Stay, and the night would be enough.

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Stay, and the night would be enough.

Mensagem por Ed Lefèvre em Qui Set 13, 2012 11:58 am

Ed Lefèvre escreveu:Status: RP aberta
Data: 02 de setembro - pouco antes do Trasgo nas Masmorras.
Local: Ponte Coberta
Participantes: Ed Lefèvre, Louise Armistead (apenas citada) e quem mais quiser aparecer pra distrair o Ed. XD


And if you look
You look through me
And when you talk
Is not to me
And when I touch you
You don't feel a thing



Não gostava de mudanças. Podia ser um novo corte de cabelo, botas novas, ou podia ser um diferente sabor de torta na confeitaria perto de sua casa. Ou a mudança de Louise para o novo lar do seu pai.

Aquela mudança não favorecia Ed em quase nada. Pra falar bem a verdade, em nada mesmo. Primeiramente, ela havia mudado de país! A Escócia era um bocado mais longe que a vila em que ela vivia em Yorkshire e distância é um problema para um bruxo adolescente que não voa e não aparata. Depois vinha a questão de que agora ela morava na toca do lobo - ou melhor, no covil da cobra. Antes da confirmação da paternidade Ed não entendia o significado dos olhares assassinos de Hermann Armistead a ele quando o sonserino lecionava Poções. Agora, porém, sabia que seu couro era visado para um tapete no escritório do homem. Ed era um bom rapaz, isso ninguém podia negar, salvo as paranoias, a timidez, a lufanice (vista como um defeito por muitos), a saúde capenga e a falta de posses. O problema é que ele era um rapaz, e Hermann não queria rapazes cheios de hormônios perto do seu bebê.

Aparentemente, nem o bebê de Armistead andava querendo Ed por perto.

E tudo começou nas férias de verão, no exato momento em que desceram do trem na Plataforma 9 3/4. Daí em diante, Louise fora toda do pai. Tudo bem, Ed entendia, a menina havia crescido como órfã de mãe e supostamente abandonada pelo pai, e ele levou paciência em todas as vezes em que ligou para ela naquele verão e ela estava sempre muito ocupada com a organização da mudança para atendê-lo, ou quando tinha que ouvir as mesmas histórias da família margarina que ela contava tão empolgava que podia imaginar a carótida dela saltando na pele clara do seu pescoço enquanto tagarelava loucamente. Chegou a se oferecer para passar um fim de semana com ela na fazenda, aguentou as provocações de Armistead, recusou o convite de seus avós para vê-los na França, tudo para nada. Passou aquele fim de semana como uma sombra da menina, indo atrás dela para cima e para baixo, sem ouvir nenhuma vez algo na linha de "Que bom que você tá aqui!". Desiludido e chateado, Ed voltara para sua casa em Londres um bocado ranzinza para o fim do verão, e a gota d'água foi vê-la com o pai no Beco Diagonal fazendo as compras para o ano letivo, sem nem se lembrar de telefonar pra ele marcando um encontro, sendo que o combinado era fazerem as compras juntos. Ed era um rapaz muito paciente, mas paciência tem limites.

Também não se preocupara em encontrar-se com ela na estação, mesmo com tio Charlie lhe dizendo que estava sendo infantil, ao que respondera explicando que sabia se por no seu lugar. Vira que ela ainda estava com os pais na hora da confusão, então sabia que ela estava em segurança, encontrando-se com ela só no trem. E mesmo com toda a confusão na estação ela ainda tinha assunto mais importante pra discutir - Ed soube que não estava sendo implicante quando encontrou a compreensão de Adela Burton, com quem trocava olhares significativos de enfado que a namorada nem percebia. Louise sempre se gabara de ser a pessoa que mais conhecia Ed, capaz de perceber no ar o que se passava com ele notando mínimas alterações na expressão do rosto do garoto. Ultimamente ela parecia meio desligada dessa habilidade, pois Ed andava mais emburrado que o normal e o umbiguismo de Louise não a deixava ver.

A esperança era o seu aniversário. Ed, azarado que era desde o ventre de Cristina, nasceu em dois de setembro, atrasando um ano sua vida escolar. Tivesse nascido dois dias antes, estaria hoje no sexto ano. O caso era que neste ano seu aniversário cairia no domingo, contava que Louise fosse passar a tarde com ele. E o dia começara bem, com a menina se aboletando junto a ele na mesa lufana como fazia na época da amizade e em começo de namoro. Dera a ele de presente um livro raro sobre o Preparo de Poções - indicação que ela pegou, claaaaro, com o pai. Fato esse que Ed tentou ignorar - e também almoçara junto a ele. Tudo ia bem, até o começo da tarde.

- Então, Ed... ficou sabendo da festa na Masmorra do Pirraça, né?

Ed conhecia esse tipo de pergunta. Foi assim, quando ela quase o obrigou a convidá-la para o último Halloween. Mas aquela pergunta vinha diferente. Observador que era, notou que aquele "né?" no final indicava que ela ia dizer algo cem por cento certo. Certo de que ela queria ir.

- É, fiquei. Você vai? - "Você", porque por mais que quisesse passar o dia com ela, se enfiar numa festa barulhenta na tarde de domingo não era a intenção dele.

- To querendo ir sim. Vai me acompanhar? - Ela nem se esforçara em fazer a habitual cara de cachorro que caiu da mudança que ela sempre fazia quando queria algo. Louise tinha o poder de convencer as pessoas quando fazia aquela cara. Ela não a fez, logo, Ed viu que sua presença era totalmente dispensável. Respirou fundo antes de responder, engolindo a chateação.

- Essa festa não tava nos meus planos, não.

- E quais são seus planos? Ler? Dormir? Ficar olhando pro lago enquanto o domingo passa? - ela riu, debochada. Sempre soube que Ed era um garoto sossegado - e partilhava do sossego dele -, mas se ela agora queria viver dez anos em uma semana ela podia, ao menos, respeitar a preguiça dele.

- Vai você, se faz questão. Talvez eu faça qualquer uma dessas coisas, mesmo. - respondeu meio atravessado, sacudindo de leve o livro novo que tinha na mão.

- Então tá bom. - ela não insistira, nem percebera que ele foi mais malcriado que de costume, só se aproximara com um sorriso satisfeito e lhe dera um beijo rápido nos lábios que mal dera pra ele sentir o gosto. - A gente se fala mais tarde. Feliz aniversário, de novo! - e, sem mais, saiu deixando Ed sozinho a olhar as ondas dos cabelos castanhos dela balançando sobre suas costas até que ele a perdesse de vista.

Feliz aniversário, Ed Lefèvre.

-



I think life would be so much easier if they had no words
I'd smile at you when I was happy, shed a tear when I was sad.
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Ed Lefèvre
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