus pensamentos em algo mais relevante que os problemas pessoais de um desconhecido completo. – Um segundo, preciso responder essa carta.

E indo a mesa mais próxima, Ángel sacou pergaminho e pena, rascunhando rapidamente a resposta de um filho obediente e solicito para o pai. Fez sinal a coruja que pousou próximo a ele e já com a resposta bem presa a pata alçou voo para fora das masmorras. A coruja lhe inspirava desconfiança apesar de saber que era um animal comum da propriedade. Cristobal não era animago de coruja e não tinha semelhante familiar, mas era bom se precaver. Retornou sua atenção a Piers, se aproximando do outro sonserino e retomou a conversa.

– Suas palavras foram de muita ajuda e não, não foram insensíveis ou ridículas, foram bastante acertadas. Não quero lamentar, não de verdade, e beber é sempre melhor quando se faz por motivos alegres. O problema não vai se resolver sozinho, não é verdade? Então é melhor continuar sóbrio e não ter os pensamentos anuviados pelo negativismo. Você tem toda razão e obrigado por me fazer ver isto! Eu tinha esperanças de que minha sobrinha, Virgínia, a outra Del Aguirre grifinória, pudesse interceder a meu favor com meu pai. Ela possui uma posição melhor que a nossa, anos atrás a mãe dela fez uma revolução para não casar e conseguiu, dando à filha a possibilidade de escolher quem quer por marido dentre o que meu pai classificaria como “elegíveis”. Virgínia tem mais influencia no castelo dos Del Aguirre que eu e certamente poderia conseguir convencer o avô dela, que é o meu pai também, a ser mais condescendente em relação ao meu próprio casamento. Infelizmente não somos próximos. E de qualquer forma isso agora é irrelevante já que o contrato já está firmado, como você falou agora preciso é de um plano que faça a família da noiva desistir (o que acho difícil porque isso envolveria enfrentar meu pai e por Nossa Senhora de Guadalupe ele é um homem bastante intimidante ) ou fazer meu pai crer que a moça não tem honra suficiente ou brios para carregar o nome dos Del Aguirre. Em qualquer uma das situações preciso saber quem ela é e não, não tenho a mínima ideia de quem possa ser -

O mexicano suspirou cansado, irritado por ter que lidar com tudo aquilo, mas manteve seu porte altivo, em momentos como aquele precisava se lembrar que era capaz de tudo como os exploradores de sua terra em outros tempos.

- Mas tenho algumas conjecturas: 1° ela deve ser pertencente a uma família aristocrata ou de boas posses 2° ela não deve ser muito mais nova que eu ou talvez seja da mesma idade, pois senão eles não fariam um contrato pré-nupcial tão cedo, esperariam ao menos a garota estar próximo de formar. 3° é de Hogwarts porque Beauxbatons, e suponho Durmstrang, possuem calendários letivos diferentes e na carta que acabei de receber diz que após assinar o contrato “os noivos poderão retornar à Hogwarts para terminar os estudos” . E sim, Ainsworth, se você já possui uma lista de possíveis noivas, eu gostaria de ver para comparar com o que meu pai provavelmente consideraria desejável a esposa de um Del Aguirre! Resumindo: aristocrata ou rica, entre o sexto e sétimo ano e estudante de Hogwarts


¿Qué ha pasado?:


Resumo: Ángel, mais animado, responde a carta de seu pai e começa a confabular sobre quem seria a sua noiva com Piers, não sem antes notar o afastamento de Ùna e pensar em algumas hipoteses que poderiam explicar tal atitude.

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Re: Where do we draw the line?

Mensagem por Piers Ainsworth em Sex Set 21, 2012 7:47 pm


Mal Del Aguirre parecia voltar ao seu estado normal e agradecê-lo, quando ela se moveu para longe, escorada contra a lareira como se a conversa entre eles fosse realmente estúpida e sem méritos. Provavelmente, para ela, era assim. Ùna Fairbairn sempre colocaria os desígnios de sua família acima de qualquer coisa, devia pensar o quão imbecis os dois eram para tentar ir contra a maré imposta por seus pais. "We carry the duty that cannot be forsworn", ela era possivelmente aquela que mais levava a sério o lema da família Fairbairn, ou não estaria ali, de pajem de alguém que ela provavelmente detestava.

Mas Piers meneou a cabeça e colocou o assunto de lado (presente, sempre presente como ela, mas ao fundo) porque, no momento, precisava ajudar o outro. Era estranho que ele, logo ele, oferecesse ajuda sem esperar nada em troca, e futuramente podia encontrar alguma explicação racional para isso, mas não agora. Agora ele esperava de pé, braços cruzados na frente do corpo, enquanto o outro sonserino respondia à carta de convocação do pai. E, de alguma forma estranha, não sentia o olhar que sempre queimava suas costas. Começou a se preocupar.

Deixou que Ángel explicasse a situação, apenas concordando com a cabeça em sinal de que entendia a história do outro. Entendia mesmo, não era a coisa mais incomum do universo, mas de repente o sonserino mexicano pareceu fazer mais sentido para o marquês, algumas ações perdidas aqui e acolá também. No final das contas. Ángel Del Aguirre podia não saber, mas era tão colérico quantos seus parentes, exceto que, além de colérico, ele era sonserino e, portanto, logo após uma onda violenta de emoções, vinha o controle. Ali, agora mesmo, era fácil ver Ángel Del Aguirre agindo como um perfeito sonserino, enumerando fatores, explicando os riscos, tentando entender a situação e explorá-la da melhor maneira possível.

Era até mais sonserino que o próprio Alistair, porque o loiro bem sabia que nem sempre seu cérebro conseguia a melhor sobre suas emoções. Quase nunca quando se tratava dela, aliás. Não, quando era ela, quem mandava era seu orgulho, erguido em forma de escudo e lança. E era sorte, pura sorte, que ela não soubesse o poder que tinha em mãos. Não ia saber porque ele jamais contaria, nunca ia entregar uma ridícula vantagem daquelas para ela, não quando ela não se importava. Entregar a ela que não conseguia pensar direito quando ela estava perto não estava em seus planos pelos próximos séculos. E, de todo jeito, tinha outra tarefa em mãos para distrai-lo disso nesse momento e-


- Resumindo: aristocrata ou rica, entre o sexto e sétimo ano e estudante de Hogwarts.

E exceto que com uma frase do moreno, Alistair voltava imediatamente os olhos para ela, sem nenhum disfarce e nenhuma máscara colocada no seu rosto. Não tinha dado tempo, apenas tinha os olhos abertos, enxergando-a por um ângulo absolutamente novo, porque ela era a imagem imediata que se encaixava no padrão que Ángel tinha acabado de resumir. Teve tempo e espírito, após alguns momentos de eternidade e sufoco, suficientes para engolir, piscar e voltar o rosto novamente para ele, seu cérebro por algum motivo resolvendo colaborar quando o assunto era ela.

Não podia ser a escolhida dos Del Aguirre, ou melhor, era a família dela quem não aceitaria o trato. Objetivamente falando, eles eram de muito longe e levariam a herdeira dos Fairbairn para a Espanha, deixando-a muito distante de Tintagel e os deveres tão elevados pelos seus familiares. Não bastasse isso, eles teriam ao menos tido a delicadeza de avisá-la também e, o mexicano que o perdoasse, mas era fato notório que ele era visto por aí praticando "coleguismos" com mais de uma garota, nem todas elas descompromissadas. Não, os Fairbairn esperariam um poço de retidão, e fariam questão de estabelecer no contrato marital que o tio Logan poderia arrancar uma das bolas do nubente caso ele olhasse torto para o lado. Com uma foice. Não esterilizada. Tinha certeza disso. Não era ela.

Respirou.


- Hum... isso facilita um pouco, mas nem tanto assim. Você ficaria surpreso com quantas pessoas se encaixariam nessa lista. Ao menos podemos retirar a sua sobrinha, já é uma grande ajuda. A Cousland, grifinória, também porque, bem... ela perdeu metade dos requisitos, segundo os jornais, num infeliz incidente nas férias. A Alleborn está um ano abaixo também... hum... vou pensar em alguns nomes pra essa sua lista, preciso pensar bem. Mas pode colocar Yasmin Sadik aí, setimanista, lufana, rica e herdeira e atualmente o posto número um da minha lista de quem evitar em Hogwarts. Faz assim, me dá um dia, e eu faço uma lista em ordem de perigo, pode ser?

Resumo:
Descartando de imediato a possibilidade da sua guarda-costas ser a eleita dos Del Aguirre, Ainsworth começa a tentar eliminar outras garotas da lista do sonserino, exceto que com um copo de tequila nadando em suas veias, não consegue se concentrar direito.

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Re: Where do we draw the line?

Mensagem por Ùna Fairbairn em Sab Set 22, 2012 1:55 am


Malditos fossem o Marquês de Haywood e seu mais novo amigo.

Depois que tomara o cuidado de se afastar dos dois como se simplesmente não quisesse mais tomar parte na conversa, Ùna manteve-se atenta, olhos fixos na lareira mas ouvidos bem abertos para os movimentos e falas dos outros ocupantes do Salão Comunal – mesmo que nada houvesse de novo em suas ações. Cumprimentou Del Aguirre mentalmente pela presença de espírito de despachar a ave agourenta antes de se aprofundar no debate iniciado por Piers; sabe lá Deus do que aquela coruja seria capaz caso tivesse acesso a mais informação do que deveria. Em termos gerais a linha de raciocínio do hispânico não oferecia nada que ela não esperasse – o grande problema foi a reação que aquelas últimas palavras provocaram tanto nela quanto em seu protegido.

“Aristocrata ou rica, entre o sexto e sétimo ano e estudante de Hogwarts”, ele dissera, e imediatamente a sonserina crispou os lábios e franziu o cenho; não tinha como não se reconhecer na categoria listada e mesmo que tivesse dado a possibilidade como ínfima instantes antes, ainda lhe causada um desconforto enorme, um nó na garganta, considerar que talvez estivesse bem na frente do famigerado noivo, que – ironia das ironias – recebia aberta e alegremente os conselhos do jovem Ainsworth.

A única coisa pior do que esse mal-estar era o fato de Piers, o maldito, voltar-se em sua direção bem quando ela não conseguira se conter, o desagrado claro em seu rosto lívido. Seus olhos encontraram os dele – azuis e arregalados, tomados por qualquer coisa que ela não conseguia ler e nem conseguiria, pois se viu forçada a desviar o olhar.

Ao menos o instante de silêncio necessário para que o marquês colocasse as engrenagens do cérebro para rodar novamente bastou para que ela recobrasse a compostura.

– Hum... Vou pensar em alguns nomes pra essa sua lista, preciso pensar bem. Mas pode colocar Yasmin Sadik aí, setimanista, lufana, rica e herdeira e atualmente o posto número um da minha lista de quem evitar em Hogwarts. Faz assim, me dá um dia, e eu faço uma lista em ordem de perigo, pode ser?

Um dia. Boa piada. Não, caríssimo, não seria necessário fazer com que o outro esperasse tanto.

– Além da Sadik, você pode querer considerar as irmãs Flower, especialmente Annelise. Anna Blanche e Gabriella Alleborn que, mesmo sendo quintanistas e supostamente já envolvidas com os primos, têm nome suficiente para figurar em qualquer lista; Blanche, aliás, me parece uma aposta mais segura, justamente por não assinar como Alleborn. – Falava em seu costumeiro tom impostado, a voz firme se fazendo ouvir sem que precisasse ser elevada. A lista, que levava de memória, fluía com facilidade, cada sílaba escapando por entre seus lábios com frieza e precisão cirúrgicas. – Graham, Katherine, caso o assunto seja dinheiro; já Ignaz, Sophia, seria um foco melhor se o objetivo for status. E ainda se pode falar de Rousseau, se bem me lembro o primeiro nome é Shanira. Há também duas quintanistas sonserinas, Baudelaire e Miloslavniacova – que, aliás, retornou agora depois de uma temporada em Durmstrang –, mas acredito já ter ouvido qualquer coisa a respeito de compromisso. Não tenho certeza, porém. E ainda preciso me informar a respeito de outras transferências. Também não vou mencionar Virginia Del Aguirre.

Com as mãos pousadas no colo, assentiu brevemente para si mesma.

– Acredito que seja essa a sua lista.

Se omitira o próprio nome, a justificativa talvez se encontrasse no fato de que, ao fim, já se dirigia ao marquês e não a Del Aguirre. E se quase cuspira a última palavra, ninguém poderia culpá-la.


Resumo:
Ùna decide retornar à conversa, ainda que de longe, listando noivas em potencial para Piers.

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Re: Where do we draw the line?

Mensagem por Ángel Del Aguirre em Dom Set 23, 2012 7:04 am


VII
Passos de toureiro.


Enquanto Piers enumerava algumas moças de Hogwarts que poderiam se encaixar dentro dos parâmetros que procuravam, o jovem Del Aguirre tentava se lembrar de cada uma, desenhando na memória os rostos (e por que não os corpos?) das citadas. Era inevitável que assim o fizesse e na mente do mexicano se desenhou a figura misteriosa da moça Couslands e sua autoconfiança atrevida típica de grifinória, em seguida os traços se rearranjaram para formar uma figura feminina de cabelos loiros e impulsividade latente que era Gabriella Alleborn. Por fim a loira deu vez ao rosto sarapintado de sardas e sempre sorridente da menina Sadik. Ángel balançou a cabeça. Eram todas belas com seus detalhes, intrigantes em seus segredos, em cada uma delas a promessa de uma morte embriagada. Mas a verdade é não queria casar com nenhuma daquelas garotas. Ele era livre. Ou pelo menos assim seria enquanto não encontrasse alguém a quem quisesse se acorrentar por vontade própria, alguém que enchesse sua vida de fogo, de espirito e de cor. Até lá seria inconsequente amante, dado a todas e pertencente a nenhuma.

Del Aguirre sentia-se cansado. No fim aquela noite havia tomado um rumo que ele dificilmente acreditaria poder ser trilhado e agora estava lá, plantado no salão comunal sonserino, discutindo seu vindouro casamento com alguém que na verdade pouco conhecia e sob a vigilância de outra completa desconhecida. Que caminhos nada usuais para o jovem mexicano! Ele estava disposto a encerrar a conversa naquele instante em que Piers pediu um dia para organizar sua lista, não que desdenhasse da ajuda do outro, mas apenas queria deitar sua cabeça no travesseiro e bem...descansar o que parecia ter sido uma maratona. Era o que faria quando Úna resolveu descer de seu pedestal de gelo eterno (ou seria de seu posto de vigilância) e contar ela própria o que deveria ser a lista de propensas donzelas casadouras.

Ángel só conseguia pensar no quão estranho àquilo era, ainda mais porque era evidente que do meio para o fim de sua fala, Ùna já não falava para ele e sim para o louro a seu lado. Como ela poderia saber aqueles nomes e informações, tudo tão bem decorado e até mais bem informado que ele, amante do gênero feminino, ousaria saber? Aquela fala era tão bizarra como a forma intempestiva que a sonserina havia chegado ao baile, cheia de acusações e exprobrações como se fossem ela e o louro, não um casal de namorados de certo, mas um casal tão velho, já tão vivido e tão incomodado pelas pequenas fissuras da longa convivência. Era ao menos essa a impressão que ele tinha quando observava os dois. O moreno olhou instintivamente para Piers e pensou “Não é possível que só eu ache isso curioso!”

Ángel pigarreou, sentindo o ambiente ao seu redor ficar cada vez mais pesado. O ar palpável a sua mão robusta.

- Bom, eu me lembro de alguns nomes além destes – disse dissimulando seu próprio desconforto e retomando a conversa como se não sentisse nada estranho no ar. Mesmo assim fitava o teto. – Há ainda Agnes Hunter e Mariana Lengruber, sonserinas do sexto ano, ambas ricas e aristocratas. Sei disso porque andam com Virginia. E não, não creio que “a joia de Sevilha” seja ofertada para alguém tão longe de sua terra. – Ele virou-se para Piers, evitando olhar para Úna. - Nós Del Aguirres temos uma relação muito apegada e próxima ao nosso país natal e, como herdeira preferida de meu pai, dificilmente aceitariam que Virginia partisse da Espanha. Ela mesma não partiria por vontade própria, suas raízes estão bem fincadas na Andaluzia. É claro, a não ser que o noivo aceite ser ele próprio desterrado. Não creio que seja seu caso e mesmo que fosse ela ainda precisaria escolhê-lo, mas Virginia está mais preocupada em lapidar suas habilidades guerreiras que arranjar um marido.

Então Ángel deu dois passos se distanciando dos dois. Abriu os braços e depois enfiou ambas as mãos nos cachos negros de sua cabeça. Era o movimento de uma ave que não aceitava ser aferrolhada em uma gaiola. Ele era o toureiro, iria dançar com aquele noivado e irrita-lo até que ele se desfizesse aos seus pés como um touro abatido. Certo dessa convicção o moreno voltou sua atenção aos outros dois, resoluto.

– Eu agradeço muito, Ainsworth, pela conversa e por sua solicitude em direcionar meus pensamentos no rumo certo. Eu precisava disso para ver que não, meu mundo não despencou quando li aquela carta e que tudo o que prezo continua bastante sólido sob meus pés. É apenas um problema que será resolvido da melhor forma! Obrigado! Eu creio que a noite já se estendeu demais e preciso confessar que me sinto moído apesar de não ter bebido nem 10% do que aqueles grifinórios ingeriram. – E ele sorriu jovial já que ao menos isso havia corrido como imaginara aquela noite e que certamente na manhã seguinte haveria dois grifos sentindo o peso de uma bigorna dentro da própria cabeça. Aquele era o seu temperamento habitual, mas por dentro Ángel ainda levava todos os pensamentos carregados pelo peso de sua família espanhola. Não podia mais fingir que qualquer exigência seria parte de um futuro longínquo, não mais. Mesmo assim não andaria cabisbaixo pelos corredores de Hogwarts. Vestiria sua mascara, como era esperado, e dançaria a música com um punhal oculto na manga. - Então desejo uma boa noite! Ou buenas noches como se diz na minha terra. Amanhã será um novo dia para todos nós! – e finalmente virando-se para Úna fez um meneio de cabeça educado antes de sair rumo aos corredores sonserinos. – Senhorita! Boa noite!


¿Qué ha pasado?:


Resumo: Ángel, observa mais um pouco a relação estranha entre Piers e Úna , então incomodado com o ar pesado que o ambiente parecia ter adquirido, agradece a ambos pelos conselhos e atenção, e despede-se desejando uma boa noite a ambos .

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Re: Where do we draw the line?

Mensagem por Piers Ainsworth em Dom Set 23, 2012 11:46 pm


– Acredito que seja essa a sua lista. - ela terminava sua sentença, logo após recitar precisamente basicamente todos os nomes que o atormentavam. Fria como uma manhã de inverno, num tom calmo que fazia sua espinha se arrepiar e que só tinha se alterado na última palavra, com uma ojeriza palpável. Olhos como dois cristais fixos em seu rosto e, de uma maneira estranha e muito distorcida, ele se sentia culpado. Sequer sabia pelo que devia sentir alguma culpa, o fato era que ela escalava por sua garganta e travava suas cordas vocais com garras firmes, um calor que ia além da bebida e do desconforto subindo pelas suas maçãs do rosto e, naquele espaço de tempo, ele se sentia como o marido traidor cuja esposa arremessasse em seu rosto, muito calma e composta, todas as fotografias que provavam suas traições.

Não era nada disso, eram apenas os nomes das garotas que ele mantinha os dois olhos abertos e tentava não trocar sequer um bom dia para não incentivar a família delas, mas, ainda assim, se sentia como o porco traidor.

Ficou com a boca aberta pescando ar e tentando encontrar o que é que tinha para dizer mas, fosse o que fosse, ficou perdido para sempre quando Del Aguirre, mostrando mais uma vez todo o seu espírito sonserino e se recuperando ainda mais rápido que Piers (se bem que uma pessoa em coma se recuperaria mais rápido do que ele, nessa ocasião) e parecia querer... tranquilizá-lo a respeito de sua sobrinha? Alistair não sabia mais em qual mundo estava, não sabia mais de onde exprimir sentido e continuar, então só deixou o vento passar por ele assentindo como se, de fato, estivesse absorvendo cada palavra.

Deus do céu, era uma noite realmente esquisita.


– Eu agradeço muito, Ainsworth, pela conversa e por sua solicitude em direcionar meus pensamentos no rumo certo. Eu precisava disso para ver que não, meu mundo não despencou quando li aquela carta e que tudo o que prezo continua bastante sólido sob meus pés. É apenas um problema que será resolvido da melhor forma! Obrigado! Eu creio que a noite já se estendeu demais e preciso confessar que me sinto moído apesar de não ter bebido nem 10% do que aqueles grifinórios ingeriram.

Piers riu, realmente riu. Os dentes tortos à mostra enquanto ele não fazia nada para abafar o som de sua própria risada. Riu ao se lembrar que, segundo Ùna, aqueles outros dois estavam tão além do normal que até conversas sobre ovelhinhas tosquiadas eles tinham tentando passar nas garotas. Riu porque era sempre um alívio saber que existia alguém pior do que ele, riu de imaginar que, ao menos, sua viúva-negra era silenciosa e mantinha a pose mesmo quando ele tinha feito algo errado (ainda que, ele tinha que se lembrar, não parecia ter feito realmente nada de errado, embora sentisse como sim.) Riu, só porque a noite tinha sido tão absurda que, de verdade, sequer podia culpar a tequila - talvez algum sidhe, mas não a bebida. Riu e esfregou os olhos, tentando voltar a respirar.

- Durma em paz, Del Aguirre. Pelo menos agora você sabe que sempre tem uma saída para tudo. Sempre tem.

Ainda de pé, com as mãos ao redor do corpo, o marquês ficou assistindo o colega sonserino sair para os corredores, esperando que já estivesse recomposto o suficiente para encontrar naqueles corredores confusos o caminho de volta ao dormitório. Ficou pensando ainda como refazer a nova imagem que tinha de Ángel Del Aguirre, de pessoa despreocupada a alguém que tinha suas próprias correntes, seus próprios problemas.

Todas as pessoas tinham seus próprios problemas.

(O dele tinha respondido à despedida de uma forma fleumática, quase como se flutuasse sobre toda a vã humanidade.)


- Esse ponche, você bebeu tudo? Porque, se não, pode passar aqui que eu termino. - ele disse, só porque precisava preencher o silêncio que começava a sufocar e só porque não havia mais tequila nem nada.

Resumo:
Depois de se sentir culpado por alguma coisa que ele não fez e que nem sabe o que é, Piers se despede do colega sonserino, desejando que as coisas passem a dar certo para ele, para ambos. E ainda fica no Salão, junto com Ùna, sem realmente saber o que fazer.

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Re: Where do we draw the line?

Mensagem por Ùna Fairbairn em Seg Set 24, 2012 1:22 am


Talvez tivesse mesmo subestimado Del Aguirre: considerando os fatos transcorridos desde que estavam apenas os três no salão, era o hispânico quem tinha mais motivos para se abalar; no final das contas, porém, ele – o de sangue latino, o inconsequente – era quem parecia estar mais inteiro. Ao menos do ponto de vista de Ùna que, por mais que se esforçasse em apresentar um ar impassível e estoico para os outros, sabia bem o que corria sob sua pele, em suas veias. E ela também conhecia Piers o bastante para saber que, por influência da bebida ou de gênio, ele não estava no melhor de seus dias.

A impressão ficou ainda mais clara quando ele caiu no riso. Não que o marquês não fosse de rir, pelo contrário; mas não havia nada de tão particularmente engraçado na ligeira maldade de Del Aguirre ao comentar o quanto os infelizes grifinórios haviam bebido, no que Ùna supunha ter sido alguma espécie de tramoia do próprio sonserino. O que havia naquela risada aberta e sem reservas era qualquer coisa de catarse, e essa noção foi o que a impediu de esboçar sequer um sorriso em reação àquele som que, na maioria das vezes, queria bem – por mais que, ao mesmo tempo, o detestasse terminantemente.

O moreno então se despediu dos dois, ao que Ùna respondeu com um breve menear de cabeça e um boa noite no tom mais composto que podia angariar. Ela ainda o acompanhou com os olhos enquanto ele se afastava e finalmente atravessava a porta rumo às masmorras, deixando protetora e protegido para trás.

E eis que eles estavam sozinhos outra vez.

Ainda que não estivesse particularmente disposta a encará-lo – a forma como havia falado da lista começava a lhe parecer cada vez mais estúpida –, a jovem Fairbairn voltou-se para o marquês, olhos atentos como de costume, ilegíveis.

– Esse ponche, você bebeu tudo? Porque, se não, pode passar aqui que eu termino.

E como de costume, ele fez o favor de não deixar que o silêncio se tornasse desconfortável demais. Mentalmente, ela agradeceu; na única vez em que tinha assumido essa tarefa, o resultado havia sido catastrófico.

– Na verdade, não. – Respondeu em um tom ameno, esforçando-se para imprimir alguma simpatia ao buscar o copo sobre a mesa e estendê-lo para Piers, a outra mão segurando a gola do blusão para que ele não lhe caísse dos ombros. Foi quase capaz de ignorar até mesmo a forma como os dedos dele esbarraram nos dela, talvez se demorando um pouco demais; quase, porque pedir mais do que isso era impossível. – Escuta... – Ela retomou a fala ainda sem erguer os olhos para ele, cenho ligeiramente franzido; falava por falar, como bem sabia que ele havia feito. Com um breve suspiro, porém, voltou a encará-lo.– Não vi Sorcha desde... Bem, desde que fui até a festa. Pensei em aproveitar e voltar mais cedo para o dormitório, ainda espero conferir os horários dela de amanhã e deixá-la com tudo pronto. Vou deixar a Nancy com você, tudo bem?

– Tudo bem. – Ele respondeu de pronto com um meio sorriso, o copo envolto pelas duas mãos. – Nancy e eu já nos acostumamos um ao outro, huh? – E como se essa fosse a deixa para ela, a tarântula abandonou sua companheira, indo escalar o marquês até poder se alojar no ombro dele. – Diz pra Sorcha boa noite e boa sorte e... Desculpa se eu interrompi a noite dela.

– Digo sim. Mas ela vai ficar feliz de ouvir isso de você, nem que seja no café da manhã... – E então ela ergueu as sobrancelhas, como se tomada por uma lembrança súbita. – Obrigada pela blusa, aliás. Vou ficar com ela, por ora.

– Tudo bem. – Foi a resposta dele, porque agora estavam de volta àquela dança delicada; a valsa das pequenas cortesias era infinitamente mais complicada que a das ofensas e provocações, especialmente quando alguém arriscava um passo fora do roteiro. Como ela mesma havia feito, quase pedindo permissão para fazer o que era simplesmente rotina de trabalho, ou ele agora, estendendo a mão para tocar a barra do agasalho que havia emprestado a Ùna, soltando-a logo em seguida. – Boa noite.

– Boa noite.

Sem esperar que ele a acompanhasse, Ùna tomou a iniciativa de deixar o Salão Comunal primeiro, silenciosa e altiva como de costume, ainda que fosse no mínimo estranho saber que era o olhar dele pesando em seus ombros, não o contrário.

Era melhor chegar logo ao dormitório. Precisava colocar seu mundo nos eixos outra vez.

Resumo e OFF:
Após a despedida de Del Aguirre, o que resta a Ùna e Piers é trocar algumas palavras, evitando o silêncio desconfortável, para que então cada um possa tomar seu rumo.

OFF: Encerrando as ações por aqui!

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