Um drink no inferno

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Um drink no inferno

Mensagem por Ángel Del Aguirre em Qua Set 12, 2012 8:59 pm

Status: RP Fechada (se quiser participar manda MP e a gente conversa)
Data: 02 de Setembro – tarde
Local: Masmorra do Pirraça, a hora da festa promovida pela Brotherhood
Participantes: Derfel Heaney, Piers Ainsworth, Logan C. Villeneuve e Ángel Del Aguirre.

I
Era uma vez no México



O peito desnudo ressonava suavemente, iluminado pela luz trigueira do inicio da manhã. Ele estava um tanto esparramado sobre aqueles lençóis de cetim tão branco suavemente amassado por seu peso, as pernas flexionadas para fora do tecido que cobria o que deveria estar bem oculto àquela hora do dia. Sentiu algo molhado e pequeno subindo por suas pernas, enrolando-se em seus pelos e sorriu, entre desperto e adormecido, à lembrança de Emma. Ah, a bela Emma, figura adorável da sociedade inglesa que havia conhecido na semana anterior, em um baile ofertado por seu pai nos jardins do Castelo dos Del Aguirre. Como poderia ir a Londres e não visita-la? Pobre criatura vitima de um marido desatencioso e burguês que jamais faria... Bem, não é fácil para qualquer homem fazer o que um Del Aguirre com sangue mexicano como ele sabe fazer. Abriu os olhos com dificuldade, incomodado pelo sol que entrava pelas cortinas. Queria ver a companhia sapeca que explorava sua pele.

E se deparou com a cadelinha yorkshire de Emma. Bom, ao menos ela usava lacinhos.

- Acorda, homem! Pelo amor de tudo o que você preza! – escutou ao mesmo tempo em que sentiu algo ser jogado no rosto. Percebeu que era sua calça jeans. Olhou na direção de onde vinha a voz e viu uma Emma belíssima, vestindo um penhoar rosado, os cabelos em desalinho, o rosto em desespero...Rá, ele tinha esse efeito sobre as mulheres. Então ela abriu os lábios e... – Meu marido chegou! Você precisa ir embora! AGORA!

***

Pular pela janela apenas de cueca, vestindo a calça jeans ainda no telhado e carregando as próprias roupas pelas ruas de uma Londres que saia para o trabalho não incomodou de fato o hispano-mexicano. Na verdade estava acostumado a esse tipo de situação e digamos que ele gostava de viver perigosamente, sem falar que sempre aparecia uma alma caridosa e feminina para ajuda-lo, como a loirinha de óculos que passou o carro para lhe dar carona e fugir dos capangas do marido de Emma. O que realmente deixou o rapaz furioso foi o homem fazer vigilância na frente da Estação King Cross. Não podia entrar sem ser visto e não estava em seus planos chegar arrebentado em Hogwarts. Então pediu a garota que desse meia-volta e deu seu jeito de chegar ao castelo por outras vias mais obscuras (não sem antes agradecer a pobre moça! Afinal ela havia perdido um dia de trabalho e tinha lindos olhos verdes escondidos atrás dos óculos de aros grossos).

Já no castelo soube por Virginia dos acontecimentos no trem e da festa que ocorreria aquele horário, então resolveu que, embora não tivesse a mínima intenção de ver os rapazes da brotherwood, iria ao tal show para socializar e para outro assunto que havia idealizado após ouvir certos boatos envolvendo sua sobrinha e o tutor metido a Galahad que ensinava a arte da luta à ela. Decidira que faria as honras de anfitrião das masmorras ao grifinório. Escolheu uma garrafa de tequila da pior qualidade e guardou dentro do casaco (bom, ele estava acostumado ao que era pior no México e ao que era melhor na Espanha e sabia tirar algum beneficio de ambos, mesmo daquela bebida que faria a cabeça de qualquer um explodir no dia seguinte) que havia contrabandeado da casa onde sua mãe costumava trabalhar como er... podemos dizer que ela oferecia sua companhia à cavalheiros solitários.

Então seguiu até o local da festa e depositou uma calcinha rosa na caixa colocada a entrada. Esperava que a nova dona daquela diminuta peça de vestuário fosse tão bem delineada como a mocinha que lhe deu carona e pensou que ninguém diria que tal coisinha tão magra e escondida entre tantas camadas de tecido poderia ser tão bem desenhada. Esse ultimo pensamento fez o rapaz sorrir daquela forma marota que só um espanhol sabe e quem o olhasse saberia que nada decente passava por baixo daqueles caracóis de cabelos escuros. Pegou dois copos de ponche e escolheu um local bastante afastado do palco e mal iluminado. Jogou o conteúdo de um dos copos fora e encheu discretamente com a tequila del Diablo. Aguardou como um predador faria, seus olhos claros brilhando no escuro e então viu Derfel chegando e chamou o irlandês para onde estava. Ia oferecer a bebida batizada e caso o grifinório amarelasse, sabia como provocar o ponto fraco para fazê-lo virar o copo até a última gota.

Aquilo seria no mínimo divertido.


¿Qué ha pasado?:


Resumo: Pequena narração de como foi a chegada de Ángel à Hogwarts. Já na festa ele doa uma calcinha usada pela ultima moça com quem travou relações antes de chegar ao castelo e chama Derfel para por em prática seu plano maligno xD

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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Derfel Heaney em Qua Set 12, 2012 10:22 pm

Sua chegada foi atribulada, um tanto indigesta e nem havia aproveitado um pouco da festa no vagão restaurante, para falar a verdade, gostaria era de ficar em sua cama, com a cabeça enfiada no travesseiro esperando o primeiro minuto de aula. Derfel não fazia o tipo nerd, soterrado de pergaminho até o pescoço, mas queria que esse ano acabasse logo, que as areias da ampulheta ousassem caminhar por uma via mais larga. Estava decidido, no próximo ano, após a sua formatura não voltaria para a Espanha e sim para a sua fazenda de ovelhas, tão judiada e esquecida em Antrim.

Sabia que seria taxado de mal agradecido ou coisa pior, porém não se considerava mais um menino que precisava ser observado de perto, era quase um homem feito, de barba rala no rosto e uma vontade sem tamanho de colocar uma mochila nas costas e encontrar o seu lugar no mundo. Poderia ficar assim durante horas, imaginando como seria a sua vida quando pudesse obter o controle total das suas decisões quando foi interrompido pelo falatório generalizado que invadiu seus ouvidos, só havia um assunto naquele momento: A festa nas Masmorras!

Derfel, não deu a mínima quando recebeu o flyer mágico, as únicas palavras que havia absorvido eram festa e roupa para uma garota. Ficar pensando no futuro aos 16 anos ou se jogar em uma festa sem a supervisão de adultos? Não é preciso dizer que o grifinório se levantou com um pulo e começou a se arrumar mais rápido ainda, até porque, não tinha muito o que fazer com a sua cara quadrada. Pentear os cabelos para que ficassem com jeito de desarrumados, uma camiseta menos amassada, calça limpa, uma jaqueta preta e tênis de lona encardidos.

Pegou uma outra camiseta qualquer e dobrou do seu jeito – uma massa empelotada disforme – e colocou embaixo do braço. Pelo caminho muitas pessoas conhecidas, incluindo uma garota da corvinal, que o encarava de vez em quando. Qual o nome dela? Tentou lembrar. “Alice? Alicia? Felícia?” Era até bonita, mas vivia cercada de amiguinhas risonhas, todas as vezes que ousava se aproximar, aquele esquadrão de garotas irritantes formavam uma barreira romana de gigles que o fazia desistir, dessa vez não. Ele honraria a coragem enaltecida pela sua casa, a Corvinal estava na sua frente, depositando sua doação, ela virou a cabeça e o olhou, Cadarn nem ficou vermelho, apenas piscou “de vejo lá dentro”, a menina sorriu, ele depositou a camiseta e... Foi barrado pelo elfo!

Tapa na cara. As amigas da Aliche, Serviche, Luigi... Sei lá, começaram a rir da sua falta de atenção. Soltou um palavrão em um tom muito audível, para ferir os ouvidos puritanos de alguns que passavam por ali, coçou a cabeça pensando em voltar para o seu dormitório e talvez se esconder no seu próprio malão para sempre, quando foi salvo novamente por Mariana Lengruber. Era estranho, não havia trocado mais que dois parágrafos de conversa em toda existência, mas ele não conseguia esquecer o nome da sonserina. Lady Mariana Lengruber, a protetora dos desprovidos. Metida, arrogante, atrevida e possuía o dom de sempre aparecer no momento certo, para sua sorte, mesmo que não fosse proposital.

Sua salvadora o presentou com uma peça de roupa para entrar na festa, chance que não desperdiçaria afinal, era ele mesmo quem sempre dizia. “Que devemos aceitar os presentes dos outros, mesmo que não pareçam atraentes a primeira vista.” A banda tocava, a galera curtia, era difícil encontrar alguém conhecido no meio de tantos alunos, viu Logan conversando com pessoas que não conseguiu identificar, mesmo assim acenou e fez um sinal para que o acompanhasse já que, por sorte avistou Àngel. Não, o sonserina não era seu amigo apesar do sobrenome, ele possuía uma expressão estranha, que Cadarn jamais conseguia decifrar apesar da sua intuição forte, acreditou que era melhor observar o Mexicano de perto e por isso não suspeitou da bebida, ele nunca renegava um presente.

Virou o copo porque sua garganta estava seca depois de tantos apuros sem nem ao menos se atentar ao cheiro forte del Diablo. Sua boca queimou, sua barriga ficou aquecida já que não havia comido nada desde o almoço.

Balançou a cabeça e olhou para Ángel que continuava com a feição plácida e aparentemente inocente. -Está tentando me envenenar? – Sua voz já estava alterada, seu tantinho de calma estava prestes a perecer, encarou o sonserino. Quem ele estava pensando que era?



Resumo: Tudo combinado. Tati postei que o Derfel chamou o Logan pq quando eu mandei MP vc saiu mimimi, meio que eu estava com pressa de postar isso.Derfel vai a festa, recebe uma peça de roupa de Mariana, avista Logan e toma a bebida batizada de Àngel.

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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Piers Ainsworth em Qui Set 13, 2012 12:32 am

.01

Era sua chance.

Brilhando à frente de seus olhos como se fosse o Santo Graal. Certo, talvez aquele evento não fosse realmente do seu gosto, talvez nunca tivesse ouvido a Brotherhood porque sua família ainda morava em um bendito castelo que fazia fronteira com um cemitério e talvez nem tivesse gosto musical direito (quantas baladas clássicas fora obrigado a ouvir remanesceria um mistério por toda sua existência), mas era uma chance e essas eram tão raras quanto urubus albinos, então, teria que se valer dela. Show nas masmorras, era tudo o que teria de liberdade pelo (agora) curto período de sua existência, então era melhor que eles fossem realmente bons.

Ele sabia que tinha combinado (podia usar essa palavra quando sua opinião decerto não valia mais do que o latido de um cachorro?) com Ùna que não, eles não iriam à festa e "você nem mesmo gosta dessas coisas" ou "é difícil ficar de olho nesses espaços apertados" e ainda "é o primeiro dia da Sorcha aqui." Sabia, mas quando a última frase foi dita, a ideia já se manifestava clara e nítida em seu cérebro, e depois ele pediria perdão a Sorcha e ela provavelmente nunca o perdoasse e ajudasse a irmã a terminar o serviço, mas ele tinha que fazer isso. Por um dia, um único que fosse e nem precisava ser um dia inteiro, ele tinha que deixar de parecer um inútil acéfalo e debilitado que tivesse que carregar por aí uma babá que também era sua guarda-costas. Só isso, era tudo o que ele queria, parecer normal e capaz e esquecer que sua família certamente achava que ele não conseguia se limpar sozinho.

Ela também, ele sabia que era exatamente o que ela pensava, condenada a pagiar o menos favorecido dos Ainsowrth, bem abaixo dela. Não era o que ela dizia sempre? Que ele não saberia se virar sem ela? Ela também pensava que ele só era bom em sorrir e falar.

Sua chance encontrou algumas dificuldades, como o fato de que ele não tinha peça de roupa feminina nenhuma e, por mais que tentasse, suas roupas jamais seriam adequadas para uma garota e, é claro, ainda que pudesse, nunca em toda sua vida cogitaria pedir que Ùna doasse qualquer coisa para que ele fosse se divertir sozinho em uma festa. Não. Apesar de tudo, ele tinha amor à vida. E pensar nisso fez algo escuro, uma sensação muito perto de náusea, se enrolar em seu estômago. Não era como se realmente gostasse de mentir para ela (nem era como se realmente esperasse que ela não fosse descobrir), apesar de tudo, sempre tinha sido sua amiga. Talvez devesse desistir, dar meia volta, se enrolar nas cobertas e dormir sua frustração, talvez só dev-- mas então Adela Burton, uma garota a quem Piers realmente respeitava, entrou em seu campo de visão e a ideia tomou nova forma e cor, criou raízes e se cravou dentro dele e já era tarde demais.

Porque agora estava deixando uma blusa, uma coisa delicada como a garota Burton, que ela tinha feito o favor de lhe dar, na entrada do lugar e piscava para o número de pessoas que já estavam ali. Aquilo realmente não era o seu ideal de liberdade, não passava nem perto dele, um bando de pessoas rindo, música alta soando, não era o que realmente chamaria de diversão. Mas era tudo o que podia aspirar, era tudo o que podia frazer para parecer normal e não um retardado metido e inválido, então era melhor deixar essas frescuras de lado e agir de acordo com a realidade.

Nunca tinha sido um bom sonhador. Era, porém, muito bom em fingir, e não parecia mais deslocado do que qualquer outra pessoa no lugar.

Esquadrinhou as pessoas com os olhos, tentando achar algum conhecido ou coisa que o valesse, até que encontrou um companheiro de casa, o Del Aguirre. Bem sabia Piers que ele não era a mais indolente das pessoas mas, dados os acontecimentos daquele dia (que envolviam ser arrastado e escoltado para fora de um trem tão logo a menor das irmãs sentiu que havia algo errado ali), talvez o Del Aguirre não fosse uma opção a se descartar. E nem estava sozinho, o grifinório (Derfel Heaney, se a memória não lhe falhava), o acompanhava e eles pareciam... estar bebendo? Ok. Parecia bom - ou pelo menos melhor que o resto. Se fosse para acabar jogado em uma vala depois que a viúva-negra descobrisse onde estava, o que devia levar não muito tempo, pelos seus cálculos, pelo menos era melhor que não fose aguentando um falatório ridículo ou sorrindo e assentindo pra asneirices alheias.

Piers se aproximou, a tempo de ouvir um sonoro "Está tentando me envenenar?" de um Heaney que parecia um tanto quanto fora de sua paz de espírito e, antes de mais nada e completamente se intrometendo onde não devia, colocou uma mão no ombro dele, abriu um sorriso que era muito normal para o resto do mundo e que só ele sabia que significava "aproveite seus últimos momentos, Ainsworth, antes da viúva negra cabar com você - e não de um jeito bíblico" para falar:

- Veneno? Tem um copo sobrando? - porque, de todos os venenos, nenhum se comparava ao dela. Vivia tão grudada nele que era estranho andar sozinho, era tão estranho que provavelmente as outras pessoas também percebessem o fa-- era melhor parar de pensar nisso.

Resumo:
Escapando da vigilância da viúva-negra sua babá, Piers consegue chegar à festa que está acontecendo nas masmorras, e graças á ajuda de Adela Burton, tem uma doação para fazer. Lá, sentindo os últimos minutos da sua vida baterem em suas costas, avista Ángel Del Aguirre e Derfel heaney e se junta a eles.

Blusa que Piers conseguiu de Adela Burton:


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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Ùna Fairbairn em Qui Set 13, 2012 1:36 am

.01


Mentido. O desgraçado inconsequente havia mentido – não que isso fosse surpresa, visto que a língua era aparentemente o único músculo que realmente valia algo para Sua Senhoria, o marquês, que tecia argumentos e mentiras com a habilidade de uma velha rendeira. Não havia nada de novo naquilo. Surpreendente mesmo era a estupidez do infeliz, ou então a absoluta falta de amor à vida que – ironia das ironias – ela tinha por missão proteger. Porque ele não apenas tinha mentido, como tinha também se aproveitado do fato de que, com Sorcha chegando a Hogwarts, a atenção de Ùna estaria dividida.

A mui ardilosa mente do jovem Ainsworth só se esquecera de considerar um detalhe: o alívio na vigilância era temporário. Ainda que não tivesse a mesma habilidade que ele com as palavras, Ùna não devia nada em esperteza; tomá-la por idiota era uma falha tão grosseira que ela não esperava nem dele. A sonserina não tardara em enviar Nancy para o dormitório marculino, mas era de se supor que a pobre tarântula ainda demorasse um pouco a se achar no labirinto rearranjado das masmorras. Mesmo assim, logo a setimanista, ainda ocupada em ambientar a irmã (era fundamental que Sorcha aprendesse a se guiar sozinha), recebesse o sinal de que não, o maldito marquês de araque não estava em parte alguma.

E agora ela estava furiosa.

Esforçou-se, contudo, para não deixar que o ódio crescente, correndo e queimando em suas veias, transparecesse à caçula – era muito improvável que tivesse sucesso, posto quão bem a pequena a conhecia, mas ao menos não tocaram no assunto até que Ùna deixasse sua irmã de volta nos alojamentos femininos. Àquela altura, Nancy já esperava por sua companheira humana, que se limitou a estender a mão para que a ágil aranha escalasse seu braço e fosse se acomodar em seu ombro.

Disparou pelos corredores labirínticos das masmorras, como se fosse à caça; imaginava que ele estivesse rindo da cara dela naquele exato momento, se parabenizando prematuramente pelo sucesso de seu plano genial para deixar a imbecil para trás e ir se divertir com um bando desmiolado feito ele, gente sem foco ou objetivo de vida, desperdícios de tempo e espaço.

Era bom mesmo que ele risse enquanto podia.

Como se não bastasse todo o resto, tudo que remoeu ao longo do caminho, viu-se barrada na porta, sem conseguir dar um passo sequer além do portal de entrada para a masmorra do Pirraça. Não demorou um segundo até que um elfo doméstico viesse em sua direção, a voz esganiçada mal chegando aos ouvidos de Ùna graças à barulheira que vinha de lá de dentro, uma cacofonia de acordes, voz e gritos da plateia. Amaldiçoou o dia em que a condenaram a ir para Hogwarts acompanhando Piers, e a si mesma por se sujeitar àquele tipo de coisa. Era melhor do que aquilo.

– O donativo, senhora! – Insistiu a criatura. Ùna, finalmente entendendo (e se lembrando) que deveria ter trazido uma peça consigo para doar; no furor da raiva, havia se esquecido completamente.

– ... Desgraça. – Sem paciência, arrancou do corpo o cardigã que vestia e jogou-o para cima do elfo, conquistando passagem. Gostava daquela peça de roupa, detestava ter que se misturar aos outros não vestindo mais que uma blusa sem mangas, odiava se expor. Ato reflexo, puxou o palito que mantinha a cabeleira negra presa em um coque; as mechas caíram em ondas, cobrindo os ombros, mas o que importava não era isso. Segurava a haste de prata na mão esquerda como um punhal, sacando em seguida a varinha com a mão direita. Era como se embrenhar em uma guerra, a cacofonia perturbando todos os seus sentidos – exceto a visão, talvez; já estava cega de raiva, ainda que seu rosto fosse uma máscara impassível.

Encontraria Piers no meio daquela gente de qualquer forma. Até lá, teria tempo para estimar a fronteira entre a missão de protegê-lo e o quanto podia machucá-lo.

Resumo:
Ùna Fairbairn tem a missão de vigiar Piers Ainsworth. Quando o jovem marquês decide despistar sua amiga de infância tornada guarda-costas, porém, ela logo descobre o ardil e parte em seu encalço, doando o cardigã que vestia para entrar na festa.

PS: Invadindo a RP (conforme a Cammy avisou espero eu), minha gente, mas podem deixar: Ùna só quer ficar de olho no marquês, não vai atrapalhar os (outros) meninos não.

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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Ángel Del Aguirre em Qui Set 13, 2012 7:52 pm


II
Ángel ou diablo


Quem por acaso achasse mais interessante observar os rapazes á um canto da masmorra ao invés dos artistas no palco giratório certamente acharia intrigante a cena: o rapaz da grifinória, um ano mais novo e ainda assim maior e mais alto que o sonserino, virou um copo de “ponche” de vez como se estivesse em um deserto e tivesse encontrado um anjo bondoso. O “anjo” em questão, no entanto tinha alguma dificuldade em não mostrar o sorriso cínico que cismava em surgir nos lábios naquela hora impropria. Pode um nome contradizer tanto com a pessoa nomeada? Ou talvez o nome tivesse sido bem escolhido se levarmos em conta que o rapaz de sangue latino tinha todas as exigências para descer aos infernos e lá dar uma festa regada a violão, dançarinas e tequila barata em um bar ao estilo dos que existem nas estradas mexicanas.

Ángel se permitiu sorrir ante esse ultimo pensamento.

-Está tentando me envenenar? – foi o que o grifinório perguntou e Del Aguirre fez um supremo esforço de não gargalhar alto. Irlandeses? Bah! Nunca beberão tequila como se fosse água como os mexicanos! Mas a sorte daquele mexicano em especial foi a chegada inesperada de Piers Ainsworth, colega de casa e de ano. Na verdade não tinham uma grande amizade, nem nada parecido, mas eram sonserinos e talvez o senhor Marquês pudesse entender por quais caminhos a mente do rapaz Del Aguirre fazia seus planos. Não era difícil se ele lembrasse que Derfel era grifinório e montava uma guarda acirrada em cima da sua adorável sobrinha, impedindo uma aproximação maior. Não, não era difícil assim adivinhar que nada de bom havia ali para o galante Derfel, protetor das Donzelas desamparadas.

- Calma lá, amigo explosivo! Hoje o dia é de festa! – ele sorriu despreocupado como estava antes, encostado em uma das paredes. A perna esquerda displicentemente flexionada, o solado do sapato batendo seu próprio ritmo. O grifinório era maior, mais alto e ainda assim ele era frio como um senhor do crime em seu próprio território. Seus olhos sombrios recaíram sobre Piers. – Veneno? Tenho algo melhor! Algo que aquece e certamente não mata! Mas que não foi feito para meninos! É preciso ser homem para tomar veneno, não acha, caro Piers? – e preencheu o próprio copo, discretamente, com um pouco da tequila amaldiçoada. Havia bebido apenas um gole do ponche de frutas então aquela quantidade diminuta não faria mal à um rapaz criado em ambientes escusos. Bebeu um pouco e ofereceu seu copo a Piers, enquanto enchia o copo de Derfel até a borda. – Como pode ver, Heavey, eu bebo o mesmo que lhe entreguei, mas se você não aguenta nós compreendemos, não é verdade, Piers? – Finalizou soerguendo uma das sobrancelhas em desafio, aquele mesmo sorriso cínico passeando sobre os lábios salgados.

Nesse instante viu ao longe uma figura intrigante, uma deusa de pele pálida e de cabelos soltos como um véu. Uma deusa armada com um algo pontiagudo, brilhante como prata, cujos olhos verdes eram de dar medo e ainda assim instigavam aquele espirito atrevido como todo ser feminino costumava fazer. Ah, luxuria que ainda o levaria ao túmulo! Já podia ver sua lápide, branca e talhada com os seguintes dizeres: “Aqui jaz Ángel, o que provou todos os sabores femininos, até encontrar um sabor envenenado”. Estreitando os olhos, reconheceu a moça e achou natural que estivesse ali, afinal ela vivia grudada no sonserino loiro que estava a sua frente. Seriam namorados? Ele realmente não saberia dizer, mas achava que sim! Achou então que devia avisar ao colega de casa que as coisas começavam a ficar negras para ele.

- Aliás, Piers, creio que tem uma senõrita a sua procura logo ali a frente.


¿Qué ha pasado?:


Resumo: Resumo: Ángel tenta apaziguar Derfel e se aproveita da chegada de Piers para enrolar ainda mais o grifinório e fazê-lo tomar mais um copo da tequila Del Diablo. Depois avisa ao outro sonserino que a viúva negra está a procura.


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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Piers Ainsworth em Qui Set 13, 2012 10:20 pm


- É preciso ser homem para tomar veneno, não acha, caro Piers? - o outro sonserino perguntou, algo de perigoso queimando em suas pupilas, que fez Alistair ter certeza que nada daquilo ia prestar. Veneno? Ele era especialista em venenos, tinha certeza disso. Acordava com uma tarântula na cabeceira da cama e convivia com as ondas de humor da dona dela, não era como se ele não entendesse de venenos ou de toda gama de coisas mortais. Tomava sua boa dose diária sem falta, sempre. Ainda assim, olhou meio torto para o copo que lhe era oferecido, tentando decidir se era prudente virar aquilo ou não e se Del Aguirre sempre compartilava o mesmo copo com os outros. Não que ele fosse das pessoas mais entojadas, realmente não era ou não estaria ali, mas compartilhar material genético não entrava na lista de coisas que o marquês estivesse acostumado a fazer.

Isso, claro, perdeu a importância rapidamente.

O que importou foi a sensação em sua espinha. Pesada e fria, um arrepio que eriçou os pelos em sua nuca, a sensação do perigo iminente se aproximando. Ele não era sensitivo, não tinha nada de especial, mas julgava que toda e qualquer pessoa fosse capaz de pressentir quando a morte chegava de mansinho para cumprimentá-lo. A fala do outro sonserino só completou seus maiores temores, ele tinha a exata certeza de qual señorita o outro estava se referindo. Foi assim que ele ignorou tudo, inclusive seu bom senso e, com um
"Aye, aye. Esse veneno aqui não é nada!" para depois devolver o copo que o sonserino tinha entregado e pegar um limpo sobre a mesa, o qual encheu com o conteúdo puro da garrafa.

Se ia morrer, não queria estar consciente pra isso.

A gasolina em questão desceu rasgando em sua garganta, (porque ele já tinha tomado de tudo em sua vida, era uma dessas coisas que você é obrigado a se acostumar quando é portador de um título, mas nada, essencialmente nada, parecia ser um combustível trouxa como aquela coisa) mas não era pior do que akvavit e ele conseguiu tomar o restante.


- Ela está carregando alguma coisa, não está? É aquele palito de cabelo, não é? - ainda perguntou, começando a se sentir amortecido, um sorriso estranho em seu rosto e olhos azuis se virando para tentar localizá-la entre a multidão.

Resumo:
Ao invés de tomar o copo com ponche e duas gotas de tequila, o marquês de Haywood devolve e enche um só para si, tequila pura,a o perceber que tinha sido encontrado mais rápido do que o previsto.

Off - Post menor do que minha poupança no banco XD

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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Ùna Fairbairn em Qui Set 13, 2012 11:39 pm


E lá estava ele: junto à mesa do ponche, ladeado por mais dois inúteis. O primeiro, Ángel Del Aguirre, ela reconheceu de pronto; eram colegas de casa e de ano, mesmo que jamais tivessem trocado mais que duas palavras – era possível, aliás, contar nos dedos das mãos as pessoas com quem Ùna travava conversas (e talvez ainda sobrassem alguns). A mera presença do hispânico já denunciava que coisa boa não sairia dali. O outro desocupado, contudo, não sabia ao certo quem era, ainda que tivesse a impressão de ser um grifinório do sexto ano. Não que servisse de consolação, muito menos como atenuante para a atitude de Ainsworth, mas era melhor que ela não tivesse que se embrenhar na horda que se agitava ao som da banda para encontrá-lo.

(Ainda que, na tal pista de dança, a confusão de corpos fosse uma boa forma de disfarçar um assassinato. Não, ela não podia matar aquele a quem tinha de proteger, mas ao menos não a haviam privado de sonhar.)

Ùna localizou o marquês bem a tempo de vê-lo entornar qualquer coisa goela abaixo, apenas confirmando sua conclusão de que nada que prestasse poderia acontecer na presença daquela gente. Ainda o observou de longe, tentando entender que tipo de arranjo podiam ter ali, aqueles três. Não eram amigos de Piers, isso ela sabia bem – os amigos dele, aliás, eram outros que podiam ser contados nos dedos, por mais sociável que fosse. Por que diabos ele havia fugido com aquela gente, para aquele buraco que chamavam de festa? Para beber? Ora, não era como se ela fosse impedi-lo de beber; a missão dela era não deixar que ele agisse como um completo idiota em meio público, arrastando o nome da família naquela lama em que quase todo o corpo discente de Hogwarts parecia feliz em chafurdar. Que caísse bêbado quando bem entendesse, ela não se importava – desde que não houvesse ninguém por perto para testemunhar.

O que a arrancou de suas reflexões foi o olhar que ele lançava ao redor, como que procurando por algo, um sorriso mole e incomum lhe torcendo o canto da boca. Talvez Del Aguirre, que a encarava havia algum tempo, tivesse denunciado sua posição; talvez fosse a culpa pesando nos ombros (e era bom que fosse); ou talvez ainda o arranjo envolvesse mais gente, outras pessoas que estivessem atrasadas para aquela palhaçada.

Fosse o que fosse, desistiu de esperar ou entender quando os olhos do marquês (mais lentos do que de costume) encontraram os dela (queimando e concentrando toda a expressão que não havia em seu rosto). Avançou, abrindo espaço bruscamente quando alguém se colocava em seu caminho.

– Muito esperto, hm? – Disse sem sinal de emoção na voz ao alcançá-lo, e sequer esperou antes de passar a haste de prata para a mão da varinha e, com a que agora se via livre, tomar o copo que o loiro ainda segurava. Ergueu-o à altura do rosto, farejando primeiro e depois experimentando com a ponta da língua a borda do vidro, torcendo o nariz com o gosto que se espalhou em sua boca. Aproximou-se um pouco, então, apenas para verificar que o cheiro daquela beberagem tosca já ia se impregnando em Piers. – Se a ideia era beber álcool puro, que virasse uma garrafa de desinfetante. Pelo menos cheira melhor. Que diabo é isso?

Ignorava os outros, claro. Eles não eram problema dela.

Resumo:
Ùna encontra Piers, Ángel e Derfel, ainda que ignore sumariamente qualquer um além do marquês – que, por sua vez, começa a passar pelo interrogatório de sua protetora (e algoz).

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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Logan C. Villeneuve em Sex Set 14, 2012 5:45 pm

    LOVE ME DO
    O tempo é algo que pode te surpreender. Cronológico ou não, a verdade é que, no fundo, ele sempre traz inovações e transformações. O playground do tempo é pregar peças ao bel prazer. Eu, confesso, temo em relação às armadilhas que ele coloca vez ou outra. Em uma fração de segundo, a desconhecida que estava ao meu lado partiu. Fiquei um pouco atordoado a princípio, mas quando a avistei ao longe, só pude sorrir. Ela me lembrava a imagem de alguém que, de certa forma, fazia todos os meus gostos – muito embora eu ficasse incomodado com sua predisposição à maioria das minhas loucuras. Dorothy trazia consigo cervejas amanteigadas, graças ao que eu dissera há um minuto. Agradeci quando me deu uma das bebidas e brindamos. Dando o primeiro gole, olhei em direção à entrada das masmorras. Foi quando, de súbito, vi-a pela primeira vez em anos. Cabelos longos e castanhos, estatura média, rosto delicado. Não era nada mais do que maravilhosa. Travei o maxilar após perceber que estava boquiaberto.

    Agora, sim, lembro-me de quem faria tudo o que eu pedisse. Era uma garota inocente, patricinha e possessiva. Sophia caberia nestas características, é verdade, mas não, não era ela. Muito embora eu gostasse daquela figura que se dispunha entregando roupas e mais roupas para entrar no evento, ainda lembro-me muito bem da última vez em que nos vimos. Antes de falar sobre isso, devo dizer que aquela era minha antiga vizinha de Vancouver. Fomos criados praticamente juntos e nos conhecemos desde os cinco anos de idade. Desde sempre foi cismada comigo, creio eu, e essa afirmação só se tornou mais forte quando fomos estudar juntos em Beauxbatons. Lá estudei até meu terceiro ano e quando estava na minha festa de despedida, aquela garota, que por azar bebera em demasia um suco batizado, agarrou-me até o final da noite. Resumindo: aos treze anos dei meu primeiro beijo e ela, não por acaso, foi a dona dele. Não me arrependo, de fato. Lembro-me, com carinho, daquele dia que marcou o nosso último encontro.

    Então, Dorothy olha para mim e eu engulo em seco. Viro-me de frente para o outro lado da festa, pronto para atender à dança que eu mesmo havia proposto à garota. Dançamos um pouco, quase nada. Por incrível que pareça, eu até que estava animado, mas minha mente, agora, perambula por outro lugar. Sem qualquer surpresa, antevi, tal qual o enxadrista que um dia fui, uma das armações do destino, tempo, seja lá o que for. Nossa dança foi interrompida. À minha frente, aquele rosto contendo expressões à beira de um ataque de nervos. Seus olhos, de um castanho intenso, encaram os meus. Sua boca bem delineada profere palavras densas, carregadas de um ciúmes irremediável. Como esquecer dessa figura? A diferença é que, hoje, ela possui um ar intrigante. Ou talvez eu esteja errado... Talvez só não me recorde direito de seu modo de ser.

    Azmaria Corte-Real, a mais bela portuguesa que já esteve em Beauxbatons – arrisco dizê-lo sem sequer titubear. Meus colegas franceses jamais compreenderam o motivo dela ter me escolhido dentre tantos outros garotos. Desde sempre, Azmaria foi bonita e eu, na época em que estudei naquela escola, era um nerd sem tirar e nem pôr. Portanto, nem mesmo eu consigo encontrar uma razão para que esta garota tenha olhado justamente para mim. Agora, anos após eu ter sido transferido para Hogwarts, olho para ela à minha frente e constato algo que vai além de sua aparência física... Constato, diante de suas atitudes, o que sempre achei: Azmaria é completamente biruta. Esta é a única lógica, além de ter me mudado do Canadá para a França e de ter sido transferido de escola, para jamais ter cogitado uma relação amorosa com ela. Azmaria, como amiga, já é possessiva, chata de doer. Imagine se um dia namorássemos!? Dá-lhe chave de cadeia. Achei que aquela fase de ciúmes havia passado, mas, pelo jeito... Será que ela parou no tempo? Que ainda acredita naquela promessa que me obrigou a fazer na infância? Sei que minha postura deveria ser outra. Sem digerir ainda a situação como um todo, fico, por um instante, sem qualquer coisa a ser dita.

    - Peb – por fim, consigo falar. – Quanto tempo – é a primeira coisa que me vem à mente, junto a um sorriso que se forma em meus lábios.

    Sobre o apelido “Peb”, deixe-me explicar. Eu e Azmaria, quando pequenos, uma vez viajamos à casa de seus avós trouxas. Lá, eles começaram a nos chamar de Pebbles e Bamm-Bamm – ou Pedrita e Bambam, como quiser – graças a um desenho da Hanna-Barbera, cujos personagens eram tão aprazíveis quanto nós – porém não. Em linhas gerais, o apelido pegou entre a família e eu até hoje a chamo desta forma – só que abreviando, porque acho mais carinhoso chamá-la assim. Azamaria também pegou essa mania e, bom, é assim que falamos um com o outro.

    - Hm... Essa aqui é a Dorothy. Acabei de conhecê-la – sorrio amarelado, tentando não transparecer a ideia de quão embaraçosa é, para mim, aquela situação.

    - Prazer. Eu sou Azmaria Corte-Real e ele é meu prometido - balanço a cabeça negativamente, incrédulo do que acabara de ouvir. De novo aquela história de prometido?

    Consciente do próximo passo seguro a dar para que a portuguesa não perca as estribeiras, aproximo-me pesarosamente de Dorothy. É preciso dispensá-la, caso contrário, uma briga nada agradável entre mulheres acontecerá e, sem dúvida alguma, do jeito que Azmaria é briguenta, as coisas não terminarão muito bem.

    Me desculpe, mas minha amiga tem uma personalidade difícil... É melhor que eu saia daqui antes que ela resolva fazer algo pior. Perdão, Dorothy... A dança fica pra próxima, pode ser? – acanhado, digo tais palavras no tom mais baixo que consigo.

    - O que você tá falando, Logan, hein? – indaga Azmaria, impaciente. Olho para ela, e não sei se tenho vontade de rir ou de simplesmente esbravejar.

    Com licença – digo, por fim, a Dorothy, ignorando parcialmente Azmaria. – Venha – puxo-a firmemente pelo braço, porém sem apertá-la. - O que deu em você, hein? De novo essa história de prometidos, Peb? – sem reparar, falo de modo frio, muito parecido com o de meu pai. Um arrepio percorre a nuca, sinto o olhar de Azmaria aprisionado em mim. Respiro pesadamente. Eu nunca fico nervoso, e não estava naquele momento, mas esta menina suscita emoções adversas, por vezes irritadiças, que não sei explicar. Paro no meio do caminho e a observo com cautela pela primeira vez. Não, eu jamais conseguiria ficar bravo... Ainda mais com ela, uma pessoa que conheço há tantos anos. – Droga, – olho para seu rosto – você é doidinha mesmo – instantaneamente, vejo meus braços a aproximarem de meu peitoral. – É bom revê-la.

    - E você sempre fingindo que não sabe... – ela se pronuncia, abraçando-me com força. - É bom rever você também. Sentiu minha falta, Bamm? – deixo que se aninhe e escute o barulho de meu coração. Talvez seja imaginação, mas a vejo sorrir de olhos fechados. Azmaria é bem mais baixa do que eu e parece ser tão frágil que, por uma fração de segundo, pego-me sorrindo também e perpasso a mão livre por seus cabelos eximiamente penteados. Quando abre os olhos, vejo sua ânsia por uma resposta. Se eu sinto sua falta...? Não sei responder, mas, de qualquer forma, maneio a cabeça inconscientemente para o lado e, maroto, dou um sorriso de canto de boca.

    - Então quer dizer que você veio estudar em Hogwarts mesmo? Digo... Realmente cumpre com o que promete – falo mais para mim do que para ela. Azmaria não me responde, apenas assente. Ela se comunica comigo por meio de cartas desde que deixei Beauxbatons. Na penúltima que recebi, Peb disse que viria à Hogwarts para estudar. Não duvidei, mas achei pouco provável que viesse, tendo em vista o trabalho que seus pais executavam no Canadá. Um garçom se embrenha na multidão e é quando reparo que deixamos nossas cervejas num balcão próximo a onde Dorothy estava. Minha boca está seca - Quer beber alguma coisa? – Azmaria responde que sim.

    Saindo daquele abraço confortável, dirijo-me ao meio do que seria a pista. No outro canto das masmorras, um ponche. Aos trancos e barrancos, atravesso toda aquela multidão que pula ao som frenético da banda. Um rosto conhecido aparece em meio à platéia. Derfel acena para mim e está prestes a chegar à mesa das bebidas. Em questão de segundos, lá estou eu também. Sem reparar nos rapazes ao redor, pego dois copos de bebida, em cima da mesa, que já estão prontos para serem servidos. Distraidamente, esqueço de uma das regras primordiais de qualquer festa e bebo todo o líquido que havia em meu copo sem ao menos reparar na coloração diferente que este possui. De súbito, meu corpo se esquenta de dentro para fora. Por onde passa, a bebida faz meu sistema digestório pegar fogo. Olho, em alerta, para os lados e vejo novamente Derfel.

    - Derfel, - começo, fazendo uma careta - que porcaria é essa, cara? – resta a pergunta.

    RESUMO:
    Logan reencontra uma amiga de infância, que, mesmo depois de anos, mostra-se completamente ciumenta em relação a ele. Com o intuito de pegar uma bebida para ela e outra para si, encontra Derfel Heaney e bebe um líquido estranho.
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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Ángel Del Aguirre em Sex Set 14, 2012 8:54 pm


III
E acabou a tequila


Ele marcava o ritmo com a sola dos sapatos no chão. Apenas os pés faziam aquele movimento e o batuque característico, mas seu corpo permanecia relaxado, displicentemente encostado a parede. O mexicano achou graça do desespero nos olhos do sonserino louro quando contou a ele que uma moça o procurava. Foi difícil mesmo não jogar a cabeça para trás e gargalhar para valer quando o outro recusou a bebida segura que ele oferecera e encheu um copo inteiro com aquela tequila despacha-defunto! Era assim tão sério o caso que ele precisasse de algo mais forte para esquecer?

Ángel tornou seus olhos a moça que agora os tinha visto e se aproximava quase atropelando quem estivesse na frente. Repentinamente ele entendeu porque o outro parecia desesperado em fugir, repentinamente também sentiu uma imensa vontade de conhecer melhor a pobre moça! Talvez só precisasse de uma mão masculina que a acarinhasse de vez em quando, uma mão que a protegesse ao invés de demandar proteção. Era sua natureza buliçosa pensar tais coisas com qualquer criatura que usasse saias e perfumes doces. E ele pensava ainda mais quando tal criatura parecia tão... difícil.

Não aguentou mais e teve que rir com vontade quando a garota em questão chegou finalmente e se comportou como uma perfeita esposa que havia sido deixada de lado em casa e vai buscar o marido no bar mais próximo. Quem não acharia graça na forma como ela tratava o sonserino, ainda mais na frente de seus pares! Gargalhou com vontade! Ao menos morreria rindo que era melhor que morrer acabrunhado e tristonho com a própria sina. E mesmo sendo a garota tão altiva e tendo fingido não nota-lo (sim, fingido já que ele havia reparado seus olhos claros encontrarem os deles poucos segundos antes e era bom observador o suficiente para reconhecer na moça outra boa observadora), ainda assim ele falaria com ela, já que sua mãezinha apesar de não ter tido boas oportunidades para educar-se, ensinou ao filho que as boas maneiras devem ser dispensadas a todos sem distinção. E ele era um bom filho. E o fato da garota ignorá-lo divertia-o sobremaneira. E tinha certeza que falar com ela a irritaria ainda mais. Não, ele não era do tipo prudente, devia ser os genes Del Aguirre falando mais alto.

- Buenas Noches, senõrita! Essa é uma bebida digamos, bastante popular na minha terra. Não precisa zangar-se com seu namorado! Ele não tencionava realmente beber, foi apenas um desafio entre rapazes, mas não trará grandes danos e ele amanhecerá inteiro amanhã. Posso garantir-lhe! – “E com a cabeça explodindo” pensou, mas não era sua culpa. Tinha oferecido apenas ponche ao marquês e se ele havia preferido algo mais forte, a culpa maior era certamente do “motivo” que levara o sonserino a querer beber. Então abriu novamente a garrafa, cujo liquido já quase se esgotava e encheu novamente o copo para Derfel. Esse era seu intento ali. Contabilizava que cada copo de ponche equivaleria à 3 copos de tequila, então ao terminar aquele copo o grifinório teria bebido 9 doses. Em breve começaria o show e ele pretendia ficar longe e assistir. A noite prometia ficar engraçada ainda mais quando outro grifinório se aproximou e provou da tequila.

- Bebida para homens, amigo! Eu e o grande Derfel aqui estamos comemorando!


¿Qué ha pasado?:


Resumo: Resumo: Ángel tenta, ao seu modo, limpar a barra de Piers e aproveita para embebedar mais o grifinório, que era o que ele queria desde o inicio. Cumprimenta Logan.

[off]Postinho pobre x.x é que to com sonhinho e amanha vou ter que sair e não vai dar pra postar t.t[/off]


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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Ùna Fairbairn em Sex Set 14, 2012 11:32 pm


Sequer teve tempo de ouvir a resposta ou desculpa que Piers lhe ofereceria; mal o loiro abrira a boca (ainda sustentando uma sombra daquele sorriso estranho), outro cão decidiu ladrar. Del Aguirre a abordou com a fala arrastada que lhe era característica, o cumprimento do que deveria ser espanhol e o resto todo da conversa fiada cheio de sotaque e aquele ar cínico de quem está prestes a rir.

Buenas Noches, senõrita! Ùna contentou-se em voltar-se na direção do hispânico, meneando a cabeça para retribuir o que supunha ser uma saudação. Mas não se daria ao trabalho de responder a algo que sequer fora dito em sua língua; ele que aprendesse a falar com ela, antes. – Essa é uma bebida digamos, bastante popular na minha terra. Não precisa zangar-se com seu namorado! Ele não tencionava realmente beber, foi apenas um desafio entre rapazes, mas não trará grandes danos e ele amanhecerá inteiro amanhã. Posso garantir-lhe!

Tantas palavras gastas e, além de ter chegado a pelo menos duas conclusões erradas (não, eles não namoravam e muito menos Ùna precisava de qualquer garantia vinda de gente da laia de Del Aguirre), ele tampouco havia respondido à única pergunta que ela havia feito – convenhamos que “bastante popular na minha terra” não dizia coisa alguma. Trocou um breve olhar com Piers, momentaneamente deixando em segundo plano a ofensa feita pelo marquês; não entendia como diabos ele tinha paciência para lidar com gente que não sabia dar utilidade às palavras. Mas mais uma vez, o problema era dele.

Respirou fundo, revirando os olhos ao levá-los de volta a Del Aguirre.

– Não somos namorados. – Respondeu em um tom isento de qualquer emoção, quase mecânico. – E a minha conversa é com ele. Com licença.

E ela bem tentou retomar a conversa com o jovem Ainsworth, mas a interrupção dessa vez foi por conta de mais um garoto se unindo ao grupo – outro que ela não recordava bem o nome, mas estava certa de que não era de seu ano. Ato reflexo, voltou a enrolar a cabeleira negra, prendendo-a com a haste de prata novamente enquanto acompanhava com vaga curiosidade a reação indignada do recém-chegado à bebida. Tão logo baixou os braços, porém, sentiu um novo peso sobre os ombros, braços sendo tomados imediatamente pelo conforto de estarem cobertos. Virou-se, mas nem seria necessário: lógico que se tratava de Piers oferecendo-lhe o blusão que vestia; era de se supor que ele, conhecendo Ùna desde sempre, pudesse calcular quão incomodada ela se sentia por estar ali naquele estado.

– Obrigada. – Ainda que aquilo não diminuísse o fato de que ele tentara passar a perna nela, a sonserina tinha ao menos de reconhecer um gesto de educação, coisa tão rara em Hogwarts. Em paralelo, Del Aguirre aparentemente se gabava da macheza necessária para enfrentar aquela bebida. Francamente. Ajeitou então o agasalho sobre o corpo, fechando-se um pouco dentro dele. – Afinal, vai querer continuar aqui? Agora que já entreguei meu cardigã, sinceramente, não faz diferença por mim. – E deu de ombros, os olhos verdes (adornados em azul) ainda tentando ler a expressão do outro.


Resumo:
Abordada por Ángel Del Aguirre, Ùna prefere simplesmente não dar confiança a ele; em vez disso, decide que, agora que seu casaco está perdido, pode muito bem ficar por ali caso Piers assim decida – e no fim das contas, ao menos recebe o casaco dele emprestado.

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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Piers Ainsworth em Sab Set 15, 2012 2:55 am


Toda vez era assim, o estômago embrulhava e mais alguma coisa dentro dele se atava em um nó, precisava respirar antes de abrir a boca e, agora mesmo, enquanto ela caminhava entre a onda de pessoas com maior propriedade do que Moisés dividindo o Mar Vermelho, ele tentava engolir o estranho bolo na garganta e fechar a boca que insistia em ficar aberta num sorriso mole, quase ébrio, e muito torto.

Assistiu imóvel ela se aproximar, alguma coisa errada que ele não conseguia perceber exatamente o que era, e também não fez nada quando ela se aproximou muito naturalmente e tirou o copo de sua mão. Era típico dela, ignorar tudo e todos ao seu redor e se concentrar em sua missão, o trabalho que a família dela tinha passado, o trabalho de manter os olhos no marquês de Haywood. Porque era só isso que ela fazia, ele tinha certeza, ela nunca o aturaria por mais de dez minutos se não fosse por isso. De algum jeito a amizade que eles tinham na infância tinha trocado para algo muito incerto e vago, algo torto e desigual, algo no qual ele conhecia exatamente seu próprio motivo e papel mas não podia fazer nada. Era só o dever de Ùna Fairbairn - e ela sempre cumpria seus deveres ao pé da letra. Agora mesmo, altiva como uma das feiticeiras das boas histórias, tanto como Liádan, Boadicea, Agnes Nutter e a própria Morgana, olhos verdes com um anel em azul que podiam perfurar como a haste de prata que ela carregava em uma mão, o cabelo solto batendo na cintura, envolvendo os ombros dela como se- ah, era isso, então! Ela estava sem seus costumeiros cardigãs, era isso que destoava o quadro todo. Alistair se remexeu desconfortável na cadeira e ajeitou melhor o casaco que usava como se fosse um escudo.

Emprestou o resto de atenção que sobrava à postura de Ángel Del Aguirre, imaginando que alguém devia ensiná-lo a diferença entre coragem e temeridade, mas não conseguia exatamente pensar muito nisso quando ela pegava sem cerimônia nenhuma o copo que estava com ele, cheirava como se fosse uma especialista em criminalística, esticava a ponta da língua para fora e provava da borda e, só para finalizar porque já não tinha sido o suficiente, quase encostava o nariz em seu rosto para farejar a mesma beberagem também nele.

Ùna Fairibairn não era só uma viúva-negra, era também uma torturadora exímia e ele sabia que tudo o que falasse nos próximos segundos seria usado contra ele com a mesma falta de cerimônia com a qual ela tinha tomado aquele copo da mão dele. Ainda assim, tentou esboçar algum tipo de resposta, pelo menos perguntar como diabos ela tinha chegado ali tão cedo, ainda devia demorar uns dez minutos, mas foi interrompido pelo outro sonserino a quem, dessa vez, decidiu emprestar atenção. E, com isso, sentiu como se um murro e dez sentenças de morte pesassem sobre as cabeças deles dois a cada nova palavra que o muito louco proferia para sua guarda-costas. Não tinha nada contra o Del Aguirre, nesse momento ele parecia querer embriagar o grifinório e ele sempre falava demais e tinha uma disposição womanizer, mas não era nada demais, era até engraçado observar como suas atitudes destoavam de seu nome. Mas o marquês só engoliu em seco e decidiu que não era o momento para falar.

(O ridículo sorriso, certamente culpa daquela gasolina que alguém achou que podia chamar de tequila, ficou pendurado em seu rosto durante toda a resposta que ela deu, porém.)

Mas, enquanto ela respondia com a frieza das geleiras eternas, ele novamente se lembrou que todo o quadro não estava certo. Assentiu com a cabeça para a nova pessoa - Chevallier alguma coisa, se lembrava disso – enquanto estendia uma mão para perto do ombro dela, a tarântula sempre presente ali como algo permanente, quase uma tatuagem, mais do que acostumada à sua presença (céus, ela o via de cuecas todos os dias mesmo), subindo em sua mão sem demora e escalando seu braço para o ombro enquanto ele colocava o casaco que antes vestia sobre os ombros dela. Ùna nunca tinha gostado de parecer desprotegida, o desconforto dela não era palpável e não era mais do que um leve franzir de sobrancelhas para os outros, mas ele a conhecia melhor do que ninguém, talvez mais do que ela mesma. Lamentou a perda do seu escudo, do tecido que escondia seu desconforto, e entretanto o sorriso besta mostrando dentes tortos se alargou um pouco quando agradeceu e ajeitou o casaco dele melhor nos ombros.

- Você já perdeu o cardigã, e eu vou ter que dar uma muda de roupas para o namorado da Burton, então, por que ir embora já? Aqui, espera um pouco aqui que você não vai beber isso mesmo, então eu pego ali alguma coisa pra você. - e, com Nancy quase confortável no seu próprio ombro, se aproximou da dona dela para falar baixo - Não acabe com nenhum deles enquanto eu estiver ocupado, certo? - para dar alguns passos até o infame e não batizado ponche e encher um copo para ela e outro para ele. Precisava de alguma coisa descendo pela garganta e, pela velocidade com a qual o espanhol enchia os copos de Heaney, a tequila já podia ser cortada da lista – e o grifinório acabaria pendurado nos lustres.


Resumo:
Sem nem tentar se defender, Piers simplesmente assiste enquanto Ùna fala (?) com Ángel e cumprimenta o recém-chegado com um aceno de cabeça enquanto coloca o próprio casaco nos ombros dela. Depois vai pegar ponche sem batismo para sua guarda-costas, com uma tarântula no ombro.

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He was the moon, painting you
With its glow so vulnerable and pale.

The funeral of
hearts and a plea for mercy.


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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Derfel Heaney em Sab Set 15, 2012 11:47 am

A jogadora que vos escreve, tem uma mania imensa de exagerar e se gabar de coisas, uma das coisas que ela mais se orgulha ao falar de si mesma é a sua alta capacidade etílica, amplamente documentada, com testemunhas e relatos edificantes. Uma das provas mais comentadas é justamente uma foto que saiu em uma coluna social em um jornal de renome local depois de consumir absinto. Feito pelo qual até hoje é lembrada pelos seguranças da Casa Noturna, enfim, mas como nem todo filho é um reflexo dos pais, Derfel por sua vez não possuía o dom de tomar tequila.

Não era pela péssima qualidade da bebida, muito menos pelo sugestivo nome de Diablo que a garrafa ostentava, é porque o indefectível líquido mexicano é capaz de trazer a tona cores esquecidas da personalidade. Então, aquele rapaz, com nome e espírito de herói transformou-se em outra pessoa, mesmo que temporariamente. Já não era o garoto forte de olhar triste, com certo ar saudosista, a outra parte do jovem Cadarn também aflorou talvez algum gene adormecido do seu pai fanfarrão.

Por sorte Logan estava ali e algum dia Derfel agradeceria por não ter passado vexame sozinho. Dentro de si, sabia que nada viesse de Àngel poderia ser considerado total cortesia, porém a bebida apesar de possuir um gosto terrível – ainda mais, assim, sem sal, sem limão praticamente tequila ao mariachi – descia quente e ao mesmo tempo deixava a cabeça leve, sem preocupações, observando a cena que se formava a sua frente.

Virou-se para Àngel. – –Só tenho uma coisa a dizer , se todo mundo bebesse esse ponche... – Já falava meio enrolado, misturando o sotaque irlandês e espanhol. – – Metade dos problemas do mundo estaria resolvido, veja bem, aquela corvinal... qual o nome dela? – Estalava os dedos sem se preocupar com a cena ou o volume da voz. – Sanduíche! É esse o nome dela, muito feio por sinal. É uma sem vergonha, cercada por um monte de amigas inúteis que só sabem rir! – Deu três fortes tapas nos ombros de Del Aguirre, como se fossem camaradas de longa data.

– Veja Logan, o quão ingratas são as garotas de Hofh, Hoggh, Hoghwartshuhssssssshhhh, elas são loucas cara! Agora shiuuuuuuuu! Vou te contar um segredo...- fazia sinal de silêncio ao pé do ouvido do outro grifinório.-... nunca confie nelas, nunca. Olha pra ela, pra ela aqui ó, se ela não quer ficar aqui, por que está fazendo essa cara de quem comeu e não gostou? Por que ela quer fazer aquele cara ali ó, o loirinho ficar agradando ela. Essas mulheres são loucas Logan, loucas!
O pobre Derfel já estava se equilibrando, pendendo mais para a direita do que para a esquerda, então, se apoiou na parede, com aquele olhar embriagado perdido na direção da multidão, quando viu de relance Mariana Lengruber passando por ali, talvez tentando se enturmar. – É disso que estou falando, ela parece uma ovelha. Já viu uma ovelha? - Falava para todos ali do círculo e para quem mais quisesse ouvir.

– Uma ovelha precisa ser tosquiada pra cê saber como ela é por baixo de toda aquela lã! Porque se você comprar uma ovelha sem saber se ela é forte ou não, se o quadril dela é largo para passar as ovelhinhas? Não tem como saber! Simplesmente não tem como, mas aquela ali, ah meus amigos, é uma bela aquisição para um rebanho...Deixe de ser egoísta Àngel, continue a virar a garrafa porque hoje eu quero dançar!

Resumo: Derfel já está bêbado na festa devido as doses de tequila providenciadas por Del Aguirre. Sem noção das coisas que está falando, provoca Ùna e Piers, tenta travar uma conversa com Logan e compara Mariana Lengruber com uma ovelha.

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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Logan C. Villeneuve em Sab Set 15, 2012 2:57 pm

    I BET YOU LOOK GOOD ON THE DANCEFLOOR
    Ignoro alguns dizeres direcionados a mim, o novato da roda. Arthur Rimbaud, um amigo, sempre me disse que, com umas doses a mais, tudo fica bom. Olho para a bebida, que cintila diante da iluminação. Pela primeira vez na vida, resolvo colocar à prova a teoria dele. Viro, numa tacada só, o drink. Agora, neste exato instante, eu gargalho. Gargalho até não poder mais, gargalho e entorno outro copinho que há em cima da mesa. Gargalho e me apoio no ombro de Derfel Heaney, o colega de Casa, dizendo: “Você é o cara!”. Gargalho e me esqueço de que, minutos atrás, eu cometera o impropério de maldizer o líquido o qual bebia.

    Meus pés se movimentam num típico ritmo de jazz. Estados Unidos da América, sou dos anos quarenta. Acompanhado de coreografias mirabolantes, estalo os dedos. Sou um beatnik do século vinte e um. Abaixo as divagações do tempo, que, embora bêbado, me permitem discernir muito bem o real e o irreal: sou Lester Young e sou também Logan Villeneuve.

    Meu estômago não mais reclama, porque meu corpo deixa para trás toda aquela sensação de frio. Três doses. O mundo é quente. As luzes, rápidas, se movimentam, assim como o espaço. As moças todas são belas, tão belas que até as mais feias têm lá o seu charme. Há quem fale, há quem escute. Há uma banda do palco, há o frenesi. Ao meu redor, além da música, vejo alguns rapazes e uma mulher de cabelos negros. Minha mente trabalha de modo hiperativo e minha boca desata a falar coisas sem nexo, que, tomara, não me lembrarei amanhã. A bebida nunca foi o meu forte. E, sim, já deve ter prestado atenção, mas não estou habituado a ela. Deixo minha imaginação fluir como se estivesse à base de alucinógenos... Mas não, não estou. Portanto, sem qualquer desculpa, deixo Lester Young partir e assumo, legitimamente, Logan Villeneuve.

    Ouço os pensamentos poéticos de Derfel e concordo. Metade dos problemas do mundo estão acabados, ao menos para mim. As mulheres são loucas, são ingratas, são como a traíra que um dia me deixou. Berro, em concordância. Sem momento para deixar minhas dores ultrapassarem a euforia e a inexistente timidez, permito-me escutar todo o resto. Meu olhar recai sobre a morena à frente. Derfel fala sobre ela, e eu rio sem piedade alguma. Outra louca, outra garota querendo ser o centro das atenções. Envolvo-me em ideias internas. Por um instante, imagino que eu seja aquele cara, mas não sei se, de fato, sou como ele. Presto mais atenção ainda e lamento. Lamento, porque sei que sempre permiti que as malucas fizessem de minha vida um inferno. Eu gostava delas e, por isso, elas judiavam de mim. Senti-me como um santo que só precisava ser canonizado. Então, por um milésimo, eu era Lester Young novamente... E, gabando-me, dizia: “Pobre Logan”.

    O som da banda mistura-se com a batida de meu coração. Novamente, sinto aquela enorme vontade de dançar e é o que faço. O jazz dá palco para o rock de Bo Wagtail e eu sou apenas mais um dançarino em meio à multidão. Derfel joga mais algumas asneiras na roda, eu gargalho. Ovelha... De fato, a garota se parece com uma. Talvez não no sentido literal, mas... Ah. É linda, não posso negar. Normalmente, será que é tão charmosinha? Oras, dane-se. Minha mão direita alcança o ombro do grifinório ao meu lado. Em minhas expressões, apenas a comicidade e a certeza do que estou prestes a fazer.

    - Vagabundo, se você não vai... Eu vou lá falar ela – brado a todos os pulmões, sem ao menos perceber no tom alterado de minha voz ou na forma que havia tratado Derfel. Onde foi parar o afável Logan de sempre? Perguntei-me mentalmente... E a resposta foi: “Não nesta festa”.

    Embrenho-me no meio das pessoas mais bonitas que já vi em toda minha história. Vejo meu alvo se aproximar cada vez mais e continuo a dançar. Sorrio displicentemente, no nível mais extremo de cafajeste que pode haver. Arrumo minha roupa e, quando a garota parece notar minha presença, apresento-me no maior estilo já presenciado em todas as eras da humanidade:

    CHEGADA ARREBATADORA DO LOGAN:

    E, aproximando-me dela, digo:

    - Cê num é ovelhinha, mas que ancas laaargas de boa parideira... Benzadeus! – e, no maior estilo pedreiro, começa, de fato, a minha noite.

    RESUMO:
    Logan fica bêbado e faz coisas que, normalmente, jamais faria.
    OFF:
    Player com uma vergonha alheia do tamanho do universo kkkk

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Logan C. Villeneuve
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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Azmaria D. Corte-Real em Sab Set 15, 2012 3:51 pm


Girls, we run this motha!



Ai, Arnaldo… Esse meu xará é mesmo um grande cara de pau! Veja bem, teve a coragem de apresentar a outra garota na maior naturalidade. E Azmaria com seu temperamento ciumento-controlador já foi logo dizendo que era comprometida com o canadense que fez a egípcia para o fato.

Prevendo o pior e sabendo bem que a portuguesa seria capaz de tudo e qualquer coisa, o safado mandou Dorothy dar uma volta e saiu arrastando meu raio de sol para longe, em um canto chamando-a convenientemente de Pebs só para amolecer o coração de manteiga da menina. O que é claro, por mais que eu odeie admitir SEMPRE dá certo.

Azmaria ainda tentou ouvir o que ele estava dizendo para Dory com a sutileza de um trasgo, mas não conseguiu. Em questão de minutos, porém, ela tinha se esquecido por completo do incidente “te peguei no flagra!”

- O que deu em você, hein? De novo essa história de prometidos, Peb?

MAS O QUÊ? Então é assim? Logan faz promessas de amor eterno, dá um lindo, sexy, doce, doce, doce pufoso amarelo de presente como símbolo da relação, ou seja, EU, e, simplesmente finge que esqueceu tudo o que eles viveram aos cinco anos de idade? Pode isso, Arnaldo? *Logan Jr. Encara o urso de pelúcia de estimação que continua inanimado*.

Bom, ele não é de falar muito... Mas enfim... É UM ULTRAJE que infelizmente, Azmaria pareceu achar que era uma piada de Logan porque ela o acha super divertido. Mas minha Nossa-SINHORA-Protetora-dos-Pets-Defensores-de-seus-donos-tresloucados, me diga: que dia que esse rapaz contou uma piada se quer?

E TIRA A MÃO DAÍ, MOLEQUE! Ele estava abraçando minha princesa de Lisboa com aquelas mãos imundas que há menos de minutos atrás estavam fazendo sei-lá-o-quê com a pobre Dorothy. SIM! Ela não tinha culpa de Logan ser um safado, ele era o vilão da história e só eu vejo isso!

Azmaria não se contentou muito com a mudada de assunto brusca dele, esperava que ele dissesse que tinha sentido sua falta, afinal, eram três anos só se falando por correspondência. Mas isso não importava, afinal, ele estava ali e era todo dela agora.

- Sim, eu levo muito a sério minhas promessas. – disse numa sinceridade meiga como se nem tivesse encarnado a louca em segundos atrás, sentindo o seu abraço ela podia ficar ali para sempre mesmo que a canção que estava tocando fosse agitada e não combinasse com uma dança a dois. Ela não ligava a mínima. Sorriu de olhos fechados feito boba apaixonada. E quando ele perguntou se ela queria uma bebida, teve tanto medo de explodir de felicidade que apenas assentiu. E esperou.

E esperou. E esperou. E esperou. E esperou.

AZMARIA, MINHA FÊLHA! Você é portuguesa, bem, então pare de se fazer de cega e ABRE O OLHO, JAPONÊS! Essa desculpa de buscar uma bebida é o maior caô já inventado desde que Israel Novaes dedou os marmanjos de Plantão com a célebre “vai no banheiro, pra gente se encontrar, vai lá no escurinho pra ninguém desconfiar”...

Desconfiada de que ele tinha ido se encontrar com Dorothy, Azmaria saiu no encalço de Villeneuve. Chegou rápido na mesa de bebidas e guess what? Ele não estava ali.

Spoiler:



Foi quando ela viu, ali, no canto. No escurinho pra ninguém desconfiar uma mesa repleta de marmanjos e uma garota. Pareciam se divertir e Logan estava ali. Por quê? Porque ele tinha ido ter com seus amigos e lhe deixado plantada e sozinha enquanto estava esperando por ele? De repente, o médico sumiu de novo e o monstro tomou conta do peito da jovem Corte-Real que ia lutar por seu homem.

No entanto, ao perceber Logan todo saliente e se aproximando DE OUTRA GAROTA, aquilo tinha sido demais para o pobre coração partido de Azmaria. Ter sido esquecida, tudo bem, a gente releva. Mas ser trocada, era inadmissível. Aproximando-se para uma vez mais tirar satisfações, a lufana conseguiu ouvir a cantada de pedreiro que ele passou na garota. E sua fúria, se converteu em decepção porque ele nunca tinha sido daquele jeito com ela.

Sem titubear, Azmaria Corte-Real, deu um sonoro e dolorido tapa na cara de Logan, deixando ali a marca de seus cinco dedos bem marcados. Seus olhos marejavam mas ela se segurava para não permitir que as lágrimas caíssem. Não. Ela não ia chorar na frente dele. Voltou-se então para o grupo que assistira à cena e viu um rapaz galante com uma garrafa na mão. Estendeu sua mão na direção dele sem dizer palavra. E como se a entendesse, Angel Del Aguirre lhe entregou o que restara da tequila. Azmaria bebeu tudo numa virada e balançou a cabeça o suficiente para estar zonza.

E no seu momento mais desafiador, jogou a garrafa na parede, partindo-a em mil pedaços como seu coração estava quebrado. Apontou o dedo para Logan e começou a cantar ora em português, ora em inglês:

- Meu amor era verdadeiro. O teu era pirata. O meu amor era ouro. E o teu não passava de um pedaço de lata. Meu amor era rio. E o teu não formava uma fina cascata. O meu amor era de raça. E o teu simplesmente um vira-lata. Ex my love, ex my love, se botar teu amor na vitrine, ele nem vai valer 1,99!

E juntando toda a sua dignidade, ou o que restou dela, Azmaria saiu rebolando ao som de sua canção de corna amargurada. Ex my love, ex my love, se botar teu amor na vitrine, ele nem vai valer 1,99! Logan Villeneuve não valia nem 1,99.


Girls!

vestindo: isso
escutando: beyonce - who run the world
thanks, baby doll @ OOPS


"Resumo:
Azmaria fica esperando Logan trazer sua bebida quando desconfia de que ele tinha ido "pegar" Dorothy escondida. A procura do grifinório o pega novamente flertando com outra garota. Magoada, vira o resto da tequila e sai cantando amargurada pelas Masmorras se afastando de seu "ex-my-love".

-


Logan Jr.
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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Katherine Graham em Sab Set 15, 2012 7:13 pm

02 de setembro.
Masmorra do Pirraça.

Cachorro, perigoso, safado, carinhoso e pronto pra sofrer de amor!
________________________________________________________________________________________

- Vem comigo! - ela levantava o braço três vezes - Agora dá a giradinha, faz o passinho! - dava uma volta em torno do seu próprio eixo. - UHUUUUL... Não cara, assim não... - ela segurava o garoto na sua frente pelos ombros. - Tem que gritar UHUUUUL no final, entendeu? - o garoto, que se ela tivesse guardado o nome certo, se chamava Fred, olhava com impaciência para ela. - Eu sei que rock não tem coreografia, mas foi você que pediu pra dançar comigo, então aguenta né? - ela dizia alto, animada e rindo pro menino.

Que pelo visto não estava achando aquilo tudo tão divertido como ela.
Pois mal repetiu seu passinho e dava uma volta quando o mesmo tinha sumido na multidão.

- QUE SEJA, VOCÊ ERA FEIO MESMO, FRED, TÁ ME OUVINDO? - ela ria e gritava para ninguém especificamente, esperando que o garoto pudesse ouvi-la. - Cara chato pra caramba, aff! Mas ele tá por perto, ele me ouviu. – ela dizia subitamente pra menina que estava do seu lado, que olhou-a confusa com cara de “Você tá falando comigo?”

Mas ela ignorou a reação da menina e voltou sua atenção novamente para o palco. Afinal, quem lhe interessava mesmo ali naquele show, era o cara maravilhoso que estava lá em cima cantando. “ARRASA, TCHUCHUCO!”, pensava animada.

Katherine estava realmente se divertindo naquele show. Já tinha dançado com três caras e com uma garota. A menina estava toda tímida e ela decidiu ajudá-la a se soltar e curtir o show, puxando-a pra dançar loucamente. Mas quem disse que as pessoas reconhecem boas ações hoje em dia? A menina tinha ficado irritada e tinha xingado Katherine de nomes nada bonitos. Não que ela se importasse muito com aquilo naquele momento, mas pra não perder muito tempo com isso, apenas respondeu “É a mãe” e saiu andando em meio ao tumulto procurando outras fontes de diversão.

E como quem procura, acha... Viu-se de repente de frente pra uma menina visivelmente “alegre”. Katherine é o tipo de menina que sente muitas coisas, mas não inveja. Inveja é algo raro. Contudo, ao perceber o óbvio: que aquela menina estava bêbada, ela não pode evitar sentir inveja. Como ela tinha conseguido álcool? Aliás, como não, onde? Ou melhor, com quem?

Porém, a alegria da menina não era bem alegria. Estava para descobrir que ela estava mesmo era chatiada. Cantava uma música horrorosa e pelos olhares das pessoas próximas ali na cena, ela estava cantando para alguém.

- ...Ex my love, ex my love, se botar teu amor na vitrine, ele nem vai valer 1,99! - a menina cantava em alto e bom som, enquanto dançava e rebolava como se o mundo fosse acabar amanhã.

Ah, essa é das minhas.

- Garotaaaa, que música horrível, nota zero! - ela dizia se aproximando da menina, colocando o braço direito sob o pescoço da mesma. - Mas te dou dez pela atitude. - ela dizia piscando pra menina. - Agora diz aí, com quem você arrumou essa atitude toda hein? Eu também quero um gole.

- Eu consegui com aquele pessoal ali. – a menina apontava o dedo meio oscilante um grupo que estava próximo. “Ótimo.- Mas acho que era o resto da garrafa. Eu preciso muito beber. Aquele ali - ela apontava com mais firmeza para um menino loiro e lindo que estava por perto - me prometeu que casamento. – ui, ele pediu ela em casamento. - Gastou os meus melhores anos de juventude e agora está se engraçando com todas da festa. Eu até mudei de escola por causa dele e é assim que ele me recebe? - “Uau.- Como se eu fosse um sapato velho? Mas eu vou ficar e vou beber e vou ser feliz! Vem, vamos arranjar mais bebida...

Katherine terminou de ouvir a menina falar para agir.

Foi muito – MUITO – difícil mesmo não deixar tudo pra lá e ir catar mais bebida com a menina. Mas não podia deixar aquilo pra lá. A garota a comoveu. Não porque a menina parecia ter sido chifrada, mas porque a menina pelo jeito gostava de verdade do loiro. Tinha até trocado de escola! Decidiu ignorar o quanto achava que era esquisito alguém trocar de escola por outra pessoa, porque amor é assim mesmo né? Ou obssessão, tanto faz. Para ela ambos eram a mesma coisa no final.

Pedindo licença pra menina, soltou a “nova amiga” e foi desfilando linda até o loiro. Aproximou-se com calma, observando o jeito um tanto espalhafatoso com que o rapaz interagia com um amigo. Homens héteros bêbados são tão fim de carreira. Katherine lembrou por um segundo de como seus pais sempre se mantinha muito phynos mesmo estando bêbados. Mas aquela não era hora de pensar em como gays eram mais divos. Aquela era hora de fazer justiça.

Já estava a dois passos do rapaz, mas ele parecia não notá-la. Cutucou no ombro direito e cruzou os braços. Com alguma lerdeza no movimento o loiro virou-se para encará-la. Ela vestiu seu sorriso mais charmoso e encantador. O rapaz então pareceu ficar mais animado com a situação, mudando sua postura e olhando para ela com um olhar que Katherine já era expert para reconhecer: aquele olhar clássico que diz “Tô te querendo”. Ah, se fosse outro dia, outra situação, outras pessoas, outra vida... Ela com certeza teria se deixado seduzir por ele dando mole daquele jeito meio rústico. Mas ali naquela hora, naquela situação, com aquelas pessoas, ele não tinha chances com ela.

Ainda sorrindo Katherine deu um tapa leve e debochado, quase de nojinho, na cara do loiro (Tipo esse aos 01:08).

- Isso é pra aprender a não fazer juras de casamento pra meninas malucas. - ela falava calma, porém firme. - Agora me responde uma coisa: Como a responsável pelas bebidas da festa, eu quero saber: o que vocês tão bebendo nessa festa pra ficarem assim bêbados? - ela falava séria - Porque eu quero um pouco e a sua noiva tá precisando de mais.

________________________________________________________________________________________

OFF:
TUDO AUTORIZADO. Qualquer coisa, MP!


Última edição por Katherine Graham em Dom Set 16, 2012 12:11 am, editado 2 vez(es)

-

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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Ùna Fairbairn em Sab Set 15, 2012 7:31 pm


Ùna, a primeira representante da mais nova geração dos Fairbairn, nascera e fora criada no casarão do núcleo da família, em um canto recluso de Tintagel. A habitação mais próxima que não pertencia ao clã era o castelo habitado pelos Ainsworth, e mesmo ele ficava a mais de um quilômetro da residência da garota, ligado a ela por uma sinuosa estradinha de terra. No meio do caminho, um dos mais antigos cemitérios bruxos de todo o Reino Unido, que invariavelmente foi parte da infância de todo Fairbairn, Ùna inclusa. Fosse trabalhando, brincando ou simplesmente atravessando as galerias de túmulos, aquela gente acabava por desenvolver não só apreço ao silêncio, como um verdadeiro respeito por ele e tantas outras coisas da vida. Diz-se que é o que acontece quando a morte está sempre sentada à mesa com você.

Não era de se estranhar, portanto, que aquela cena parecesse um verdadeiro pandemônio para a jovem sonserina.

Como se de alguma forma Piers fosse a tênue linha que sustentava a sanidade daquele encontro (até riria de uma metáfora tão absurda, não fosse a situação), tão logo o loiro afastou-se para pegar alguma bebida decente, o mundo pareceu desandar – começar pelos tais Derfel e Logan; registrara os nomes de ambos a partir da conversa que travavam. Mal o jovem marquês dera as costas para o grupo, o dito Derfel entoou uma provocação sobre Ùna, sugerindo que ela não só fosse mais uma dessas histéricas que circulavam por Hogwarts, como que também que o único objetivo dela era forçar seu protegido a agradá-la. Bem passou pela cabeça dela ensinar a ele uma lição ou duas a respeito de misoginia e de como era melhor dobrar a língua antes de se referir a ela, mas conteve-se e nada mais fez além de lançar um olhar de esguelha para o diabo. Bêbado como estava, a língua aparentemente mal caberia na boca; dobrá-la, então, era tarefa impossível. A sonserina não perderia seu tempo tentando corrigir quem não era de sua responsabilidade, muito menos naquele estado onde qualquer coisa – de avisos a um dedo quebrado – não valeriam de nada.

Foi quando os dois grifinórios começaram a discutir a respeito de ovelhas e ancas que ela concluiu que 1- Piers devia muito a ela depois de uma situação dessa, por mais que fosse sua obrigação segui-lo aonde fosse; e 2- ele nunca mais colocaria sequer os pés em uma sala onde aqueles dois estivessem. Pois era o cúmulo do absurdo para Ùna ver-se obrigada a voltar os olhos e erguer uma sobrancelha descrente para Ángel Del Aguirre, aparentemente o único ainda sóbrio por ali, que sequer fazia questão de disfarçar o quão hilário achava tudo aquilo.

(Acontecera qualquer coisa como um passo de dança muito do mal-ajambrado enquanto uma garota era abordada com o que provavelmente era o esboço de cantada mais grosseiro que a humanidade jamais presenciara. Ùna, que tinha dominado ao longo dos anos a habilidade de não se importar com o que não lhe dizia respeito, quase chegou a sentir pena da infeliz.)

Com os portões do inferno já abertos, não era de se espantar que o espetáculo se tornasse ainda mais dantesco e uma segunda menina surgisse do nada para deixar cinco dedos marcados na cara de Logan como se reivindicasse a posse – o porquê de alguém se dar ao trabalho de marcar uma criatura daquelas escapava à compreensão da jovem Fairbairn, especialmente depois da dupla humilhação pública. (Era em momentos assim que ela chegava a pensar que talvez houvesse um lado bom em contratos de casamento como o seu. Ao menos não seria jamais obrigada a aceitar aquele tipo de atitude e se ver lutando por alguém que não merecia uma nesga de consideração sequer. Infelizmente, pensar assim não amenizava a revolta que sentia por sua própria situação.)

O que não esperava – a bem da verdade, não esperava nada daquilo, mas aquele último gesto realmente a pegou de surpresa – foi que a recém-chegada tomasse a garrafa de Del Aguirre, virasse o resto do conteúdo em um só gole e então jogasse o recipiente contra a parede, vidro explodindo para todos os lados enquanto ela entoava uma cantilena estranha meio em inglês, meio em alguma língua desconhecida. Parecia rogar alguma espécie de praga moderna sobre o rapaz que acabara de demarcar feito gado (conveniente, para quem se gabava das ancas de ovelhas minutos antes), mas não havia importância nisso. Tudo que Ùna tratara de fazer, mesmo que ainda um tanto pasma pelo choque, foi primeiro verificar se Piers ainda estava longe o bastante para não correr qualquer risco com os estilhaços da garrafa. Em seguida, deslizou apenas um pouco para o lado, pés em uma base firme e mão apertando a varinha, posicionando-se entre seu protegido e a descontrolada, em quem mantinha os olhos fixos; se qualquer coisa voasse na direção do marquês, ela teria como agir.

Felizmente, porém, não foi preciso fazer nada; a outra foi-se embora, deixando para trás sua propriedade e um sem-número de cacos de vidro cintilando no chão. Respirando fundo, Ùna fechou mais o casaco em torno de si, feito uma capa, a postura reta como uma espada. O ar lhe escapou dos pulmões em um suspiro lacônico, enquanto ela se virava para receber um Piers um tanto esbaforido, com dois copos de ponche nas mãos.

– Se depois disso você ainda quiser continuar por aqui, vou considerar caso de interdição por insanidade. – Decretou com firmeza, sem se dar ao trabalho de prestar atenção na outra garota que se aproximara; ao menos a reconhecera como uma colega de casa ainda sóbria, e por ora isso seria o bastante. Fosse como fosse, era inadmissível que ficassem em meio a uma situação daquelas.

Resumo:
Um tanto pasma com o que considera um pandemônio – da bebedeira dos grifinórios à aparição no mínimo explosiva de Azmaria –, Ùna acompanha a escala de eventos, ocupando-se apenas de verificar a segurança de Piers, que havia se afastado para buscar ponche. Por fim, deixa claro para o marquês que eles não vão mais continuar por ali, sem dar muita atenção à chegada de Katherine (afinal, gente sóbria e que não grita já nem entra na lista de preocupações).

-
She was the wind, carrying in
All the troubles and fears you've for years tried to forget
He was the fire, restless and wild
And you were like a moth to that flame.

Love is the funeral of hearts and an ode for cruelty.


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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Piers Ainsworth em Sab Set 15, 2012 8:48 pm


Piers Alistair Haywood of Ainsworth, marquês de Haywood, filho do duque da Cornualha, criador de corujas e demais aves, era uma pessoa que já tinha visto de tudo em sua vida. Era isso que acontecia quando você era obrigado a conhecer pessoas demais, você passava por cima do fato de que uma garota bebia limonada quente e ia vomitar tudo o que comeu, você ignorava que algum senhor mais afoito usasse meio pufoso morto na cabeça, fazia vista grossa para uma senhorita que escorregasse no salto alto como se nada nunca tivesse acontecido, você só sorria e comentava que dia bonito, não era mesmo? Ele também estava acostumado a outros deveres sociais, já tinha bebido desde o brandy a akvavit e sua resistência era minimamente boa, mas ainda assim se sentia meio entorpecido e preso em uma nuvem quase gostosa de álcool.

Mas, mesmo o marquês de Haywood que, devemos salientar, cresceu brincando no cemitério dos Fairbairn e hoje carrega a chamada Viúva-Negra Fairbairn como guarda-costas, não estava preparado para os acontecimentos daquela noite.

É claro, estamos nos adiantando um pouco no tempo e, para compreender os parafusos e engrenagens que giraram no cérebro do marquês, é necessário entender a ordem de todos os fatores.

Ele tinha Nancy sobre um ombro e um sorriso que não tinha ainda sido arrancado de seu rosto, olhos azuis quase suaves demais, enchendo um copo de ponche e depois outro, o corpo com uma leveza típica de quem tinha tomado a dose certa de álcool. Ele sempre tinha a estranha necessidade de ser gentil com ela, mas isso era sempre suprimido pelo seu bom senso nato e pelo fato de que ela ia pensar que ele tinha enlouquecido ou que era ridículo o sujeito que a família pensava que não podia andar sozinho tentando ser cavalheiresco com ela. No momento ele não se importava, porém. Ela ia matá-lo de todo e qualquer jeito, envolta no casaco que era dele e com a haste de prata enfiada na goela do marquês, então não tinha mais com que se preocupar em piorar sua situação - e, mais pertinente e verdadeiro, já estava meio bêbado, o suficiente para não se importar.

Mas foi no exato momento em que terminava de encher o segundo copo quando tudo aquilo aconteceu. Olhou sobre o ombro, só para ver como ela estava, e viu e ouviu o som de vidro explodindo, uma garota lufana fazendo qualquer coisa completamente insana com o outro grifinório, bem do lado de Ùna.

Não viu mais nada, não se importou com mais nada e não queria saber de mais nada. Só que os cacos tinham explodido bem na parede de frente à sua guardiã, cacos que o seu cérebro ensandecido de preocupação já imaginava de algum jeito ter vazado a proteção de seu casaco - leve demais, maldição! - e se cravado na pele dela, alguma hemorragia que ele não podia ver de longe, qualquer coisa. Sequer teve a presença de espírito para deixar os copos sobre a mesa do ponche, saiu correndo com toda a agilidade e graça de alguém que sabia valsar em um salão lotado de gente que não sabia e ignorou por completo todos os outros na mesa, tinha outras prioridades antes. Chegou a ela bem no momento em que outra garota igualmente ensandecida aparecia para fazer o diabo sabia o que com o grifinório que já tinha sido o pivô de tudo aquilo e não fez a mínima cerimônia em colocá-la junto com o conjunto de todas as pessoas naquele lugar e elevá-la à categoria de todos eles, ou seja, preterida em relação à sua viúva-negra.


– Se depois disso você ainda quiser continuar por aqui, vou considerar caso de interdição por insanidade. - ela comentou, e ele viu pelo tom de voz dela e por algo nos olhos que não, ela não estava tão tranquila assim, parecia estar em choque e aquelas eram as únicas palavras que podia dizer e ainda continuar fingindo que estava em uma realidade comum.

- Uhum. - foi a resposta do loiro, colocando só dois copos em cima da mesa e voando com as mãos para os ombros dela, os braços dela, toda parte dela que estava perto de suas mãos, checando por possíveis ferimentos, qualquer coisa, erguendo o queixo dela para ter certeza de que estava tudo bem no pescoço também, examinando tudo e ignorando todo o mundo ao redor dele até que tivesse certeza que Ùna estivesse bem.

Respirou finalmente, colocando um copo na mão dela porque sim, ela precisava beber alguma coisa doce, qualquer coisa, e depois colocou as duas mãos nos ombros dela, o olhar surpreendentemente firme como se tivesse sido despertado de uma vez da moleza ébria anterior -
Você pode dizer o que quiser, depois que a gente sair daqui. - e se virando para o outro colega sonserino que Piers, de certa maneira, não considerava culpado pela histeria feminina de forma alguma, ainda teve a epifania de aconselhá-lo enquanto todos os outros pareciam perdidos em uma realidade alternativa da qual ele não queria fazer parte - Olha, Del Aguirre, eu fosse você ia embora daqui antes que alguém aparecesse perguntando quem deu de beber pra essas garotas. Não podem provar se você não estiver aqui, não é mesmo? Sem provas, sem crime.

Logo depois de ser solidário com o colega sonserino, puxou a sua guardiã pela mão sem se importar com mais nada, caminhando entre as pessoas e parando à porta bem a tempo de ver que Del Aguirre tinha seguido seu conselho e escapava furtivo por outra entrada, assentindo em aprovação e agradecendo a todos os panteões que conhecia que, apesar de tudo, sua guardiã ao menos o mataria silenciosamente. Era um bom começo.

Resumo:
Pegando os prometidos ponches para Ùna e ele, Piers percebe de longe quando uma garota (Azmaria) briga com um dos grifinórios (Logan). Ignorando todo o resto e subitamente preocupado de morte com a garota, ele corre até ela para verificar se está tudo bem, acordado do quase torpor alcoólico que estava vivendo. Por fim, aconselha Del Aguirre que ficar ali não pode ser bom para ele e e abandona a festa prematuramente com Ùna, se esquecendo da própria situação e só pensando no bem estar dela.

OFF - Ae galera! Foi bom participar da RP *-* Quantas emoções, adoooro! É até uma pena sair cedo assim, mas a gente já tinha combinado que ia acontecer outra RP pro Piers ganhar um esporro violento da Viúva e pro Ángel que tem PER20 fazê-lo perceber algumas coisas, então aproveitem por aí ;D

Batizem o ponche por nós ò.ó/

-
She was the sun, shining upon
The tomb of your hopes and dreams so frail
He was the moon, painting you
With its glow so vulnerable and pale.

The funeral of
hearts and a plea for mercy.


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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Ángel Del Aguirre em Sab Set 15, 2012 10:15 pm


IV
A saideira


Se havia alguém ali a quem a bebida Del Diablo estava destinada, se havia alguém ali a quem o rapaz de olhos amendoados queria algum mal, esse alguém era Derfel Heavey. Os motivos eram tantos que Ángel Del Aguirre sequer poderia enumerar, mas o que era mais destacado era que o grifinório atrapalhava seus planos de aproximar-se de Virginia, sua sobrinha, a única herdeira de seu pai, uma aliada que ele precisava ganhar de vez para solidificar ainda mais sua posição na família. Não era assim tão difícil, Virginia era uma dama em muitos aspectos e ainda assim possuía aquela natureza passional dos Del Aguirre. E Ángel era assim também, ao seu próprio modo, um pouco mais indolente, bem menos impulsivo, mas ainda assim sabia compreender a grifinória porque, a despeito de tudo, tinham o mesmo sangue espanhol queimando nas veias.

Seriam uma dupla perfeita, a não ser pelo troglodita irlandês que cismava de proteger e vigiar a garota! Como se aquela Del Aguirre, sendo filha de quem é, não soubesse cuidar de si mesma melhor que eles dois! Juntos! Isso irritava o mexicano sobremaneira e não é possível negar o que havia algo de maldoso em aproveitar-se da índole crédula de Derfel para fazê-lo passar vexame, mas isso era parte do plano maior que livraria os Del Aguirre daquela presença irlandesa e abriria caminho para Ángel tomar o lugar de Heavey como protetor da sobrinha.

E seu plano caminhava de vento em popa. O grifo começou a soltar a língua, trata-lo como melhor amigo, filosofar sobre o comportamento feminino. A tudo isso o mexicano gargalhava, agora sem nenhuma discrição, e enquanto o pobre Derfel pensava que Ángel ria com ele a verdade era que o bastardo dos Del Aguirre ria dele, embora seja necessário duas colocações a respeito da situação: 1° Ángel suspendeu a gargalhada e olhou muito sério para Derfel quando este tomou a ousadia de dar-lhe tapas nas costas. Não, ele não gostou em absoluto. 2° Tinha que confessar que via certa lógica na filosofia de Derfel, a que comparava as damas a ovelhas que não se mostravam totalmente antes de serem “tosquiadas”, pois ele mesmo já havia tido experiências negativas nesse sentido, ao despir alguma bela companhia e encontrar uma série de artifícios destinados a engana-lo. Não, Angel não gostava disso em absoluto. 3° O mexicano fez a cara mais inocente do mundo quando Úna soergueu as sobrancelhas para ele como quem perguntava quem havia aberto as portas do inferno. Ele era inocente, afinal só havia trazido a bebida, não obrigou ninguém a beber . E nesse momento o mexicano fez sua anotação mental: rá, não nenhuma mulher ou aranha era totalmente imune aos seus encantos latinos.

E enquanto Derfel pedia mais da Del Diablo – o que Ángel não negaria e de imediato abriu a garrafa para despejar o resto do conteúdo no copo de Heavey - o outro grifinório ia pelo mesmo caminho e já dava uns passinhos da dança em direção as senõritas. O mexicano, ainda se divertindo, começou a contar quantos segundos demoraria para Logan ser estapeado pela garota em questão, quando outra garota apareceu e um tanto emocionada, fez o que seria para a primeira fazer. “E quem diz que os bordeis do México são animados, precisa conhecer as festas de Hogwarts!” pensou para si Ángel Del Aguirre, verdadeiramente chocado, o que era um assombro sendo ele quem era e tendo vindo de onde veio!

A senõrita lhorosa então se se aproximou do rapaz del Aguirre e tomou a garrafa de sua mão, impedindo que o copo de Derfel fosse cheio novamente. Tomou todo o resto no gargalo mesmo e jogou a garrafa contra a parede. Por um momento ele quase gritou “Arriba” para a moça, animado com todo aquele fogo passional, mas a garrafa explodindo contra a parede fez um alarme de perigo soar alto. Havia agora três bêbados arrumando confusão na festa e a garrafa era a prova do crime que alguém trouxe aquele veneno para dentro do internato. E esse alguém era ele. Prova e criminoso no mesmo ambiente. “Isso não é bom para minha pele” pensava quando ouviu os conselhos do sonserino loiro. Ele era sábio no fim das contas, apesar do sorriso bobo. Então fez o que qualquer um muito preocupado com seu próprio bem estar faria: cumprimentou a todos com um meneio de cabeça, foiligeiro se misturar a multidão que dançava e sair daquele lugar, mas não sem antes provocar um pouco mais o grifinório:

- Ah Derfel, direi a Virginia onde encontrá-lo! Ela disse mais cedo que viria falar com você na festa! Buenas noches, mis compañeros!

Ángel, o bastardo Del Aguirre, sumiu-se tão rápido como uma serpente no deserto.



¿Qué ha pasado?:


Resumo: Ángel observa os acontecimentos enquanto enche o copo de Derfel e fica preocupado com as consequências da garrafa quebrada por Azmaria. Decide então que é melhor sair antes que descubram que ele trouxe a bebida para a festa.

[off]Finalizando ações aqui. Como a cammy disse continua no salão comunal Xd Me diverti Horrores @@[/off]

-
Every rose has its thorn
Just like every night has its dawn


Just like every cowboy sings his sad, sad song
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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Virgínia Del Aguirre em Dom Set 16, 2012 2:06 pm


V
Madre Virginia de Calcuta!


Depois dos eventos no Expresso a última coisa que a jovem herdeira dos Del Aguirre queria era se meter em mais um show da banda Broterhood. Não gostava de verdade das grandes aglomerações e todo aquele calor humano havia exercido um efeito nada bom em sua personalidade. Havia mesmo chamado dois rapazes desconhecidos para dançar? Não podia acreditar, mesmo agora. Aquilo parecia mais coisa que sua mãe, conhecida como Luz Del Fuego nos tempos de aluna em Beauxbatons, faria. Não ela, não a comportada Virginia. Seria mesmo verdade que não importava o quanto se esforçasse seu sangue ígneo prevaleceria mais que sua vontade? Que não podia fugir à herança de ser filha de quem era como Ángel insistia em dizer quando ela evitava certas coisas, certos lugares, certas situações? O tio que era apenas um ano mais velho não entenderia o que a espanhola passava, mesmo assim era bom ter seu conforto. Derfel por sua vez entendia, mas não a confortava, pelo contrario a instigava a ser menos dócil e mais guerreira, como era a natureza simples dele.

-Esses frascos eu guardo onde, Ira? – perguntou a Aiyra retornando do mundo inteiro que eram seus próprios pensamentos. Esteve ajudando a lufana na enfermaria durante todo o dia e não, não iria mesmo aquela festa apesar da insistência de Ángel.

- Pode deixar em cima daquela mesa. Só vou arrumar tudo amanhã, teoricamente temos mais um dia de folga. – respondeu a prima ( parentesco que poucos sabiam existir entre as duas garotas) enquanto arrumava um armário.

Nesse instante, duas meninas entraram na enfermaria e Aiyra parou a arrumação para atendê-las. Virginia continuou enfileirando os frascos onde a lufana havia indicado. Mesmo assim, compenetrada, escutou boa parte da conversa, justamente a parte que lhe interessava. Algo sobre um grifinório um tanto bêbado falando muito sobre uma filosofia que envolvia “garotas e ovelhas”. Bom, a espanhola conhecia um fazendeiro que criava ovelhas, que por sinal era da grifinória e que também era seu tutor de duelos. E Derfel tinha dito que iria a festa. Virginia ficou pálida ao pensar que havia possibilidade de ser seu irmão de criação arranjando confusão logo antes das aulas começarem. Imediatamente largou os frascos sobre a mesa e avisou a Aiyra que elas estavam indo lá para averiguar quem eram os alcoolizados e resgata-los antes que aquilo parasse em ouvidos não tão compreensíveis.

As primas desceram juntas até as masmorras, andando rápido. Não estavam vestidas para festa, usavam roupas comuns de trabalho e foram barradas, como era de se esperar, pelos elfos. Virginia olhou sua roupa que consistia apenas em uma blusa e uma calça comprida. Não iria ficar nua ali, por ninguém faria tal coisa descabida. Mas mesmo assim suspirou e tirou os sapatos. As meninas sem-roupa precisariam de calçados, não é? E caso calçassem um numero diferente bastava um feitiço de transfiguração simples para aumentar ou diminuir o tamanho. E o pobre Derfel valia o sacrifício de andar descalça no piso frio das masmorras. Aiyra entregou um cinto e ambas seguiram se acotovelando na multidão, procurando rostos conhecidos. Foi a lufana quem viu Derfel, um tanto oscilante, em um canto mal iluminado e apontou o garoto a Virginia.

-Hola, muchacho! O que você andou aprontando por aqui? – disse tentando ser diplomática apesar do cheiro terrível que o rapaz exalava. Colocou o braço dele por cima de seu ombro para ajuda-lo a andar e apoiou a mão espalmada sobre peito dele. Em seguida continuou – Vem dançar comigo! Dê um passo! Assim, vamos nessa direção – e a morena ia guiando o garoto para a saída.

- Pra onde cês quatro tão me levando? Vamos dançar? Eu acho que não consigo dançar com todas vocês, tem que ser uma de cada vez Derfel perguntava, sorrindo bobo, e Virginia não sabia se ria da situação que nunca imaginou ver em todo tempo que conhecia o irlandês, ou se chorava de pena por ele estar em tão miserável estado.

- Vamos ver as estrelas lá fora! A lua! Lembra-se da lua na Irlanda, que você tanto gosta e fala a respeito? – Ela perguntou, levando-o mais alguns metros em direção à saida.

-Lua cheia, liiiiinndaaaaaaa, redonda. Você não se divertiu na festa, nem um pouco, vamos voltar, dançar, eu não dancei Virxinia, nem um pouco... –e ele tentou leva-la de volta, mas Virginia o direcionou novamente para a saída.

- Vamos dançar sob a luz das estrelas! Vai estar mais fresco lá fora! Vamos, por aqui! – A espanhola respondeu, já cansada. Ia ser um longo caminho e Derfel pesava tanto quanto um caminhão.

Enquanto isso Aiyra tentava ajudar Logan ao seu modo.

Ações de Aiyra ditadas pela player escreveu:Não estava satisfeita em abdicar de seu cinto em prol desconhecido, mas seu karma era ajudar sem se preocupar com valores. Em nenhum momento foi uma pessoa má, mas também não estava entre as Madres Tereza de Calcutá. Sobrou para si o grifinório, lastimável era a situação alegre e desorientada dele, talvez nunca tivesse escutado a expressão ‘C* de bêbado não tem dono.” ou só gostasse de viver perigosamente. Se aproximou puxando um pequeno frasco, o qual pegou antes de deixar as dependências da enfermaria, de dentro do decote que exibia um líquido rosado. Se aproximou dando um sorriso falso e puxando o copo da mão de Logan e despejando o liquido que não ocupava mais do que dois dedos. – Vamos, vamos. Isto é para te deixar melhor. – Caso ele bebesse se sentiria melhor, caso não o problema não era dela. A poção apenas acalmaria o estomago e os frissons do grifinório o deixando em um estado tão viajado como ‘peace and love’, mas ao menos estável. Depois era só convencê-lo de seguir o coelho branco para fora das masmorras que não passava de nada além da manga de seu casaco cobrindo sua mão como se fosse um fantoche de meia.

E rápido como era possível em tal situação as meninas resgataram os rapazes bêbados limpando a sujeira que certo mexicano deixara.


Spoiler:
¿Qué ha pasado?

Enquanto arrumavam a enfermaria, Virginia e Aiyra ouvem falar de dois grifinórios bêbados e vão resgata-los antes que algum professor os veja. Chegando a masmorra do Pirraça, acham os rapazes e os tiram de lá.

[OFF]
Tudo autorizado, mas qualquer coisa eu edito, só avisar
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-
Tan cerca. no importa lo lejos
No pudo ser mucho más que del corazón
Por siempre confiando en quienes somos


Y nada más importa

That's is my secret, cap

I'm always angry
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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Mariana Lengruber em Dom Set 16, 2012 6:28 pm

Sua garganta já não estava tão seca quanto antes e a cerveja amanteigada havia acabado. As músicas até que eram animadas, apesar da garota não expressar nenhuma feição de animação ou mínima vontade de dançar. Ainda assim continuava mexendo a cabeça no ritmo da música. Seu olhar percorria o espaço à procura de alguém interessante que valesse a pena. Viu ao longe Derfel passando logo depois de Ángel, que conhecia apenas pelo mesmo ser da Sonserina. Também os observou indo para um canto isolado das masmorras. Coisa boa que não devia ser. Mas deu de ombros não era seu problema.

Pegou um copo com um pouco do ponche e continuou ali. Algumas vezes arriscava observar o lado onde se encontrava Derfel. Não sabia o porquê disso, mas alguma coisa nele prendia sua atenção. Viu mais um garoto, e logo após uma garota se unir a eles. Era difícil ver nitidamente quando se estava longe e tentando manter a discrição, além do tanto de pessoas que insistiam em passar na sua frente, estragando sua visão. Irritou-se com isso e decidiu ignorar o que quer que fosse que acontecia naquele grupinho ali reunido.

Terminou o ponche e arriscou alguns passos contidos de dança, afinal, que cada um cuidasse de sua própria vida e de seu jeito de dançar. Não se importava com o que pudessem dizer, nem pensar. Perdida em seus pensamentos foi pisada, esbarrada, e ainda tiveram coragem de chutá-la. Justo quando até estava dançando bonitinho. De repente toda aquela agitação e gente chata e música começavam a irritar Mariana. Já havia feito sua parte ali, e como não tinha ido com ninguém em específico poderia ir embora quando quisesse. E assim decidiu. Deu meia volta na pista de dança e andava com certa dificuldade para longe dali, para fora da festa. Quando ouviu uma voz conhecida sobressaltada.

– É disso que estou falando, ela parece uma ovelha. Já viu uma ovelha? – A sonserina sentia que ele falava dela, não sabia como, só sentia. Do tipo de quando você sente quando falam de você mesmo. Não se tem certeza, só pressente. E ele continuava – Uma ovelha precisa ser tosquiada pra cê saber como ela é por baixo de toda aquela lã! Porque se você comprar uma ovelha sem saber se ela é forte ou não, se o quadril dela é largo para passar as ovelhinhas? Não tem como saber! Simplesmente não tem como, mas aquela ali, ah meus amigos, é uma bela aquisição para um rebanho... Deixe de ser egoísta Àngel, continue a virar a garrafa porque hoje eu quero dançar!

NÃO! Ele definitivamente não falava dela. Ou melhor, ele não podia estar falando dela. Comparando uma garota à uma ovelha... Não e não. Preferia acreditar que não era sobre si. Ainda mais a parte do ‘uma bela aquisição para um rebanho’. Porque se fosse sobre ela... Ah, pobre Derfel. Girou os olhos tentando afastar aquilo tudo de sua cabeça. Deveria ser coisa de bêbado. Sua cabeça só latejava mais de pensar naquelas besteiras. Continuou andando até que viu outro grifinório que conhecia de vista, a olhando como se ela fosse uma ovelha, e ele o lobo faminto. Então o lobo abriu um sorriso mostrando todos os dentes e logo depois fez um passo digno de Oscar. E aproximou-se mais ainda da sonserina.

- Cê num é ovelhinha, mas que ancas laaargas de boa parideira... Benzadeus! – ela não sabia que linguagem era aquela, mas chamá-la de boa parideira que tinha ancas largas era demais para sua etiqueta aguentar.

Antes que Lengruber pudesse fazer algo, chegou uma garota qualquer e deu um bom tapa na cara do grifinório. Teria ele dito aquelas mesmas coisas para a garota? Ou coisas de nível pior... Ela não sabia. Mas antes que mais alguém chegasse batendo e o garoto se estressasse, ela teria sua vez na história. Não o deixaria a chamar de parideira de ancas largas e sair ileso, como se nada tivesse acontecido. Suspirou e o encarou.

- Você não é feio! Não mesmo. – mordeu os lábios. – Mas falar que tenho ancas largas... – deu um sorrisinho e logo depois levantou a perna um pouquinho e chutou com força sua canela. – Não ousaria encostar minhas mãos em você, sabe-se lá onde isso passou...

E assim deu as costas para o grifinório. Seu próximo passo era se acertar com Derfel, já que o outro grifinório havia confirmado com a primeira frase que dissera antes, Heaney estava mesmo falando de Lengruber. Mas não tomaria satisfação ali na frente de toda aquela gente. Não. Esperaria o momento oportuno. Estava mesmo decidida a sair daquela festa o mais rápido possível quando fora interrompida por Nanda Wizard, lufana. Ela lhe entregara um cartão dizendo que alguém muito importante havia lhe entregado mais cedo. A sonserina pegou o cartão e com a sobrancelha erguida o abriu. Era um vale beijo que Peter Junger havia lhe mandado.

- Mas que idiotice é essa? – dizia para si mesma com uma expressão de surpresa completa. Ainda assim guardou o cartão e o vale beijo. Nunca se sabe quando poderia precisar daquilo.

Nesse meio tempo viu Virginia e Aiyra carregando Derfel e Logan para fora da festa, pelo menos era o que parecia. Sua oportunidade era aquela. Derfel iria escutá-la, ah se iria. Quem ele pensava que era para falar daquele jeito, sobre seu respeito? Ele nem a conhecia; mal trocaram meia dúzia de frases entre si. Apesar disso a sonserina já tinha feito uma ideia de Derfel. Prepotente, cabeça dura, irritante e bruto. Seguiu os quatro para fora daquele lugar. Juntaria o útil ao agradável. Sairia daquela festa e ainda teria explicações por parte do Derfel. Não os interrompeu a princípio. Veria até onde iriam, assim, quando tivesse sua oportunidade atacaria.

O que você precisa saber de mais importante: Mariana chutou a canela de Logan depois do que ele disse. Em seguida pegou o cartão e o vale beijo que ‘Peter’ havia lhe mandado e guardou. Por fim, seguiu Derfel e companhia para fora da festa. Esperaria o momento certo para confrontar o grifinório.

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Re: Um drink no inferno

Mensagem por Logan C. Villeneuve em Seg Set 17, 2012 9:13 pm

    LAST NITE
    Paft! Só tive tempo de fechar os olhos e virar o rosto de acordo com o trajeto daquela mão pesada que me atingia. Ao abrir os olhos, meu coração, em alerta, foi parar na barriga. Sem entender nada, vi Azmaria, a doida, sair dali. Apesar de bêbado, fiquei apenas estático, incrédulo, com cara de ponto de interrogação. Em instantes, assim que a portuguesa findava sua cena típica de novela mexicana, senti alguém me cutucar. Virando-me de pronto, sorri abertamente, tão abobalhado quanto o resto do mundo poderia ser naquele final de tarde. Deparei-me com o paraíso e, veja bem, o paraíso, aqui, vinha em personificação de mulher, portanto, carregava um rebolado digno de Beyoncé e os olhos semelhantes aos de cigana oblíqua e dissimulada, como os de Capitu. Então... Voilá! Mais uma carícia para minha face: paft! Antes mesmo de responder à pergunta da estranha garota que tomou as dores de Azmaria, dei um passo à frente, arqueando as sobrancelhas de modo – que julguei ser - charmoso.

    LOGAN SEDUZINDO COM VIGOR /porémnão:

    - Alô, paixããão... Alô, doçuuuura...! – cantarolo, piscando para ela. - Cê num sabe que tapa de amorrr não dói? – gargalho a valer, como se fosse um texano pançudo, dono de vastas bigodeiras, esquecendo-me parcialmente do que me levara até aquele pedaço das masmorras.

    Não reparo a princípio, mas é quando a ovelhinha das ancas largas de boa parideira resolve entrar na conversa de maneira não muito civilizada. Vejo seu movimento rápido e, prevendo o pior, arregalo os olhos. Desprovido de qualquer reflexo, rezo apenas para que não chute naquele lugar. A bem da verdade, protejo-o antes de qualquer coisa. Sinto minha canela doer. Travo o maximilar com força, mas posso respirar tranquilo novamente. E é assim, mancando, que vejo a mais bela parideira do rebanho se afastar.

    ÔÔÔ, ovelhinhaaa... – solto um muxoxo, retornando, nada frustrado, à mesa de bebidas. – As mulheresss me amam, caaaaaara! – berro para Derfel, apoiando-me no ombro dele. – A demanda tá tããão graaaaande que num sei se conta, não – e, para festejar o meu pseudo-sucesso, encho um dos copos com o líquido presente no ponche. Dadas as primeiras bicadas, noto no sabor que em nada se assemelha com o esperado suco de abóbora. Dando-me conta de que o ponche provavelmente contém, agora, álcool, sorrio como um demente. – Ah, Hogwaaaaaartsssssh, como eu senti sua faaalta!

    E bebi mais um pouco e mais um pouco e mais um pouco e mais um... Bebi até não poder mais! Meus ouvidos, apurados que são, reconheceram a música do The Weird Sisters tocar. A partir daí, meus pés não pararam. Dancei um rockabilly inspirado e totalmente fora do tom que as músicas propunham. Assoviei para outras garotas, que foram tão gentis quanto a primeira que ousei enfrentar no começo do show; falei com conhecidos da mesma forma que falaria com um amigo de longa data; e continuei a rir como nunca. Logan Villeneuve continuava muy lejos de aquí... Veio a faixa “Whistles the wind” e, sendo ela completamente parada, me permitiu um descanso. Naquela fase, eu já estava um pouco menos elétrico e mais lúcido. Sentei-me no chão, deixando o copo cair acidentalmente e se estilhaçar. Tudo estava bem, tudo estava legal... Até chegar um bilhetinho para mim.

    Surpreso, arqueei as sobrancelhas. Não confiando no que meus olhos liam, pedi para dois desconhecidos lerem o que estava escrito ali. Sim... Sim! Sem dúvida alguma, mesmo com tudo, ela me queria. Normalmente, não saberia se sorria ou ficava desesperado... Mas hoje é um dia atípico e, por mais que eu quisesse negar, aquela louca tinha lá o seu fascínio.

    - Essa doida ainda me quer? – perguntei para mim mesmo, gritando. Inexplicavelmente, pela primeira vez em anos, tive vontade de correr atrás de Azmaria. Quando me pus em pé, uma mão surgiu para me salvar daquele estado tétrico. A moça, mulher, súcubos, seja lá o que for, ofereceu-me um líquido estranho. Num primeiro momento, aceitei, porém, bastou o primeiro gole chegar à minha garganta, e mudei de ideia. Remédio. Posso ser bêbado, mas ainda sei o que é isso. Mesmo assim, finjo obedecer às ordens e sigo, em meio ao mundaréu de gente, a boa alma que tenta me ajudar. – Siiim! Siiim! Siiiiiiiiiim! Esse amor é tão profuuuuuuuuuuuuuuuuundo... Você é minha prometida, ô vô gritá pra todo muuuuuundo! – enquanto olhares de reprovação me seguiam, gesticulava com as mãos, pondo-me de joelhos, pulando, gargalhando sem parar e prosseguindo a bradar aquela velha e poética canção.

    Aonde procurá-la? Será que ela está me esperando em algum lugar? Procurava a todo custo aquele rosto pequeno e dócil. Duzentas garotas, e nenhuma se assemelha a um terço do que é Azmaria Corte-Real. Procure as magras, disse a memória seletiva. E as longilíneas. Procure aquelas que possuem curvas... E, se puder distinguir, as que possuem cabelos castanhos. Eu só posso estar louco pra correr atrás de um bicho daqueles. Bom, corrigindo... Eu estou louco. Então, no meio de toda aquela gente e eliminando todas as possíveis Azmarias, localizo-a. Largando da boa alma, que me acompanha e tenta me levar para o bom caminho – ou seja, Aiyra -, empurro todo mundo pedindo uma desculpa cá e outra acolá. “É hoje”, diz Lester Young em algum lugar de minha mente.

    - AZZZZZZZZZMARIA! – berro, como quem, em desespero, diz: “Wiiiiiiiiilson!”... Mas ela parece não ouvir. - AZZZZZZZZZMARIA! – tento novamente. Alguns passos a mais e zaz! Lá estou eu. No entanto, diferente do que se possa imaginar, toda a euforia que há em mim subitamente se esvazia. Em meu rosto, a indignação. Amasso o pequeno cartão e o vale-beijo. Deixo-os serem massacrados pelos pés da multidão. Ela olha para mim, pois sabe onde estou. E, além de tudo, sabe que eu viria. Ela dança com outro rapaz. Por um triz, não o acerto bem no meio da cara. Sou segurado, engolido por pessoas que querem apaziguar. “Melhor sair daqui”, dizem-me alguns. Estou cansado, muito cansado. Sigo o conselho e tento alcançar, inutilmente, Derfel e as duas garotas que o acompanham.

    RESUMO:
    Logan leva uns tapas, de Azmaria e Katherine, e um chute na canela, de Mariana. Mesmo assim, sai se gabando de sua inexistente fama de garanhão. Posteriormente, depois de muito dançar, recebe um cartão e um vale-beijo, que julga ter vindo de Azmaria, porque lá está seu nome. Logan vai procurá-la e a vê com outro rapaz, o que o deixa furioso.

    OFF:
    Post fraquinho, só pra conseguir fazer a transição para a RP com a Azmaria Wink
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Logan C. Villeneuve
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Re: Um drink no inferno

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